Benfica obrigado a vencer

Só a vitória interessa ao clube encarnado. Com oito pontos de desvantagem face ao FC Porto, líder da tabela classificativa, o Benfica está obrigado a vencer o clássico se pretender revalidar o título de campeão nacional. Já o FC Porto, mesmo que perca mantém o primeiro lugar da Liga Betandwin, embora não seja um resultado positivo para os dragões, uma vez que podem ver diminuir a vantagem sobre o Sporting, segundo classificado, para apenas dois pontos. Já em relação ao Estádio da Luz, após a vitória sobre o Liverpool, vai voltar a esgotar.

Neste domingo realiza-se mais um Benfica-FC Porto, num clássico decisivo para o plantel encarnado que, se perder, vê hipotecadas as hipóteses de revalidar o título de campeão nacional. Desta forma, a vitória é o único resultado que interessa ao conjunto orientado pelo holandês Ronald Koeman que, em caso de vitória, reduz para cinco pontos a diferença para os portistas, líderes da tabela classificativa.
Já a formação treinada por Co Adriaanse, vai para o clássico com menos pressão e mesmo que perca o encontro de domingo tem a garantia que mantém a primeira posição do campeonato. Porém, diminui a vantagem para os benfiquistas, assim como para o Sporting, segundo classificado, que, caso ganhe a Académica no sábado, fica a apenas dois pontos dos dragões. Desta forma, o empate é um resultado que não interessa a nenhum dos conjuntos e que se acontecer vem beneficiar os leões, que se afastam do Benfica e aproximam-se do FC Porto.

Benfica moralizado

Depois de ter vencido por uma bola a zero o Liverpool durante esta semana, num jogo a contar para a Liga dos Campeões, o plantel encarnado encontra-se moralizado para o desafio frente aos portistas. Desta forma, Ronald Koeman deverá fazer alinhar o mesmo “onze” que defrontou os “Reds”. Assim, Moretto deverá manter o lugar na baliza, enquanto Alcides, Anderson, Luisão e Léo formarão o quarteto defensivo. Petit e Manuel Fernandes deverão ser os médios mais defensivos, enquanto Beto deverá perder o lugar para Karagounis no “miolo” do terreno de jogo. Simão e Laurent Robert ficarão encarregues de ocupar as faixas, enquanto Nuno Gomes será o ponta-de-lança de serviço. Refira-se ainda que Geovanni e Miccoli não fazem parte das contas do técnico holandês, uma vez que ainda se encontram a recuperar de uma lesão. Já Moreira, que esteve afastado durante quatro meses após uma intervenção cirúrgica ao joelho, voltou aos treinos esta semana, só devendo voltar a competir daqui a aproximadamente duas semanas.

FC Porto com três centrais

Relativamente ao FC Porto, deverá manter o esquema de 3-5-2 adoptado por Co Adriaanse nos últimos jogos. A táctica, inicialmente contestada pelos adeptos, tem vindo a dar resultados positivos e nada indica que o técnico dos dragões mude no desafio frente aos rivais. Assim, os portistas deverão alinhar com Helton na baliza, que relegou Vítor Baía para o banco de suplentes, enquanto Bosingwa, Pepe e Pedro Emanuel deverão formar o tridente defensivo. Raul Meireles será o médio mais defensivo, enquanto Lucho González e Paulo Assunção completarão os lugares no meio-campo. Ricardo Quaresma e Ivanildo serão os extremos e Benny McCarthy e Adriano farão a dupla de avançados.

Contas à 23.ª jornada

Com 23 jogos realizados na principal competição nacional, os dragões lideram a tabela classificativa com 51 pontos conquistados, tendo vencido 15 jogos, empatado seis e perdido dois. Em relação aos golos, a equipa nortenha marcou 35 tentos e sofreu 13, sendo o conjunto menos batido da Liga Betandwin. Nos últimos três desafios a contar para o campeonato nacional, a equipa presidida por Jorge Nuno Pinto da Costa empatou frente ao Sp. Braga a uma bola, para depois, na penúltima e última jornada, ter ganho ao Belenenses e Marítimo, respectivamente.
Já as águias, ocupam o quarto posto com 43 pontos, tendo ganho 13 desafios, empatado quatro e perdido seis. Relativamente aos remates certeiros, o clube lisboeta é a formação mais concretizadora do campeonato nacional com 37 golos. 21 é o número de tentos sofridos. Refira-se ainda que nos últimos três jogos a contar para a Liga Betanwin, o clube presidido por Luís Filipe Vieira perdeu contra o União de Leiria, para depois ter vencido o Penafiel. Posteriormente, na última jornada, voltou a perder agora contra o Vitória de Guimarães.

José Veiga confiante

José Veiga, director-geral do Benfica, deu durante esta semana uma entrevista à Antena 1 e demonstrou o seu optimismo para o desafio de Domingo. “Não vamos pensar no jogo da segunda mão com o Liverpool. O próximo jogo é contra o FC Porto, é esse que nos interessa”, afirmou o dirigente encarnado, acrescentando: “É o jogo mais importante, por ser o próximo. Acredito vivamente, com grande fé, que ainda há grande possibilidades de reconquistar o título de campeão. Neste momento, é isso que nos interessa e que o grupo quer”. Questionado sobre se era fundamental vencer o FC Porto para ainda poder lutar pela vitória no campeonato, José Veiga sublinhou: “É isso que este grupo de trabalho, os jogadores, têm no pensamento e mente: ganhar ao FC Porto. E tudo farão para conquistar essa vitória no domingo”, declarou, afastando um cenário pessimista: “Nem nos passa pela cabeça pensar nisso. Estamos concentrados na vitória e é esse pensamento positivo que vamos ter para o jogo com o FC Porto.” “Acreditem firmemente nestes jogadores, que eles ainda lhes irão dar muitas alegrias ao longo desta época”, rematou o dirigente benfiquista.
Em relação aos treinadores Ronald Koeman e Co Adriaanse, ambos estão em “black out” e ainda não prestaram qualquer tipo de declarações, assim como os jogadores de ambas as formações.

Estádio da Luz esgotado

O Estádio da Luz deverá registar nova enchente no encontro frente ao FC Porto. Neste momento restam apenas oito mil ingressos à venda para o público em geral e que indicam que, de facto, a Luz vai voltar a esgotar. Em todo o caso, refira-se que, apesar dos recentes desaires no campeonato, em que o Benfica em quantro jogos perdeu três, a vitória sobre o Liverpool devolveu esperança aos adeptos encarnados que marcarão presença no recinto do actual campeão nacional.

Paulo Portas visa regressar ao PP em dois tempos

Paulo Portas quer voltar a ser o homem forte do PP a médio prazo, sabe o SEMANÁRIO. No entanto, o modo de alcançar este objectivo será tudo menos directo e linear. O ex-ministro da Defesa, que começa a 7 de Março o seu programa de comentário político na SIC, não vai dar a cara contra Ribeiro e Castro, devendo ser António Pires de Lima ou Luís Nobre Guedes a fazê-lo no próximo Congresso do partido. O ex-ministro da Defesa só entraria em cena perto das eleições legislativas de 2009. O plano tem, no entanto, um ponto fraco. Pires de Lima e Luís Nobre Guedes sempre rivalizaram pela amizade com Portas e o ex-ministro da Defesa tem de optar por um em desfavor do outro. Entretanto, Maria José Nogueira Pinto, pode estar já a apostar na divisão no reino de Portas.

Paulo Portas quer voltar a ser o homem forte do PP a médio prazo, sabe o SEMANÁRIO. No entanto, o modo de alcançar este objectivo será tudo menos directo e linear. O ex-ministro da Defesa, que começa a 7 de Março o seu programa de comentário político na SIC, não vai dar a cara contra Ribeiro e Castro, devendo ser António Pires de Lima ou Luís Nobre Guedes a fazê-lo no próximo Congresso do partido. O ex-ministro da Defesa só entraria em cena perto das eleições legislativas de 2009. Os contornos do regresso de Portas estão ainda por definir. Já com Pires de Lima ou Nobre Guedes na liderança, o partido poderia entrar numa dinâmica de grande abertura à sociedade civil, visando a refundação da direita, com um discurso novo, de “causas”. Com a constituição de um governo-sombra aberto aos mais competentes e que comunguem da ideia para Portugal defendida pelo PP. Portas, que entretanto se abre aos portugueses na SIC (rivalizando com o Marcelo Rebelo de Sousa) pode ser, no quadro desta estratégia, a cereja em cima do bolo. Talvez como candidato a primeiro-ministro apresentado pelo PP.
O plano tem, no entanto, um ponto fraco. Pires de Lima e Luís Nobre Guedes sempre rivalizaram pela amizade com Portas e o ex-ministro da Defesa tem de optar por um em desfavor do outro. Ainda por cima, o que torna mais difíceis as coisas, tanto Pires de Lima como Luís Nobre Guedes estão convencidos que podem desempenhar bem o lugar. Nobre Guedes foi essencial na ascensão de Portas à liderança do PP, sucedendo a Manuel Monteiro, e tem estado ao lado do ex-ministro da Defesa nos momentos mais difíceis da sua vida. António Pires de Lima é um “portista” mais recente (apesar de ser amigo de Portas há muito tempo). É, no entanto, esta “juventude” política o seu melhor trunfo. Quando Portas abandonou a liderança do PP, Pires de Lima ensaiou, aliás, a sua candidatura à chefia do partido. Hoje, sabe-se, que com vista a posicionar-se para o futuro. Em termos de imagem política, Pires de Lima também parece mais “fresco” que Nobre Guedes, há meses atormentado com o caso “Portucale”.
De qualquer forma, de uma ou outra maneira, parece estar definido que se vai fazer a guerra a Ribeiro e Castro. Nos últimos meses, foi sempre evidente a tensão entre a nova direcção e o grupo parlamentar do PP, onde têm assento todos os portistas. Numa entrevista recente, Ribeiro e Castro não conseguiu controlar o que lhe vai na alma e desabafou que os tempos têm sido difíceis. Aliás, há sinais de que o líder do PP poderia teria vontade de desculpar muitas faltas de consideração e fazer a paz com os deputados “portistas”. No entanto, do lado de Portas, a palavra de ordem é ignorar os cantos de sereia, não dando tréguas a Ribeiro e Castro no próximo Congressso popular. Uma reunião magna que Ribeiro e Castro quer adiar o mais possível, de modo a poder preparar-se para todas as eventualidades.
Entretanto, quem está também no terreno de confronto, é Maria José Nogueira Pinto. A hoje vereadora da Câmara Municipal de Lisboa tem uma posição modesta que num partido como o PP vale ouro. De facto, um dos grandes problemas actuais do partido é estar totalmente fora do aparelho de Estado central e autárquico. Nogueira Pinto tem mantido pontes com toda a gente no partido, dando uma no cravo e outra na ferradura. Ora pisca o olho a Ribeiro e Castro e à sua direcção, iludindo-os, ora pisca o olho a Portas e aos portistas. No fim, não se compromete com ninguém. Hoje, a vereadora na capital aguarda serenamente a evolução do confronto entre Ribeiro e Castro e os portistas e, no seio destes últimos, está atenta a melindres que possam dividir a “casa” entre Pires de Lima e Nobre Guedes. Ou seja, Nogueira Pinto parece atenta à necessidade de uma terceira via para o PP, que não seria nem a de Ribeiro e Castro nem a de Portas.

Crise no Sporting

Vender o património sportinguista. Esta é a solução encontrada por Soares Franco, actual presidente leonino, para reduzir as dívidas do clube de Alvalade, que ascendem a 300 milhões de euros. Uma proposta que será votada na próxima Assembleia Geral do Sporting, marcada para o dia 23 deste mês, e que já suscitou diversas opiniões.

300 milhões de euros. Esta é a dívida total do Sporting que atravessa, no ano do seu centenário, uma das maiores crises financeiras da sua história. E para combater esta situação, Filipe Soares Franco, actual presidente leonino, afirmou que a solução passa pela venda do património do clube lisboeta. Porém, de acordo com o dirigente verde e branco, só apresentará a sua candidatura à presidência do Sporting nas próximas eleições, marcadas para Junho, se os sócios aprovarem o projecto de venda de património, na assembleia geral marcada para o dia 23, na antiga FIL. Em causa está uma proposta de venda do Edifício Visconde de Alvalade, da Alvaláxia, do Health Club do estádio e da Clínica CUF de Alvalade. “É completamente determinante”, afirmou o presidente sportinguista, adiantando ainda que desiste da candidatura se a decisão de vender parte do património do clube não for aceite pelos sócios.

Roquette defende Soares Franco

Entretanto, José Roquette, ex-presidente leonino, deu o seu total apoio a Soares Franco, no que diz respeito à venda do património sportinguista e que configuram uma alteração de estratégia em relação ao projecto inicial por si elaborado. “Estou de acordo com Soares Franco. Se a instabilidade financeira existe, então devem ser estudadas soluções”, afirmou Roquette, sublinhando ainda que a Academia de Alcochete é o único bem que não se poderá negociar: “Este projecto é viável e espero vê-lo aprovado, até porque as infra-estruturas anexas ao estádio não têm a importância que tem, por exemplo, a Academia.”
“O Sporting assumiu já um compromisso há bastante tempo de reduzir o seu passivo através da venda de património não desportivo. Esse compromisso foi assumido ainda durante a gestão do dr. Dias da Cunha”, confirmou José Roquette, sublinhando ainda que o cenário de falência é uma realidade: “O Sporting tem um problema de equilíbrio financeiro, situação que se reflecte mensalmente. E neste caso é urgente estancar essa hemorragia”, destacou. “Não podemos meter a cabeça na areia e fingir que não sabemos o que aconteceu com clubes como Farense, Campomaiorense ou Estoril, e não pensar que é possível que isto possa aparecer em posições mais cimeiras”, concluiu o ex-presidente verde e branco.
Entretanto, refira-se ainda que o facto de a equipa de futebol sportinguista não ter conseguido o apuramento para a Liga dos Campeões, bem como a compra de jogadores acima do que estava autorizado pelo “project finance”, e ainda as modalidades amadoras terem gasto mais do que deveriam são outras das razões que explicam a projecção de um passivo de 16,8 milhões de euros para a corrente época desportiva. Matéria que também será abordada na próxima Assembleia Geral do clube.

Ruptura entre Dias da Cunha e Soares Franco

Perante este cenário, Dias da Cunha, último presidente leonino antes de Soares Franco, acabou por oficializar a ruptura com o actual dirigente leonino durante esta semana em entrevista ao jornal “A Bola”, garantindo total desacordo com as propostas apresentadas, recusando a ideia da necessidade da venda de património, bem como a do desequilíbrio financeiro. Segundo o antigo presidente do Sporting, a solução para a tesouraria do clube passaria pela “colocação do património em fundos imobiliários”. “Esses fundos incluiriam uma cláusula de recompra, que não permitiria aos fundos a venda do património”, disse Dias da Cunha, adiantando que o entendimento entre as partes estipulava já prazos para a recompra do património pelo Sporting, quando o clube “voltasse a uma situação de poder amortizar o endividamento por meios próprios, ou através de outras formas”. Relativamente à posição de José Roquette, Dias da Cunha disse estar a “prestar um mau serviço ao clube, visto que, sem fundamento, põem o seu bom nome em causa”. “Ao procederem assim, José Roquette, em particular, esquecem ou fingem ignorar que o Sporting ficou a partir do fecho da negociação com os Bancos em muito melhor situação económico-financeira do que alguma vez esteve nos últimos dez anos”, argumenta. “Rigor e transparência permitiram os acordos com os bancos. Rigor e transparência continuam a ser o único remédio para resolver eventuais inesperados problemas de tesouraria”, concluiu Dias da Cunha.

Roquette processa João Rocha

José Roquette não gostou das declarações de João Rocha, ao “Record”, e vai processar o antigo presidente verde e branco. Na entrevista em questão, João Rocha disse que “foi o projecto Roquette que liquidou o Sporting”, acrescentando ainda que, “quando José Roquette entrou, o clube estava numa situação caótica, mas ele aceitou um passivo de 4 milhões de contos e, actualmente, ascende a 60 milhões de contos. É uma diferença enorme”. “José Roquette julgava que o Sporting era uma operação tão fácil com a do Totta, em que ele, numa operação ilegal, ganhou 20 milhões de contos sem pagar um tostão de impostos e, ainda por cima, acabou por comprometer aquele que foi recentemente eleito Presidente da República, Cavaco Silva”, afirmou João rocha.

Ribeiro Telles e Bettencourt poderão regressar

Ainda não está nada decidido, mas está iminente o regresso de Miguel Ribeiro Telles e José Eduardo Bettencourt para voltar a gerir o futebol do Sporting e ocupar o cargo de administrador executivo da SAD, respectivamente. O convite foi feito por Soares Franco e poderá consumar-se caso este vença as eleições em Junho. Em todo o caso, ainda falta delinear alguns aspectos mas o regresso desta “dupla” muito apreciada pelos dirigentes e sócios leoninos poderá vir a confirmar-se brevemente.

Liedson até 2010

Entretanto, no plano desportivo, refira-se que o Sporting renovou o contrato com Liedson num investimento que, conforme comunicação feita à CMVM, ascende a 8,5 milhões de euros. Desta forma, o goleador brasileiro representará os leões até 2010, tornando-se num dos jogadores mais bem pagos no plantel verde e branco. Já o defesa direito Abel, emprestado pelo Sp. Braga, “convenceu” o treinador Paulo Bento e o conjunto de Alvalade deverá accionar a cláusula de opção estipulada em aproximadamente 750 mil euros.

Alentejo em movimento

A temporada de 2006 de dança em Évora é preenchida por uma programação intensa e de grande qualidade em grande parte apresentada pelo Espaço do Tempo (de Montemor-o-Novo). O Espaço do Tempo, sob a direcção de Rui Horta, e em co-produção com o Centro Dramátrico de Évora, com organização da Câmara Municipal de Évora, apresentam este mês dois espectáculos imperdíveis.

“Berna, n.º 49 Kramgasse” é um espectáculo de Cláudia Nóvoa e será apresentado nos dias 10 e 11 Fevereiro, no Espaço do Tempo em Montemor-o-Novo. Cláudia Nóvoa fazia parte do Ballet Gulbenkian e alguns dos espectáculos que lhe deram mais prazer interpretar foram “Jardim Cerrado”, de Nacho Duato, e “Old Children”, de Mats Ek. A bailarina, depois de “Solidão aos Molhos”, regressa à criação, em nome próprio, com um elenco de cúmplices que partilharam a despedida daquela companhia de dança.
Criou o espectáculo, agora apresentado, em 2005, ano mundial da física. Ao ler alguns jornais, Cláudia Nóvoa sentiu algum interesse em relação a um pormenor da morte de Albert Einstein. Este pormenor foi o facto do patologista que lhe realizou a autópsia lhe tirar o cérebro para melhor o estudar, guardou pedaços em formol, andando fugido durante mais de 40 anos. Foi assim que a coreógrafa assumiu o desafio de “entrar no cérebro deste cientista famoso” e começou a sua própria ciência. Estudou e passou a conhecer melhor os responsáveis de grandes descobertas da humanidade e criou um espectáculo, que se pode dizer que é fruto do fascínio da evolução do conhecimento científico. O espectáculo foi construído em residência artística no Convento da Saudade, em Montemor-o-Novo e esta será a sua primeira apresentação, neste novo espaço de espectáculos.
Na base, o comportamento do átomo, a grandeza do cosmos, a relatividade do tempo, as forças de interacção. A viagem começou com Einstein, são tratados os conceitos de espaço, tempo, velocidade, luz, massa e energia. O nome “Berna, n.º 49 Kramgasse” nasce da importância da residência em Berna, onde o cidadão suíço pensou e elaborou a teoria da relatividade. Isto aconteceu em 1905, há 100 anos. Hoje essa casa é um museu muito visitado e Cláudia Nóvoa é uma bailarina, que interpreta o papel de coreógrafa e cria “Berna, n.º 49 Kramgrase”. A “performance” conta com a interpretação da própria coreógrafa, Romeu Runa, Sandra Rosado e Pedro Mendes. O desenho de luz é de Paulo Graça, a música de Mário Franco e a fotografia de António Rebolo.
O espectáculo vive da energia e do movimento, assumindo um interesse pelo lado poético da matéria. Propõe-se a olhar de uma forma quase nua sobre a expressividade do corpo, sem recurso a grandes tecnologias.
No fim-de-semana seguinte, “Obstrucsong” estará no Teatro Municipal Garcia Resende, em Évora, depois de ter passado por Praga, Berna e Bruxelas, além da Dinamarca, Polónia, entre outras cidades. O espectáculo está em digressão desde Maio de 2005. Coreografado por Palle Granhoj, um dos mais prolíficos e criativos coreógrafos da cena dinamarquesa e interpretado pela Companhia Gtanhoj Dans (Dinamarca), esta é uma performance criada em cooperação com os intérpretes: Aline Rodriguez, Anne Eisensee, Daila Chaimsky, Dorte Petersen, Gaute Grimeland, Kristoffe Pedersen e Jannik Nielsen. Palle Granhoj dirige a peça num tapete de lã. Nas suas palavras, às vezes quando ouves música, um simples acorde pode ser suficiente para nos pôr com uma determinada disposição. “Obstrucsong” é a sua tentativa de deixar uma dança simples e física, uma canção em forma de ritual, dar à audiência a sensação de que falta algo. O que falta é explorado neste espectáculo.
O espaço puro enquadra o essencial do seu método: a obstrução técnica. Segundo o coreógrafo, grelhas e obstáculos são limitativas para os intérpretes, deixando surgir novas possibilidades. It was complex… I just need it to be really simple!
A fonte de luz primária é a lâmpada e os engenhos simples, caixas de lata, tampas e varões flexíveis fazem a moldura do espaço de dança e do palco. As línguas usadas neste espectáculo são o volapuk e o inglês, fazendo com que haja uma exploração diversa da linguagem. A voz dos intérpretes é o foco. Todos os sons se baseiam na voz natural e acústica. Da respiração dos intérpretes surgem sons estranhos e curiosidades que crescem através dos sussurros, até se tornarem num canto e em gritos. Segundo a crítica finlandesa: they sing like an angle choire.
O design é de Per Victor. “La Libre Belgique” considera a ideia sedutora, o conceito vertiginoso e a entrega é feita com humor, precisão e luminosidade. Os arranjos musicais são de Laila Skovmand. Esta é uma performance de uma companhia com um curriculum longo e que é uma lufada de ar fresco na dança moderna. Subirá ao palco deste teatro na cidade de Évora nos dias 17 e 18 de Fevereiro às 21h30.

O plano Gates: um país estrangeiradopor Paulo Gaião

Portugal parece uma América dos pequeninos, onde
o inglês é dominante, Bill Gates é imperador e o céu
é o limite, como disse Sócrates, lembrando o filme “Top Gun”

A “carreirinha” dos ministros a colocarem a assinatura em série nos protocolos com Bill Gates arrisca-se a ficar na história do país como o acto mais pindérico desde o 25 de Abril. George Orwell era capaz de fazer um livro magnífico com a imagem risívelde vários ministros portugueses a assinarem em série um contrato com Bill Gates. E Charlie Chaplin talvez fizesse um “remake” do seu “Mundo Moderno”.
Por detrás de muitas medidas bem-vindas de Sócrates, começam a descobrir-se coisas muito pouco agradáveis. Como se tivesse que haver um preço a pagar por estarmos a ser razoavelmente bem governados.
A coberto da crise, o país está a vender a sua dignidade. Há dois meses, já tinha parecido estranho, a forma subalterna como Manuel Pinho andou em bolandas com a AutoEuropa e pareceu um auxiliar do dono da ENI. Há três meses também houve qualquer coisa de estranho no ar quando a apresentação do projecto da Ota, uma obra de Estado, de grande envergadura foi sustentado por dois funcionários bancários. Hoje, foi a “carreirinha” dos ministros a colocarem a assinatura em “série” nos protocolos com Bill Gates.
Jorge Sampaio, com o seu habitual conformismo, também embalou nas homenagens a Bill Gates, deixando o Estado ainda mais ajoelhado ao dono da Microsoft. Até se desconfia que o Presidente da República pode ter segredado a Bill Gates que estava a ter direito ao seu minuto de fama… com o homem mais rico do mundo. O que se passa com estes socialistas que, ano após ano, governo após governo, não perdem o fascínio pelo dinheiro? Caindo em situações tristíssimas. Abdicando, de mão beijada, da soberania portuguesa. Bill Gates vai formar as polícias e o até o sector de informações, o que pode colidir com os interesses estratégicos do país.
Há qualquer coisa de anormal na obessão de Sócrates com o plano tecnológico. Sem se interrogar, sequer, se ao fim de trinta anos de revolução informática em curso, um novo paradigma tecnológico não está prestes a surgir. Sem avaliar as reais necessidades do país, não ao nível da cibernáutica e do instrumento que ela representa, mas ao nível do que realmente interessa, o fundo da questão, o conhecimento, humanístico e científico aplicados, seja por que via for. Na verdade, de que serve dominar um computador, se ele depois não é aproveitado na valorização do saber das pessoas? Sem questionar, ainda, que meio Portugal já fez cursos de informática há vinte anos, quando o país utilizou os fundos da CEE e nem por isso Portugal saiu da crise e os portugueses deram um salto qualitativo. Que ilusão e panaceia são estas do plano tecnológico? Quem é que Sócrates quer enganar? Sem questionar, também, as razões porque, seis anos depois, a Agenda de Lisboa – que aceitou o repto de colocar a Europa na vanguarda mundial do e-governement – não foi ainda desenvolvida. Porque será que o entusiasmo com a era da informação é mais de Portugal do que dos outros? E porque será que tanto Sócrates como António Guterres têm esta fixação com os computadores?
Mário Soares dizia há um mês que Sócrates era o anti-Guterres. Pode ser. Mas numa coisa, Sócrates é parecido com Guterres: ambos adoram Bill Gates. Curiosamente, as três vezes que o dono da Microsoft esteve em Portugal, foi sempre debaixo da protecção socialista. Porque será?
Por outro lado, nada se sabe do conteúdo dos contratos assinados com Bill Gates, dos encargos e contrapartidas para ambas as partes, o que traduz uma falta de transparência que começa a ser regra neste governo socialista. Sobre o aeroporto da Ota também tardou a serem conhecidos os estudos. E quando o foram, revelaram-se frágeis e insuficientes, ao ponto de Sócrates dizer quem quem tivesse estudos contra a localização escolhida para a Ota que os apresentasse.
Para além do plano tecnológico e de Bill Gates, também há qualquer coisa de profundamente anormal com a obsessão de Sócrates com o ensino do inglês nas escolas básicas. À semelhança do campo informático, não se questiona a importância na aprendizagem da língua mais falada do mundo. O que se questiona é a forma como Sócrates acredita, quase com fé religiosa, que o inglês é o futuro. A exemplo da informática, estamos perante um simples instrumento. Por outro lado, quem garante a Sócrates que não é o chinês a língua do futuro? Ou o espanhol? Esta semana, perante uma criança irrepreensível no inglês, Sócrates anunciou-lhe do seu oráculo que aquele conhecimebto se ia revelar fundamental para toda a sua vida. Estamos a exagerar? Vejam-se as imagens.
Em conclusão, Portugal parece uma América dos pequeninos, onde o inglês é dominante, Bill Gates é imperador e o céu é o limite, como disse Sócrates, lembrando o filme “Top Gun”.
Julgava-se que José Sócrates era um homem de mentalidade pouco portuguesa, um moderno cidadão do mundo tecnológico, sem traumas e fantasmas do passado. Ora, com o plano Gates, Sócrates denuncia-se.
O primeiro-ministro é, afinal, um homem com marcas profundas. Que alia a vanguarda tecnológica às raízes profundas do provincianismo e messianismo lusitano.
Não podia haver homem melhor escolhido do que Bill Gates para cumprir o papel do Eleito. Não vem envolto em nevoeiro mas em bites. A diferença é que no reino da Microsoft, não há quimeras, há software que vale cifrões.
Por outro lado, Sócrates tem outra marca muito portuguesa, que caracterizou várias camadas de elites iluminadas: o pensamento de que o que é estrangeiro é bom. Que abriu a porta do país, em várias épocas, a destacados estrangeiros. Especialmente, no século XVIII e XIX, ao nível do exército, um sector então na crista da onda (tal como hoje a tecnologia informática), que se acreditava não poder ser devidamente reorganizado por portugueses. Com prejuízo evidente para a dignidade do Estado e independência nacional, contrataram-se, então, sumidades militares tanto em França, como na Inglaterra e Alemanha. Como hoje com Bill Gates.

O síndrome do PRD. Manuel Alegre está a seguir a passos largos o caminho do extinto PRD do general Eanes. Está enebriado com os votos e até já tem o caso de um estranho atestado médico em que parece que quem decide se está doente ou não é Manuel Alegre. Para a Assembleia da República e para a Comissão Nacional do PS, o atestado funciona. Para o jantar da Trindade, o atestado não se aplica e até dá direito a copo de whisky. Foi exactamente por coisas deste género que o PRD se afundou e a sua base de apoio regressou ao seu local de origem.|