2020/10/22

O sistema merece um sustopor Jorge Ferreira

O caso do PS é ainda mais ridículo. Manuel Pinho só foi visto no golfe, talvez em Espinho…

A campanha eleitoral que hoje termina provou que o sistema merece um susto. Depois de um pesadelo PSD/CDS, que durou quatro meses, depois de uma campanha lamentavelmente vazia, oca e superficial do PS, e depois da tentativa de branqueamento do CDS, fazendo de conta que não esteve no Governo nos últimos três anos, é caso para dizer que o sistema merece um susto.
E qual é o susto? É um voto atípico que ponha em causa o Establishment partidário do costume. Os partidos tradicionais estão instalados e prisioneiros de interesses e clientelas. Perderam a alma reformista. Resta-lhes a preguiça conformista. Com o país a viver cada vez pior.
É sintomático o exemplo dos candidatos do PS e do CDS por Aveiro, círculo eleitoral onde concorro como cabeça de lista da Nova Democracia. O exemplo dado por estas duas pessoas revela o grau de degradação a que chegou o sistema político e a relação de representação entre os cidadãos e os deputados.
A história de Paulo Portas é simples de contar. Vai a Aveiro de quatro em quatro anos pedir votos. Aos amigos das feiras, que visitava com espavento, já não lhes fala. Aos jornalistas que outrora bajulava, ignora-os. Ao eleitorado, a quem fazia juras de firmeza e combatividade, colocou-o como elemento de mera encenação de raides cheios de seguranças só para o boneco do telejornal. Já não se atreve a sair à rua. Já não consegue passear numa feira sem arriscar umas partidas de Carnaval de eleitores ou de antigos combatentes menos compreensivos, como lhe aconteceu em Vale de Cambra.
O caso do PS é ainda mais ridículo. Manuel Pinho só foi visto no golfe, talvez em Espinho… e nas salas dos conselhos de administração de algumas empresas do distrito. Manifestamente não sabe, nem quer saber nada de Aveiro e dos seus problemas. A revolta grassa no próprio PS. A debates faltou a todos, alegando o mau exemplo de Paulo Portas, que também não se atreveu a ir a nenhum. Além de pára-quedista, é um candidato fantasma, a que só o sistema eleitoral português salva de uma humilhação eleitoral mais do que justa.
Se a democracia portuguesa tivesse regras justas e sadias estes dois homens eram punidos eleitoralmente por deserção política. Mas provavelmente, serão eleitos, no anonimato de uma lista partidária. Os partidos do sistema, além de governarem mal, arrogam-se o privilégio de ignorar quem neles querem que vote. Precisam de um valente susto. Eu vou fazer a minha parte, votando na Nova Democracia

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