2026/04/09

Chirac e Blair “de acordo” quanto ao Iraque

Apesar das divergências quanto à questão do Iraque, Chirac e Blair declararam concordar inteiramente quanto à necessidade de desarmar aquele país, através das Nações Unidas.

O Presidente francês, Jacques Chirac, disse, na terça-feira, que, apesar de existirem algumas divergências com a posição britânica quanto à questão do Iraque, concorda com o primeiro-ministro britânico Tony Blair no que respeita à necessidade daquele país ser desarmado através do Conselho de Segurança da ONU.

“No que respeita ao Iraque, temos diferentes abordagens mas, antes de mais e sobretudo, temos duas convicções que são fundamentais e partilhadas: a primeira é que temos de desarmar o Iraque, e a segunda é que isto tem de ser levado a cabo através do conselho de Segurança das Nações Unidas. Quanto a isso, estamos inteiramente de acordo”, afirmou Chirac.
O Reino Unido e a França acordaram, também, num plano para pressionar a União Europeia a adoptar políticas de defesa e segurança comuns.

Numa cimeira em Le Touquet, dominada pelo Iraque, Tony Blair e Jacques Chirac apoiaram fortemente o desenvolvimento da há muito discutida Força de Reacção Rápida.

Também concordaram em partilhar equipamento militar, como aero-cargueiros, destinado a missões humanitárias ou de manutenção de paz. “A França e o Reino Unido concordam que esta é a altura para a União Europeia aceitar novas responsabilidades no âmbito da gestão de crise”, disseram numa declaração conjunta. Blair e Chirac declararam, ainda, o seu apoio à iminente tomada do controlo das operações da NATO na Macedónia por tropas da União e revelaram que apresentarão propostas conjuntas para o destacamento de mais forças europeias para a Bósnia, na cimeira de ministros de negócios estrangeiros da União, no próximo mês. Finalmente, os líderes apelaram aos parceiros europeus que aumentem a sua despesa na defesa.

Barbosa & Almeida aposta no mercado espanhol

A vidreira Barbosa & Almeida está disponível para assumir um papel activo na consolidação do sector, através de aquisição ou fusão com empresas espanholas, referiu o presidente do Grupo.

Carlos Moreira da Silva, presidente do Grupo Barbosa & Almeida, revelou também a sua preocupação relativamente ao aumento de capacidade na Península Ibérica e confirmando um investimento superior a 25 ME na unidade da Marinha Grande.

“Estamos mesmo à procura, em Espanha, de interessados neste processo de consolidação”, adiantou, à Reuters,
o presidente do grupo BA.

Descartando a possibilidade desse processo ser feito com empresas portuguesas, Carlos Moreira da Silva garantiu que, sem esta consolidação, “o sector não tem estabilidade possível”.

O problema é que a BA não encontra interessados no negócio. “Não se vê caminho para isso. Ninguém quer vender nem fundir-se, o que é motivo para preocupação”, afirmou o presidente da empresa, esta manhã, durante a apresentação de contas da BA relativas a 2002, um ano marcado pela duplicação dos resultados líquidos face ao ano anterior, para 6,4 milhões de euros (ME).

“A situação é particularmente grave, porque se avizinha um movimento de investimentos para aumentar a capacidade de produção (na Península Ibérica), o que irá degradar a situação do sector”, alertou Moreira da Silva.

“Em 2003 haverá mais excesso de oferta do que houve em 2002”, disse.
O presidente da BA mostrou-se apreensivo sobre a forma de consolidação do sector, devido ao tratamento fiscal que em Portugal é dado ao “goodwill”, classificando-o como um “absurdo”.

“Pelas nossas contas, e tendo em conta a fusão entre empresas de iguais dimensões, a compra de uma empresa portuguesa por uma espanhola fica mais barato 40 milhões de euros do que na situação inversa”, garantiu Carlos Moreira da Silva.

“É assim que se quer manter os centros de decisão em Portugal? O que é natural é que o centro vá para Espanha…”, denunciou.
Sobre o acordo com o Ministério da Economia e a Câmara Municipal da Marinha Grande relativamente à manutenção da fábrica da BA neste concelho, Moreira da Silva escusou-se a adiantar números, confirmando apenas que o investimento total a efectuar naquela unidade será superior a 25 ME.

Isto porque os incentivos e apoios estatais a este investimento serão negociados no âmbito da Agência Portuguesa para o Investimento (API), “cuja fasquia mínima é precisamente de 25 ME, sendo que o investimento a efectuar na Marinha Grande será superior a esse valor”, garantiu o presidente da BA.
Quanto a 2003, Carlos Moreira da Silva espera “um ano difícil”, mostrando-se apreensivo relativamente à manutenção da performance obtida pela BA no ano passado.

Depois de ter realizado grandes investimentos nos últimos anos, a vidreira tem apenas previsto para 2003 um investimento de sete ME na sua unidade de León, em Espanha.

Interrogado sobre a manutenção da BA em bolsa, Carlos Moreira da Silva mostrou-se favorável à saída da empresa do mercado, mas adiantou que os restantes accionistas não partilham da mesma opinião.

Acho que não há interesse em manter a empresa em bolsa, mas os accionistas não acham o mesmo…”, concluiu.

Artur Santos Silva descarta fusões na banca nacional

Não é provável que o mercado bancário português venha a ser alvo de um processo de consolidação importante em 2003, disse Artur Santos Silva, presidente do Banco BPI.

Acrescentou, durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados do BPI, que a instituição não é vulnerável a uma oferta, nem sequer vê algum interesse em avançar para um processo de consolidação.

“Não acho provavel que haja consolidação consideravel durante 2003”, disse Artur Santos Silva, realçando que “estamos muito entusiasmados com o sucesso do nosso projecto”, refere a agência a Reuters.

“Da nossa parte não vejo que haja condições ou interesse para avançar com um projecto desses (consolidação)”, concluiu Santos Silva.

O Semanário Económico revelava, na edição da passada sexta-feira, que o Santander, através do Totta, estava a estudar a aquisição do BPI. O SEMANÀRIO, em Dezembro, também já tinha avançado com este estudo.

Esta informação foi desmentida pelo Totta que disse ter apenas uma participação financeira no BPI, mas isso não impediu uma forte valorização do título, com os operadores a considerarem que se trata de uma instituição ‘opável’.

Artur Santos Silva referiu que o Itaú e a La Caixa detêm cerca de 15 por cento cada, enquanto a Allianz controla cerca de nove por cento, detendo três outros accionsitas, que estão presentes no conselho de administração do banco e que também estão ligados a um acordo de preferência, cerca de 7,5 por cento em conjunto.

O Totta controla 8,5 por cento, excluindo os cerca de 3,6 por cento do acordo de reporte feito com a Sonae.

Mota-Engil funde empresas e cria maior portuguesa na construção

A Mota-Engil decidiu proceder à fusão das suas empresas da área de construção — Mota & Companhia, Engil e Mota-Engil Internacional — que controlava a 100 por cento, dando origem à Mota-Engil Engenharia e Construções, a maior empresa portuguesa de construção.

Esta sub-holding deterá também as participações de outras participadas do sector da construção, integrando, juntamente com a Mota-Engil Concessões de Transportes, Mota-Engil Imobiliário e Turismo e Mota-Engil Ambiente e Serviços, o Grupo Mota-Engil.

“A sociedade resultante da fusão será, pela agregação dos volumes de negócios da Mota & Companhia, da Engil e da Mota-Engil Internacional, a maior construtora nacional, e com uma importante parcela desses negócios realizada em mercados externos em virtude da integração da última daquelas empresas e das suas subsidiárias e associadas”, revelou a Mota-Engil, citada pela Reuters.

Esta fusão vai permitir, segundo a Mota-Engil, “incrementar consideravelmente as economias de escala que já vinham sendo de algum modo obtidas, mas também gerar substanciais economias estruturais e operacionais, quer directas quer através do poderoso aumento de sinergias a que conduzirá no seio do grupo”.

O ultimato à Alemanhapor Rui Teixeira Santos

A carta de sete líderes europeus, chamando à responsabilidade o Conselho de Segurança das Nações Unidas, é muito mais que uma declaração de apoio às posições americanas sobre o Iraque.

É verdadeiramente um ultimato à Alemanha e sobretudo marca o fim desta Europa construída a partir dos equilíbrios da guerra fria. Portugal volta ao seu destino atlantista, depois da oportunista opção continental, que nos valeu milhões de contos em fundos e transferências ao abrigo da adesão e em nome da coesão.

Depois da China e da Rússia terem dado o seu apoio aos EUA, se porventura a França e a Alemanha votassem no Conselho de Segurança contra o mandato aos EUA para invadir o Iraque, estariam não só a excluir-se do saque que se seguirá, mas sobretudo acabariam de vez com as Nações Unidas e com a ideia da existência de um direito internacional, acima dos Estados e que limitaria o poder do império.

É claro, desde o início deste processo, que a América está disponível para assumir o papel de “imperador no mundo”, levando isso às últimas consequências. E o que mais surpreende é que a Europa continental não perceba que, com a sua oposição, só prejudica a sua relevância no mundo e nas relações internacionais.

A América, ao imergir como uma única potência mundial, após a guerra fria, é da sua própria natureza, teria sempre que tentar os limites, na defesa dos seus interesses estratégicos e de segurança. Dizer não à América pode, num primeiro momento, servir para negociar contrapartidas.

Dizer não definitivamente significava enterrar o “nado morto” que são as Nações Unidas que, mal ou bem, vão sendo um fórum para resolver e gerir os conflitos menores na comunidade internacional.

Seja qual for a posição da Alemanha, ela já perdeu, sem ter saboreado o gosto da desforra de três guerras em que foi humilhada. Se votar a favor da América no Conselho de Segurança dá o dito por não dito e aparece desacreditada politicamente, mas se votar contra, passa a ser irrelevante, porque a América vai mesmo para a guerra e modificará para sempre o mapa do mundo. Deve ser desesperante ser alemão e nunca ter tido razão, desde o fim do Sacro-Império.

O nacionalismo prussiano e a sua pax continental nunca resultaram na Europa. Foram sempre as potências marítimas que lograram levar vantagem. E, agora, que a Alemanha estava quase a conseguir, com a “Europa do Directório”, e o euro forte, que só valoriza a sua ourivesaria industrial e obriga a sua indústria intermédia a colonizar a sua quinta no leste europeu, a América vem colocar tudo em causa.

Consciente que o ultimato, mais do que sobre o Iraque é mesmo sobre a Europa, e consciente que a Europa está nesta situação de dependência porque, em vez de se armar e de ter uma política de defesa e segurança, preferiu andar a sustentar o inviável Estado social, com pensões e sistemas de Segurança Social, saúde e educação que a América jamais terá, a França, qual aldeia gaulesa, já se prepara para contemporizar, pedindo apenas que existam provas, que a América as mostre.

O pragmatismo latino dos franceses é uma herança gaulesa, que Júlio César já havia observado.

O alinhamento português com a potência marítima dominante é talvez a maior constante da nossa história diplomática. E esgotado o saque à Europa da União Europeia era normal que a nossa diplomacia voltasse à lógica tradicional, independentemente de Barroso vir de Georgetown, de Martins da Cruz ser um iberista e de Paulo Portas ser um produto da herança pró-americana da “escola SEMANÁRIO”.

Proposta cultural

Mas, porque o papel da Europa é sobretudo necessário após a intervenção, a nossa resposta deveria ser uma resposta cultural. Pode não se gostar de Manuel Maria Carrilho, mas, esta semana, na RTP2, o ex-ministro da Cultura de António Guterres, mesmo sem preocupação de enquadramento, deu a resposta adequada, quando disse que Portugal deveria aproveitar a popularidade de Lula da Silva, e reunir nesta altura o consenso dos países da CPLP.

Mas a resposta cultural pode bem ser a ideologia do pós-Iraque, para a reconstrução do “mare nostrum”, como área de paz e cooperação, que mil anos de Império Romano asseguraram.

Há um património cultural de afirmação do direito e da personalidade humana, que se traduz na herança greco-latina e que está incorporado também no ecumenismo e na tolerância judaico-cristã, que pode servir de base a um novo entendimento euro-mediterrânico, eventualmente com o alargamento da União Europeia aos países árabes, ou, pelo menos, com um acordo inicial de livre comércio e circulação, que deve a ser a base para controlar a inevitável explosão de ódio antiocidental no mundo islâmico, a sucessão de quedas de regimes moderados, a fazer lembrar o colapso da ex-União Soviética.

Vai ser necessária a Coca-Cola e o Mac, como o foi na Rússia, e também a ajuda económica e os medicamentos, para além da liberdade, que George Bush, místico, proclama ser uma dádiva de Deus.

Só quando a Europa foi germânica e eslava, só quando o Sacro-Império controlava a cristandade é que o integrismo católico levou à intolerância e às cruzadas, de que o último exemplo foi o louco rei D. Sebastião, morto em Alcácer Quibir, como mártir da cristandade, em luta contra o grande turco e louvado, na literatura alemã do século XVI, como o exemplo máximo da devoção cristã.

Pela terceira vez, agora, a América vem ajudar a Europa a colocar a Alemanha no seu sítio. Mais uma dívida, depois de duas guerras mundiais. Ainda, há duas semanas, a Alemanha alimentava o senho imperial de Bismark. A obstinação prussiana desfez o sonho e reconduz a Alemanha ao seu isolamento tradicional.

Agradecemos todos não ser necessário dividir o saque com eles…

O regresso da política

A segunda reflexão, que é urgente, tem a ver com a natureza deste conflito. É evidente que, sejam qual forem as provas que Collin Powell apresente, elas serão sempre “evidentes e suficientes” para justificar o que à partida está justificado. Não faz sentido, portanto, a argumentação de Freitas do Amaral, como se verá na próxima semana.

É uma questão de marketing político e necessidade dos Aliados, condição de sobrevivência dos equilíbrios mundiais, apesar de tudo, a primeira razão do Direito Internacional.

O problema da esquerda pacifista é que não percebe que o que está em causa não é a paz ou a guerra, mas sim a inacção ou a acção contra o Iraque. O Iraque não é uma guerra privada da família Bush. É, sobretudo, um Estado hostil ao império, que preventivamente se defende e que aproveita para redesenhar o Mapa do Petróleo, arma decisiva para controlar os mercados gigantescos da Ásia e do Pacífico, vitais para a América, mas também para o Ocidente.

Independentemente das razões de Durão Barroso, que em três dias conseguiu ter três posições diferentes sobre o mesmo assunto, variando aparentemente consoante a latitude, a posição final do governo português é aquela que é mais adequada para Portugal.

O país começava a ficar asfixiado com esta Europa de contabilistas medíocres e de recrutas prussianos. O fim dela é uma boa notícia. Ferreira Leite e o Pacto de Estabilidade e Crescimento acabam com ela. Regressa a política e com ela a tolerância latina.

Graças a Deus e à América de Bush…