“O PSD deixou de existir no distrito de Lisboa”

Helena Lopes da Costa assume-se como muito crítica da anterior direcção da Distrital de Lisboa. Em entrevista ao SEMANÁRIO, a deputada depositou a responsabilidade pela “hecatombe” na autarquia em Paula Teixeira da Cruz, acusando-a de se “imiscuir, sistematicamente, na gestão da Câmara”. Na opinião da candidata, “o PSD deixou de existir
no distrito de Lisboa”.

O que a move, pessoal e politicamente, para se candidatar à Distrital de Lisboa do PSD?
Eu candidato-me à Distrital de Lisboa em nome de uma urgência e de um compromisso. Compromisso que é voltar a fazer do PSD um partido ganhador no distrito de Lisboa. Como sabe, parto para este combate numa situação muito difícil porque agora, em Lisboa, o PSD tem apenas três câmaras municipais: Mafra, Sintra e Cascais. Se me perguntar qual o contributo que o PSD deu para estas vitórias, tenho de lhe dizer, infelizmente, que foi um contributo muito pequeno. Estas vitórias devem-se, essencialmente, aos protagonistas. O meu objectivo é, exactamente, voltar a um PSD de vitórias, voltar a conquistar o distrito de Lisboa e voltar a conquistar a Câmara Municipal de Lisboa, que eu entendo que foi entregue ao Partido Socialista.

Pondera encabeçar a lista do PSD à capital nas eleições autárquicas de 2009?
Não. Neste momento não pondero. Nem falo agora em candidaturas à CML porque o presidente do partido disse, no último congresso, que o PSD iria ter um candidato nos primeiros seis meses de 2008. Como é evidente, quando for eleita presidente da Distrital de Lisboa, acordarei com a direcção do partido quem será o melhor candidato.

Mas manifesta disponibilidade para ser candidata?
Não. Neste momento não tenho uma grande apetência para ser candidata à CML. Estou disponível para ajudar um candidato, estou disponível para trabalhar muito para que, por exemplo, se ganhe a Câmara de Odivelas e para que se obtenham bons resultados em outras câmara municipais, que algumas não são fáceis de ganharmos de imediato. Penso que neste momento temos condições para trabalhar no sentido de conquistar, daqui a dois anos, algumas das câmaras que agora não seria possível fazê-lo. Até porque existem presidentes em exercício do PS que não se podem recandidatar. Portanto, o PSD deixou de existir no distrito de Lisboa. Entregámos a CML, que eu ajudei a ganhar e onde trabalhei durante quatro anos com espírito de missão, ao partido socialista, com um resultado miserável do PSD que esteve na origem da demissão do dr. Marques Mendes e da presidente da Distrital.

Uma das suas principais prioridades é reconquistar a capital. Qual a estratégia para ganhar a António Costa em 2009?
A estratégia é muito simples. A primeira vez que conquistámos a CML ao PS foi contra uma coligação de esquerda; contra o dr. Paulo Portas, que encabeçava a lista do CDS/PP; e contra Bloco de Esquerda de Miguel Portas e Garcia Pereira do MRPP. Foi uma vitória que nos deu muito trabalho, mas os lisboetas queriam mudar. E o PSD fez muita obra nos quatro anos em que eu estive na Câmara com o dr. Pedro Santana Lopes.

Gostaria que esse ciclo voltasse e ver outra vez Pedro Santana Lopes na CML?
Tenho saudades desse ciclo. Tive muita pena que se entregasse a câmara ao PS, que não a queria. O Partido Socialista nem sequer queria eleições. Nós trabalhamos com Pedro Santana Lopes com espírito de missão. Nas áreas sociais, na educação, na reabilitação urbana, nas grandes obras emblemáticas como o Túnel do Marquês, nas questões ambientais… Fizemos tanto trabalho em quatro anos que penso estar perfeitamente ao nosso alcance voltar a ganhar a CML. Aliás, a abstenção foi brutal. Tivemos, neste último acto eleitoral, uma abstenção que ficou nos 60%. Só 40% dos lisboetas é que entenderam que deveriam participar neste acto eleitoral. Os outros entenderam que poderia ser uma farsa, um misto de Carnaval e tragédia e não perceberam a necessidade de serem novamente chamados às urnas para votarem em algo que tinha votado há ano e meio.

Podemos imputar, directamente, as culpas desta crise a Paula Teixeira da Cruz?
Como é evidente. Esta hecatombe foi da responsabilidade integral da Distrital de Lisboa, que se imiscuía, sistematicamente, na gestão da Câmara.

Falou em algumas das autarquias que pretende reconquistar para o seu partido…
…Oeiras, por exemplo.

Exactamente. Em que termos pretende resolver a questão de Oeiras?
É muito fácil. Tenho muita experiência autárquica e conheço muito bem o partido. O problema em Oeiras não fui eu que o criei, mas tem de ser resolvido. Entendo que, dada a forte ligação que tenho aos militantes da secção de Algés e da secção de Oeiras, sou a pessoa que estou em melhores condições para poder resolver essa situação. Ouço os militantes das duas secções e aquilo que entenderem, em consonância com a distrital de Lisboa, resolverá a questão. E iremos ter, certamente, um candidato único à Câmara Municipal de Oeiras.

Está em cima da mesa o apoio a Isaltino Morais?
Neste momento não vou falar do apoio ou não apoio ao dr, Isaltino. Depois de estar eleita, quero ouvir os militantes de Algés e de Oeiras. Foi dito, pelo actual presidente do partido, que, neste momento, e eu sempre defendi isso, os militantes vão ter de se pronunciar sobre todas estas questões. Os militantes não existem para votar ou andar nos almoços e jantares.

Na sua opinião, Isaltino Morais seria um bom candidato?
Na minha opinião Isaltino Morais seria um bom candidato.

Carlos Carreiras referiu que o PSD não pode ter regras do Burkina Faso, referindo-se à questão do pagamento de quotas e dos cadernos eleitorais. Em sua opinião, estão criadas as condições para no dia 8 de Novembro existirem eleições justas?
Claro. Quando vi que a convocatória para o acto eleitoral estava marcada para um período muito curto, tomei a iniciativa, junto do presidente da Mesa, eng. Ferreira do Amaral, de solicitar que o horário de votação fosse mais alargado. Porque entendo que a democraticidade interna é proporcional à participação dos militantes. Relativamente aos cadernos eleitorais, algumas centenas de militantes em Lisboa foram excluídos, num processo centralista, apesar de terem pago as suas quotas e não puderam votar para as eleições directas do presidente do partido. O compromisso que houve do dr. Luís Filipe Menezes foi que, com ele, iria existir democraticidade interna e os militantes que pagaram as quotas seriam inseridos nos cadernos eleitorais. Tanto quanto sei foi isso que aconteceu. As críticas do dr. Carlos Carreiras não têm, portanto, nenhum fundamento.

José Miguel Júdice é o nome adequado para gerir a frente ribeirinha de Lisboa?
José Miguel Júdice é uma pessoa com capacidade, Independentemente de ter saído do partido. Nestas coisas não sou maniqueísta, não estão de um lado os bons e do outro os maus. José Miguel Júdice é uma pessoa com muita capacidade para poder gerir a zona ribeirinha de Lisboa.

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