Apresentação do novo iPhone poderia ser realizada 9 de setembro

9 de setembro US Apple Inc. irá realizar uma apresentação em San Francisco, onde se acredita que ele a jornalistas, vai mostrar um novo modelo de telefone.


No início de setembro, poderia ter lugar a apresentação do novo iPhone
Foto: EPA

A corporação americana da Apple, provavelmente em 9 de setembro em San Francisco vai apresentar um novo modelo de iPhone.
O convite para o evento na quinta-feira, 27 de agosto postado no Twitter jornalista Harry McCracken.

No início de agosto, que a apresentação do novo telefone da Apple terá lugar na edição de 09 de setembro BuzzFeed Notícias escreveu, citando fontes informadas.
Segundo o jornal britânico Daily Mail, a Apple tradicionalmente apresenta os seus novos produtos em setembro. Espera-se que a empresa irá introduzir 6s e 6s para iPhone Mais de nova geração.
Externamente, eles se parecem com o mais recente modelo do iPhone, no entanto, será equipado com um novo toque de Força tela sensível ao toque e tem um melhor desempenho.
O norte-americano corporação a Apple foi fundada em 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne. A sede da empresa está localizada em Cupertino, Califórnia.
Apple lança computadores, tablets, telefones, aparelhos de áudio e outros. O primeiro iPhone foi lançado em 2007.

Na abertura da negociação desabou principais índices de ações dos EUA

A última vez que os principais índices de ações norte-americano Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 caiu para tais valores em Outubro de 2014.

Na abertura da negociação caiu drasticamente, levando os índices de ações da América
Foto: EPA

Na segunda-feira 24 de agosto, na abertura do pregão da Bolsa de Nova Iorque caiu drasticamente líder dos EUA índices de ações.
Como as informações no site MarketWatch, média industrial Dow Jones nos primeiros minutos de negociação para baixo por 6,01%, atingindo 15.470 pontos.
O índice de empresas de tecnologia Nasdaq perdeu 7,7% (até 4343 pontos), ea diminuição no índice de “amplo mercado” S & P 500 atingiu quase 5% (até 1879 pontos).
A partir do início do crescimento de 18.40 códigos: assim, Dow Jones subiu para 16.068 pontos, Nasdaq – até 4595, a S & P 500 – até 1921.
Últimos principais índices de ações dos EUA caiu para valores em Outubro de 2014.
Estoques dos EUA caiu para o fundo de instabilidade global nas bolsas de valores ea queda dos índices chineses. 24 de agosto o índice de bolsa de Xangai caiu mais de 8%. Depois que havia da queda dos mercados de ações da Rússia e da Índia.

Coréia do Norte e Coréia do Sul concordaram em não lutar

Longas negociações entre os representantes do Norte e Coreia do Sul terminou com sucesso.

No fim de semana, as tropas da Coreia do Sul ea Coreia do Norte foram dadas em prontidão de combate completo
Foto: EPA

Hoje, 24 de agosto, do Norte e Coreia do Sul assinaram um acordo, que deve aliviar as tensões na península, escreve a BBC.
Mídia sul-coreana informou que os detalhes do acordo serão anunciados mais tarde em uma entrevista coletiva, mas, de acordo com seus dados, a Coréia do Norte expressaram pesar por causa da explosão de uma mina terrestre de dois soldados na Coréia do Sul. Do Sul, por sua vez, deve parar de propaganda e desativar os alto-falantes colocados ao longo da fronteira.
As tensões entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul subiu na quinta-feira, quando ele tentou destruir o Norte, perto da fronteira de vizinhos do orador, com a propaganda travada contra Pyongyang. Sul respondeu a uma saraivada de artilharia, depois que os dois países têm resultado em suas forças armadas em alerta. Alto-falantes de transmissão Coreia do Sul começou depois que dois de seus soldados foram explodidos em uma mina na zona desmilitarizada.
As conversações, que terminou hoje em 00,55 hora local, continuou sábado.

O senador McCain chamou Putin assassino

O senador republicano John McCain pediu aumento da presença de tropas da OTAN nos países que estão ameaçados pela Rússia.


McCain visitou a Estónia
Foto: EPA/UPG

EUA o senador republicano John McCain durante uma visita à Estónia chamado bandidos do presidente russo Vladimir Putin.
“Estamos lidando com um assassino, cujo nome era Vladimir Putin” – citado McCain “Radio Free Europe”.
Senador dos Estados Unidos pediu aumento da presença de tropas da OTAN nos países que estão ameaçados pela Rússia.
Ele também expressou a esperança de que a demonstração de solidariedade e cooperação da OTAN com os Estados Unidos vão dar Putin entender que quando alguém ataca, ele vai esperar por uma forte resposta unida.

Lisichansk Serviço de Segurança da Ucrânia detidos militantes do grupo Mozgovoy

Após a libertação da cidade o suspeito escondido no centro da Ucrânia.
Os militantes do grupo aterrorizou Cérebro Lisichansk
Foto: podrobnosti.ua

Funcionários do Serviço de Segurança da Ucrânia detidos em Lisichansk gangues participante ativo Alexei Mozgovoy, a SSU imprensa serviço.
Segundo o relatório, o homem era suspeito de que ele era “de plantão em postos de controle e terroristas envolvidos no cometimento de atos de sabotagem na infra-estrutura de transportes da região de Lugansk.” Após a forças de libertação Lysychansk operação antiterrorista (ATO) homem escondido nas regiões centrais da Ucrânia. Depois de voltar para a cidade, ele foi detido pela SSU.
Na sexta-feira, 21 de agosto de o detido havia sido avisado sobre a suspeita de uma infracção penal na hora. 1 colher de sopa. 258-3 do Código Penal (participação em actividades de um grupo terrorista ou uma organização terrorista). O suspeito foi eleita uma medida preventiva na forma de detenção.

O carro de um dos líderes militantes Alexei Mozgovoy tem sido prejudicado por duas minas anti-pessoal remotamente MON-50 23 de maio, perto da aldeia da região Mikhaylovka Luhansk. Para obter informações sobre o assassinato de Informações de Recursos cérebro confirmaram os separatistas.

Departamento de Estado dos EUA: MH17 abatido separatistas apoiadas pela Rússia

Os Estados Unidos não tinham mudado a sua opinião sobre as causas do desastre malaias Boeing 777 na Donbas, porta-voz adjunto do Departamento de Estado Mark Toner.

Foto: ЕРА

Os Estados Unidos continuam a acreditar que o Malaysian o Boeing 777 foi abatido nos céus sobre o míssil Donbas “míssil terra-ar”, lançado por separatistas apoiados pelos russos. Isso foi durante uma reunião em Washington, porta-voz adjunto do Departamento de Estado Mark Toner, disse que “Ukrinform”.
“Acreditamos que a MN17 foi atingido por um míssil” míssil terra-ar “, lançado a partir de territórios controlados pelos separatistas, no leste da Ucrânia”, – disse Toner.
Segundo ele, os Estados Unidos ajudou a investigar o acidente, que conduziu a Holanda, bem como apoiar todos os esforços para trazer os responsáveis ​​pela tragédia à justiça.
“Apoiamos a investigação sobre os veículos holandês Conselho de Segurança Nacional dos EUA que participaram na deliberação Mas nossa suposição não mudou:. Ainda acreditamos que foi feito por separatistas apoiadas pela Rússia”, – disse o representante do Departamento de Estado.
O Boeing 777, vôo MH17 (Amesterdão – Kuala Lumpur), caiu 17 de julho de 2014 perto da região Torez Donetsk. Todos os 298 pessoas a bordo morreram.
Os cinco países estão investigando um acidente de avião, “Malaysian Airlines”, apelou a um tribunal internacional para o acidente de avião. A Malásia, que era dono do avião, na Ucrânia, em que ele foi abatido, assim como a Holanda, Austrália e Bélgica, cujos nacionais estavam a bordo da aeronave, aprovou a ideia de criar um tribunal.
Em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU em 29 de julho a Rússia foi o único país que vetou a resolução sobre a criação de um tribunal internacional sobre o MH17. Três outros membros do Conselho de Segurança, Angola, Venezuela e China, durante a votação se abstiveram. Comentando a sua posição, Moscou chamado a resolução politizada, e o estabelecimento do tribunal – prematura e contraproducente.

PS entre Alegre e Amado para as presidenciais 2011

Depois de algumas hesitações, Manuel Alegre acabou na semana passada por apelar, sem reservas, ao voto em Sócrates nas legislativas. O poeta poderia ser o candidato ideal para congregar toda a esquerda em seu redor. Por sua vez, Luís Amado, actual ministro dos Negócios Estrangeiros poderia ser uma boa cartada para captar votos moderados, enfrentando Cavaco na sua base de apoio.

Socialistas querem ganhar a Cavaco

O PS tem já uma segunda batalha preparada para depois de domingo: as presidenciais de 2011, daqui a um ano e meio. Caso Cavaco Silva se recandidate a Belém, o que, porém, é cada vez menos certo face ao desgaste sofrido pelo Presidente da República no caso das escutas de Belém, o objectivo número um do PS pode passar pela derrota de Cavaco. Para cumprir a missão dois nomes surgem como possíveis: Manuel Alegre e Luís Amado. Depois de algumas hesitações, Manuel Alegre acabou na semana passada por apelar, sem reservas, ao voto em Sócrates nas legislativas. O poeta poderia ser o candidato ideal para congregar toda a esquerda em seu redor. Por sua vez, Luís Amado, actual ministro dos Negócios Estrangeiros poderia ser uma boa cartada para captar votos moderados, enfrentando Cavaco na sua base de apoio.
O jogo é de aparências entre Cavaco e Sócrates, a um nível que nunca tinha existido em Portugal. Enquanto publicamente tentam baixar a pressão, por questões meramente tácticas, Belém e S. Bento estão em guerra aberta, ambos os lados sabendo que o confronto pode ser mortal. Há meses que as relações estão tensas mas os últimos desenvolvimentos do caso das escutas telefónicas, com a demissão de Fernando Lima, vieram agudizar as relações entre as duas instituições.
O caso das escutas teve efeitos devastadores na campanha do PSD, centrando todas as atenções em Belém e levando a que o PSD não resistisse à onda e ficasse absorvido pelo discurso da “asfixia democrática”, sem espaço para discutir o seu programa e ideias. Este caso pode ter custado a vitória ao PSD. As sondagens publicadas esta semana, já incorporando os últimos acontecimentos, acentuaram a distância do PS em relação ao PSD.
Se o PSD perder as eleições, pouco mais resta a Ferreira Leite e aos seus apoiantes do que tentarem resguardar-se no chapéu protector de Belém e esperarem que o vento mude, de forma a que a derrota nas legislativas tenha sido apenas uma batalha perdida.

Há cada vez mais a noção no PS que, mesmo ganhando as eleições de domingo, o PS não vai ter uma tarefa fácil. Há sinais que já ilustram esta realidade. Marcelo Rebelo de Sousa, que continua a ser um homem com relações próximas com Cavaco, há muito que refere que o próximo governo pode durar apenas dois anos, caindo em finais de 2011. Por sua vez, a declaração de Ferreira Leite de que, mesmo perdendo, fica na liderança do partido, é outro sinal da vida difícil que se prepara ao PS.
Com a noção de que os próximos tempos não vão ser fáceis, o PS tem duas possibilidades de contornar as dificuldades. Uma é voltarem a ganhar com maioria absoluta. Na última semana de campanha, face à melhoria dos indicadores nas sondagens, o PS voltou a pedir, ainda que timidamente, uma maioria absoluta. Outra possibilidade é o PS fazer uma coligação à esquerda com o BE, que impedisse Cavaco da veleidade de demitir um governo com maioria na Assembleia da República. Apesar de Sócrates desmentir qualquer hipótese de acordo pós-eleitoral com o Bloco, o facto é que uma coligação com o BE aparece como a fórmula mais segura para neutralizar Cavaco. Por exemplo, uma coligação com o PP não seria tão segura, e aumentaria a capacidade de manobra do PP, já que Paulo Portas poderia ser tentado a cair no canto de sereia do PSD e de Cavaco para tirar o tapete a Sócrates. Por um último, uma coligação do PS com o BE , para além de abranger um acordo governamental poderia abranger outras matérias, como a apresentação de um candidato presidencial único, do PS e do BE, para enfrentar Cavaco. Certamente Manuel Alegre.

“Caso das escutas” leva à demissão do assessor de Cavaco

Fernando Lima foi um bode expiatório?

Inês de Sousa
Fernando Lima foi demitido do cargo de assessor da Presidência da República depois de ter vindo a público que o assessor teria sido a fonte do PÚBLICO nas noticias sobre as escutas, que afirmavam que Cavaco Silva suspeitava de estar a ser espiado pelo Governo de José Sócrates. A demissão ainda não foi explicada pelo Presidente da Republica, que prometeu só falar depois das eleições legislativas. A duvida mantém-se, Fernando Lima terá sido demitido para se proteger ou simplesmente porque se precisava de um responsável para esta situação. Portanto, a pergunta do SEMANÁRIO esta semana é: será que Fernando Lima foi um bode expiatório?

Alberto Arons de Carvalho
“Não tenho certeza disso”
” Não sei, não tenho a certeza disso. Não tenho a certeza que tenha sido um bode expiatório ou o verdadeiro culpado. Não é possível definir uma opinião com os dados que conheço”

António Costa Pinto
“Não poderia continuar como assessor”
” Na minha opinião, e tendo em vista os factos que foram conhecidos, Fernando Lima não poderia continuar como assessor de imprensa do Presidente da República. O Presidente da República antecipou, com o afastamento de Fernando Lima, eventuais problemas mais complexos que possam comprometer a presidência da república.”

José Miguel Judiçe
“Quero acreditar que não foi bode expiatório”
” Não faço ideia. Não conheço os factos mas quero acreditar que não foi um bode expiatório. Quero acreditar que realmente ele não cumpriu bem as suas funções mas, que provavelmente foi sem querer sem intenção.”

José Adelino Maltez
“Foi um bode expiatório de todos nós”
Foi um bode expiatório, de nós todos. Porque tivemos conhecimento que ele saiu através da Lusa e da comparação que fizemos com o site da presidência da república e, por enquanto, não sabemos mais nada. Portanto, todas as especulações que estamos quase todos a fazer sobre o fim da colaboração de Fernando Lima resultam, por e simplesmente, de um acto que não conhecemos. Isto é a ponta de um iceberg. Tenho a certeza absoluta que quando os factos forem observados vai haver uma alteração das interpretações. E, nesse sentido considero-o um bode expiatório. “

Rui Ramos
“É difícil avaliar se é o vilão ou o bode expiatório”
” Como não sabemos os detalhes de toda a história, não sei avaliar se foi o culpado ou o bode expiatório. É difícil avaliar, só se soubermos toda a história. A esse respeito não tenho uma opinião definida porque aquilo que veio a público da história até este momento, não nos permite mais do que especular e, portanto, não podemos definir dessa maneira a situação sem ter factos. Neste momento, ainda não sei se ele é o vilão da história ou o bode expiatório. Com o que sabemos não nos permite chegar a uma conclusão definitiva sobre este assunto. Agora, a outra pergunta é se alguma vez vamos saber a história toda? Infelizmente como estamos em Portugal, provavelmente nunca saberemos, a não ser que ele algum dia resolva contar a historia. Enquanto isso não acontecer, fica-se na duvida.”

Sócrates “intoxica o debate político”

Em final de campanha, o SEMANÁRIO entrevista um dos principais estrategas por detrás da “máquina laranja”, António Leitão Amaro. Depois de um resultado surpreendente nas Europeias, o candidato a deputado faz uma resenha da campanha e das expectativas do partido, para o dia 27 de Setembro.

Entrevista a António Leitão Amaro, secretário-geral da JSD

Em final de campanha, o SEMANÁRIO entrevista um dos principais estrategas por detrás da “máquina laranja”, António Leitão Amaro. Depois de um resultado surpreendente nas Europeias, o candidato a deputado faz uma resenha da campanha e das expectativas do partido, para o dia 27 de Setembro. Fala da “diferença de estilo” de Manuela Ferreira Leite em campanha. E depois da tão defendida asfixia democrática do PS, introduz, no léxico da campanha, um novo adjectivo: a “toxidade” do Primeiro-Ministro. É o sprint final às legislativas.

1 – Como é que se transforma, um partido que à partida – com MFL no poder – estava condenado à derrota num candidato à vitória?
Acho que basta olhar para trás! Hoje as pessoas não têm dúvidas que o PSD pode sair vencedor das eleições legislativas.
O PSD decidiu que iria fazer o seu caminho, que é diferente do escolhido pelos outros Partidos, e que era o que mais se adequava às características da sua líder e ao conteúdo da sua mensagem política.
A persistência na estratégia de verdade, proximidade e rigor, mesmo contra o ruído mediático e contra-opinião dos nossos adversários, foram a chave.
Claro que o contributo de Paulo Rangel nas Europeias foi importantíssimo, porque juntou energia, acutilância e galvanização a esse caminho de verdade, rigor, proximidade e excelência que o PSD tinha escolhido. O brilhantismo de Rangel, apoiado – deixe-me dizer-lhe – pela frescura, motivação e excelência da JSD, permitiram alcançar o único elemento que faltava a uma estratégia certa: a vitória!

2- E para as legislativas. A fórmula foi a mesma?
Sim, com certeza! Mais do que por ter sido bem sucedida, o PSD manteve a fórmula por acreditar que é verdadeiramente a correcta!
Acredito que o PSD está sintonizado com os portugueses em optar por uma Política de Verdade, proximidade e rigor.

3- Qual foi a estratégia adoptada pelo PSD?
O PSD apostou na verdade, proximidade e rigor. O Partido quis contrastar claramente com a maneira como Sócrates e o PS governaram e fazem política. A política socialista é a política da encenação e grandes aparatos para esconder a falta de resultados concretos e melhorias reais no Pais. É também a política das promessas repetidas e repetidas até à exaustão mas sem concretização.
O PSD preferiu optar pela verdade e no rigor.
Apostou também na proximidade e nas pessoas quer na campanha, quer nas suas propostas políticas. É que são as pessoas, as associações, as empresas, as instituições sociais que fazem e devem fazer o País andar para a frente. E o PSD é claramente o Partido das pessoas e da iniciativa privada e social, enquanto o PS aposta no gigantismo, mediatismo, espectáculo e controlo.

4- Qual tem sido o maior obstáculo do PSD, na conquista do eleitorado? A inaptidão da Dra. Manuela Ferreira Leite para discursos e comícios?
Não se deve confundir diferença com inaptidão. A política e a escolha do sentido de voto não são a “chuva de estrelas”, uma passagem de moda ou qualquer concurso mediático. Continuo a acreditar que a credibilidade do orador e a qualidade do conteúdo são mais importantes que a estética ou a forma.
O maior obstáculo para o PSD tem sido optar pelo caminho difícil, que é o de não jogar na espuma do mediatismo e na política dos casos que dão mais soundbytes e minutos de televisão, mas na política de proximidade, verdade e rigor.

5- Para além de candidato à Assembleia da República nas listas do PSD, o António é Secretário-Geral da JSD. Podemos saber qual foi o orçamento da Jota para as legislativas?
A JSD não tem Orçamento autónomo para a campanha. Vamos acordando com o PSD apoios individuais para cada iniciativa realizada e recursos empregues. O que gastamos sai do orçamento nacional do PSD que é público. Todos sabem o esforço de contenção que o PSD fez, tendo reduzido drasticamente as suas despesas compreendendo o momento difícil que vivem os portugueses. Uma coisa posso assegurar: na JSD, ao contrário do que se diz suceder com o PS, os jovens não são pagos para fazer campanha. É tudo voluntarismo e boa vontade!

6- Nos bastidores da campanha, quantas pessoas estão a tempo inteiro envolvidas na campanha da Jota?
A JSD tem uma equipa de 12 pessoas a trabalhar a tempo inteiro na campanha a partir da sede nacional. A estes somam-se as centenas que andam na rua com as campanhas distritais e nacionais do PSD e da JSD, que são autónomas.
A JSD tem, quer a nível distrital, quer a nível nacional, voltas autónomas das do PSD porque acredita que se deve dirigir especificamente aos jovens que falam e pensam de maneira diferente, convivem em locais diferentes e têm preocupações diferentes do resto da população.

7 -A Volta Nacional da JSD termina este fim-de-semana. A campanha passou por vários pontos do País. Sentiu durante a Volta que o partido mobilizou um número substancial de cidadãos dispostos a acredita na “Nova Geração de Políticos” como se assumem?
Sim, sim! Quer o Partido quer a JSD tiveram mobilizações enormes de pessoas. E os eventos com a Dra. Manuela Ferreira Leite foram só um exemplo disso. E aí posso garantir-lhe que em muitos sítios houve mobilizações que o Partido há muito tempo não tinha.
Mas houve muito mais mobilização para além da volta da Dra Manuela. Só a JSD teve eventos da volta nacional, e nas suas campanhas distritais que contavam com mais de 200 jovens sem haver sequer qualquer figura do Partido presente.
Foi uma mobilização nacional, em larga escala, mas de proximidade e pulverizada por todo o País ao mesmo tempo. A chamada “máquina” da JSD funcionou muito, e foram muitos mais do que os militantes que se juntaram a nós!

8 – Qual é o segredo para que a JSD tenha nestas legislativas a possibilidade de vir a eleger um número de deputados que pode vir a constituir a terceira maior bancada parlamentar?
Esta forte aposta do PSD em tantos candidatos jovens é sinal quer de clarividência do Partido, quer da grande qualidade que têm hoje os quadros da JSD.
A JSD têm vindo a realizar um trabalho muito interessante de renovação na forma de fazer política, conta com quadros excepcionais e com provas dadas na sociedade civil. Estamos na Política com uma genuína intenção de ajudar a mudar o País para melhor.
O PSD compreendeu isso, e por também acreditar na importância da renovação dos quadros políticos e de apostar nos melhores, decidiu convictamente apostar nesta geração de jovens.

9 – O Presidente da JSD, Pedro Rodrigues, já afirmou que a principal preocupação da Jota na AR serão os jovens. Pode explicar-nos, recorrendo a alguma smedidas concretas, de que forma é que a JSD procurará defender os interesses da juventude portuguesa?

O Grupo Parlamentar da JSD dará sobretudo atencao especial as questões relacionadas com o desemprego, propondo medidas de desagravamento fiscal das empresas e dos trabalhadores e de apoio ao empreendedorismo. Da habitacao propondo medidas de incentivo aos senhorios para colocarem no mercado de arrendamento imóveis a rendas cotroladas para jovens. Da educacao com a imediata alteracao do Estatuto do aluno, de forma a instalar no sistema de educacao princípios de rigor, excelência e mérito.

10 – O PSD é um partido com forte tradição autárquica. Acredita que a próximidade dos actos eleitorais pode, a favor do PSD, melhorar a votação?
Com certeza! Provavelmente uma das qualidades que os eleitores mais apreciam nos políticos é a proximidade. Vejam-se a ligação que têm com os autarcas, e a contrastante desconfiança com que muitos olham os deputados.
O PSD, sendo o Partido mais autárquico de Portugal, com milhares de dirigentes que vivem diariamente experiências de proximidade vai com certeza capitalizar essa experiência e realidade de proximidade.

11 – Se voltasse atrás, mudava alguma coisa na abordagem do partido às legislativas?
Como responsável da JSD estou sobretudo preocupado em avaliar o desempenho da JSD. Há com certeza coisas a melhorar, mas acredito sinceramente que a nossa abordagem foi a correcta: mostrámos uma Nova Atitude e uma nova maneira de fazer Política. Com aposta na proximidade, muito contacto com as pessoas, aposta na elaboração colaborativa do nosso programa eleitoral, credibilização das nossas candidaturas pela assinatura de um contrato eleitoral com os portugueses que é eticamente muito exigente.

12 – E o que é que correu francamente mal na campanha?
Termos que viver diariamente com um adversário (José Sócrates e s seus delegados de propaganda) que optou por uma estratégia de fuga à verdade e aos assuntos importantes. Não é fácil querer discutir seriamente os problemas do País e as suas soluções, e do outro lado encontrar um adversário interessado em intoxicar o debate político de modo a evitar que o seu desempenho passado seja fiscalizado e as propostas em alternativa sejam discutidas.

13- Amanhã é dia de eleições, poderá revelar-nos se nas sondagens do partido, o PSD é vencedor?
Sondagens há muitas e os respectivos resultados divergem bastante. As eleições recentes mostram a imprudência de fazermos balanços com base nas sondagens. O que lhe posso assegurar é que estive na estrada quer nesta campanha, quer na das Europeias. E sinceramente noto uma grande diferença, para melhor, na reacção das pessoas ao PSD.

O TGV favorece mais Espanha do que Portugal?

Manuela Ferreira Leite defendeu que o projecto do TGV em Portugal é importante para que Espanha tenha mais fundos estruturais, por ser um projecto transfronteiriço. Ferreira Leite manifestou-se contra o envolvimento espanhol na discussão deste tema em Portugal e reafirmou que, se for primeira-ministra, suspende o projecto.

Manuela Ferreira Leite defendeu que o projecto do TGV em Portugal é importante para que Espanha tenha mais fundos estruturais, por ser um projecto transfronteiriço. Ferreira Leite manifestou-se contra o envolvimento espanhol na discussão deste tema em Portugal e reafirmou que, se for primeira-ministra, suspende o projecto. Ferreira Leite disse ainda, no debate de sábado com o primeiro-ministro, que não tencionava resolver os problemas de Portugal em função dos interesses dos espanhóis. A pergunta do SEMANÁRIO desta semana é: O projecto do TGV favorece mais a Espanha do que Portugal?
Inês de Sousa

António Costa Pinto
“Não tem qualquer sentido”
” Não, isso não tem qualquer sentido. Um projecto destes é negociado com base em múltiplos interesses dos países europeus. Cada um é livre de fazer a sua opção.”

Miguel Beleza
“Não favorece nem desfavorece nenhum dos países”
“Não estou seguro que favoreça ou desfavoreça particularmente qualquer dos países. Penso que não é uma boa opção para Portugal. Não favorece Portugal e favorece Espanha? Não me parece que faça uma grande diferença.”

Rui Ramos
“Espanha está mais à vontade para receber o TGV”
“Não é uma opinião fácil. Não conheço estudos técnicos que apontem num sentido ou noutro. Em termos de impressões, uma via que corre em dois sentidos, em princípio, favorece o lado que for capaz de melhor a utilizar, de lhe dar mais uso, de aproveitar melhor os objectivos que tem. Creio que ninguém pode dizer que favorece mais este ou aquele país. Tudo depende do que os países e do que os cidadãos fizerem daquela linha e da maneira como a usarem. Imagine-se que são sobretudo os espanhóis a usarem a linha, se for para vir a Lisboa e gastarem dinheiro em Lisboa, a almoçar ou a fazerem compras, aí ganhávamos nós. Temos que esperar para ver.
Agora, em termos de captar os subsídios europeus para este género de empreendimentos internacionais, ambos os países têm a ganhar e a perder com isso, dependendo da situação em que estão. Neste momento, devido à situação financeira de cada país, os espanhóis estão mais à vontade para se lançarem ao empreendimento do que os portugueses. Esse é que é o grande facto. Espanha graças aos esforços financeiros que fez no final da década de 90, está um país mais à vontade do que nós estamos. Portugal está muito endividado e prejudica o país. A questão aqui não é o TGV, é a divida externa.”

Hugo Velosa
“Beneficia mais Espanha do que Portugal”
“Segundo tudo o que se tem dito, há muitas questões que se devem levantar em relação ao TGV. É por isso que um dia possa fazer todo o sentido haver um TGV ou uma linha de alta velocidade que ligue a Europa, Espanha e Portugal. Neste momento beneficia mais a Espanha do que Portugal, até pelas razões que têm sido invocadas para não avançar de imediato com este tipo de projecto ou outro semelhante, porque a única solução não é o sistema TGV. Quando houver condições financeiras e Portugal estiver noutra circunstância, o nosso país também poderá ser beneficiado mas, neste momento, beneficia mais a Espanha do que Portugal.”

Feliciano Barreiros Duarte
“Beneficia Espanha e Portugal”
” O TGV beneficia não só Portugal mas também Espanha como mais um instrumento de promoção de desenvolvimento económico e social. A ser construído irá permitir que o nosso País tire proveito da sua existência.”

Vítor Ramalho
“Favorece Portugal”
“O TGV é um instrumento de mobilidade de transportes europeu e, portanto, nesse sentido favorece todos os países por onde passa e muito mais o nosso País. Portugal é o país ocidental do continente europeu mais próximo das Américas, a relação externa de Portugal com o mundo atlântico é feito pelo mar. Tudo aquilo que seja acelerar a mobilidade do nosso país a partir de Lisboa para a Europa, favorece a transacções comerciais, a mobilidade de pessoas e, isso é um aspecto positivo. Portugal é Europa e não pode estar fora do quadro europeu. Além disso, tem uma especificidade geográfica que mais justifica essa aproximação da Europa que se faz através do mecanismo TGV, assim como se faz através dos aeroportos ou das vias de comunicação rodoviárias.”

Será o tudo ou nada na corrida às legislativas

É o debate do ano. A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, e o líder do PS, José Sócrates, têm amanhã, encontro marcado, com todos os portugueses, na SIC. O país vai parar. Espera-se uma audiência superior a três milhões de espectadores.
Será o tudo ou nada, na corrida a São Bento.

É o debate do ano. A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, e o líder do PS, José Sócrates, têm amanhã, encontro marcado, com todos os portugueses, na SIC. O país vai parar. Espera-se uma audiência superior a três milhões de espectadores.
Será o tudo ou nada, na corrida a São Bento. Com o eleitorado de centro indeciso, quanto ao seu sentido de voto, amanhã não se discutirá apenas medidas e políticas governativas. Joga-se sim a vitória ou a derrota nas legislativas de 27 de Setembro.

Para o PS, Sócrates não pode perder. Se perder, poderá comprometer definitivamente, a reviravolta no marcador dos votos, dissipando para o BE, à esquerda, e para o PSD, à direita, os votos dos indecisos.
Para o PSD, o paradigma é outro. Ferreira Leite tem, obrigatoriamente, de ganhar o debate se pretender manter a curva global ascendente nas intenções de voto, e claro, as aspirações à vitória.
José Sócrates e Ferreira Leite não vão, definitivamente, deixar munições nos bolsos por gastar. Amanhã estará em jogo, a vitória nas legislativas. E os líderes dos dois maiores partidos nacionais, PS e PSD, sabem disso.
Sabem também, que durante 60 minutos, mais que nunca, vão estar sob o escrutínio, e em directo, de seguramente, mais de três milhões de espectadores (ver caixa).
Cabe agora saber o que é cada um dos líderes prepararam para a noite de Sábado.
Conhecidos os programas dos dois partidos será possível fazer uma antevisão, aproximada, daquilo que será o debate de amanhã.
Os temas mais quentes serão, certamente, as obras públicas e o controlo da despesa pública.
De um lado, José Sócrates, apostado em levar adiante obras públicas como o TGV e o novo aeroporto de Lisboa, de modo a dinamizar a economia. Do outro, Ferreira Leite, com uma visão oposta, defendendo o abandono de obras públicas “faraónicas”, e apontando, como caminho, o apoio às PME’S como forma de dinamizar a economia. Este será, ao que tudo indica, o cavalo de batalha da máquina laranja: A despesa pública.
Esta semana, de todo o modo, Ferreira Leite já deu sinais disso mesmo, ao prometer um “combate tenaz à despesa pública” com o objectivo de conseguir “margem para baixar os impostos”, caso ganhe as eleições legislativas e forme Governo. “O objectivo fundamental do combate à despesa pública só pode ser a possibilidade de baixar os impostos. Eu digo isto há muitos anos, há muito tempo. O meu combate à despesa não é para ter margem para fazer mais despesa, é para ter margem para baixar os impostos”, frisou a ex-ministra das Finanças. De resto, Manuela Ferreira Leite deverá confrontar o primeiro-ministro, com os números do aumento da carga fiscal e da manutenção da despesa pública.
Na réplica, José Sócrates fará certamente, questão de relembrar a Ferreira Leite – da mesma forma que fez com Paulo Portas – daquilo que a então, ministra das finanças, “fez no Verão passado”. Esperando-se, da parte do líder socialista, a marcação de várias comparações entre a actual governação socialista e a anterior governação social-democrata. A criação do imposto especial por conta, o aumento do iva e os números do défice serão uma herança, do governo do PSD ao país, que Sócrates não deixará de lembrar.

Saúde será tema fracturante

Na parte reservada à saúde também se espera forte discussão. Com Sócrates e Ferreira Leite a defenderem visões diferentes quanto ao Sistema Nacional de Saúde. A actual ministra da saúde, Ana Jorge, já afirmou mesmo que a pasta da saúde deverá ser, actualmente, o que mais distingue PS e PSD.
De acordo com o PS, o PSD quer passar para a mão dos privados “a prestação dos cuidados de saúde”, limitando “o acesso universal”. Na resposta, a estes argumentos que certamente serão recuperados por Sócrates, Ferreira Leite deverá voltar a insistir o que está em jogo é a “sustentabilidade financeira” do SNS e uma “maior acessibilidade aos serviços de saúde”. Uma maior de liberdade de escolha entre cuidados públicos e privados, o fim das taxas moderadoras e o aumento da comparticipação e o incentivo do consumo de genéricos passando a prescrição a ser feita por “denominação comum internacional” são outras das ideias do PSD.

Ferreira Leite irá “seduzir” os professores

A FENPROF é muito clara: Irá pôr em cima da mesa as propostas dos partidos e decidir qual é a melhor. E, com a força sem precedentes, que os sindicatos de professores granjeiam presentemente junto da classe, é de admitir um voto em massa, no partido que apresentar a melhor proposta para a educação, à luz da valoração da FENPROF e suas congéneres. Ferreira Leite irá certamente tentar “seduzir” a classe, ao passo que José Sócrates não o poderá fazer, soará a falso e portanto irá manter a mesma postura: gestão de danos. Sem tocar nos pontos que geraram discórdia – isso caberá a Ferreira Leite – José Sócrates irá por ênfase nas medidas que trouxeram benefícios à classe, como é o caso dos concursos de quatro em quatro anos.

Caso “TVI” será tema quente

A contestação unânime, gerada pela extinção do jornal de sexta-feira, na TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes promete fazer subir o tom. Manuela Ferreira Leite já admitiu haver “asfixia democrática”, e o facto de ter havido uma tentativa de compra da TVI pela PT – denunciada pelo PSD – são momentos que prometem aquecer o debate. Manuela Ferreira Leite é dura nas palavras e amanhã não se auguram melhoras. “Quem ousa dizer alguma coisa que não está de acordo com o Governo de Sócrates sofre retaliações” afirmou a líder laranja relativamente ao clima que se vive no país.
Na resposta, Sócrates não deixará de lembrar o caso que envolveu o PSD e os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Isto num debate, que como já se disse, poderá decidir o voto de milhões de eleitores indecisos.

“Não tenho dúvidas que houve uma pressão política do PS no caso TVI”

Poucos acreditavam que José Ribeiro e Castro, depois de ver boicotada a sua direcção pelos “portistas” e de uma disputa tão crispada com Paulo Portas pela liderança do CDS, estaria disponível para o combate político ao lado do actual líder.

Poucos acreditavam que José Ribeiro e Castro, depois de ver boicotada a sua direcção pelos “portistas” e de uma disputa tão crispada com Paulo Portas pela liderança do CDS, estaria disponível para o combate político ao lado do actual líder. Mas a verdade é que está: “Portugal está saturado do eng. José Sócrates e eu não tinha o direito de recusar este combate”, justifica. Sobre a governação do País, avança que um Governo composto por PSD e CDS é a solução que melhor garante a governabilidade e que Portugal precisa de um “choque político saudável”, que significa um CDS com 30% de votos – um cenário que considera, para já, ainda longe.

Rui Moreira, no seu livro “Uma Questão de Carácter”, diz que o Porto se “apagou bruscamente”. Como é que isso aconteceu?

Tenho uma grande admiração, estima e amizade pelo Rui Moreira. Compreendo o seu ponto de vista, ele é um grande lutador pela afirmação do Porto e da sua região, e às vezes faz uns diagnósticos fortes que não podemos analisar isoladamente e fora do propósito: um despertar do Porto para maiores desígnios. Mas é verdade que há uma questão da administração pública que está encravada, é verdade que o Governo Sócrates tem sido o mais centralista de que há memória e isso apaga a pujança e a presença da cidade no contexto nacional, também é verdade que se anunciam projectos lesivos para a região norte como a subordinação do aeroporto Sá Carneiro a uma dita estratégia aeroportuária nacional que mais não visa do que criar espaço para a afirmação única do novo aeroporto de Lisboa… O País não cresce numa lógica unipolar, pelo contrário. Terá mais capacidade de crescimento numa lógica bipolar, em que a região do Porto é importante e tem dinamismo.

O seu partido tem defendido uma redução generalizada dos impostos. Não é irresponsável diminuir a receita quando a dívida pública está tão elevada?

O CDS tem isso presente. Recordo que defendi durante muito tempo que devia haver um pacto sobre a despesa pública, em que ela não devia ultrapassar 40% do PIB. E isso porque acredito que enquanto não conseguirmos esse objectivo não crescemos. O CDS diz que nós temos uma carga fiscal acima das nossas capacidades, o professor Medina Carreira denuncia-o muito vezes. E a realidade é que Portugal não cresce.

E não cresce porque há demasiados impostos?

Também por isso. Não é a única causa mas será uma das principais. O nosso País é como um corredor sobre o qual se coloca duas bilhas de gás às costas e ele não consegue bater recordes. E assim está a nossa economia. Somos um País que precisa de correr aceleradamente para convergir com os patamares médios da União Europeia, mas temos vindo a divergir continuadamente. Tenho chamado a atenção que o País, mesmo fora de um cenário de crise internacional, não cresce.

Mas se cortamos nas receitas o Estado não vai poder levar a cabo as suas políticas de investimento público ou de apoio social.

Temos de fazer uma análise clara daquilo que podemos. Esta não é uma questão apenas ideológica, também é de doutrina. Há uma frase de Thomas Jefferson da qual gosto muito: “Um Governo suficientemente grande para te dar tudo o que queres é um Governo suficientemente poderoso para te tirar tudo o que tens”. E no relacionamento que temos com o Estado é preciso ter sempre isto presente, se queremos um Governo opressivo, que pesa e que impede, do ponto de vista económico, a nossa capacidade de crescimento. Não vamos resolver nenhum dos nossos problemas de pobreza ou de desigualdade se não crescermos mais economicamente. E também não vamos ser capazes de satisfazer as despesas com as políticas sociais se também não crescermos mais.

E como é que vamos crescer mais?

Se o País crescer mais, com taxas mais baixas de impostos, arrecada mais e tem mais capacidade financeira. Os tais 40% do PIB são mais altos do que 50% de um PIB baixinho. Não se pode responsavelmente reduzir impostos que levem o défice a disparar e viessem agravar a dívida pública. Por isso, é preciso agir sustentavelmente sobre a despesa. Mas nós somos um partido que está do lado do contribuinte, das famílias e das pequenas e médias empresas. Primeiro, porque achamos que as pessoas sabem melhor do que o Estado o que fazer ao seu próprio dinheiro; segundo, porque achamos que isso é um estímulo importante ao seu sucesso; e terceiro, porque sabemos que em termos macro isso conduz a uma capacidade de crescimento superior. O objectivo da redução de impostos exige que previamente se actue sobre a despesa, com o seu controlo e redução.

O PS diz que o País cresce através do investimento público. Concorda com esta visão?

Não tenho nada contra o investimento público. Mas depende, desde logo, da oportunidade. Em termos de grandes obras há circunstâncias de contenção financeira que podem determinar, só por si, que um investimento se suspenda. Depois há investimentos que são puras megalomanias e que vão deixar um fardo sobre as gerações futuras. Como é que se pode apresentar às gerações vindouras, em nome do futuro, dívidas e hipotecas? Isso é inaceitável. O investimento público que, neste tempo de crise, seja dirigido à criação de emprego é bem-vindo, como também o é aquele que tenha reflexos positivos sobre a economia ou que se traduza na concretização de questões de soberania. Mas encarar o investimento público como solução salvífica é um erro.

O CDS, hoje, é um partido menos conservador, em termos de costumes, que o PSD? Temos visto o PSD encabeçar a luta pela família tradicionalista…

O CDS não tem essa crise de identidade e eu não vou entrar nesse tipo de apreciações. O CDS é um partido de direita, que sempre defendeu os valores da família e não tem nenhuma angústia nessa matéria. Não se embaraça se lhe chamarem conservador, temos, até, relações excelentes com o partido conservador britânico. Mas esta eleição, para nós, joga-se, sobretudo, nas questões que têm que ver com a economia, emprego, impostos, o clima de insegurança que cresceu no País… As questões fracturantes foram inventadas por José Sócrates para poder ir a reboque da agenda do Bloco de Esquerda e distrair os portugueses. José Sócrates tem de responder por aquilo que fez de mal e, sobretudo, pelo que prometeu, anunciou e não fez. Veja agora o caso TVI, que também é uma distracção das questões da agenda real.

O que pensa sobre o caso TVI?

Acho absolutamente inaceitável o que se passou. Para mim, não tenho dúvidas que é este PS que está na origem dos factos e que houve uma pressão política – pública, aliás. É um caso de assédio político e moral tão claro, tão dirigido e continuado que eu diria que se inverteu o ónus da prova e compete ao PS demonstrar que não tem nada que ver com aquele assunto. Quando é evidente que tem – o que é gravíssimo. Um partido que se relaciona com a comunicação social a este limite extremo, com tiques latino-americanos do pior, como a confrontação directa com órgãos de comunicação social, comum em Países como o Equador de Rafael Correia ou a Venezuela de Hugo Chaves.

Ou a Madeira de Alberto João Jardim ainda neste fim-de-semana.

Tem aspectos criticáveis, mas assumem uma natureza diferente. Não me recordo de em Portugal, a não ser no PREC, terem sido fechados jornais. É evidente que há sempre uma tenção entre políticos e a imprensa, mas este limite nunca foi atingido.

Não é o PS o partido que sai mais prejudicado com o fim do jornal de sexta-feira da TVI e com as suspeições que esse fim acarretou?

Não. Isso é uma leitura ardilosa de “virar o bico ao prego”. A direcção da informação da TVI demitiu-se, a Manuela Moura Guedes foi tirada do ar, o jornal foi cancelado, a redacção da TVI está em polvorosa… As vítimas são estas. Este caso é seríssimo, merece muita atenção, mas não é o caso principal da campanha – não nos podemos distrair.

Esta campanha está cheia de casos e a assumir contornos de alguma imprevisibilidade.

A estratégia dos casos e dos incidentes favorece quem tem coisas a esconder: o agravamento dos impostos, do desemprego, o empobrecimento e endividamento das famílias, as empresas que estão a fechar… Estas são as questões que devemos discutir.

Surpreendeu-o o facto de Maria José Nogueira Pinto integrar as listas do PSD à Assembleia da República?

Não quero comentar. Foi uma decisão pessoal que tomou. Tinha saído do CDS em circunstâncias que lamento muito e que vivi intensamente. Mas não quero falar sobre isso.

Com que resultado eleitoral do seu partido, no dia 27 de Setembro, o dr. José Ribeiro e castro ficaria satisfeito?

Com o crescimento do CDS. É indispensável para o País um crescimento forte do CDS. Portugal não resolve duradouramente os seus problemas enquanto não fizer claramente uma viragem à direita. O País, na última década, tem decrescido, perdido competitividade, capacidade de afirmação. Éramos o décimo quinto de uma Europa a 15 e agora caminhamos para ser o vigésimo sétimo de uma Europa a 27. Já só temos como companheiros na UE países que sofreram o domínio comunista dos pais, irmãos, primos do PCP e do Bloco de Esquerda. O País afastou-se e deixou de cultivar um conjunto de valores que são importantes e que o CDS, como um partido de direita e do centro direita, guarda dentro de si.

O objectivo do CDS é, portanto, ficar à frente das forças mais à esquerda da política nacional?

O nosso objectivo é crescer e contribuir para uma alternativa ao Partido Socialista do eng. José Sócrates. Mas a necessidade do País é muito mais forte do que isto. No meu entender, o Pais precisa de um choque político que passa por uma forte votação no CDS. Só uma forte votação no CDS representa o choque político saudável de que o País necessita. E acredito no efeito automático desses resultados, acredito no poder do voto do eleitor e naquilo que se dizia a seguir ao 25 de Abril: o voto é a arma do povo. Não é esse o nosso objectivo, mas ninguém tem dúvidas de que se o CDS tivesse uma votação de 20, 25 ou 30 por cento, produziria um choque político saudável no País, no ambiente mediático, cultural ou político.

Paulo Portas aconselha “prudência, cautela e caldos de galinha” relativamente ao PSD. Continua a achar que a única solução que garante a governabilidade é um governo PSD/CDS?

Nunca formulei assim esse juízo, mas estou de acordo com essa conclusão. A solução que permite tirar o País da situação em que está é uma maioria do centro-direita, com uma componente clara do CDS. Somos conscientes, temos noção das realidades e temos humildade, sabemos que a mudança não se faz só connosco, mas estamos plenamente conscientes de que não há mudança sem nós. Os problemas do País não se resolvem apenas na próxima legislatura, Portugal tem de entrar noutra rota. Vivermos completamente debruçados sobre a esquerda é desastroso. Vivemos imersos num banho cultural de valores esquerdistas que são um atraso de vida.

Jerónimo de Sousa acusa José Sócrates de governar à direita.

Isso é uma fantasia. Como é que o País é governado à direita? Portugal, nos últimos anos, nunca foi governado à direita. Mesmo quando o CDS esteve no Governo a governação não se regia pela nossa partitura.

O que pensa do Bloco Central?

É sintomático que tenha aparecido vozes a falar do Bloco Central, um defunto pouco glorioso que só continuou na política dos interesses. O Bloco Central fortalece a minha convicção de que o voto verdadeiramente seguro para quem quer uma mudança relativamente à governação Sócrates é no CDS. Se Sócrates com um partido incomoda muita gente, com dois incomoda muito mais. É preciso dizer não a esse tipo de solução.

Como é que o CDS consegue afastar o apelo ao voto útil no PSD?

Com a sua própria capacidade de afirmação e com a utilidade do voto no CDS. O partido representa uma cultura económica, social ou cultural completamente diferente.

O CDS tem por hábito ser um partido de rupturas internas. Depois de uma campanha interna muito crispada e de metade do partido ter boicotado a sua liderança, o senhor decidiu ficar e disponibilizar-se para o combate político. Por que razão?

É verdade, como diz, que o CDS não tem tido a capacidade, em muitas das suas lutas, de guardar toda a gente dentro de si. E creio que isso é um factor negativo. O que aconteceu foi que o dr. Paulo Portas entendeu convidar-me para integrar as listas do partido e eu aceitei. Em matéria de união do partido e de capacidade de combate do CDS num momento que é muito importante – não só para o CDS mas essencialmente para Portugal – Paulo Portas fez a parte que lhe competia ao convidar-me e eu fiz a parte que me competia ao aceitar o convite. Acredito que nós iremos tanto mais longe quanto cada um resolver entender o que isto é e fazer a sua parte. Portugal precisa de uma mudança, quer mudar, está saturado do eng. José Sócrates e eu não tinha o direito de recusar este combate tendo sido convidado pelo presidente do partido. E faço-o com gosto.

Quando Paulo Portas for embora da liderança está disponível para regressar à presidência do CDS?

Temos, nesta altura, um combate político muito importante e é nisso em que estou totalmente concentrado.

Politólogos são unânimes e não acreditam numa maioria absoluta do PSD

Pedro Passos Coelho escreveu esta semana um artigo de opinião no qual sublinhava a importância de Manuela Ferreira Leite lutar por uma maioria clara nas legislativas. Caso obtenha maioria absoluta, será que Ferreira Leite consegue soltar as amarras que a ligam ao cavaquismo e fazer nascer uma nova era na política portuguesa?

Pedro Passos Coelho escreveu esta semana um artigo de opinião no qual sublinhava a importância de Manuela Ferreira Leite lutar por uma maioria clara nas legislativas. Caso obtenha maioria absoluta, será que Ferreira Leite consegue soltar as amarras que a ligam ao cavaquismo e fazer nascer uma nova era na política portuguesa? Assim, a pergunta do SEMANÁRIO esta semana é: será que uma maioria absoluta de Ferreira Leite a libertava da tutela de Cavaco Silva? E o que é que nasceria depois disto?

Rui Ramos
“Ferreira Leite não precisa de se libertar do Presidente da Republica”
” Não quero fazer como o primeiro-ministro fez na terça-feira ao dizer que não falava de cenários. Mas parece que esse é um cenário bastante improvável. Em relação a uma eventual tutela do Presidente da Republica penso que não é um problema que se coloque à liderança do PSD, que tem com Cavaco Silva uma simpatia e sintonia que afasta quaisquer problemas e, portanto, não precisa de se libertar do Presidente da Republica. Cavaco Silva é que precisará de dar instruções ou ordens a uma maioria como essa. Em relação ao PSD depende de quais são os planos de Manuela Ferreira Leite, ela já indicou que tem uma intenção de controlar o partido e moldá-lo à sua imagem e segundo a sua orientação. Mostrou-o com a exclusão de Pedro Passos Coelho das listas de deputados. É obvio que se Ferreira Leite tivesse um resultado de maioria absoluta, ficaria com uma força enorme no PSD e isso entregar-lhe-ia completamente o partido e, é essa força ela neste momento não sente, por isso, é que teve que fazer aquela escolha de candidatos de maneira a ter a certeza que em São Bento teria apenas gente da sua inteira confiança.”

José Adelino Maltez
“Ferreira Leite fica feliz quando lhe chamam Cavaquista”
“O artigo do Passos Coelho é para marcar a agenda, tanto podia pedir uma maioria absoluta ao PSD, como podia pedir que Ferreira Leite descobrisse a Índia. Ela ainda nem assegurou a maioria relativa quanto mais a maioria absoluta. Isso é um bom jogo dialético para continuarmos a falar dele. Não acho que uma maioria absoluta libertasse Ferreira Leite do peso do Cavaquismo. Em primeiro lugar, parece que a coitada da dr. Manuela Ferreira Leite tem o Cavaquismo a persegui-la, quando foi ela que inventou o cavaquismo sem Cavaco – até lhe interessa. As razões dos eventuais êxitos que Ferreira Leite possa ter é precisamente porque ela se assume com um cavaquismo sem cavaco. Há, pelo contrário, uma colagem dela à imagem de Cavaco. Cavaco tem uma indiscutível confiança popular como se manifesta em todas as sondagens muito mais do que ela, não sei se o dobro se o triplo. Tudo o que seja insinuação subliminar como está patente em todos os discursos de Ferreira Leite é bom para ela. Tudo o que seja um ataque a chamar-lhe cavaquista ela fica feliz. Quem sai prejudicado no meio disto tudo é o dr. Cavaco porque fica com um espaço (reduzido) onde pode ser atacado por ver o seu nome envolvido na discussão político partidária. O artigo do Passos Coelho é uma provocação ao sistema que não é aleatória, porque aquele artigo é aquele que não se estava à espera e é aquela que mais atrapalha. Não é um artigo de impulso é um artigo político de provocação ao sistema.”

António Costa Pinto
“Tutela tanto se passará com maioria absoluta como relativa”
” Não creio que quer com maioria absoluta queira com maioria relativa essa relação deixe de existir. Acho que essa relação de tutela tanto se passará com maioria absoluta como com maioria relativa.”|

Manuel Meirinho
“Nem há maioria absoluta, nem Ferreira Leite está tutelada por Cavaco”
“Primeiro, não vai haver maioria absoluta. A pergunta pressupõe que ela está sob tutela de Cavaco – o que não concordo. Primeiro, é muito provável que não haja maioria absoluta, logo a questão não tem grande consistência e, depois, não é líquida nem nada que se pareça que Ferreira Leite e o PSD sejam actuados sob a tutela de Cavaco. Parte-se à partida de um pressuposto que é a maioria absoluta de Manuela Ferreira Leite e o facto de ela estar sob a tutela de Cavaco e não concordo nem com ambas as afirmações. Não faço comentários com base em hipóteses tão remotas e sem consistência. Não tem grande sentido. Não há nenhuma tutela de Cavaco, há sim uma relação institucional e partidária entre o Presidente da Republica e Ferreira Leite. Não há relação tutelada nem maioria absoluta. Mas como é completamente improvável que haja uma maioria absoluta seja dela seja do Sócrates, não há qualquer problema. Qualquer partido que ganhe esta condenado a ter uma relação institucional com o Presidente da Republica, mas nunca uma relação tutelada.”

Sócrates e Cavaco reduzem conflitualidade institucional

Primeiro foi Cavaco Silva a baixar a pressão entre Belém e S. Bento, alimentada pela comunicação social durante todo o Verão. A seguir veio Sócrates, na entrevista à RTP, falar em cooperação estratégica. Belém já pode ter percebido que quanto maior conflitualidade com o PS, mais a reeleição de Cavaco fica ameaçada.

Depois da tempestade de Verão

Primeiro foi Cavaco Silva a baixar a pressão entre Belém e S. Bento, alimentada pela comunicação social durante todo o Verão. A seguir veio Sócrates, na entrevista à RTP, falar em cooperação estratégica. Belém já pode ter percebido que quanto maior conflitualidade com o PS, mais a reeleição de Cavaco fica ameaçada. Por sua vez, Sócrates também percebeu que a guerra com Belém só dá trunfos a Ferreira Leite.

Quem ouviu esta semana Cavaco Silva a falar na necessidade de o país se concentrar nos seus problemas, não se distraindo com o episódio das alegadas escutas ao Palácio de Belém e José Sócrates a garantir que o governo e o Presidente da República estavam a cooperar entre si, deve ter tido a sensação de viver uma fantasia de Verão quando no mês de Agosto toda a comunicação social fazia parangonas com a guerra entre a Presidência da República e o executivo, depois de uma fonte presidencial anónima ter colocado a hipótese de o Palácio de Belém estar a ser vigiado.
É bom, no entanto, não tirar conclusões precipitadas porque a fantasia e Verão pode ser, afinal, realidade e a realidade fantasia. Há muito para jogar nos próximos dois anos. As legislativas de 27 de Setembro são apenas o início do campeonato. Depois de avaliar o que se passou em Agosto, com o episódio das alegadas escutas, Sócrates teve ter feito o ponto da situação e concluído que o PS nada tem a ganhar com a conflitualidade com Belém, ou a aparência dela, acabando por dar trunfos a Ferreira Leite.
Se a imagem de conflitualidade com Belém passar psra a opinião pública, há o risco de os portugueses penalizarem o PS. Para o espectro da ingovernabilidade, já bem basta os eleitores não qurerem dar maioria absoluta a nenhum partido em face da experiência com Sócrates, quanto mais enfrentarem o risco de uma má relação entre Belém e S. Bento, mais o país pode ficar ingovernável, ainda para mais havendo uma crise económica e social para gerir. Assim, uma continuada dramatização do conflito institucional, podia levar Ferreira Leite a sustentar que o PSD, mesmo sem maioria absoluta, era o único partido capaz de dar garantias de governabilidade em face das relações normalizadas com Cavaco Silva. Assim, mesmo que os atritos entre Belém e S. Bento sejam reais, com vetos sucessivos às leis socialistase muitas frases sibilinas ou que parecem hoistis ao PS, Sócrates tem de assobiar para o ar. Há, mesmo assim, conflitos institucionais bem mais graves, por exemplo aquele que foi protagonizado por Cavaco Silva e Mário Soares. Sócrates bem pode dar-se por satisfeito por Cavaco nunca ter pisado o risco em relação a poder ser visto como apoiante das reivindicações das várias classes profissionais que afrontaram Sócrates nos últimos quatro anos, o grande problema do primeiro-ministro, que o pode, aliás, levar à derrota eleitoral.

Quanto a Cavaco, o Palácio de Belém já pode ter percebido que quanto maior conflitualidade com o PS, mais grãozinhos de areia se infiltram na máquina de reeleição de Cavaco em 2011. O argumento que serve para o governo, nestas legislativas, também serve para Cavaco nas presidenciais. Os portugueses podem ter-se habituado à cooperação estratégica e, face à instabilidade derivada da ausência de maioria absoluta, não quererem novos riscos. O PS tem, aliás, explorado bem este cenário de Cavaco sem cooperação estratégica, dando gás a nomes muito fortes para poderem ser candidatos presidenciais do PS contra Cavaco. Os socialistas mantém a hipótese de Manuel Alegre em banho-maria e um grupo de socialistas chegou a sondar Jorge Sampaio para uma nova batalha por Belém. Esta guerra pode, no entanto, não ser real e ter um simples objectivo de dissuasão, avisando o Palácio de Belém para não cair em tentações, reais ou mesmo fantasiosas, como as escutas à Presidência da República.

“O PS não deve fazer coligações pós-eleitorais”

Sónia Sanfona ficou conhecida do País depois de ter assinado o famigerado relatório final da Comissão de Inquérito ao BPN. Assume-se uma alpiarcense convicta e, depois de quatro anos e meio no Parlamento, aceita o desafio de candidatar-se à presidência da sua vila natal: “O turismo é o aspecto mais diferente e inovador no meu programa eleitoral”.

Sónia Sanfona, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS e Candidata à Câmara de Alpiarça

Sónia Sanfona ficou conhecida do País depois de ter assinado o famigerado relatório final da Comissão de Inquérito ao BPN. Assume-se uma alpiarcense convicta e, depois de quatro anos e meio no Parlamento, aceita o desafio de candidatar-se à presidência da sua vila natal: “O turismo é o aspecto mais diferente e inovador no meu programa eleitoral”. Sobre as legislativas e a governabilidade, avança que o PS deve Governar sozinho e procurar acordos pontuais com as várias forças políticas.

O que é que a motiva no desafio autárquico?

Comecei a minha intervenção na política como membro de uma Assembleia Municipal, uma experiência muito interessante e que, pessoalmente, acho que contribuiu para eu desenvolver o sentimento de servir os nossos concidadãos. A mim compensa-me pensar que posso fazer alguma coisa pelos outros – o que, francamente, não sei se é um sentimento egoísta. O desafio autárquico é, fundamentalmente, um apelo das nossas raízes. Ao longo deste tempo não deixei de viver na terra onde nasci, tenho dois filhos que vão lá à escola, a minha família é toda de lá… Partilho muito dos problemas e das vantagens de se viver num concelho como o meu e ser-se alpiarcense.

A Câmara Municipal tem sido gerida nos últimos anos pelo PS. O que é que faltou concretizar?

Quem conhecia e conhece Alpiarça há doze anos a esta parte – o período de tempo em que o PS está à frente dos destinos do concelho – pode muito facilmente apreciar as diferenças, quer na gestão quer no rosto, da vila. Alpiarça tem hoje um conjunto de equipamentos sociais, culturais, cívicos que não tinha. Melhorou a rede viária, as infra-estruturas básicas, criou uma zona industrial. Desenvolveu-se, progrediu e modernizou. Mas é claro que há sempre qualquer coisa para fazer.

Pode dar alguns exemplos?

Algumas coisas não foram feitas por manifesta impossibilidade de as conseguir, porque Alpiarça é um concelho pequeno e tem limitações do ponto de vista da capacidade de investimento e de concretização. É preciso melhorar substancialmente a forma como se administra e gere – e profissionalizar essa gestão – a casa museu José Relvas, colocando-a no centro daquilo que quero que seja um programa de desenvolvimento turístico sustentado. Alpiarça tem condições únicas: uma barragem com um valor natural muito específico e de grande qualidade, um pólo desportivo interessante, uma zona ribeirinha que não está aproveitada, uma vala real que precisa de ser despoluída…

O turismo é a sua grande aposta para o município?

O turismo é o aspecto mais diferente e inovador no meu programa eleitoral. Há um conjunto de outras medidas, ideias e projectos que, também sendo novos, não têm esta dimensão. Há medidas de apoio aos empresários, especificamente aos agricultores, apoio ao pequeno comércio… Um conjunto de iniciativas e de ajudas que a autarquia pode desenvolver para a fixação das empresas e do comércio ou na colaboração com os agricultores.

Acredita que a notoriedade que conseguiu alcançar como deputada, designadamente devido à comissão parlamentar sobre o caso BPN, a poderá beneficiar eleitoralmente?

Muito francamente acho que não. Para mim foi fundamental o percurso todo que fiz até chegar à comissão de inquérito do BPN, o culminar de quatro anos e meio de trabalho que desenvolvi no Parlamento. De facto, publicamente, o relatório que fiz tornou-me conhecida, de uma forma mais genérica, no País. Mas isso não resulta em meu benefício ou prejuízo. No meu concelho as pessoas conhecem-me desde que eu nasci, conhecem a minha família, fizeram parte do meu percurso escolar, conhecem-me profissionalmente porque exerci advocacia durante nove anos em Alpiarça…

Tem algum mal os assessores de Belém participarem na elaboração de um programa político de um partido?

A Presidência da República deve ser um órgão equidistante, imparcial e independente. A partir do momento em que é eleito, o Presidente da República deve ser o Presidente de todos os portugueses. Tenho alguma dificuldade em perceber por que razão os seus assessores, pessoas da sua confiança e que trabalham consigo e o aconselham, não se protegem deste tipo de intervenção. Muito sinceramente, não estou preocupada com a contribuição que os assessores do Presidente deram para o programa do PSD. Mas do ponto de vista da imagem externa transparece uma ideia que não é positiva, no sentido em que a independência e a equidistância deve ser assegurada.

Essa ideia poderá ser propositada. Isto é, a Presidência querer fragilizar Sócrates para beneficiar Ferreira Leite.

Pode. Mas também pode ser uma espécie de aproveitamento por parte do PSD para publicitar a participação de assessores do Presidente na elaboração do programa do PSD e demonstrar aos portugueses que o Presidente estará em consonância com aquilo que o partido irá apresentar. Quem mais fragilizado sai deste processo é o Presidente, que deveria manter a sua preocupação de equidistância.

Cavaco Silva já devia ter vindo a público afastar-se destas acusações, até sobre espionagem em Belém?

O público em geral está a dar uma importância a este assunto que ele não tem. Provavelmente o Presidente pensará a mesma coisa. Se o Presidente tivesse tido algum indício ou sensação de que podia estar em causa a sua privacidade ou a do seu gabinete, teria agido em conformidade. A Procuradoria-geral da República existe exactamente para isto.

Que avaliação política faz das relações entre Belém e S. Bento?

Não acho que as relações entre a Presidência e o Governo sejam más, de todo. Mas eu sou um agente externo, estou a falar da forma como que vejo. Os vetos presidenciais estão previstos na Constituição e representam o exercício de um poder legítimo do Presidente. A análise que faço é que nalguns casos os vetos fundaram-se em razões objectivas, sobretudo dúvidas de constitucionalidade; e noutros por opções pessoais de formação do Presidente, que é uma pessoa mais conservadora. Nesse sentido, compreendo melhor alguns vetos do que outros.

Gostaria de ver Manuel Alegre como Presidente da República?

O Partido Socialista deve ter um candidato presidencial. O partido tem no seu seio e na comunidade que não sendo militante se encontra no seu espectro político um conjunto de personalidades e figuras que podem perfeitamente desempenhar o cargo de Presidente da República com elevação. Entre essas figuras vejo Manuel Alegre.

Como o mais destacado?

Na minha análise, o Governo do PS, nos últimos quatro anos e meio, teria tido alguma dificuldade no relacionamento com a Presidência da República se Manuel Alegre fosse Presidente.

Mais do que teve com Cavaco Silva?

Não sei… Teria tido alguma dificuldade porque isso foi visível ao longo do mandato. Houve um conjunto de propostas legislativas que claramente não teriam tido acolhimento na Presidência da República e tiveram. Provavelmente haveria outras que teriam acolhimento e com o actual Presidente não tiveram. Vejo alguma distância, não do ponto de vista ideológico porque o PS é só um, há um posicionamento muito diferente entre aquilo que tem sido a linha do Governo e a posição de Manuel Alegre. Não lhe estou a dizer que é completamente incompatível que o Manuel Alegre seja Presidente com um Governo do eng. Sócrates, é possível.

Pessoalmente preferiria alguém com um perfil mais semelhante ao de José Sócrates?

Eventualmente haverá alguns outros putativos candidatos a PR que possam ser, do ponto de vista do pensamento político, mais próximos do eng. José Sócrates. Estamos num exercício especulativo. O que acho é que o PS deve ter um candidato presidencial…

Não se perspectiva que nenhum partido tenha uma maioria absoluta; o bloco central é afastado pelo PS e pelo PSD, os partidos mais pequenos recusam-se a coligar e apoiar os partidos maiores, talvez com excepção ao CDS. Como é que a governabilidade é assegurada neste cenário?
Não acho que o Partido Socialista deva fazer coligações pós-eleitorais. Não o fez nesta fase pré-eleitoral e julgo que não o fará depois das eleições. Estou convencida que o PS vai ganhar as eleições legislativas. É provável que não saia destas eleições com maioria absoluta, mas acho que essa também é uma escolha que os portugueses têm que fazer, porque se há quem anuncie com grande veemência que as maiorias absolutas fazem diminuir a participação democrática – ideia com a qual eu não concordo -, a verdade é que as maiorias absolutas permitem uma estabilidade governativa que a maioria relativa não garante. O PS deve procurar entendimentos, em cada área, com a força política que mais se aproxime daquilo que é o seu programa, daquilo que são as suas opções políticas.

Não seria melhor um Governo estável apoiado por uma maioria estável?

Seria melhor um governo estável com uma maioria absoluta do PS. Sempre que o PCP e o Bloco se identifiquem com as propostas do Partido Socialista e as queiram viabilizar, são perfeitamente bem-vindos. Não concordo, por exemplo, com a proposta feita pelo Engenheiro Ferro Rodrigues relativamente às coligações, convidar o PCP ou o Bloco para o Governo…

Ferro Rodrigues também fala no PSD, no Bloco Central.

A questão do PSD parece-me que está posta de parte à partida, porque quer a dra. Manuela Ferreira Leite quer o próprio eng. Sócrates puseram de parte essa possibilidade.

Mas quem perder vai-se embora… Isto é, se o PS perder, talvez o Ferro Rodrigues seja um possível líder.
Não me parece. O caminho do País é no sentido do futuro, da inovação e o caminho do Partido Socialista é rigorosamente o mesmo. Não me parece nada que tenhamos de voltar atrás, sem com isto querer dizer o que quer que seja relativamente ao eng. Ferro Rodrigues, que é uma pessoa que estimo e que aprecio bastante. Mas, na minha opinião, o futuro do PS não passa por aí. O Partido Socialista é um partido moderno, de uma esquerda democrática avançada.

Voltando ao Bloco Central…
Eventualmente o País necessitava desse entendimento, o que eu acho é que será muito difícil com uma líder do PSD como Manuela Ferreira Leite. Acho que a dra. Manuela Ferreira Leite começou muito mal a pré-campanha legislativa, com uma proposta de destruição total de tudo o que o Partido Socialista fez. A dra. Manuela Ferreira Leite propõe que aquilo que se fez que se apague, que se destrua, que se rasgue e que, portanto, se comece do zero. O PSD voltou a trazer um discurso de profundo desânimo a Portugal. Nós temos tido um Partido Socialista e um Governo que procura puxar o país para cima, diz às pessoas que não podemos desanimar, que não é altura de baixar os braços, que é preciso lutar pelas coisas, que é preciso estarmos convencidos de que somos capazes de fazer, somos capazes de mudar, vamos ultrapassar a crise. Depois, tempos um PSD a puxar-nos sistematicamente para baixo.
O papel da oposição não é fazer oposição às medidas do Governo?
O papel da oposição deve ser construtivo. O papel da oposição é dizer “nós não concordamos com isto e, em alternativa, a solução é esta”. Este é o papel de uma oposição responsável. Não é o papel de crítica destrutiva, sistemática, inconsistente, sem qualquer tipo de proposta alternativa. Porque é assim que tem funcionado o PSD ao longo deste tempo. É o vazio das ideias, é o vazio das propostas. As pessoas vêem e sentem isto, até porque a dra. Manuela Ferreira Leite não aparece agora aos portugueses, já cá anda há algum tempo, tem um passado, tem uma história. Por isso, neste quadro, é difícil encontrar aqui o equilíbrio necessário para que os dois maiores partidos se entendam e possam governar em conjunto.
Uma das acusações que Manuela Ferreira Leite faz é de claustrofobia democrática. Que comentários faz?

Acho espantoso como é que a dra. Manuela Ferreira Leite, depois do processo de constituição das listas para estas eleições legislativas, tenha a coragem de dizer aos portugueses que o País vive um clima de claustrofobia democrática. Nunca tinha visto uma manobra tão desleal como aquela que foi feita pela direcção do PSD relativamente aos seus principais adversários internos, que com ela disputaram a liderança do partido.

Manuela Ferreira Leite fundamenta que precisa de ter um grupo parlamentar leal, que acredite plenamente no seu projecto político.
É preciso ter um grupo leal e é preciso ter diversidade, porque a diversidade também é qualidade. Relembro que o eng. José Sócrates também teve um opositor na luta interna pela liderança do partido e que esse opositor foi membro do Grupo Parlamentar durante estes quatro anos e meio. Ninguém tem dúvidas que Manuel Alegre exerceu o seu mandato rigorosamente como quis exercê-lo. E a sua voz dissonante não foi sempre negativa, ao contrário daquilo que as pessoas às vezes querem fazer passar. O debate interno e a dissonância que às vezes existe entre opções é saudável do ponto de vista democrático. A dra. Manuela Ferreira Leite não percebeu uma coisa fundamental: o dr. Passos Coelho não foi eleito líder do PSD, mas teve uma rotação expressiva no seu partido e representa, de facto, uma parte significativa do que é o PSD. Isto revela o receio do afrontamento ou da possível sombra que, eventualmente, o dr. Passos Coelho podia fazer à dra. Manuela Ferreira Leite. O País caminha para o futuro e os partidos políticos também caminham e hoje a dra. Manuela Ferreira Leite já é passado e o dr. Passos Coelho pode ser futuro.

Moderados do PS convidam Sampaio para candidato

É uma autêntica “bomba” política. O SEMANÁRIO sabe que alguns moderados do PS, próximos de José Sócrates, convidaram recentemente Jorge Sampaio para ser candidato presidencial em 2011.

Eleições presidenciais em 2011

É uma autêntica “bomba” política. O SEMANÁRIO sabe que alguns moderados do PS, próximos de José Sócrates, convidaram recentemente Jorge Sampaio para ser candidato presidencial em 2011.

O Presidente da República, Cavaco Silva, bem se pode acautelar porque o PS não está só a trabalhar para as legislativas mas também já para as presidenciais de 2011, demonstrando que as duas eleições estão muito mais interligadas do que se pensa. O SEMANÁRIO sabe que alguns moderados do PS, próximos de José Sócrates, convidaram Jorge Sampaio para ser candidato presidencial em 2011. Jorge Sampaio, que foi Presidente da República entre 1996 e 2006, venceu Cavaco Silva na sua primeira eleição, há dez anos, tendo frustrado as expectativas do então ex-líder do PSD e ex-primeiro-ministro. Recorde-se que Cavaco Silva chegou a interromper o seu mandato de primeiro-ministro, em 1994, depois do célebre período de reflexão no Pulo do Lobo, no Alentejo, para se candidatar à Presidência da República. Desde que saiu da Presidência da República, com um capital político intacto, muito ligado ao magistério de influência que exerceu em momentos-chave dos mandatos e que contribuiu para unir os portugueses, Jorge Sampaio tem mantido uma acção pública muito intensa, quer a nível internacional, na luta contra a tuberculose, quer a nível nacional, ainda recentemente tendo desenvolvido os seus bons ofícios para que existisse uma coligação de esquerda em Lisboa. Refira-se que Jorge Sampaio, apesar de uma vida política muito intensa, é um homem relativamente novo, fazendo 70 anos em Setembro, sendo mais jovem que Cavaco Silva.
A grande dúvida passa, naturalmente, por saber se Jorge Sampaio aceita este desafio. Num cenário em que Cavaco se recandidata, as condições políticas de uma candidatura socialista são bastante mais desfavoráveis. Tanto Ramalho Eanes, como Mário Soares e Jorge Sampaio fizeram dois mandatos no Palácio de Belém. Nas reeleições dos Presidentes, os portugueses corresponderam com votações muito elevadas, das quais a mais expressiva foi a de Mário Soares, com 70 por cento de votos. Certamente que Sampaio não é alheio a este aspecto desfavorável, ainda para mais com o risco de a sua candidatura ser interpretada no sentido de não querer permitir a Cavaco os dois mandatos que ele próprio cumpriu. É muito cedo, porém, para decisões sobre a matéria.

Este convite a Jorge Sampaio não é, naturalmente, alheio ao aumento da conflitualidade entre Belém e São Bento, marcada nas últimas duas semanas por mais um veto presidencial, em relação à lei das uniões de facto, e ao episódio das suspeitas de vigilância do Palácio de Belém, lançado por uma fonte anónima da Presidência da República e nunca desmentida por Cavaco Silva. Os socialistas podem já ter percebido que, face às más relações existentes, o clima de cooperação estratégica que marcou os anos de 2006 e 2007 nunca mais se vai repetir e que qualquer governo socialista vai ter em Cavaco um adversário. Deste modo, a estratégia socialista a montar, e o mais rápido possível, parece passar pela apresentação de um candidato presidencial ganhador em 2011.
A degradação ainda maior das relações entre S. Bento e Belém, que pode ocorrer nos próximos dois anos, pode alterar o quadro de hoje e até tornar imperiosa a candidatura de Sampaio, mesmo perante a recandidatura de Cavaco. Depois das eleições de 27 de Setembro, e face à ausência de maioria absoluta, tanto do PS como do PSD, o Presidente da República poderá ter um papel ainda mais interventivo. Perante a aproximação e cumplicidade crescentes entre Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite, a acção do Presidente da República poderá ser alvo de fortes criticas. No quadro de um governo minoritário PS, com Ferreira Leite a manter-se, apesar da derrota eleitoral, na liderança do PSD com o beneplácito de Belém, o PS pode ver a sua acção muito dificultada por Cavaco. No cenário de um Bloco Central, com algum envolvimento ou mesmo a égide de Belém, a acção de Cavaco também poderá ser, objectivamente, prejudicial ao PS, desgastando mais os socialistas do que o seu parceiro de coligação social-democrata. No quadro de um governo minoritário do PSD, ou mesmo de coligação com o CDS, os socialistas também podem ser alvo de uma estratégia em tenaz, com epicentro em Belém, tendo como objectivo o seu isolamento. O melhor cenário para o PS seria, como se vê, o de Sampaio não se recandidatar, por razões pessoais ou do foro político, nomeadamente o de considerar, de forma altruística, que a sua acção impediria sempre o PSD de Ferreira Leite de se autonomizar e voar mais alto, por exemplo tentando uma maioria absoluta em legislativas antecipadas. Esta hipótese de Cavaco não se recandidatar seria, também, o melhor quadro para a candidatura de Jorge Sampaio.
Manuel Alegre tem sido o nome mais falado para poder ser o candidato oficial do PS a Belém. Mas o poeta tem muitos anticorpos no PS, sobretudo na ala moderada, e, mesmo entre o PCP e o BE Alegre está longe de ser uma figura unânime. Por sua vez, Alegre, apesar de ter recolhido um milhão de votos nas presidenciais de 2009, foi para todos os efeitos derrotado por Cavaco Silva, e logo à primeira volta. Deste modo, uma vitória sobre Cavaco Silva, ainda para mais num quadro mais difícil de reeleição de Cavaco Silva, parece pouco provável.
Por sua vez, António Guterres, actual Alto Comissário para os Refugiados, outro nome que tem sido falado para candidato presidencial do PS, parece ser uma aposta arriscada do PS. António Guterres está há muito fora da ribalta política. Por outro lado, está por provar que Guterres já tenha sido reabilitado politicamente, depois do ano negro de 2001 e da sua demissão de primeiro-ministro. O próprio António Guterres pode não estar disponível para ser candidato, pelos mesmos motivos políticos e pessoais que o levaram a abandonar a política e a lançar-se numa carreira internacional. Depois do Alto Comissariado da ONU, António Guterres pode, aliás, ter hipóteses de ser o próximo secretário-geral da ONU, tal como o SEMANÁRIO revelou há um mês, o que o afastaria por longos anos da política portuguesa.
Jorge Sampaio aparece, assim, como figura em melhores condições para tentar a reconquista do Palácio de Belém por parte dos socialistas.

Partidos regressam ao trabalho

O título deste texto é deveras erróneo. Os partidos políticos, neste final de legislatura e num período eleitoral tão importante, com eleições legislativas agendadas para 27 de Setembro e as autárquicas a 11 de Outubro, não deixaram de estar activos – e muito.

As rentrées dos partidos políticos, este ano, assumem uma natureza um pouco diferente, e por uma razão óbvia: não houve, propriamente, nenhuma pausa na política nacional. Os dois actos eleitorais que se aproximam não o deixaram. Portanto, em vez de regressos vamos ter continuações, mais um palco onde os líderes vão defender programas e fazer críticas, com bandeiras, muitas palmas e câmaras de televisão.

O título deste texto é deveras erróneo. Os partidos políticos, neste final de legislatura e num período eleitoral tão importante, com eleições legislativas agendadas para 27 de Setembro e as autárquicas a 11 de Outubro, não deixaram de estar activos – e muito. Não obstante este pormenor, e como há sempre a necessidade de um regresso oficial, os vários aparelhos partidários já anunciaram as rentrées políticas.

CDS na Praça do Peixe

O CDS é o primeiro partido a marcar oficialmente o regresso de férias (embora Paulo Portas e a sua entourage tenham passado o mês de Agosto a percorrer o País), com o tradicional comício na Praça do Peixe. O CDS escolhe habitualmente Aveiro, o círculo eleitoral de Paulo Portas, para as iniciativas de abertura do ano político. Antes do comício na Praça do Peixe, à noite, haverá uma “reunião geral” com candidatos às eleições legislativas, autárquicos e com os presidentes das concelhias.
No entanto, a apresentação do programa eleitoral do partido ficou marcada para uma semana mais tarde, a 30 de Agosto, com o apoio às PME, a Segurança e a Justiça entre as prioridades dos democratas-cristãos.

PS arranca ano político na praia

No PS, a rentrée ficou a cargo da Juventude Socialista que, entre 27 e 30 de Agosto, organiza um acampamento para jovens na praia de Santa Cruz, que tem o seu ponto alto, sábado, com um discurso do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates.
Com o programa eleitoral já apresentado em Julho, o PS marcou para 6 de Setembro outro momento importante: uma Convenção Nacional, que reunirá cerca de mil pessoas e que marcará o arranque da campanha eleitoral às legislativas, também com a presença de José Sócrates.
PSD opta mais uma vez por Castelo de Vide
O PSD volta a apostar na tradicional Universidade de Verão para principiar oficialmente o ano político. Há um ano, o discurso de encerramento de Manuela Ferreira Leite era muito esperado, visto que simbolizava o fim do longo período de silêncio a que a líder se tinha reservado. Os social-democratas, entre 24 e 30 de Agosto, em Castelo de Vide, vão juntar oradores como Marques Mendes, Pedro Santana Lopes ou Marcelo Rebelo de Sousa. Os trabalhos serão encerrados com o discurso da líder.
No entanto, este que costuma ser o momento da rentrée social-democrata tem este ano um concorrente: a apresentação do programa de Governo do PSD, a 27 de Setembro, que decorrerá fora da Universidade de Verão, ainda sem local definido.
Comunistas na Quinta da Atalaia
O PCP será o partido a fazer mais tarde a sua rentrée formal, com a 33.ª Festa do Avante! a decorrer a 4, 5 e 6 de Setembro na Quinta da Atalaia, no Seixal. A Grande Gala de Ópera, os portugueses Clã, Maria João e Mário Laginha e os espanhóis Ska P são algumas das principais atracções do programa cultural da edição deste ano da Festa do Avante, que terá na abertura e encerramento os discursos políticos do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, partido que apresentou o programa de Governo na semana passada.

Bloco em Almada
O Bloco de Esquerda escolheu o último fim-de-semana de Agosto para fazer a sua rentrée política, repetindo os moldes do ano passado com a iniciativa “Socialismo 2009 – Debates para a Alternativa”, entre 28 e 30 de Agosto, em Almada. O debate irá centrar-se na discussão das prioridades do programa de Governo do BE, apresentado em Julho, e encerrará com uma intervenção do líder Francisco Louçã.

“É o princípio do fim da crise”

Para Sócrates a notícia não podia ser melhor: a economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano, segundo dados ontem divulgados pelo INE. “Os resultados são o princípio do fim da crise”, afirmou José Sócrates, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros.

Para Sócrates a notícia não podia ser melhor: a economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano, segundo dados ontem divulgados pelo INE. “Os resultados são o princípio do fim da crise”, afirmou José Sócrates, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. Certamente expectante é que a inversão da tendência de queda contagie, também, as intenções de votos no Partido Socialista. Para o líder do executivo, não poderia haver melhor motivo, que este, para interromper as férias que gozava na vizinha Espanha.

Foi com optimismo, mas com cautela, que José Sócrates anunciou ao país o “princípio do fim da crise”. Para o primeiro-ministro, estes dados são “animadores e positivos”, mostrando que “o Governo está num caminho seguro para sair de uma das mais graves crises da economia”. No entanto, fez questão de sublinhar que este ” não é o fim da crise, mas sim o princípio do fim da crise”, salientando que “há ainda desafios a enfrentar”. “Tenho boas indicações e bons sinais, e não apenas dos resultados da economia, que nos permitem olhar para este número como um número sustentável no futuro”, afirmou, definindo este momento como sendo de “viragem”, mas advertindo que os portugueses vão ter “ainda de suportar as consequências da crise económica, que não se deixarão de sentir”. Sócrates salientou que há “ânimo económico” e que “este crescimento faz com que Portugal saia da situação de recessão”, adiantando ainda que mesmo entre os congéneres europeus o “declínio económico é muito inferior” e que, “um pouco por todo o mundo, a situação económica melhorou”, o que aumenta as perspectivas do crescimento económico. Relativamente ao impacto da crise no emprego, Sócrates considerou que é “muito cedo para dizer”. “O impacto no emprego será mais retardado” e “só se dará uns meses depois”. Não deixando, no entanto, de afirmar as políticas do actual governo, como alavancas deste crescimento. Para Sócrates, as políticas deste executivo “ajudaram muita gente a encontrar emprego e a aguentar o seu emprego e as empresas a encetar negócios” e “permitiram que cerca de 75 mil a 100 mil portugueses mantivessem o seu emprego”, disse Sócrates. O líder do executivo reitera que Portugal é, assim, dos primeiros países europeus a sair da recessão económica, facto que leva o executivo a prometer, para o terceiro trimestre, melhorar os níveis de actividade económica, em relação à média europeia. Mas ainda deverá ser cedo para encomendar o bolo e mandar abrir o champanhe. O arranque do “motor” exportador ainda demorará a fazer sentir-se, antes de se poder, definitivamente, fechar o agora anunciado fim do ciclo recessivo. Teixeira dos Santos cauteloso nas palavras O ministro das Finanças saudou, tal como Sócrates, os números divulgados pelo INE, mas advertiu, na mesma linha que o primeiro-ministro, que a saída de Portugal da recessão não significa o fim da crise. “O crescimento em cadeia do primeiro para o segundo trimestre deste ano termina a recessão técnica iniciada em meados de 2008. Mas isto não é o fim da crise que nos tem afectado”, sublinha Teixeira dos Santos. Numa reacção escrita à comunicação social, o responsável afirma que, para virar a página da crise será preciso que o crescimento se mantenha de “forma sustentada” e que esta dinâmica se “reflicta na criação de emprego”. Portanto, enquanto os motores privados permanecerem travados, “os apoios do Governo à economia e ao emprego devem manter–se de forma a consolidar a recuperação do crescimento”, defende o ministro. Neste contexto, sublinha, “há que apostar na qualificação dos portugueses e na modernização e internacionalização da nossa economia para assegurar um crescimento mais forte a médio e longo prazo. O esforço de investimento privado com esse fim deve ser incentivado e o investimento público deve ser mantido.” CDS-PP: números “não permitem grandes euforias” O deputado democrata-cristão Diogo Feio alerta para não entrar em euforia com os números revelados pelo INE. “Em primeiro lugar, continuamos com dados negativos quanto ao investimento. Em segundo lugar, não há uma consequência no emprego. Em terceiro lugar, o investimento demonstra que as nossas empresas ainda não estão numa posição positiva quanto à sua liquidez, como seria necessário.” “Há economias europeias que estão a reagir bem melhor do que a nacional; e, por outro lado, o segundo trimestre de todos os anos, é naturalmente bem melhor do que o primeiro. É um trimestre em que há mais crescimento”, notou ainda o deputado. Bloco de Esquerda aponta “profunda crise” O Bloco de Esquerda não está convencido, nem se deixa contagiar pelo optimismo do Governo. A deputada bloquista, Helena Pinto, sustenta que o aumento do crescimento económico não reflecte a realidade social do país. Os dados do INE significam, antes, ser “necessário e urgente que o Governo reforce as medidas sociais de apoio aos desempregados, nomeadamente aqueles que não têm acesso ao subsídio de desemprego”, interpreta a bloquista. Helena Pinto lembra que “o desemprego em Portugal continua em crescimento”. PCP: economia continua em recessão Uma posição semelhante tem o PCP perante os dados ontem divulgados pelo INE. “É um erro grave considerar que o país saiu da recessão, porque a variação em cadeia melhorou”, declarou o deputado José Lourenço, para quem as políticas do Executivo socialista são “manifestamente insuficientes” para contrariar o ciclo recessivo em que o país está mergulhado. O deputado comunista defende que uma análise correcta deverá ser feita em comparação, não com o primeiro trimestre do ano, mas antes com o segundo trimestre do ano passado. “Em termos homólogos, o que aconteceu é que mantivemos um decréscimo de menos 3,7 por cento, idêntico ao do primeiro trimestre”, disse. Já a CGTP considera “estranho” que a economia melhore no segundo trimestre quando o desemprego está a crescer “de forma substancial” e continuam as situações de falências de empresas, afirmou ontem Maria do Carmo Tavares, da Comissão Executiva. “Causa estranheza a melhoria da economia com o desemprego a crescer de forma substancial e [quando] continuam as falências de empresas e os salários em atrasos” sublinhou.

“Posso vir a ter uma maioria absoluta”

Leonor Coutinho candidata-se a Cascais, por este concelho ter, em seu entender, potencialidades que devem ser estimuladas e porque o concelho se encontra a estagnar.

Candidata-se a Cascais, por este concelho ter, em seu entender, potencialidades que devem ser estimuladas e porque o concelho se encontra a estagnar. Embora não sendo de Cascais e nunca ter liderado uma autarquia, considera que as suas competências, nos domínios do urbanismo e dos transportes, lhe conferem uma vantagem face ao candidato do PSD e “filho da terra” António Capucho. Com o PS diz que as obras públicas são projectos que põem a economia a funcionar e que a maioria absoluta seria o cenário mais favorável para governar.

Quais são as razões que a levam a candidatar-se à autarquia de Cascais?

Cascais, no contexto da Área Metropolitana de Lisboa, área que eu conheço bem e na qual já resido há mais de 35 anos, é um local ainda com alguma qualidade de vida e com algumas potencialidades e privilegiado, a nível da natureza. No entanto, é um território que está em perda de velocidade, que se encontra a perder o seu charme, a vitalidade e a capacidade de atrair actividades, emprego, força, estando-se a tornar numa cidade dormitório, o que é muito negativo.
Que projectos é que irá apresentar para o concelho de Cascais?

Nós vivemos num período de crise, não podemos ser completamente irrealistas, no entanto, para mim, é vital, dada a atractividade que Cascais tem, captar emprego. Há empresas, a nível da Área Metropolitana, que pretendem deslocalizar-se, por exemplo de Lisboa, e que podem encontrar em Cascais um local privilegiado. Há também certos domínios ligados à saúde, ao lazer, ao turismo, tudo o que tem uma especificidade que condiz bem com o concelho. Devia haver um plano muito activo para captação de empregos para a zona.
O concelho também regista algumas situações de carências sociais de vária ordem. Que soluções apresenta para elas?
Há uma grande dicotomia entre um litoral, digamos, com gente rica, ou de uma classe média, que procuram um lugar agradável, e um interior, que também tem pessoas que procuram um lugar agradável, mas que depois ficam um pouco frustradas, pois existem muitas situações de pobreza e de falta de infra-estruturas. É evidente que Cascais tem muitas IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social), muitas associações de apoio e de solidariedade, desde sempre e que tiveram momentos melhores ou piores. A Câmara Municipal tem dado subsídios a algumas dessas IPSS, nem sempre, quanto a mim, da maneira mais justa, nem da maneira mais eficaz. Para mim o objectivo é atingir o maior número de pessoas e dar-lhes soluções efectivas para resolver os seus problemas, e não recorrer a grandes obras para mostrar que me preocupo com as pessoas.
António Capucho referiu em entrevista, na semana passada, ao SEMANÁRIO, que não tem experiência autárquica e que desconhece as realidades do concelho. Como refuta essas acusações?
É evidente que eu tenho uma experiência profissional no domínio do urbanismo, transportes e habitação, que exerci em vários sítios, quer em Portugal, quer no estrangeiro. E isso dá-me a grande capacidade de perceber os problemas das pessoas, dar-lhes as soluções adequadas. O actual presidente da Câmara gaba-se muito de ter tido boas votações, mas a maioria das pessoas de Cascais não votaram nele. Portanto, eu posso vir a ter uma maioria absoluta.
Quais são as mais-valias que julga ter face a Capucho?
Não tenho aquele pequeno “espírito” de às vezes pensar que são as pessoas do meu bairro é que são boas. Eu gosto das pessoas, não sou uma pessoa distante, nunca o fui. Penso que seja essa atenção, para além de uma certa capacidade técnica, que me pode ajudar a auxiliar as pessoas de Cascais.
Já ocupou cargos e já se candidatou a autarquias distintas. Julga que isso poderá enfraquecer a sua credibilidade?
Contrariamente ao actual presidente de Cascais, não tenho só uma vida política, tenho também uma vida profissional, justamente no domínio dos transportes e do urbanismo. Fui uma das pessoas, que colaborou com um cargo de chefia, no Plano Director de Paris. Politicamente estive no Governo durante seis anos e penso que fiz um bom trabalho, quer a nível da habitação, como a nível das telecomunicações. A nível de autarquias, só me candidatei à Câmara de Almada, em 1989. Escolhi viver na Área Metropolitana de Lisboa, depois de ter vivido, no estrangeiro, em vários países durante bastante tempo, porque, de facto, acho que se pode fazer muito mais, tem um potencial muito grande, que nem sempre foi bem utilizado.

Passemos agora à política partidária…

Ainda se sente “magoada” com o seu partido por não a deixar integrar as listas de deputados?
Eu não me sinto magoada com o meu partido. Sou uma pessoa com alguma liberdade de expressão, exprimo as coisas, e muitas vezes até dou voz a pessoas que têm menos capacidade de o fazer, como foi esse caso.
Magoada é uma palavra forte de mais. Tenho saudades também, para além da política, eu também gosto da vida profissional, que abandonei há algum tempo. Criei duas associações, uma delas é uma associação de consumidores dos serviços financeiros, que é a SEFIN, que faz várias lutas, por exemplo, a dos arredondamentos, que é a mais conhecida, lutou contra o pouco controlo que os organismos reguladores estavam a fazer da banca. A minha vida não é só a política, gosto de outras coisas. A razão pela qual concorro é porque tenho a esperança de poder ser presidente de Câmara de Cascais.
O PS na passada quarta-feira, dia 29 de Julho, apresentou o seu programa eleitoral, onde continua a defender as grandes obras públicas. É favorável a essa aposta ou tem reservas?
Eu sou favorável a que o Estado faça um grande esforço, no sentido de vencer a crise. Não pode resumir-se só a apoiar as pessoas desempregadas, que têm carências. Para além disso é também preciso apoiar o emprego, a actividade. Em Portugal, uma das maneiras de criar empregos é apoiar a construção civil, porque este sector tem um peso no nosso tecido urbano bastante importante. Sou a favor de grandes obras de construção civil.
Julga ainda ser possível ao PS repetir a maioria absoluta?
Estamos a viver em Portugal um ambiente de grandes mudanças, porque as pessoas já não acreditam naqueles valores em que anteriormente acreditavam, como a solidariedade, seriedade, confiança uns nos outros, porque se sentem defraudados, quer a nível do sistema financeiro, da justiça, como a nível dos políticos. Há um paradigma diferente e acredito que a dicotomia ricos/pobres está um bocado quebrada. Actualmente, o que está em causa é o esmagamento da classe média, contra o qual sou absolutamente contra, visto que os valores da democracia são bem defendidos justamente por essa mesma classe média. Portanto, a minha actuação cívica será sempre a favor do reforço desse grupo.
Como é que julga que o PS deverá governar se não conseguir a maioria absoluta?
O pior cenário, qualquer que seja o partido que ganhe, é o País ficar ingovernável. O melhor é haver uma maioria absoluta. Se ela não existir, penso que seja importante que haja acordos, não excluindo nenhum partido, de modo a permitir uma governação estável. Porque os interesses dos portugueses sairão muito lesados se o país entrar num período de instabilidade política.
Em suma, o que defendo é uma solução estável para o País.
O PS e o Governo têm vindo a apresentar medidas, quase avulsas, não mostrando grande concertação. Será isso revelador de uma falta de rumo?
Penso que o PSD, por exemplo, não apresenta o seu programa agora e apresentá-lo-á mais tarde. As pessoas que reflectem sobre a realidade, quer sejam políticos, quer sejam outras elites, têm neste momento uma grande dificuldade de se adaptarem aos novos paradigmas que esta crise veio mostrar. A sociedade mudou muito e esta crise pôs em causa o modelo que existia, muito baseado só no valor do dinheiro.
Há tantas incógnitas que, apresentar já soluções fechadas, demonstraria incapacidade para se adaptar a uma realidade em grande mudança.

Distritais obrigam Ferreira Leite a ir a jogo

As distritais de Lisboa, Porto e Vila Real apresentaram as suas listas, com o Porto a revelar apenas os dois primeiros nomes, sem concertarem previamente posições com Ferreira Leite e a direcção nacional do partido. Apenas terão sido cumpridos dois critérios nacionais, o da paridade, salvaguardando a quota para as mulheres, e o da necessidade de renovação.

As distritais de Lisboa, Porto e Vila Real apresentaram as suas listas, com o Porto a revelar apenas os dois primeiros nomes, sem concertarem previamente posições com Ferreira Leite e a direcção nacional do partido. Apenas terão sido cumpridos dois critérios nacionais, o da paridade, salvaguardando a quota para as mulheres, e o da necessidade de renovação. Os votos contra as listas aprovadas, 7 em Lisboa e 5 em Vila Real, foram, aliás, de militantes afectos à presidente do PSD. Ferreira Leite tem agora espaço de manobra para alterar a composição das listas.

As distritais de Lisboa, Porto e Vila Real apresentaram as suas listas, com o Porto a revelar apenas os dois primeiros nomes, sem concertarem previamente posições com Ferreira Leite e a direcção nacional do partido. Apenas terão sido cumpridos dois critérios nacionais, o da paridade, salvaguardando a quota para as mulheres, e o da necessidade de renovação. Os votos contra as listas aprovadas, 7 em Lisboa e 5 em Vila Real, foram, aliás, de militantes afectos à presidente do PSD. Ferreira Leite tem agora espaço de manobra para alterar a composição das listas. O objectivo de algumas distritais pode, aliás, ter sido o de obrigar Ferreira Leite a ir a jogo, clarificando as suas posições, nomeadamente em termos do primeiro lugar da lista por Vila Real caber a Passos Coelho e de indicar os nomes que prefere para a lista por Lisboa, alterando a composição proposta pela distrital.
Na distrital de Lisboa, liderada por Carlos Carreiras, um antigo apoiante de Santana Lopes e de Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite foi proposta para cabeça de lista de deputados do PSD, numa votação realizada no início desta semana. Logo a seguir surgem os nomes de Nuno Morais Sarmento, Luís Marques Guedes e Sofia Galvão. Nos lugares seguintes estão nomes como Pedro Lynce, Pedro Afonso, Susana Toscano, Sérgio Lipari, Fernando Ferreira, Ana Sofia Bettencourt, Ricardo Leite, e Paulo Torres. Curiosamente, em décimo primeiro lugar, no meio de ilustres desconhecidos laranjas, surge o nome de Zita Seabra. Também Helena Lopes da Costa, apoiante de Ferreira Leite depois de ter sido uma indefectível santanista, aparece num humilhante 19º lugar, depois de nas
Legislativas de 2005 ter sido a terceira da lista. A lista foi aprovada por 27 votos a favor, sete contra e três abstenções.

A lista deixou de fora nomes como Rui Gomes da Silva, Arménio Santos, Henrique de Freitas, José Matos Correia, Pedro Pinto e António Preto, tendo sido aprovada por 27 votos a favor, sete contra e três abstenções.
Esta composição espantou vários sectores do partido. O facto de Rui Gomes da Silva e Pedro Pinto terem ficado de fora parece um acto hostil ao santanismo. Por sua vez, a exclusão de Matos Correia parece hostil ao barrosismo. As hostes de Ferreira Leite também não ficaram satisfeitas com a composição, talvez porque não façam parte da lista figuras com mais fortes ligações a Ferreira Leite. Marques Guedes esteve muito ligado a Marques Mendes e Sofia Galvão, apesar de ser vice-presidente do partido, iniciou-se verdadeiramente na política no governo de Santana Lopes. Há mesmo quem diga no PSD que esta lista não faz sentido e que se teve quaisquer intuitos, os mesmos podem virar-se contra os seus autores. Por exemplo, em Lisboa, face à falta de consistência da lista, uma alteração radical feita pela líder pode ser vista como muito positiva por muitos dirigentes, mesmo por aqueles que não têm nada a ver a linha da actual líder do partido.
Na semana passada, a Distrital laranja do Porto, liderada por Marco António, antigo menezista e apoiante de Passos Coelho, também aprovou a lista de deputados, com 29 votos a favor e um contra. Aguiar Branco encabeça a lista, tendo como nº 2 Agostinho Branquinho. A divulgação da lista integral só será feita, por decisão da distrital, após a discussão e aprovação pelos órgãos nacionais do partido. À semelhança do que acontece em Lisboa, a composição da lista pode, porém, suscitar grandes reservas à direcção nacional e a mesmo a outras tendências do partido, já que muitos nomes não estarão representados na lista.
Também na semana passada, também a distrital de Vila Real, liderada por Domingos Dias, aprovou a sua lista, sem fazer uma concertação prévia com Ferreira Leite e a sua direcção. Pedro Passos Coelho foi escolhido para encabeçar a lista, tendo em segundo lugar António Cabeleira seguido de Isabel Sequeira, Pedro Pimentel e Nataniel Araúj.
Esta lista obteve 22 votos a favor, cinco contra e dois em branco.
À saída da reunião, o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Campos, afirmou que “metade das secções concelhias (sete das 14) não se revê na lista apresentada, acrescentando que foram
“excluídos os nomes propostos pelas secções apoiantes de Manuela Ferreira Leite”.
A inclusão do nome de Passos Coelho em lugar elegível nas listas de deputados tem sido motivo de grande polémica. Vários elementos da direcção de Ferreira Leite têm defendido que os deputados devem ser fiéis à linha estratégica definida pela líder. Ferreira Leite tem-se remetido ao silêncio sobre esta questão.
Na semana passada, o líder da distrital de Vila Real, Domingos Dias, não deixou dúvidas sobre a sua posição: “Passos Coelho é uma mais valia do partido e com certeza Manuela Ferreira Leite, que quer os melhores resultados para o partido nas Legislativas de Setembro, não deixará de incluir o seu nome nas listas”.
Refira-se que Passos Coelho manifestou a vontade de se candidatar pelo distrito de Vila Real, de onde é natural e onde já ocupou o cargo de presidente da Assembleia Municipal.

Europa fecha a porta a novas ajudas públicas a bancos privados

“Os nossos cidadãos não aceitam o uso repetido do dinheiro dos contribuintes para salvar instituições financeiras que agiram irresponsavelmente.”

“Os nossos cidadãos não aceitam o uso repetido do dinheiro dos contribuintes para salvar instituições financeiras que agiram irresponsavelmente.” Com estas palavras, proferidas perante o Parlamento Europeu, o novo presidente da UE, o primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, pretendeu colocar um ponto final na concessão generalizada de créditos para salvar bancos e pretende uma “rápida redução dos défices públicos na União Europeia”.

Frederik Reinfeldt apresentou esta semana as prioridades da Presidência sueca ao Parlamento Europeu, num clima de grande preocupação pela profundidade da crise financeira, o aumento galopante do desemprego e as graves incertezas sobre o futuro da União Europeia. “No momento”, disse o líder sueco, “vou aguardar o resultado do referendo na Irlanda sobre o Tratado de Lisboa, mas é muito importante que Durão Barroso tenha um mandato claro, o mais rapidamente possível”, à frente da Comissão Europeia.
As prioridades para a Suécia vão incidir na adopção de medidas para sair da crise financeira e económica e chegar a um acordo sobre as alterações climáticas, em Dezembro, na Cimeira de Copenhaga. A mensagem do conservador Reinfeldt é que “devem ser tomadas medidas para sair da crise o mais rapidamente possível”. Manifestou preocupação com o disparar da dívida, que “no próximo ano será superior a 80% do PIB da UE”, e advertiu que “não podemos fechar os olhos e fingir que isto não é um problema”.

“Chega que os benefícios sejam privados e as perdas públicas”

O primeiro-ministro sueco “deseja que a Europa assuma as suas responsabilidades em matéria económica” e colocar um fim à situação em que “os lucros são privados e as perdas públicas”. A realidade é que, até agora, os bancos europeus engoliram em numerário 165.000 milhões do dinheiro dos contribuintes e comprometeram outros 120.000 milhões a mais, segundo a Comissão. Diversas fontes indicam que o sector bancário europeu precisa de 100.000 milhões para o saneamento, que permitam o seu funcionamento normal.
Além de numerário, o total dos recursos arrecadados sob a forma de garantias, crédito e liquidez na UE ascenderam a 1,8 mil milhões de euros. Neste contexto, faz sentido o medo de Reinfeldt em cair em “défice crónico”. O presidente da União Europeia apelou para “estabelecer rapidamente um sistema de supervisão financeira, para evitar que esta crise se reproduza no futuro”.
Embora a mensagem da Presidência sueca se centre na recuperação das contas públicas, Reinfeldt também expressou a sua intenção em garantir a dimensão social da União, porque “é insustentável que três em cada 10 europeus em idade de trabalhar estejam fora do mercado de trabalho”. Vários deputados consideram insuficientes e contraditórias as medidas tomadas pela Comissão. O presidente do grupo socialista, Martin Schulz, tem reclamado por “uma ênfase mais social”, e maior atenção ao emprego por parte da União e da Comissão. O líder dos Liberais, Guy Verhofstadt, levantou a necessidade de “lançar um novo Plano de Recuperação Económica, em vez de 27 sistemas nacionais diferentes”.

Barroso sem maioria no Parlamento Europeu

Juntamente com os desafios da crise financeira, as dúvidas sobre o futuro institucional da UE ganharam impulso após as manifestações do presidente do PPE, Joseph Daul, que observou a dificuldade de entrada em vigor do Tratado de Lisboa, pendente do referendo da Irlanda de 2 de Outubro e da sua ratificação pela Alemanha, República Checa e Polónia. Os problemas de calendário agravam-se. Se o novo tratado não entra em vigor até Janeiro próximo, a renovação da Comissão Europeia deve seguir o actual Tratado de Nice, que estabelece que o número de comissários deverá ser inferior ao número de países. Nesta situação, os “bad boys”, ou seja, os países que não ratificaram são os que perderiam o seu comissário. A situação é particularmente embaraçosa para a Irlanda, que já garantiu um comissário sem saber se aprova o Tratado de Lisboa. O conflito surge porque, se houver que nomear a nova Comissão antes da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, a promessa de Dublin seria difícil de cumprir.
Além disso, a nomeação de Durão Barroso, como novo presidente da Comissão, acontecerá em Setembro, segundo acordaram os grupos socialista, liberais e verdes. No entanto, Schulz avisou que, “apesar de tudo, não teria a maioria do Parlamento”.

City quer escrutinar rendimentos dos banqueiros de investimento

Os bancos britânicos deverão adiar pagamento de bónus, aumentar os poderes das comissões de controlo de risco e reforçar as responsabilidades dos presidentes não executivos para evitar uma repetição da crise financeira, segundo um comunicado de uma comissão governamental.
O ordenado e compensações dos operadores e banqueiros de investimento da banca mais bem pagos, em Londres, terão de ser publicamente divulgados, segundo um plano apoiado pelo Tesouro britânico destinado a limitar remuneração considerada arriscada.
O ministro do Tesouro britânico, Allistair Darling, quer que as remunerações dos funcionários de bancos de investimento, que têm os rendimentos mais elevados, sejam “mais transparentes”, para que os bancos estejam mais expostos ao escrutínio da imprensa, público e accionistas.
Neste momento, esse escrutínio apenas se aplica a membros do conselho de administração. Um relatório interino do antigo administrador do Morgan Stanley, Sir David Walker, deverá propor, na quinta-feira, que o salário, bónus e detalhes dos planos de reforma sejam revelados para todos os funcionários que tenham remunerações superiores à remuneração média do conselho de administração.
Isto poderá afectar 200 a 300 operadores de salas de mercados e executivos de topo da maioria dos grandes bancos britânicos. O relatório propõe que se divulguem os dados em grupo e não individualmente, de forma a preservar a identidade dos banqueiros de investimento em causa. As comissões para avaliação das remunerações teriam mais poderes de fiscalização sobre estes funcionários de altos rendimentos e deveriam garantir que a sua remuneração está em linha com os objectivos de longo prazo dos bancos.
Embora esta medida seja direccionada a bancos britânicos, grupos estrangeiros com operações importantes no Reino Unido, como o Goldman Sachs e o Deutsche Bank, podem ser obrigados a satisfazer as exigências da Autoridade de Serviços Financeiros. Esta medida pode assim afectar milhares dos banqueiros de investimento, que não viam os seus rendimentos divulgados por não pertencerem aos conselhos de administração dos seus bancos.
A obrigação de reportar essa informação não será, no entanto, tão punitiva como nos Estados Unidos, onde as identidades dos cinco mais bem pagos membros do quadro de funcionários têm de ser reveladas. Muitos deles são executivos de topo ou operadores de salas de investimento e não membros do conselho de administração.
Darling irá receber o relatório final de David Walker no Outono e espera-se que adopte a maioria das recomendações, incluindo planos para melhorar a qualidade dos concelhos de administração dos bancos.