CDS “apaziguado” e unido em torno do líder

O último congresso do CDS confirmou que o partido está unido em torno de Paulo Portas. Para a história ficam o anúncio da criação de correntes ideológicas dentro do partido, liberais, conservadores ou democratas-cristãs, e o nome do candidato para a disputa das eleições intercalares na capital, Telmo Correia. Em Lisboa, é exigido ao CDS que obtenha um resultado histórico, sob pena de frustrar as expectativas criadas com o regresso de Portas à presidência.

O congresso do CDS/PP, que decorreu durante o último fim-de-semana na cidade ribatejana de Torres Novas, mostrou um partido de regresso à agenda político-televisiva, sem ser por razões ligadas a crispações internas. Foi notória, e bem conseguida, a gestão mediática levada a cabo por Paulo Portas e a sua equipa, atingindo o seu apogeu no anúncio do candidato centrista à Câmara Municipal de Lisboa, Telmo Correia. Passado um mês das eleições directas, que elegeram o líder, em Torres Novas assistiu-se a um congresso pacífico e de aclamação de Paulo Portas, sem questões de maior e no qual o antigo secretário-geral Manuel Queiró consubstanciou o rosto do modelo alternativo de partido ao defendido por Portas.
A XXII reunião magna dos democratas-cristãos, vazia da disputa pelo poder, questão previamente resolvida em eleições directas, ficou marcada pela escolha de Telmo Correia como candidato do partido à Câmara Municipal de Lisboa. Depois de uma semana de quase silêncio em relação ao tema, o anúncio feito por Portas às 20 horas, em directo para os telejornais, constituiu alguma surpresa, pois tinha sido gerado um consenso da maioria dos analistas em torno de Luís Nobre Guedes.
O nome de Telmo Correia saiu de um elenco composto por mais três individualidades do partido: Luís Nobre Guedes, Teresa Caeiro e Paulo Portas. O presidente do CDS soube protelar durante uma semana a comunicação da sua opção, originando um aumento da curiosidade e da expectativa em relação ao nome por si escolhido.
Numa primeira fase, Luís Nobre Guedes era o candidato do CDS, mostrou vontade de avançar e tinha o apoio total da direcção. Porém, motivos pessoais e políticos levaram a que o ex-ministro do ambiente do Governo de Pedro Santana Lopes recusasse o convite, conduzindo à necessidade de encontrar outra pessoa.
Conforme o SEMANÁRIO avançou na sua última edição e depois foi confirmado durante a reunião magna, estavam em cima da mesa mais duas possibilidades para além de Correia. A primeira, envolta em maiores riscos políticos, era o líder assumir-se como o candidato à CML; a segunda, passava por o CDS apoiar o candidato apresentado pelo PSD, Fernando Negrão, hipótese que Marques Mendes, presidente dos Social-democratas, rejeitou. Nobre Guedes, em declarações à rádio Antena1, confirmou a existência de negociações entre os dois partidos, que acabaram frustradas.
Face ao desmoronar das várias hipóteses existentes, Telmo Correia é o homem do CDS que vai procurar no dia 15 de Julho obter um melhor resultado do que Fernando Negrão. Em relação ao deputado centrista, algumas vozes já vieram relevar a incongruência entre as críticas de Paulo Portas no tocante à saída de Rui Pereira do Tribunal Constitucional, dois meses após ter iniciado as funções de juiz, para ingressar no Governo na qualidade de ministro da Administração Interna e a escolha de Telmo Correia como candidato a presidente da CML, recentemente eleito líder da bancada parlamentar do CDS/PP. Os críticos salientam que a agenda densa de um líder parlamentar é incompatível com a igualmente densa agenda de um candidato a eleições para a principal autarquia do país.
No seu regresso à liderança do CDS/PP, Paulo Portas prometeu transformar o partido no líder do centro-direita em Portugal, posição tradicionalmente ocupada pelo PSD. Nestas eleições para a CML, sob pena de não ser fiel às expectativas que estiveram na base da sua esmagadora vitória em eleições directas, é exigido a Portas que obtenha um resultado histórico, nomeadamente, superior ao dos social-democratas. Para esta campanha o líder escolheu o candidato, estruturou o projecto e definiu o estilo a adoptar, afastando, deste modo, a possibilidade de eventuais desculpas supervenientes.

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