2026/04/09

Sonaecom ainda tem que pagar os estragos da OPA à PT para poder …

Esta semana, Ângelo Paupério veio dizer aos jornais que a Sonaecom ponderava a possibilidade de se juntar com a PT Multimédia. Depois do “spin-off” da PT. Um cenário desejável de consolidação no mercado de telecomunicações e que daria à PTM o acesso ao negócio dos telefones fixos e móvel. Mas fontes próximas dos actuais accionistas da PT Multimédia consideram que o negócio ainda não se pode fazer, ainda que as duas empresas casem perfeitamente.

Em cima da mesa está ainda o passado recente da última OPA da Sonaecom à PT Multimédia e os ressentimentos criados nos accionistas da PT. Nem Luís Silva nem Joaquim de Oliveira, muito menos Ricardo Salgado ou mesmo a Caixa Geral de Depósitos veriam com bons olhos uma tomada de controlo por parte da Sonae na PTM. Para isso, a Sonaecom teria que pagar nunca menos de 15 ou 16 euros por acções, o que seria impossível, na cultura do grupo, mesmo agora que Belmiro de Azevedo se afastou.
Para já. No máximo, com a blindagem, a Sonaecom poderá ir apenas até aos 10%, o que dificilmente cabe na cultura do grupo do norte.
Por outro lado, uma fusão aproveitando a fragilidade da Soanecom, cujas acções caíram mais de 30% desde o fim da OPA e cujos prejuízos são persistentes (a Sonaecom nunca teve lucros) onde os interesses da Sonaecom seriam compatibilizados com os restantes accionistas, eventualmente deixando o sector das telecomunicações de ser estratégico para o grupo Azevedo, também ainda não pode ser equacionada, pelo simples facto que existem nos accionistas da PTM grandes desconfianças relativamente ao grupo do Norte. “É preciso tempo e uma mudança de postura da Sonaecom para que a atitude possa mudar.”
Por outro lado, existe ainda a forte hostilidade política do grupo do Norte ao governo socialista e em particular ao primeiro-ministro. O facto de Belmiro de Azevedo ter dito publicamente que o Governo deve muito à Sonae levaria certamente o mercado a entender que se estava a fazer “pagamentos”, caso o Governo se empenhasse na fusão entre a PTM e o grupo do Norte. O excesso de linguagem cria agora embaraços que dificultam uma operação que todos os analistas consideram fazer sentido economicamente e que aumentaria o nível de concorrência no mercado das telecomunicações em Portugal.

Caixa BI aposta na compra da Cabovisão
pela Sonaecom

É neste contexto de dificuldades, que, aparentemente, o mercado não interiorizou em face da subida das cotações, que o Caixa BI acredita que é possível uma consolidação entre a Sonaecom e a Cabovisão, da empresa canadiana Cogeco. A casa de investimento coloca, assim, de lado a hipótese da empresa liderada por Ángelo Paupério vir a comprar a PT Multimédia.
Concretamente, na segunda feira, o Diário Económico noticiava que a Sonae estaria a estudar a corrida à PTM. O presidente da Soanecom, Ângelo Paupério disse que a empresa não vai abdicar do seu papel consolidador do mercado e que “se alguém interpretar esta declaração como uma intenção de comprar a PTM a qualquer preço, não está a perceber”. No entanto, o mesmo responsável adianta que “vai haver um momento em que vamos dizer se a PTM está, ou não está, nos projectos de crescimento da Soanecom”.
Numa nota de análise, João Fidalgo, analista do Caixa BI, afirma que “com o ‘spin-off’ da PTM, a Soanecom encontra-se muito atenta ao enquadramento competitivo que irá surgir, ao mesmo tempo que coloca pressão a que se assista a uma efectiva concorrência entre a operadora de cabo e a sua anterior holding, pelo que acreditamos que seja possível uma consolidação envolvendo a Sonaecom e a Cabovisão”.
Na opinião de João Fidalgo, “as recentes entrevistas por parte do management da Cogeco não excluem este nosso cenário”, considerando que o sector das Telecomunicações caminha no sentido da convergência de plataformas e tecnologias tornando imperativo que o agrupamento (“bundling”) de serviços exista nas ofertas comerciais das operadoras, facto que não tem sido premente até muito recentemente.”

BPI diz que Sonaecom não deverá pagar um prémio elevado pela PTM

Já do seu lado, os analistas do Banco BPI consideraram que a PT Multimédia se encontra a um valor mais razoável para ser adquirida pela Sonaecom, uma vez que o preço das suas acções registou uma correcção de 12% na semana passada, mas que, a concretizar-se a operação, a empresa liderada por Ângelo Paupério não deverá pagar um valor elevado pela ex-subsidiária do Grupo PT, já que não existem grandes sinergias a serem retiradas desta união.
Os analistas do BPI consideram que as declarações do CEO da Sonaecom Ângelo Paupério ao “Diário Económico” têm um impacto “Neutral” no título, uma vez que “estas posições da Sonaecom e da Sonae SGPS não são novas”.
Relativamente à possibilidade da compra da PTM pela Sonaecom, o BPI nota que “uma vez que não prevemos sinergias significativas deste negócio, também não esperamos que a Sonaecom pague um prémio elevado sobre o que pensamos ser a avaliação fundamental da PTM, nomeadamente o nosso preço-alvo de 10,15 euros para o fim de 2008”.
“Em adição, acreditamos que a sobreposição dos mercados da PTM e da Sonaecom deve ser bastante elevada, e por isso a combinação das duas empresas não deve permitir uma grande complementaridade entre os dois negócios”, nota.
Quanto ao desejo do Grupo Sonae de manter a sua presença no sector das Telecomunicações, o BPI nota que “Belmiro de Azevedo não se referiu especificamente à Sonaecom. Isto não exclui a possibilidade de manter a exposição [ao sector] através de outros veículos que não sejam a Sonaecom”.

Interessados terão de esperar até passar um ano sobre a última OPA

Porém, se alguém lançar uma oferta sobre a PT Multimédia imediatamente a seguir ao “spin-off” não será com certeza a Sonaecom, dizem alguns analistas. Só no caso de a empresa liderada por Ângelo Paupério ter chegado a acordo com os accionistas da PTM e obtido o consentimento da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para a operação. Isto porque, de acordo com o Código dos Valores Mobiliários, artigo n.º 186, uma empresa só pode avançar com uma OPA “sobre os valores mobiliários pertencentes à mesma categoria dos que foram objecto de oferta” dozes meses após o desfecho da primeira oferta – neste caso 2 de Março de 2008. Apesar da OPA ter sido lançada sobre a casa-mãe Portugal Telecom (PT) tinha como contrapartida, caso tivesse sucesso, o lançamento de uma outra sobre a PTM – uma vez que a PT ainda detém mais de 50% da PTM. Logo estava implícito que a segunda OPA tinha que acontecer se a primeira se concretizasse.
A Sonaecom ainda não decidiu se o seu futuro passa pela PTM e, a passar, qual é a melhor forma de aproximação, noticiava ainda o “Diário Económico”. Enquanto isso outros “players” continuam silenciosos, mas atentos, deixando evidente que o futuro da dona da TV Cabo está longe da clarificação.
Embora o momento não seja comparável, é preciso não esquecer que, durante a OPA, houve manifestações de interesse na compra da rede que viesse a ser alienada pela Sonaecom, caso esta comprasse a PT. Na ocasião, há cerca de um ano, Abel Mateus, presidente da Autoridade da Concorrência, obteve respostas da Vodafone, Cabovisão, SGC – empresa de João Pereira Coutinho -, Cofina e Radiomóvel. Ao questionário da AdC também responderam os fundos de capital de risco Silver Lake, Apollo e BC Partners. A generalidade das entidades consideravam a PTM – rede de cabo – mais facilmente transaccionável que a rede de cobre.
Agora, as mesmas entidades, ou tomam posições accionistas na PTM, para se posicionarem, como é o caso da Cofina, ou preferem não se pronunciar, como a Vodafone e a SGC. Outras ainda não descartam a possibilidade da compra mas garantem que o momento não é oportuno.
Seja qual for a intenção é preciso esperar pelo “spin-off”, que deverá estar concluído no final do mês de Outubro. Passado este obstáculo há outros. Ao lançar uma OPA o potencial comprador terá sempre que contar com uma empresa com estatutos blindados a 10% do capital. Tal como aconteceu na PT, só o voto favorável dos accionistas permite levantar a blindagem que dá acesso ao controlo da empresa. Além disso, não há “golden share” do Estado, mas há uma posição de mais de 15% da CGD, que claramente terá uma palavra a dizer em todo o processo.

Sonaecom funde Optimus com Novis no início de Novembro

Entretanto, a Sonaecom vai proceder à fusão destas duas empresas numa só, de forma a conseguir “poupanças substanciais nos investimentos futuros” ao nível das infra-estruturas de transmissão e nas “despesas de funcionamento”, que enfrenta pelo facto de ter “duas estruturas jurídicas, sem que existam quaisquer razões que justifiquem a manutenção da actual situação”, segundo explicou a empresa à Anacom.
Antes de tornar efectiva esta operação, o que acontecerá a 1 de Novembro, a Sonaecom, única accionista da Optimus e da Novis, vai “limpar” os saldos contabilísticos das duas para que as contas da nova empresa arranquem do zero. Uma forma de preparar a empresa par a futura fusão?

FC Porto “arrasa” concorrência

Seis jogos, seis vitórias e sete pontos de avanço sobre os eternos rivais. É este o registo surpreendente do FC Porto no início da Liga Bwin. Se na Taça da Liga os dragões decepcionaram ao serem afastados pelo Fátima, no campeonato nacional o clube das Antas não está a dar a mínima hipótese aos outros candidatos. Caso a situação não se inverta nas próximas jornadas, o conjunto de Jesualdo Ferreira, que também tem beneficiado com alguns deslizes invulgares do Sporting e Benfica, arrisca-se a conquistar prematuramente o tricampeonato português.

O dragão não está a dar as mínimas hipóteses aos seus eternos rivais, neste início da Liga Bwin. Em seis jogos, o conjunto orientado por Jesualdo Ferreira venceu por outras tantas ocasiões, tendo marcado 18 golos e sofrido apenas dois. E recorde-se que os portistas já defrontaram equipas como o Sp. Braga, Sporting e Boavista. Seja como for, refira-se que o conjunto nortenho venceu os três desafios em casa, tendo apontado 11 golos e sofrido apenas um, enquanto o registo “fora” é idêntico: três jogos, três vitórias, sete golos marcados, um sofrido. No que diz respeito aos jogadores em maior destaque, Lisandro Lopez tem sido o atleta em melhores condições e aquele que mais tem produzido. Já Ricardo Quaresma é outro dos “suspeitos do costume”, mantendo-se como um dos atletas mais desequilibradores do campeonato nacional e o principal “municiador” do ataque dos azuis e brancos. Relativamente a Lucho Gonzalez, continua a ser o “pêndulo” do meio-campo dos campeões nacionais e, provavelmente, o jogador mais influente da estratégia portista.

Sporting de Paulo Bento

Com seis jornadas disputadas na Liga Bwin, os leões ocupam o quarto lugar da tabela e já estão a uns insólitos sete pontos de distância do FC Porto. A formação de Paulo Bento tem um registo de três vitórias, dois empates e uma derrota, precisamente contra os dragões, tendo apontado nove tentos e sofrido quatro. Em casa os leões venceram dois encontros e empataram inesperadamente por uma ocasião diante o Vitória de Setúbal, e marcaram sete golos e sofreram três. Já “fora”, a formação verde e branca venceu por uma vez, empatou também por uma ocasião e soma ainda uma derrota, apresentando um “goal-average” de apenas +1 (2-1). Em relação aos jogadores em destaque, de sublinhar, inevitavelmente, o avançado Liedson e o defesa central Polga que, inexplicavelmente, continua sem regressar à selecção brasileira. Já Miguel Veloso também tem estado em bom nível, enquanto o médio e capitão de equipa, João Moutinho, ainda está à procura da melhor forma. Relativamente ao guardião Stojkovic tem-se apresentado tanto em excelente nível, como por exemplo diante o Dínamo de Kiev, como cometido erros incompreensíveis e que já custaram quatro pontos aos leões (dois frente ao FC Porto e outros tantos diante o Vitória de Setúbal).

Camacho pede tempo

Com menos um ponto que o Sporting, surge o Benfica na quinta posição com duas vitórias e quatro empates. Em três desafios disputados em casa, as águias empataram por duas vezes, uma delas diante o clube de Alvalade, e ganharam por apenas uma ocasião, verificando-se um “goal-average” de +6 (7-1). Já “fora” de casa, o clube da Luz apresenta o mesmo registo que em casa: uma vitória e dois empates, tendo apontado por quatro golos e sofrido um. No que diz respeito aos jogadores em destaque, Rui Costa tem sido o atleta em melhores condições e aquele que mais tem produzido, ao contrário dos avançados Nuno Gomes e Óscar Cardozo, que, recorde-se, foi a segunda contratação mais cara das história do Benfica. Já Dí Maria e Cristián Rodriguez prometem vir a ser elementos preponderantes de um Benfica que tem sentido a falta do “trinco” Petit, que se encontra a recuperar de uma lesão. De realçar ainda as excelentes prestações do guarda-redes, Quim.

“Outsiders” da Liga Bwin

Apesar de ainda só terem sido realizadas seis jornadas, Marítimo e Vitória de Guimarães surgem como as principais surpresas deste início de temporada. No que diz respeito à formação da Madeira, está classificada na segunda posição com treze pontos alcançados, após ter ganho quatro jogos, empatado um e perdido outro. Já o Vitória de Guimarães de Manuel Cajuda, que, recorde-se, disputou a Liga de Honra na temporada passada, surge surpreendentemente na terceira posição com 12 pontos alcançados através de três vitórias e outros tantos empates.

Estatísticas e jogadores

Num campeonato nacional constituído por 45,2% de jogadores lusos, 31,8% de brasileiros, 3,2% de argentinos, 2% de sérvios, 1,6% de uruguaios e 16,8% de atletas das mais variadas nacionalidades, e numa altura em que já foram realizadas seis jornadas, já foram disputados 48 desafios, tendo sido apontados 93 golos, o que perfaz uma média de 1,94 tentos por jogo. Refira-se que o empate tem sido o resultado mais frequente (43,8% dos encontros), enquanto as vitórias das equipas que jogam em casa registam uma percentagem de 39,6% e as derrotas dos anfitriões apresentam uma taxa de 16,7%. De salientar também que 72,9% dos desafios terminaram com menos de três golos e 27,1% dos encontros acabou com mais de três tentos apontados. Finalmente, os dragões são a formação nacional que necessita de menos minutos para apontar um golo (49 minutos), seguindo-se o Marítimo (54 minutos) e o Sporting, Vitória de Setúbal e Vitória de Guimarães (60 minutos). Já o Benfica surge na sexta posição deste ranking, necessitando de 77 minutos para desferir um remate certeiro. Relativamente aos jogadores, Lisandro Lopez do FC Porto é o melhor marcador com seis golos em cinco partidas disputadas (1,2 tentos por jogo), enquanto o defesa central Bruno Alves, também dos actuais campeões nacionais, é o atleta com mais minutos em campo até ao momento: 540 minutos.

A ode ao documentário

A quinta edição do doclisboa decorre entre 18 e 28 de Outubro. Este é o único festival de cinema documental do País e a programação foi apresentada esta semana na Culturgest. O melhor da produção contemporânea de documentário nacional e internacional regressa para onze dias de projecções, em regime intensivo, com muitas estreias absolutas no nosso país.

O doclisboa é o único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao documentário. O ano passado, naquela que era a sua quarta edição, o doclisboa apostou na capitalização do interesse dos espectadores portugueses pelo documentário e conseguiu trazer às salas da Culturgest um público muito numeroso e entusiasta, conseguindo 22 500 espectadores, reflectindo um índice de ocupação de salas na ordem dos 70%.
O documentário é a temática essencial e foi-se criando ao longo destes quatro anos uma cada vez maior consciência das suas potencialidades e diversidade.
O doclisboa tem apostado na descoberta de novos territórios e na vitalidade do cinema do real.
Em 2007, o festival mantém os principais objectivos das edições anteriores “mostrar ao público português filmes importantes e multipremiados internacionalmente que ainda não chegaram às salas de Lisboa, permitir uma reflexão mais aprofundada sobre temas contemporâneos e de actualidade, dar a conhecer de forma mais sistemática a cinematografia de outros países, organizar debates que mobilizem o público em torno de filmes importantes e de temas transversais, presentes em várias obras”.
Através das suas diferentes actividades, o festival é, também, um motor de transformação do documentário em Portugal (distribuição, financiamento, profissionalização). O festival permite uma reflexão mais aprofundada sobre temas contemporâneos e de actualidade, sendo assim um agente que intervém sobre a sociedade portuguesa, um local onde os filmes se discutem e se pensam nas suas abordagens de produção e artísticas.
Durante 11 dias serão exibidos cerca de 120 filmes, divididos entre a competição internacional (longas, curtas e primeiras obras) competição nacional e investigações. Haverá ainda secções paralelas: “Diários Filmados e auto-retratos”, uma oportunidade única para rever clássicos e raridades que falam da vida dos realizadores ligada ao cinema; “Vento Norte”, que nos traz alguns dos melhores filmes nórdicos; “Riscos e Ensaios”, que reformula a secção Ficções do Real Número Zero.
A “Mostra Retrospectiva: Lech Kowalski” será certamente um dos momentos mais altos do festival. Lech Kowalski, realizador de origem polaca e cidadania inglesa, é uma figura maior do cinema underground americano. Os seus filmes são, desde o início, uma observação das margens, um encontro com outsiders.
Este ano o festival propõe-se a trazer novamente a Lisboa, em primeira-mão, o melhor da produção nacional e internacional de documentário: onze dias de projecções em regime intensivo, ainda com mais filmes, mais secções e mais actividades complementares do que nas anteriores edições.
Este ano surgem algumas novidades relativamente às edições anteriores. O doclisboa terá um segundo espaço de projecção nas duas salas do Cinema Londres. Assim todos os filmes em competição passarão duas vezes, assim como os outros filmes das secções paralelas e extracompetição. O Cinema São Jorge será um espaço importante dos últimos dias do festival – 26, 27 e 28 de Outubro. Por um lado, com sessões escolares organizadas (sexta-feira, 26 de Outubro), por outro, com uma matiné infantil (sábado, 27 de Outubro).
Outra das novidades desta 5.ª edição é a Maratonadoc, que terá lugar no último domingo do festival. Um ou dois comissários escolherão de entre os filmes presentes no festival cerca de 15 dos seus preferidos e farão a apresentação dessas obras. A Maratona terá lugar nas duas salas do cinema São Jorge, a partir das 11 da manhã de dia 28, até de madrugada.
Paralelamente ainda estão programados encontros profissionais entre produtores e realizadores portugueses e representantes do mercado internacional, sob o título “Docbreakfast” e ainda a primeira edição do workshop doclisboa escolas, com o objectivo de aproximar os alunos das escolas de cinema e os jovens realizadores às regras internacionais do meio profissional de documentário.
Este festival é, sem dúvida, um ponto de encontro privilegiado do público com realizadores e outros profissionais nacionais e estrangeiros do documentário e um fórum aberto de reflexão e discussão sobre o estado do mundo e a situação do cinema documental contemporâneo.
Este festival é uma co-produção entre a Apordoc e a Culturgest com o apoio do Ministério da Cultura/ICAM, Câmara Municipal de Lisboa, Egeac e Programa Europeu Media. Patrocinador oficial: Sony. Organização: Apordoc – Associação pelo Documentário. Poderá encontrar mais informação em www.doclisboa.org.

A vitória da táctica políticapor Rui Teixeira Santos

A derrota de Marques Mendes é um aviso para José Sócrates. É um novo modo de fazer política, sobretudo, táctico, mas que ganha eleições. Sócrates deve saber que aquilo a que António Vitorino chama “populismo” é mais que uma táctica para cativar o eleitorado. É, mesmo, um método para conquistar o poder.

A derrota de Marques Mendes é um aviso para José Sócrates. É um novo modo de fazer política, sobretudo, táctico, mas que ganha eleições. Sócrates deve saber que aquilo a que António Vitorino chama “populismo” é mais que uma táctica para cativar o eleitorado. É, mesmo, um método para conquistar o poder.

Os momentos psicológicos da mudança no PSD

Do ponto de vista da análise política, o mais interessante, na vitória de Luís Filipe Menezes, nas directas de sexta-feira no PSD, não foi tanto o seu discurso, nem a surpresa das ditas elites da direita e da esquerda, nem mesmo o ter mandado para a reforma o cavaquismo e o barrosismo, que oportunistamente continuavam a viver das rendas da política.
O mais interessante foram mesmo dois ou três números de verdadeira táctica política que poderão ter virado o resultado e que mostram que a oposição mudou.
Em primeiro lugar, a neutralização de Ferreira Leite ficará nos livros de registo de tácticas políticas, com uma estratégia de envolvimento por parte da candidatura de Luís Filipe Menezes, que impediu a presidente da Mesa do Congresso de, publicamente, vir apoiar Marques Mendes, criando um limbo à volta do seu voto que, objectivamente, não beneficiou o antigo líder.
Há dois momentos significativos para tudo mudar: primeiro, a golpada dos Açores e os votos da Amazónia, que travam Ferreira Leite e desacreditam Marques Mendes. Percebendo a questão da aparente “chapelada” nos Açores, Manuela Ferreira Leite propõe que todos possam votar com as quotas pagas até ao acto, o que é inviabilizado pelo Aparelho de Marques Mendes. Guilherme Silva percebe o embaraço, talvez ciente dos números.
Como retaliação, os mendistas avançam com a alegada compra de votos ou pagamentos colectivos de quotas no último dia. A candidatura de Luís Filipe Menezes treme, até mesmo com as declarações de Pacheco Pereira em desespero.
Finalmente, o golpe de misericórdia em Mendes: os votos da Amazónia. Já ninguém discutia se havia ou não fraude do lado de Mendes. Apenas se era na Amazónia e se eram mais ou menos votos. Mendes estava “frito”.
Em segundo lugar, a maneira como os menezistas fazem prolongar até às quatro da manhã a reunião da Conselho de Fiscalização Nacional, neutralizando assim o contra-ataque preparado por Guilherme Silva, empurrando a decisão para longe da hora dos telejornais e reduzindo o seu impacto mediático.
Mas, sobretudo, as jogadas de Luís Filipe Menezes, dando a entender a Ferreira Leite que podia desistir. A presidente da mesa do Congresso pedia então a Menezes – foi aqui que cometeu o erro fatal, pois ficava sem espaço para apoiar Mendes – que não tomasse nenhuma posição sem lhe falar. Menezes arrasta para as três da tarde a sua conferência de imprensa, quando já não havia espaço para mais ninguém falar. Nem mesmo para Ferreira Leite. O efeito mediático da avalancha dos barões a apoiarem Mendes estava destruído e o líder já não podia ser apontado como “campeão da ética”.
Menezes ia a votos e a máquina não conseguia garantir a reeleição de Mendes, surpreendida com a confusão. Menezes ganhou.
De certo modo, há aqui um regresso ao PSD de Sá Carneiro, dos métodos e tácticas nos grandes congressos fundadores da democracia. Calculista, inteligente, político.
E, nesse sentido, também vindo do Norte, como o fundador do PSD que Balsemão substituiu, Luís Filipe Menezes faz voltar a política à agenda do País, de um país cinzento, cansado das missas de Marcelo e alienado no futebol e nos casos de polícia. Torna isto tudo pelo menos muito mais divertido.
Mas sobretudo, Luís Filipe Menezes evita a solução Balsemão, que o “Expresso” trazia no passado fim-de-semana: o fim das directas e a devolução do poder aos barões barrosistas, em aliança com o que restava do cavaquismo. Falhou tudo diante do resultado devastador de Menezes.

Sócrates que se acautele

A partir de agora há mudança. Pelo menos da forma. E, em política, quantas vezes a forma não é tudo. Menezes não se deslumbrou em entrevistas às revistas cor-de-rosa ou a falar a todo o momento. Marca o seu tempo. Gere a imagem.
Em política, a conquista do poder justifica estes jogos tácticos inteligentes. A encenação, que é também parte do poder. Os meios justificam os fins, sem ingenuidade.
É, basicamente, o regresso da política tacticista, em vez da “conversa” dos grandes princípios – sempre tão relativos e tão ao sabor de modas – que marcaram a direita nos últimos dez anos e que, de certo modo, contribuíram para o descrédito da própria direita.
É o regresso da táctica, do jogo de espelhos, da inteligência florentina à política. Aliás, Luís Filipe Menezes não deixa equívocos na sua moção ao Congresso: quer mudanças, a começar pela lista para o Parlamento Europeu, indo todos para a rua. Saudável e clarificador… (Seguramente o inacreditável Pacheco Pereira sairá também do PSD, perdendo, naturalmente, o palco na SIC…)
Mas, este novo ciclo da oposição reserva, também, surpresas ao primeiro-ministro e ao PS. A começar pelos impostos, que Sócrates não quis descer. Menezes não quer tapar a boca a Marcelo e evitar que Ferreira Leite se ponha em bicos de pés ou, mesmo, que Cavaco Silva volte a falar do monstro.
O “monstro” é o Estado, gastador e gigante, que o “novo” PSD quer diminuir, para depois diminuir o défice e, finalmente, poder, consistentemente, baixar os impostos. Dito assim não é nenhum apoio a Sócrates. É mesmo uma dificuldade, pois Menezes já está a tirar espaço ao primeiro-ministro.
Ao dizer que só com o défice abaixo dos 2% é que se pode descer impostos, Menezes não está a fazer economia (não há razão nenhuma económica para ser 2 ou 3 ou 4 por cento o défice do OE, sobretudo, quando estamos no euro e os outros pagam os nossos excessos), mas a fazer política e bem feita.
Menezes está a tirar espaço ao PS para poder descer impostos e fazer uma utilização eleitoralista do Orçamento do Estado antes das legislativas de 2009.
Basicamente, o que Luís Filipe Menezes está a dizer é que sem continuar com as reformas até níveis de segurança claros, o dinheiro que se diminuir na receita pública vai fazer falta depois e pesar no relançamento da economia.
Nesse sentido, o PSD, dirá Menezes, fará tudo para poder baixar os impostos. Mas, consistentemente. Credivelmente… depois do défice ficar abaixo dos 2%. Tudo o resto é pura demagogia e irresponsabilidade…
No próximo Congresso do PSD, Menezes já está a pensar em 2009. Não tem nada a perder, nem assumiu nenhum compromisso. Foi, exactamente, assim que conquistou o PSD.
A bola ficará, portanto, do lado de Sócrates. Se baixar os impostos, com o défice acima dos dois por cento, pode contar com o “selo” de gastador, populista e eleitoralista.
Sócrates que se acautele. Para que não lhe aconteça o mesmo que a Marques Mendes…

A vitória de Luís Filipe Menezes por Paulo Gaião

Ou Cavaco se adapta aos novos tempos e diminui o nível
de cooperação estratégica com Sócrates, ou não é liquido que o PSD de Menezes lhe dê um apoio efectivo
à recandidatura

Luís Filipe Menezes parte de expectativas muito baixas, o que faz com que os seus resultados futuros sejam muito promissores. Além do mais, tem a experiência de Santana Lopes para aprender com os erros passados. A receita passa por Menezes fazer quase tudo diferente de Santana. Seguir o seu próprio caminho, não se deixar levar por amiguismos, não fazer viragens de 180 graus nem concessões abissais.
A história de Santana não é a de Menezes. Se, no futuro, com as muitas vicissitudes que o tempo costuma trazer, o acaso permita que Santana ajuste contas com a história, Menezes até pode estar lá para dar um empurrãozinho. Mas nada deve fazer para forçar as coisas. Os santanistas mais significativos, como Rui Gomes da Silva e Helena Lopes da Costa, estão com Menezes. Este é um valor acrescentando que o novo líder deve gerir cuidadosamente. Impedindo que se forme a impressão de que Gomes da Silva e Lopes da Costa são uma espécie de mandatários de Santana, quaisquer que sejam os seus cargos futuros. De forma a virar a página…
Os tempos correm de feição a Menezes. O próprio facto de não ser deputado e não poder ser líder parlamentar pode ser utilizado a seu favor. No Parlamento, agora com debates de quinze em quinze dias, Menezes não precisa de se expôr, de ficar sujeito a avaliações com Sócrates, na posição sempre ingrata de quem está na oposição. O palco pode ser dele noutro local. Menezes não tem se preocupar com o que foi a vida infernal de Ribeiro e Castro. O autarca de Gaia sempre teve direito aos holofotes.
Até uma nova “gaffe” de Mário Soares veio revelar-se feliz para Luís Filipe Menezes. O ex-presidente da República considerou uma “desgraça” o que se passou no PSD. Depois sentiu-se no dever de emendar a mão. No final, Menezes já era muito amigo dele, o autarca de Gaia até tinha proposto Soares para nome de rua e o velho líder socialista contrapôs Cal Brandão.
Se fizer as coisas bem, Menezes até pode ser um caso de sucesso. Mesmo se perder para José Sócrates nas eleições legislativas de 2009, até com maioria absoluta do PS, a sua liderança pode não ficar em causa. Imagine-se que Menezes alcança um “score” muito acima dos 30 por por cento, beneficiando do efeito novidade, do voto de descontentamento com Sócrates, do voto útil do PP no PSD. Menezes ficaria a grande distância do resultado de Santana Lopes em 2005, o que contribuiria mais para o fortalecer. Recorde-se o caso de Ferro Rodrigues nas legislativas de 2002, em que o hoje embaixador na OCDE ficou a apenas dois pontos percentuais de Durão Barroso, acabando por continuar na liderança do PS (depois hipotecada por causa do caso Casa Pia).
Para além da disputa que fará com Sócrates em 2009, Menezes tem muitos outros trunfos para jogar. Apesar da sua promessa de serem as bases a decidir, é ele quem vai escolher ou dar luz verde aos candidatos às eleições europeias e às municipais, pelo menos no que se refere às grandes cidades. Também é ele, naturalmente, quem vai referendar as listas de deputados nas legislativas de 2009. Nas presidenciais de 2011, é igualmente Menezes quem vai ter uma palavra a dizer na recandidatura de Cavaco Silva.
O papel de Cavaco. Uma mistura paradoxal entre a necessidade de ajudar Marques Mendes e o excesso de confiança na sua vitória, fez Cavaco Silva não ter algumas precauções. A luz verde que teve que dar para Alexandre Relvas ser o mandatário da candidatura de Marques Mendes (depois de ter sido seu director de campanha) expôs a Presidência da República desnecessariamente. O mais surpreendente é que esta atitude nem se enquadra no estilo de Cavaco, muito sensato e prudente.
Cavaco tem tido, na Presidência da República, encargos excessivos. Quase como se tivesse de expiar alguma coisa. A sua coabitação de sonho com Sócrates é muito castrante e está na base, aliás, de boa parte dos problemas que Marques Mendes sentiu durante o seu mandato. O envolvimento de Cavaco nas directas, através de Relvas e de outros cavaquistas insuspeitos, pode ser visto, até, como uma forma de compensação política e psicológica face aos danos provocados a Mendes. Ora a ciência política e a sua estratégia não se compadece, muitas vezes, com mecanismos que lhe são exteriores.
Cavaco apresentou-se às presidenciais, em 2006, com o objectivo de fazer dois mandatos. Voluntária ou involuntariamente, o desempenho de Cavaco em Belém foi até hoje no sentido de ser reeleito com os votos do PSD e a não oposição do PS, passando pela não apresentação de um candidato próprio dos socialistas, como aconteceu com a reeleição de Mário Soares em 1991. Ora, a eleição de Menezes faz com que o que parecia seguríssimo há uma semana, deixe de o ser. Ou Cavaco se adapta aos novos tempos e diminui o nível de cooperação estratégica com Sócrates, ou não é liquido que o PSD de Menezes lhe dê um apoio efectivo à recandidatura. Se tal acontecesse, era ingrato para Cavaco apresentar-se em 2011 com o PS como o único entusiasta da sua reeleição.
Por sua vez, caso decida dar sinais de distanciamento de Sócrates, a posição do Presidente da República também pode não ser agradável, porque a vitória não é certa (e Cavaco gosta de coisas quase garantidas). No entanto, se ganhar o segundo mandato, o triunfo será mais gratificante e o PSD poderá ter finalmente um Presidente da República em Belém. Verdadeiramente seu.
A eleição de Menezes veio tornar tudo possível. Até com Santana Lopes. Para líder parlamentar do PSD, Santana não faz sentido. Só ofuscaria Menezes e podia levar, quase inevitavelmente para o Parlamento, a carga do seu passado. Santana está mortinho há dois anos para confrontar Sócrates. Ora esta guerra pessoal e política ficou lá atrás e interessa a Menezes afastar-se dela a sete pés. Mas já a hipótese de Santana ter uma luz intermitente do PSD para cumprir um dos seus sonhos e ser candidato a Belém, não deve ser descartada (mesmo com a candidatura ao lado de Cavaco). Ora, na perspectiva de Menezes, a candidatura de Santana em 2011 pode cumprir, se for caso disso, dois desideratos. Dar uma bofetada de luva branca a Cavaco e compensar Santana. Se Cavaco voltasse a ganhar Belém, tudo como dantes em relação ao actual PR. Por sua vez Santana teria, neste cenário, a sua prova dos nove em matéria de derrotas. Já se Santana ganhasse, Menezes ficaria como padrinho desse sonho realizado.