2020/10/24

Agenda de Barroso alimenta esperanças de um “boom” tecnológico

Com um perfil focado no crescimento, criação de emprego e inovação tecnológica, o plano de Barroso parece ser “genuíno” refere Laura D’Andrea Tyson, na “BusinessWeek”.

José Manuel Barroso tem sido criticado por uns e elogiado por outros. Nas páginas do SEMANÁRIO, sublinhavam-se recentemente os reparos feitos por um colunista do “Financial Times”, que denunciava o carácter “intergovernamentalista” do presidente da Comissão, acusando-o de estar a descurar a componente supranacional da União Europeia, ao centrar os objectivos estratégicos do seu mandato na redefinição da Agenda Lisboa. Para Wolfgang Munchau, Barroso definiu mal as prioridades ao optar por um instrumento – cuja a sua validade não é colocada em causa – que depende única e exclusivamente dos Estados-membros.

Ainda segundo este colunista, a missão de Barroso está inevitavelmente condenada ao fracasso perante as incompatibilidades e interesses dos vários países, que impedirão qualquer adopção de reformas para a implementação da Agenda de Lisboa.

Mas, a verdade é que a opção feita por Barroso, visando a revitalização da economia europeia, como meio de criar 6 milhões de empregos até 2010, parece ser a única forma de se aprofundarem posteriormente as áreas sociais e ambientais. No entanto, segundo o presidente da Comissão é necessário fomentar o investimento e desenvolvimento tecnológicos para colocar o crescimento económico europeu nos índices de, pelo menos, 3 por cento ao ano. Nem que para isso se secundarizem, para já, algumas políticas sociais e ambientais.

Ora, à primeira vista esta pode parecer uma medida pouco atractiva, mas que é efectivamente premente. Visto que sem um desenvolvimento económico robusto a União Europeia não consegue sustentar de forma eficaz outras políticas. Além do mais, o desemprego é um dos principais problemas que preocupam os europeus.

Assim sendo, a agenda programática da Comissão para os próximos cinco anos pode ser um bom instrumento para a União Europeia reforçar o seu motor económico. Com um perfil focado no crescimento, criação de emprego e inovação tecnológica, o plano de Barroso parece ser “genuíno” refere Laura D’Andrea Tyson, na “BusinessWeek”. “Depois de uma década de desapontamento na perfomance económica, está a Europa equilibrada para um ressalto sustentável? Existem razões para se pensar que sim.”

De acordo com Tyson, a questão da produtividade na Europa não está assim tão mal como se julga. Atente-se que no seio dos Quinze os índices de produção por cada hora são ligeiramente inferiores aos dos Estados Unidos. Entre 1995 e 2004, segundo dados do “Conference Board”, as taxas de produtividade entre os dois lados do Atlântico diferem apenas um por cento – 2,5 por cento nos Estados Unidos e 1,5 por cento na Europa ao ano. Nos casos particulares da Áustria, França e Suécia os valores estão próximos dos americanos.

Perante este cenário, Tyson acredita que as medidas apresentadas por Barroso podem ser aplicadas numa base que está solidificada. A acrescer a isto, aquela especialista defende que as reformas que estão a ser feitas na Alemanha vão, certamente, ter custos elevados nos próximos, mas que a médio e a longo prazo vão contribuir beneficamente para a redução de custos laborais e das restrições do mercado de trabalho.

A própria adesão dos dez novos Estados veio fazer com as empresas da União investissem mais em tecnologias de informação e comunicação para fazer face aos desafios vindouros. A necessidade de adaptação a uma nova realidade e a valorização do euro está a “obrigar” as companhias europeias a focarem-se na produtividade e na redução de custos dos investimentos adicionais. Por isso, os economistas da Morgan Stanley prevêem que a Europa possa estar perante o início de uma nova onda de produtividade, tal como aquela que assolou os Estados Unidos há uns anos com o “boom” do mercado das tecnologias de informação.

“O mais importante que a Comissão Europeia pode fazer para aumentar a produtividade é acelerar a desregulamentação do mercado, especialmente nas áreas das telecomunicações, serviços e negócios”, escreve Laura D’Andrea Tyson. Esta lógica assume contornos importantes, uma vez que a Europa ainda é regida por regimes de regulamentação nacional que, por vezes, criam barreiras à expansão de actores económicos.

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