Manuel Alegre é um bom candidato do PS às presidenciais de 2011?

O SEMANÁRIO fez a pergunta a vários socialistas. Vera Jardim, Francisco Assis, Arons de Carvalho, apoiam entusiasticamente a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais de 2011. Vitalino Canas e José Lello deixam em aberto essa possibilidade.

Poeta recebe apoios entusiastas

O SEMANÁRIO fez a pergunta a vários socialistas. Vera Jardim, Francisco Assis, Arons de Carvalho, apoiam entusiasticamente a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais de 2011. Vitalino Canas e José Lello deixam em aberto essa possibilidade.

José Vera Jardim
“Bom candidato”

“Ainda é muito cedo para falar disso, mas não tenho dúvidas que seria um bom candidato.”

Francisco Assis
“Reúne todas as condições”
“Acredito que pode vir a ser um bom candidato. Manuel Alegre reúne todas as condições para poder ser Presidente da República. É um homem oriundo do espaço do socialismo democrático e já manifestou intenção e pretensão de o ser nas últimas eleições. Não vejo razão para que não possa ser Presidente da República e não possa receber o apoio do Partido Socialista.”

Alberto Arons de Carvalho
“É um forte candidato”
“Acho que é um bom candidato. É muito cedo para falar disso, nem sei se o próprio será candidato. Mas à partida parece-me que é uma das possibilidades fortes que o PS tem.”

Vitalino Canas
“Não está na agenda política”
“Não faremos qualquer declaração sobre isso porque é um tema que não está na agenda política”

José Lello
“Seria estar a pressioná-lo numa decisão que é pessoal”
“Ainda não estamos a tratar disso. As eleições são daqui a dois anos. Primeiro, quero saber quem são os potenciais candidatos do Partido Socialista, só depois é que me pronuncio. Tem de haver um quadro de comparação, senão neste momento quem poderia ser muito bom era o Papa. Manuel Alegre ainda não disse que era candidato, por isso, não posso dizer se é bom ou não. Seria estar a pressioná-lo numa matéria que é do seu foro pessoal.”

Elisa Ferreira
“Falta muito tempo”
“Acho que ainda falta muito tempo para nos pronunciarmos sobre isso. Os candidatos não existem por inerência, têm que estar adequados às situações e aos desafios que houver para responder. Ainda falta muito tempo e o Mundo está a mudar muito rápido.”

Matilde Sousa Franco
“Não me quero pronunciar”
” Não sei, acho que é uma pergunta um bocado complicada. Não me queria pronunciar sobre isso.”

Europeias, Legislativas, Autárquicas e Presidenciais

País vai ter ciclo eleitoral de três anos

Depois das europeias, legislativas e autárquicas, é tempo de começar a pensar nas presidenciais. Todo o ano de 2010 vai ser marcado por este sufrágio, pela hipotética recandidatura de Cavaco e pelo “reaparecimento” de Manuel Alegre.
O País vai ter vários duelos eleitorais. Todos eles de grande intensidade. Vital Moreira e Paulo Rangel abrem o espectáculo mas são, talvez, os protagonistas menos empolgantes. A importância das europeias está mais centrada no facto de poder traduzir, ou não, um cartão amarelo ao executivo socialista. Deste modo, é José Sócrates e Ferreira Leite quem mais estão sob pressão a 7 de Junho. Quem ganhar as europeias, fica, naturalmente, melhor colocado na linha de partida das legislativas. Na verdade, são estas eleições, que se devem realizar em Setembro, a marcar o duelo mais decisivo. A avaliar pelas sondagens, Sócrates jogará a perda ou manutenção da maioria absoluta. De resto, a vitória socialista parece segura. Já Ferreira Leite joga a sua liderança do PSD. Se conseguir tirar a maioria absoluta a Sócrates mas não conseguir fazer um Bloco Central e entrar no Governo, tudo parece indicar que a líder não conseguirá manter o seu cargo. O PS acaba por ter, assim, uma palavra decisiva a dizer no futuro de Ferreira Leite. Sócrates aceitará o Bloco Central? E será ele a fazê-lo?
O duelo eleitoral seguinte está marcado para Outubro: as autárquicas. Aqui, há um embate por natureza, em Lisboa, entre António Costa e Santana Lopes. O ex-primeiro-ministro laranja parece não ter nada a perder. Já se viu que Santana é imune às derrotas. Perdeu as legislativas de 2005, perdeu as eleições internas no PSD de 2008. Mesmo assim continuou na ribalta e ganhou o lugar de candidato por Lisboa. Se perder a capital, a vida vai continuar para Santana Lopes. O mesmo não se pode dizer de António Costa. O ex-ministro da Justiça joga em Lisboa a sua carreira política. Se ganhar a capital, confirma as expectativas à liderança do PS. Poderá ser ele, certamente, o sucessor de Sócrates. Se não considerar, por motivos tácticos, que é melhor resguardar-se para mais tarde, num novo ciclo de poder socialista. Na verdade, se Sócrates fizer mais um mandato, Costa poderá entrar num momento em que o ciclo de poder é do PSD. Com um candidato forte laranja, Costa poderá não ter hipóteses. Ao invés, se perder Lisboa, Costa poderá hipotecar o seu futuro político.
O último duelo eleitoral será em finais de 2010, princípios de 2011 e tudo indica que junte Cavaco Silva e Manuel Alegre. O cenário de Cavaco não se recandidatar é improvável. Tal só teria alguma probabilidade no caso de maioria absoluta do PS, com Cavaco a considerar que a sua função estaria esgotada. Quanto a Alegre, a sua candidatura presidencial, apoiada pelo PS, parece ganhar cada vez mais margem. Para Cavaco, o poeta pode ser um candidato perigoso, num país onde a maioria sociológica é de esquerda. E mesmo que garanta a vitória, uma ida à segunda volta pode deixar Cavaco politicamente diminuído.

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