2019/12/13

A trama do Porto

A primeira edição do “Trama”, uma novidade na rede de festivais de artes performativas, acontecerá na cidade do Porto durante os primeiros três dias de Abril. Este festival apresenta espectáculos de música, dança, “performance”, teatro, “spoken word” e desenho digital.

São várias as propostas em estreia apresentadas em diversos locais do Porto. Uma espécie de manta de retalhos, onde estes são os vários espectáculos e a manta o tecido urbano. Um grupo de pessoas e instituições dão corpo a uma ideia: “performance” na criação de arte, ideia essa trabalhada nas ópticas da confrontação e da recriação.
Informal e flexível, o programa apresentado tem um percurso definido: Serralves, Casa da Música, Rivoli, Maus Hábitos, Hotel D. Henrique, Praça Dom João I e uma estação de metro do Porto. A escolha dos espaços é arrojada, demonstrando a polivalência do projecto e a preocupação em ser um festival do Porto e não de um só espaço da cidade. O próprio festival é construído numa rede urbana, institucional e criativa, complexa, tornando-se circular.
Na área da dança destaque para Maria Donata d’Urso, que traz “Pezzo (0) due” ao palco do Rivoli, nos dias 1 e 2 de Abril. Este espectáculo surge da colaboração entre a coreógrafa italiana e Laurent Goldring, um artista que filmou vários retratos do corpo. A proposta coreográfica de “Pezzo (0) due” tem o foco no subtil, no pormenor, “no ouvir a interpretação mais do que na vontade de exprimir algo”, segundo a própria. A pele é o espaço cénico.
Rosie Dennis explora o conceito de Spoken Word no bar panorâmico do Hotel Dom Henrique, com duas peças “Acess All Areas” e “Love Song Dedication”. Na primeira, a “performer”, poetisa e vocalista cria uma personagem disfuncional, numa “performance” que resulta da exploração da sensação de claustrofobia resultante da vivência e trabalho em “open spaces”. Na segunda peça, a australiana Rosie Dennis explora a fragilidade e a vulgaridade do amor, evocando uma meditação sobre o ser e a paixão.
O espaço menos óbvio a ser utilizado na programação do festival foi provavelmente uma estação de metro. Mas ela está lá, junto à Casa da Música, e serve de palco a António Jorge Gonçalves. O designer gráfico entrega-se ao desenho digital com “Etereopolis I”, um graffiti digital em espaço público. O processo é realizado em tempo real, nos dias 1 e 3 de Abril, sem recurso a material pré-gravado. A ideia é responder aos estímulos que o próprio local oferece. A habitação do espaço urbano pelo próprio desenho que se encontra em constante metamorfose.
Fugindo desta ideia de “performance” individual surge Gob Squad, um colectivo de artistas ingleses e alemães que trabalha desde 1994 em “performance”, multimédia e novas tecnologias. No Porto mostrarão “Super Night Shot”, um espectáculo que inicia uma hora antes de ter o público na plateia do Auditório de Serralves. Quatro “performers” saem para a rua e captam imagens no centro da cidade. Apresentada depois, como multiprojecção vídeo, a “performance” demonstra o seu carácter imprevisível e eleva o quotidiano ao conceito de épico.
Por fim, na área da música, na própria Casa da Música, chegará Mike Patton vs. Rob Swift and Total Eclipse. Este espectáculo é nada mais nada menos que a estreia mundial de um projecto que junta Mike Patton, ex-Faith no More, e Rob Swift e Total Eclipse, dos X-Executioners. Estes assumem os pratos, enquanto Patton nos delicia com a sua voz.
Nota-se que este festival se assume como uma junção não só de várias artes do palco, de rua e de procura de integração de todos os espaços citadinos na criação artística, mas também como união de vários projectos oriundos de vários países. Um mix de arte nacional e internacional.
Na organização estão os espaços em questão e a BRRR Festival Live Art, o Lado B Produções Artísticas e a CulturPorto, todos a trabalhar para que esta primeira edição seja um sucesso a repetir.
A 1, 2 e 3 de Abril, o Porto vai ter vários focos apontados na sua cidade. Porto, “here we go”!

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