Crise no Sporting

Vender o património sportinguista. Esta é a solução encontrada por Soares Franco, actual presidente leonino, para reduzir as dívidas do clube de Alvalade, que ascendem a 300 milhões de euros. Uma proposta que será votada na próxima Assembleia Geral do Sporting, marcada para o dia 23 deste mês, e que já suscitou diversas opiniões.

300 milhões de euros. Esta é a dívida total do Sporting que atravessa, no ano do seu centenário, uma das maiores crises financeiras da sua história. E para combater esta situação, Filipe Soares Franco, actual presidente leonino, afirmou que a solução passa pela venda do património do clube lisboeta. Porém, de acordo com o dirigente verde e branco, só apresentará a sua candidatura à presidência do Sporting nas próximas eleições, marcadas para Junho, se os sócios aprovarem o projecto de venda de património, na assembleia geral marcada para o dia 23, na antiga FIL. Em causa está uma proposta de venda do Edifício Visconde de Alvalade, da Alvaláxia, do Health Club do estádio e da Clínica CUF de Alvalade. “É completamente determinante”, afirmou o presidente sportinguista, adiantando ainda que desiste da candidatura se a decisão de vender parte do património do clube não for aceite pelos sócios.

Roquette defende Soares Franco

Entretanto, José Roquette, ex-presidente leonino, deu o seu total apoio a Soares Franco, no que diz respeito à venda do património sportinguista e que configuram uma alteração de estratégia em relação ao projecto inicial por si elaborado. “Estou de acordo com Soares Franco. Se a instabilidade financeira existe, então devem ser estudadas soluções”, afirmou Roquette, sublinhando ainda que a Academia de Alcochete é o único bem que não se poderá negociar: “Este projecto é viável e espero vê-lo aprovado, até porque as infra-estruturas anexas ao estádio não têm a importância que tem, por exemplo, a Academia.”
“O Sporting assumiu já um compromisso há bastante tempo de reduzir o seu passivo através da venda de património não desportivo. Esse compromisso foi assumido ainda durante a gestão do dr. Dias da Cunha”, confirmou José Roquette, sublinhando ainda que o cenário de falência é uma realidade: “O Sporting tem um problema de equilíbrio financeiro, situação que se reflecte mensalmente. E neste caso é urgente estancar essa hemorragia”, destacou. “Não podemos meter a cabeça na areia e fingir que não sabemos o que aconteceu com clubes como Farense, Campomaiorense ou Estoril, e não pensar que é possível que isto possa aparecer em posições mais cimeiras”, concluiu o ex-presidente verde e branco.
Entretanto, refira-se ainda que o facto de a equipa de futebol sportinguista não ter conseguido o apuramento para a Liga dos Campeões, bem como a compra de jogadores acima do que estava autorizado pelo “project finance”, e ainda as modalidades amadoras terem gasto mais do que deveriam são outras das razões que explicam a projecção de um passivo de 16,8 milhões de euros para a corrente época desportiva. Matéria que também será abordada na próxima Assembleia Geral do clube.

Ruptura entre Dias da Cunha e Soares Franco

Perante este cenário, Dias da Cunha, último presidente leonino antes de Soares Franco, acabou por oficializar a ruptura com o actual dirigente leonino durante esta semana em entrevista ao jornal “A Bola”, garantindo total desacordo com as propostas apresentadas, recusando a ideia da necessidade da venda de património, bem como a do desequilíbrio financeiro. Segundo o antigo presidente do Sporting, a solução para a tesouraria do clube passaria pela “colocação do património em fundos imobiliários”. “Esses fundos incluiriam uma cláusula de recompra, que não permitiria aos fundos a venda do património”, disse Dias da Cunha, adiantando que o entendimento entre as partes estipulava já prazos para a recompra do património pelo Sporting, quando o clube “voltasse a uma situação de poder amortizar o endividamento por meios próprios, ou através de outras formas”. Relativamente à posição de José Roquette, Dias da Cunha disse estar a “prestar um mau serviço ao clube, visto que, sem fundamento, põem o seu bom nome em causa”. “Ao procederem assim, José Roquette, em particular, esquecem ou fingem ignorar que o Sporting ficou a partir do fecho da negociação com os Bancos em muito melhor situação económico-financeira do que alguma vez esteve nos últimos dez anos”, argumenta. “Rigor e transparência permitiram os acordos com os bancos. Rigor e transparência continuam a ser o único remédio para resolver eventuais inesperados problemas de tesouraria”, concluiu Dias da Cunha.

Roquette processa João Rocha

José Roquette não gostou das declarações de João Rocha, ao “Record”, e vai processar o antigo presidente verde e branco. Na entrevista em questão, João Rocha disse que “foi o projecto Roquette que liquidou o Sporting”, acrescentando ainda que, “quando José Roquette entrou, o clube estava numa situação caótica, mas ele aceitou um passivo de 4 milhões de contos e, actualmente, ascende a 60 milhões de contos. É uma diferença enorme”. “José Roquette julgava que o Sporting era uma operação tão fácil com a do Totta, em que ele, numa operação ilegal, ganhou 20 milhões de contos sem pagar um tostão de impostos e, ainda por cima, acabou por comprometer aquele que foi recentemente eleito Presidente da República, Cavaco Silva”, afirmou João rocha.

Ribeiro Telles e Bettencourt poderão regressar

Ainda não está nada decidido, mas está iminente o regresso de Miguel Ribeiro Telles e José Eduardo Bettencourt para voltar a gerir o futebol do Sporting e ocupar o cargo de administrador executivo da SAD, respectivamente. O convite foi feito por Soares Franco e poderá consumar-se caso este vença as eleições em Junho. Em todo o caso, ainda falta delinear alguns aspectos mas o regresso desta “dupla” muito apreciada pelos dirigentes e sócios leoninos poderá vir a confirmar-se brevemente.

Liedson até 2010

Entretanto, no plano desportivo, refira-se que o Sporting renovou o contrato com Liedson num investimento que, conforme comunicação feita à CMVM, ascende a 8,5 milhões de euros. Desta forma, o goleador brasileiro representará os leões até 2010, tornando-se num dos jogadores mais bem pagos no plantel verde e branco. Já o defesa direito Abel, emprestado pelo Sp. Braga, “convenceu” o treinador Paulo Bento e o conjunto de Alvalade deverá accionar a cláusula de opção estipulada em aproximadamente 750 mil euros.

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