Riscospor Francisco Moraes Sarmento

A segurança é, também, um hábito e uma atitude que assume maior pertinência no novo estilo de vida.

Uma certa obsessão pela segurança é desmentida e contrariada em pequenos pormenores da nossa vida diária que efectivamente representam riscos para segurança pessoal e para a dos que nos rodeiam e, nem por isso, deixamos de fazer o que determina o desafio, a preguiça, a comodidade, o conformismo e, por vezes, a falta de civismo e educação. Acontece no modo como se guia um automóvel, se atravessa uma rua, se entrega o cartão ao empregado de mesa, se fala da nossa vida sem cuidar da privacidade e sujeitos a todo o tipo de intriga e, por fim, quando se cospe para o chão (um hábito que na China poderia resultar na pena de morte se for considerado um acto contra a saúde pública). A maioria dos casos diários não são mediáticos e não passam de episódios contados entre os nossos amigos e familiares, no café ou no trabalho. Enfim, se tudo o que representa risco fosse encarado como atentado à segurança individual e social, o mundo teria de ser outro, não obstante ser este aspecto uma das razões pelas quais é natural ao homem viver em sociedade. As utopias adivinham as tendências totalitárias das sociedades que não permitem aos seres humanos serem originais, vários e felizes.
Através da Internet, a exposição individual é maior o que implica maior risco para as pessoas. A novidade e a notoriedade das vítimas depressa fazem notícia fácil e de garantido sucesso para as suas tubas. Trata-se de um meio excelente para os que pretendem fazer intriga, promover o erro e agenciar o mal nas sociedades.
A liberdade de expressão, característica muito própria do novo estilo de vida, não é isenta de riscos. Só o ensino e, sobretudo, a educação faz depender essa liberdade da verdade, valor que adequa interesse próprio ao interesse geral.
A liberdade individual tem outro limite: o direito, ou se preferirmos, o Estado. A regulação da vida social, sem a qual não poderíamos viver, demora a adaptar-se aos novos hábitos. Não anda só atrás da técnica: anda atrás da vida. E tem uma dificuldade: a conversa particular entre pessoas. A Internet promove uma conversa de café com milhões de ouvintes e participante que, muitas vezes, tem consequências sociais. O crime surge neste trânsito. Na sua afirmação contra o indivíduo, o direito encontra-se face a desafios, cujas características depressa tentam o ideal moral da justiça para um totalitarismo pragmático e insuportável para os homens e o novo estilo de vida.

Males que podem vir por bempor G. d’Oliveira Martins

Eduardo Lourenço, que completa esta semana uma bonita idade, tem-nos alertado, profeticamente, para a actual situação europeia, no momento em que a Convenção para o Futuro da Europa está a chegar ao fim dos seus trabalhos.

Como “continente das nações”, a Europa está confrontada com a necessidade de se unir – fazendo um esforço concreto para se constituir num factor de equilíbrio no mundo globalizado.

A “desastrosa peripécia” do Iraque revelou um continente fragilizado e desarticulado. Houve quem do lado americano tivesse apostado na revelação das fraquezas europeias – talvez cedo de mais. Mas a verdade é que o sentimento de divisão e de impotência tornou-se evidente.

E se dúvidas houvesse, a posição dos países do centro e do leste veio, pelo menos na aparência, confirmar a necessidade de usar instrumentos de análise que não podem ficar-se pela superfície das coisas. Tem de se compreender que a posição sentida a leste não tem o sentido de um apoio incondicional a George W. Bush como alguns julgam. Trata-se, sim, de uma atitude ditada pela história recente – em que as feridas e as sombras do velho império soviético ainda se fazem sentir. No entanto, como ficou claro nas afirmações de Adam Michnik o que as correntes mais abertas e democráticas desejam é um reforço a prazo da Europa política.

Eis por que motivo alguns neoconservadores e antieuropeístas estão a embandeirar em arco cedo de mais, até porque desconhecem, de facto, o peso da história europeia, que vai prevalecer, num sentido diferente do que julgam. Por razões de sobrevivência, a Europa vai ter de reforçar os laços de entreajuda – sob pena de ficar à mercê de estranhas vontades e de estranhos acontecimentos.

E se falo da Europa, insisto na ideia de que, a prazo, os Estados Unidos vão necessitar de uma Europa solidária, com vontade política própria. Um parceiro essencial não terá de ser dócil. Deverá, sim, ter um sentido de futuro claro.

Lourenço tem razão – esta “é a maior crise” que a Europa do pós-1945 já atravessou. Mas há males que podem vir por bem. E os últimos sinais parecem demonstrar que há movimentos num sentido positivo – que demonstram a tomada de consciência de que mais Europa política é essencial para todos, de um lado e do outro do Atlântico.

É preciso haver uma vontade compartilhada para reconstruir os elos fragilizados ou destruídos. Perante o projecto imperial dos Estados Unidos, o que fazer? Antes de mais, há que compreender que a globalização traz problemas novos que não podem ser resolvidos com as receitas tradicionais ou com um conceito estático de uma democracia formal exportável para toda a parte, sem cuidar das diferenças culturais.

Está à vista o maior erro da estratégia de afrontamento da actual administração norte-americana – na radicalização dos fundamentalismos religiosos e na multiplicação dos focos terroristas. Só um profundo desconhecimento da história permitiu esta tentação pueril.

E a Europa tem obrigação de ter memória – recusando a um tempo as simplificações do Senhor Jacques Chirac e o voluntarismo do senhor Aznar… E se uns pensam que estamos condenados colectivamente a uma existência medíocre, há razões para desejarmos uma autonomia estratégica centrada na defesa dos valores e interesses comuns e na compreensão de que será mau para o mundo uma Europa dividida ou entretida com as vaidades nacionais, tendo do outro lado do Atlântico os Estados Unidos embalados na ilusão pueril de que poderão contrariar um movimento inexorável e imperial de decadência cultivando a cizânia e o método da sobranceria, contra a velha ideia de Kennedy da “parceria entre iguais”.

Ora, com o fim do antigo mundo bipolar, tornámo-nos nómadas de uma história difícil de decifrar, em que os instrumentos se confundem permanentemente com os fins. Vem à memória a Cacânia de Musil ou o sonambulismo de Broch. Viveremos um novo “apocalipse alegre”?

A globalização, os meios de comunicação de massa e as sociedades em rede tornam essa sombra inquietante, porque se projecta globalmente. Os aprendizes de feiticeiro atiçam os fundamentalismos e o terror, sob pretexto de os combater… As nações fecham-se, em lugar de buscar novos modos de partilhar vontades e destinos…

Precisamos de mais Europa, sob pena de definharmos sem projecto e sob os ventos da fragmentação e do salve-se quem puder. Os que julgam que esse cenário preserva a autonomia estratégica nacional estão rotundamente enganados. Eis porque o cenário do reforço do intergovernamentalismo europeu só reforça a desordem estabelecida.

Daí que as posições defensivas tomadas no seio da Convenção se arrisquem a descontentar todos e a enfraquecer o projecto comum europeu e os Estados europeus. Com afirmei há dias no plenário da Convenção, não podemos cair na armadilha de escolher os piores aspectos de cada uma das propostas que estão sobre a mesa. Eis porque é indispensável dar passos corajosos no sentido do reforço da democracia supranacional europeia – quer na componente do poder legislativo representativa dos Estados, através do Conselho Legislativo, autêntico embrião de uma Câmara dos Estados, quer dando ao presidente da Comissão uma proeminência especial, em nome do método comunitário e dos interesses e valores comuns.

Estes dois pontos são fundamentais. Em torno deles se encontrará ou não uma porta de saída. E essa porta estreita constituirá a oportunidade de que necessitamos todos. Quem quiser ouvir que oiça… Só assim começaremos a ultrapassar a actual fase de desencantamento e de vazio…

5Noites 5Concertos – A alternativa em Rio Maior

A GAZ produções leva a cabo de 30 de Maio a 27 de junho, “5Noites 5Concertos”, no MATRIX BAR, em Rio Maior. No palco: LOTO, BILDMEISTER, BYPASS, THE GREAT LESBIAN SHOW e GOMO. Sons de bandas alternativas, complementados por DJ’S convidados.

“Cinco noites Cinco concertos” é o tema apresentado para uma série de cinco concertos que se vão realizar em Rio Maior no Matrix Bar a partir das 23 horas, durante todas as sextas-feiras do mês de Junho e última de Maio. A aposta da iniciativa enquadra-se em projectos musicais alternativos e dj`s convidados.

O arranque será dado a 30 de maio, com LOTO, uma banda de Alcobaça que se insere no pop electrónico “chillout” com um doce toque de dança. Depois de terem estado em quase todas as queimas das fitas deste ano, promovendo o Ep “Swinging On a Star” integrado na digressão Pop Up Songs, esta é a oportunidade para uma audição mais intimista.

A 6 de junho, os BILDMEISTER, que se definem na onda Rock analógico, entre transistores, resistências, vávulas e outros componentes electro-analógicos,
podem ser interpretados, se, na frequência correcta, como mestres da Imagem. Apresentam “Expay” (edição Borland), um disco que tem colhido as melhores
reacções da imprensa e do público, pelas suas melodias simples, sons analógicos em doses recomendadas, que já lhe valeu a presença na Queima das Fitas de Coimbra deste ano.

Seguem-se a 13 Junho, os BYPASS, possuidores de uma sonoridade densa e marcadamente urbana, procuram nas suas composições o equilíbrio musical e a riqueza tímbrica de instrumentos vários e artefactos diversos.
Têm raízes punk e hardcore, mas uma sonoridade que passa pelo blues e o pop sendo a presença em palco um dos seus maiores trunfos.
Lançaram em 2002 um EP homónimo, com excelentes críticas por parte daimprensa escrita e radiofónica, tendo estado nesse mesmo ano no festival Sudoeste.

No dia 20 de Junho, os THE GREAT LESBIAN SHOW irão aquecer a noite que antacede o inicio do Verão. Nascidos num turbilhão voraz de energia e criatividade, sem uma linha estética rígida, preferem absorver todos os sons e referências que lhes pareçam interessantes. Daí que se possa definir os The Great Lesbian Show como um cocktail refinado de várias décadas de rock n roll, noise experimental, B.D., cartoons, incredibly strange music, contos bizarros do quotidiano, etc.

Para finalizar no dia 27 Junho, o regresso dos GOMO aos concertos, pondo um ponto final a um ano de paragem, depois da participação nos festivais de
Verão e de se terem “enclausurado” no estúdio das Caldas da Rainha para gravar o seu primeiro disco a editar pela Universal ainda este ano.
Entre o lounge e a pop, Paulo Gouveia e os seus Gomo são já uma referência da música nacional. Paulo Gouveia, escritor de canções, que com melodias e
ritmos dançantes, transportam-nos para outros ambientes contagiantes. Com um refinado sentido de humor nas suas letras, os seus concertos nunca deixam
ninguém indiferente.

Carlinhos Brown na Aula Magna a 27 de Maio

Depois do sucesso alcançado com “Tribalistas” (ao lado de Arnaldo Antunes e Marisa Monte), Carlinhos Brown vem a Portugal para apresentar o seu novo CD “Carlito Marrón”. No próximo dia 27 de Maio, a Aula Magna recebe pelas 22 horas o cantor brasileiro.

Indiscutivelmente considerado como um dos artistas mais criativos dentro da nova geração de músicos brasileiros, Carlinhos Brown está ligado às últimas tendências contemporâneas e o seu mérito fundamental tem sido o de conseguir uma total integração entre os ritmos afro-brasileiros e a música pop.

Em “Carlito Marrón”, este mago dos sons recorre a algumas de entre as muitas vias musicais já utilizadas, desta vez privilegiando a veia latina.

Como diz, “Carlito Marrón é um processo de relatinização (nova latinização). Este processo que vem do coração não está investigado nos livros, não está estudado, é um processo oral, é tudo o que aprendi com meus vizinhos, com meus amigos, escutando a música do mundo inteiro e, principalmente, dentro de minha família”.

Com uma banda de peso, Carlinhos faz-se acompanhar por Juninho Costa (guitarras), Toni Duarte (baixo), Yaniel Perez (piano e vibrafone), Mikael Mutti (guitarra acústica e teclados), Léo Bit Bit, Bogan Costa, Marquinhos e Elber (percussões).

Loureiro dos Santos defende solução mista para o Iraque

A decisão tomada pelo Governo de enviar um contigente de forças da GNR para o Iraque, provocou o descontentamento nalguns sectores do ramo do Exército. Loureiro dos Santos disse ao SEMANÁRIO que “uma
solução mista, composta por forças militares e forças da GNR, é a melhor opção».No seio da GNR, a grande preocupação é os contornos da missão no Iraque que o Governo ainda não divulgou.

O envio de um contigente de 120 homens da Guarda Nacional Republicana para o Iraque, está a gerar alguma celeuma em alguns sectores do Exército.

Fontes militares revelaram ao SEMANÁRIO que a missão atribuída pelo Governo à GNR, para a estabilização da segurança no teatro de operações do Iraque, “é uma missão claramente para as Forças Armadas e não para a GNR”, precisou.

Segundo a mesma fonte, o facto de outros países como a Dinamarca e a Espanha terem enviado forças militares em vez de policiais, demonstra a instabilidade ainda vivida no Iraque.

Esta fonte militar considera que nesta fase de alguma projecção de forças e de uma forte política externa, não é indicado o envio de forças de segurança interna. ” Estas missões têm associadas componentes de contra-informação e de segurança de informações que normalmente são desempenhadas por efectivos de natureza militar, algo que as forças de segurança não têm nem estão preparadas para tal”, afirmou esta fonte militar.

Contactado pelo SEMANÁRIO, o general Loureiro dos Santos, defende uma solução mista no envio de militares para o Iraque.
Para este general, Portugal devia dar uma contribuição mais forte, dada a natureza do teatro de operações, “eu julgo que aquilo que é mais necessário no Iraque são forças militares, afirmou.

Segundo este especialista em assuntos de militares, ” uma força militar era a mais indicada neste cenário, eventualmente com elementos da GNR e até da Policia de Segurança Pública com algum enquadramento”, assegurou. Na opinião de Loureiro dos Santos, ” o ideal seria o envio de um comando brigada, eventualmente dois batalhões no mínimo, e outras forças de apoio logístico, conforme o CEMGFA já havia dito ser possível enviar”.

Recorde-se que Mendes Cabeçadas disse ser possível o envio imediato de uma companhia de fuzileiros, uma companhia de atiradores mecanizada, mais umas unidades.

Este ex-CEME, entende que caso o Governo não opte por reforçar o contigente de militares para o Iraque, ” isso é um mau sinal para as Forças Armadas, algo que não me admira, pois, não se está a fazer quase nada pelas Forças Armadas, nomeadamente em termos de efectivos”, enfatizou.

O mesmo general, considera que, ” apesar de tudo, foi um sinal positivo e de vontade de participar da parte do Governo, portanto, “eu julgo que o envio de elementos da GNR, foi aquilo que o governo pode fazer”, frisou.

Alpedrinha Pires, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), disse ao SEMANÁRIO que a AOFA não se queria pronunciar na questão de envio de tropas para o Iraque.

Este responsável da AOFA revelou no entanto que ” a presença de missões militares no exterior, que se enquadram agora no âmbito do Iraque, está onerar a situação dos militares no activo”.

Alpedrinha Pires acrescentou ainda, “o governo tem em atraso os compromissos de pagamentos das forças no exterior, e isso, tem como consequência o não pagamento atempado por parte do ramo do Exército aos militares no activo no estrangeiro”.

GNR desconhece os moldes da missão

Na próxima semana, o Ministro da Administração Interna, António Figueiredo Lopes, vai ao Parlamento anunciar em que moldes se realizará a missão das forças da GNR que vão actuar no teatro de operações do Iraque. Questões como a segurança dos agentes, o comando da operação, remuneração, entre outras, estão ainda por esclarecer, em particular aos elementos que serão destacados para a missão no Iraque.

Contactado pelo SEMANÁRIO, José Manageiro, presidente da Associação de Profissionais da Guarda(APG), disse que ” sobre a missão em si, a GNR ainda não tem conhecimento sobre a forma e a área que vai intervir, não recebemos até à data qualquer tipo de elementos e informação sobre esta intervenção”, assegurou.

Este responsável da APG revelou ainda que a Associação encarou com alguma preocupação a decisão anunciada pelo Governo, de enviar militares da GNR para ajudar à estabilização do Iraque. ” Estamos preocupados, pois, não sabemos ainda em condições é que as pessoas vão operar e quais as condições em termos de compensação remúneratoria, existem muitas questões que queremos ver esclarecidas” assegurou.

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