A fragmentação cultural através da dança

Bill T. Jones está de regresso a Portugal. “Blind Date” é o espectáculo que estará em cena nos dias 4 e 5 de Maio, no Centro Cultural de Belém. Bill T. Jones e Arnie Zane Dance Company.

Bill T. Jones é um dos maiores expoentes da dança contemporânea e uma das vozes mais acutilantes das questões actuais, que regressa agora a uma panóplia de temas morais e políticos, com este novo trabalho sobre valores e multiculturalidade. “Blind Date” parte para a exploração de temas como a pátria e o amor a ela, a honra, o sacrifício e o trabalho dedicado a uma causa maior do que nós próprios, como se fossem quase valores praticamente perdidos no mundo moderno e na sociedade construída.
“E onde é que fica a noção de singularidade num mundo tão múltiplo e tão fragmentado? Em certos aspectos, o trabalho do artista é tentar reconstruir. […] Talvez seja isso o que ‘Blind Date’ faz” , declara Bill T. Jones.
A companhia que o acompanha, constituída por dez bailarinos com uma técnica invulgar (Asli Bulbul, Leah Cox, Maija Garcia, Shaneeka Harrell, Shayla-Vie Jenkins, Wen-Chung Lin, Erick Montes, Charles Scott, Donald C. Shorter Jr, Stuart Singer e Andrea Smith), é uma companhia multicultural, com quase 25 anos, inclui bailarinos da Turquia, China, México.
Trocam histórias pessoais e movimentam-se num cenário sensorial de cores primárias e influências musicais e vídeos oriundos de todo o mundo. Este é de facto um “Blind Date”, onde sabedoria e eloquência encontram um fundamentalismo embrutecido nesta explosiva meditação sobre forças e crenças opostas. No fundo é uma troca, em que os backgrounds são como puzzles com peças opostas, mas onde há espaço para conhecer. O resultado é uma experiência de dança/teatro com muitas facetas, que, “ao combinar preocupações políticas e morais com ingenuidade coreográfica, e aptidão teatral” é, ao mesmo tempo, comovente, divertido e triste.
Bill T. Jones é bailarino, coreógrafo e director artístico. Começou a estudar dança na State University de Nova Iorque, em Binghampton, onde estudou bailado clássico e dança moderna. Antes da fundação da sua companhia (Bill T. Jones/Arnie Zane Dance Company), coreografou e actuou em vários palcos, como solista e em duo com o seu falecido companheiro Arnie Zane.
Já coreografou para a sua companhia inúmeros trabalhos, assim como a convite de companhias de bailado clássico e moderno.
Ao longo da sua carreira tem obtido prestigiados prémios. Em 1979, foi-lhe concedido o “Creative Artists Public Service Award” em coreografia e, em 1980, 81 e 82 o “Choreographic Fellowship do National Endowment for the Arts”. Em 1986, Bill T. Jones e Arnie Zane foram galardoados com o “New York Dance and Performance (“Bessie”) Award” pela temporada do Joyce Theater e, em 1989 e 2001, obteve ainda mais dois “Bessies”, um pelo seu trabalho em “D-Man in the Waters” (1989) e outro por “The Table Project” e “The Breathing Show” (2001). Em 1993, foi premiado com o “Dance Magazine Award “e em 1994 recebeu a “Mac Arthur Fellowship”. Em 2000, The Dance Heritage Coalition intitulou-o “Um Insubstituível Tesouro da Dança”. Em 2003 obteve o “Dorothy and Gillian Gish Prize” e dois anos depois venceu o “Wexner Prize”, o “Samuel H. Scripps American Dance Festival Award for Lifetime Achievement” e um “Harlem Renaissance Award”.
Este “Blind Date” é um encontro com vendas, mas onde se pode tirá-las na promoção da liberdade, da tolerância e paz.
“E o que dizer da nossa sociedade opressiva e militarista? Sempre fui crítico dessa sociedade. Só o facto de tentar viver exclusivamente da arte é, em certo sentido, uma rebelião contra essa sociedade. Digo-lhe isto como uma forma de mostrar que Blind Date é o que é porque, consciente ou inconscientemente, estou a lutar contra esta percepção do mundo e a minha própria incompreensão do que a dança significa na minha cultura”, conta Bill T. Jones.
Bill T. Jones estará em Lisboa por duas noites (4 e 5 de Maio, às 21h, no CCB) para relembrar alguns valores, através de corpos e mentes dançantes.

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