2020/11/30

Indecisos decidem legislativas

Conquistar os indecisos, numa derradeira corrida final, captar algum volume do eleitorado que até ontem se confessava abstencionista, manter a fidelização dos eleitores do PSD de há três anos, são os três objectivos definidos para as derradeiras manifestações de campanha do PSD.

Conquistar os indecisos, numa derradeira corrida final, captar algum volume do eleitorado que até ontem se confessava abstencionista, manter a fidelização dos eleitores do PSD de há três anos, são os três objectivos definidos para as derradeiras manifestações de campanha do PSD. Santana Lopes recebeu o apoio de Balsemão e a promessa de voto, no PSD de Pacheco Pereira. As últimas horas, dinamizou-se um sentimento de unidade dos social democratas.
A campanha eleitoral esteve centrada nos líderes partidários, obscurecendo, com isso, as actividades dos outros dirigentes, sobretudo dos que são cabeças de lista nos diversos distritos. Há uma campanha intensa que não foi mediatizada a nível nacional, embora o tivesse sido nos meios de comunicação, através da imprensa e das rádios locais. Em quase todos os distritos houve debates acesos e controversos entre os cabeças de lista. “Não é fácil medir o efeito nos eleitores dessas acções de campanha, uma vez que as atenções ficaram polarizadas nas lideranças, vamos aguardar” – disse ao SEMANÀRIO um dos mais importantes dirigentes social democratas.
Não é possível dar notícia do comício de ontem à noite no Pavilhão Atlântico, com que o PSD encerra as manifestações de massas no distrito de Lisboa e sobre o qual se geraram durante a tarde muitas expectativas. “É a cabeça do Miguel Relvas – secretário geral e cabeça de lista por Santarém – que está em jogo” comentava alguém com responsabilidades na direcção do PSD
Aposta eventualmente ganha, a acreditar na capacidade de mobilização que os social democratas demonstraram na campanha e que os leva a dizer que não houve nenhuma iniciativa falhada, de todas aquelas em que interveio Pedro Santana Lopes. Que efeitos pode ter no eleitorado os últimos passos deste mal amado líder social democrata e até agora com um breve e controverso consulado como Chefe do Governo?
A pergunta tem justificação e as respostas concretas só se poderão interpretar depois de fechadas as urnas e contados os votos.
” O que está em cima da mesa é tudo e é tanto, neste exacto momento, em que todas as contas são possíveis, em que é útil e necessário afrontar as sondagens, quase todas desfavoráveis e apontando para da derrota do PSD e para a vitória relativa do PS”. Esta afirmação, de um membro da Comissão Permanente, é justificada pela percepção e pelos estudos constantes da evolução do sentido de voto dos eleitores, a poucas horas do encerramento da campanha: Segundo a mesma fonte, na quinta feira de manhã, “O número de indecisos e de abstencionistas ronda entre os 43 e os 45% e com estes números, se forem verdadeiros, as contas estão todas em aberto e as derradeiras sondagens devem ser particularmente cautelosas na distribuição pelas forças concorrentes dessa enorme e poderosa fatia do eleitorado”. E num tom de voz mais baixo, quase ciciado: “O PSD tem dito muitas vezes ao longo desta campanha que as sondagens dos últimos dias têm sido frequentemente desmentidas nas urnas”, embora reconhecesse que, no que diz respeito ás legislativas, “a fiabilidade tem sido razoável”.
Nos últimos dias, a liderança do PSD conseguiu juntar à sua volta personalidades conhecidas. Pinto Balsemão, militante nº 1 foi muito claro, não utilizou subterfúgios ou meias tintas. “Vou votar no PSD, a hora é de unidade”. Mais sinuoso foi um dos carrascos internos dos social democratas em relação a Santana Lopes: Compreende os que não querem votar no PSD e no seu candidato a primeiro ministro, mas ele, Pacheco Pereira, assumiu, como se pode ler no Público de ontem, “um argumento ingénuo nestes tempos de cinismo: Voto no PSD para ter apenas uma legitimidade, a de poder contribuir para a sua mudança depois do dia 20 de Fevereiro”.
É uma atitude “que não chega a ser presente envenenado” – comentou uma fonte próxima de Santana Lopes – oxalá toda a gente fizesse o mesmo, aliás como pediu o líder, porque se houvesse uma absoluta fidelização dos votos de 2002, o PSD seria o partido mais votado”…

Alguns casos particulares

Muitos observadores notaram as ausências de José Luís Arnaut e de Nuno Morais Sarmento atribuindo-lhes um resguardo político durante a campanha que “efectivamente não tiveram”, como nos disseram fontes próximas de ambos. E explicaram: “O Dr Josér Luís Arnaut viveu praticamente as últimas semanas
no distrito de Viseu, uma herança que recebeu de Durão Barroso e que tem tratado com todo o desvelo, esperando obter, como aconteceu há três anos, os melhores resultados possíveis para o PSD. Calcorreou, com vagar todo o distrito, concelho a concelho e a quase totalidade das freguesias, numa campanha porta a porta. Foi recebendo apoios, ao longo de algumas fases da campanha de dirigentes como Dias Loureiro, António Mexia e Nuno Morais Sarmento. Que culpa tem disso não ter tido visibilidade, salvo quando Santana Lopes foi ao comício de Viseu?..”
Alguma expectativa existe no PSD em relação ao distrito do Porto Aguiar Branco fez uma campanha mobilizadora e “foi até surpreendente a aceitação na campanha de Rui Rio”, que teve “um bom teste no sentido de ponderar uma cada vez mais provável recandidatura à Câmara”. O actual ministro da Justiça é um homem do Porto, foi até elogiado por um adversário político, “não é impossível aguentar o eleitorado de há 3 anos no distrito do Porto”, opinião de uma fonte próxima da distrital laranja.
Outro foco de atenção diz respeito a Castelo Branco, onde o cabeça de lista e vice-presidente do PSD, Nuno Morais Sarmento deu nas vistas na abertura da campanha, por ter sido nessa cidade o comício inaugural. Depois nunca mais ninguém ouviu falar dele, mas a verdade “é que residiu praticamente o tempo todo no distrito nas últimas semanas e foi um crítico implacável, persistente e eficaz do cabeça de lista socialista – um ausente presente, chamado José Sócrates”. Sarmento não teve um minuto de descanso, subiu e desceu serras, foi aos concelhos e às freguesias, participou em debates e andou nas ruas. “Não pode ser acusado de falta de combatividade política e até encontro espaço para ajudar a campanha fora do seu círculo eleitoral”.
Nos círculos mais pequenos, a “guerra dos votos” é mais acentuada. “Duarte Lima que feito vai ter o seu regresso à vida política, como cabeça de lista em Bragança?. Ganhou uma aposta. Recolheu o apoio de Miguel Cadilhe que é um dos homens que estará em foco a partir de segunda feira no caso de uma copiosa derrota eleitoral do PSD”
As últimas sondagens variam entre a ausência de maioria absoluta e a sua obtenção pelo PS. Há controvérsia em todas elas na distribuição e ponderação dos indecisos e dos abstencionistas. Os últimos trunfos eleitorais estão agora a ser jogados. Não é possível avaliar se os dados lançados estão todos na conformidade daquilo que se diz ser a vontade dos eleitores. Surpresas? Veremos. Talvez sim ou talvez não. O que faltará, provavelmente é o indispensável sentido da estabilidade, mas não é esse provavelmente a mola real dos eleitores, mas antes decidirem-se por escolhas do tipo quem será o mal menor…

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