Terá Cavaco Silva um projecto pessoal de poder?por Rui Teixeira Santos

O problema não é a dra. Manuela Ferreira Leite estar calada. Ela tem todo o direito a gerir os seus “timings” e os seus silêncios.

O problema não é a dra. Manuela Ferreira Leite estar calada. Ela tem todo o direito a gerir os seus “timings” e os seus silêncios. Mesmo que as férias sejam exageradas, de Julho a 7 de Setembro (data da Universidade de Verão), fazendo lembrar as “férias grandes” escolares – mesmo assim muito maiores que as férias judiciais, as férias parlamentares ou as férias de qualquer trabalhador por conta de outrem -, a questão é com a senhora.
O nosso problema é que tememos, para não dizer que temos a certeza, que quando a senhora falar, ela não vai dizer nada de relevante. O problema é que a senhora não tem nada para dizer.
É a constatação desta realidade que começa a criar o maior incómodo dentro do PSD, até porque, na actual conjuntura, parece evidente que a falta de oposição enclausura o sistema político.
Neste contexto, e, ainda que não tenha nenhuma ideia para o País, a dra Ferreira Leite, aos setenta anos, certamente não assumiria a maçada de dar cabo do PSD por conta própria, ou porque se acha com capacidade para ser primeira-ministra, sobretudo, depois do seu discutível desempenho nas Finanças. Em boa verdade, nunca ninguém a viu como tal, senão como “protegida de Cavaco”, até que o confronto com Santana Lopes, necessário para o lançamento da candidatura presidencial de Cavaco Silva, a transformou numa vedeta à dimensão nacional e primo-ministeriável.
Neste contexto, enganam-se todos aqueles que julgam que Ferreira Leite tem agenda própria, quer o poder e quer chegar a primeira-ministra de Portugal.
Não. Como desde cedo se viu, Manuela Ferreira Leite é fiel ao Presidente da República e age em consonância com ele. Foi nos seus governos e continua a sê-lo, agora, sem nenhuma autonomia estratégica ou opinião pessoal. E, se chegar a primeira-ministra, sê-lo-á, como antes também foi ministra das Finanças ou da Educação, chefe de gabinete ou secretária do Orçamento.

A oposição interna para subsistir tem que provocar directas
Ferreira Leite tinha uma incumbência. Conquistar o PSD, para que o presidente tivesse um instrumento para obrigar ao Bloco Central, à grande coligação – necessária para enfrentar a crise e reformar o Estado, sem mexer em nenhuma das vacas sagradas do Regime. Mas, sobretudo, porque sentindo a fragilidade do primeiro-ministro à esquerda, uma tensão bipolarizadora animada de Belém facilmente retiraria a maioria absoluta ao PS e abriria o caminho à coligação central, onde o poder presidencial se amplia.
E, a resposta está dada: Ferreira Leite nunca se irá embora, nunca antecipará directas ou congressos, nunca correrá o risco de perder o conquistado e vai fazer a lista de deputados e escolher os candidatos autárquicos, que sirvam o projecto presidencial. Ponto final.
Ou seja, cerca de 60% do partido, o PSD que não votou em Ferreira Leite, está fora e vai ficar fora, seja a tendência de Passos Coelho, ou qualquer outra organizada ou que se venha a organizar dentro do partido.
O entendimento desta situação, obviamente, vai alterar a estratégia que alguns vinham seguindo até agora: em primeiro lugar, vai começar a contestação interna aberta à liderança de Ferreira Leite, já que o ataque à agenda presidencial não é possível, por agora.
A sua incapacidade para responder à gravidade da situação económica, o facto de estar de férias grandes e nem ter encontrado resposta à operação de propaganda – aliás, brilhante – encenada pelo primeiro-ministro com os 133 mil empregos da legislatura, oportunamente divulgados para ofuscar o drama de, pela primeira vez, termos desemprego a crescer no Verão – são temas suficientes para o arranque dos ataques. Nem Pedro Passos Coelho, nem a grande maioria do actual grupo parlamentar, têm grande coisa a perder, assumindo publicamente a divergência que, naturalmente, vai crescer substancialmente com o debate do Orçamento do Estado para 2009, a partir de Outubro.
Será essa contestação suficientemente desgastante para obrigar Ferreira Leite a atirar a toalha ao chão e ir contar votos, como fez Luís Filipe Menezes?
Estou certo que não será, pelo simples facto que Ferreira Leite não é a incumbente, mas apenas a criatura e que, portanto, o ruído e a contestação não tocam o criador.
Ferreira Leite aguentará, estoicamente, como sempre – essa, aliás, é uma das características das “protegidas de Cavaco” (fidelidade é isso mesmo) e vale a pena fazer a homenagem a Leonor Beleza, que estoicamente resistiu durante mais de uma década a um processo onde o óbvio destinatário era o chefe, Cavaco Silva.
Ferreira Leite nada terá de seu para jogar também e, ao contrário de Leonor Beleza ou de Isabel Mota ou de Teresa Patrício Gouveia, não ficará à espera da Fundação Champalimaud, da Fundação Gulbenkian ou da Fundação de Serralves. Já tem pelo menos duas ou três pensões de reforma (de política, do Banco de Portugal, etc.) e não é isso que a move (façamos-lhe justiça).

Questões fracturantes
Portanto, em resumo, Ferreira Leite irá em qualquer circunstância tudo fazer para chegar aos votos e fazer o próximo grupo parlamentar (misto da cavaquismo e barrosismo) e a oposição interna será totalmente banida.
A única maneira de forçar Ferreira Leite a ir a votos é com a circulação de assinaturas e a convocação de um congresso extraordinário, que delibere directas antecipadas.
Há quem defenda que Ferreira Leite vai a votos e perde com Sócrates, sendo depois corrida. Ora, esse pode ser um erro fatal para os 60% dos militantes que não votaram em Ferreira Leite. Pelo simples facto de uma qualquer votação lhe permitir, primeiro, fazer Bloco Central com o PS e, segundo, escolher a bancada parlamentar e, portanto, determinar o PSD para a próxima legislatura. E, nesse contexto, é bem provável que a ruptura já não seja possível dentro do partido, mas tenha que ser pensada a refundação do centro-direita fora do PSD.
E, esta questão é central, até porque, seguindo a lógica alarmista de Belém e o dito de Adelino Maltez, que o intervencionismo presidencial é moral, ou seja, que os vetos presidenciais, nomeadamente este sobre o novo regime jurídico do divórcio, reflectem não uma inflexão estratégica do Presidente – colocando em causa a coabitação -, mas a afirmação de uma concepção da vida e do mundo diversa da do governo e da maioria parlamentar, a fractura faz-se entre Cavaco e Sócrates.

Um homem de convicções pessoais e sem um corpo de doutrina
Cavaco Silva é um homem de convicções de esquerda, é um social-democrata, nunca teve nem defendeu nenhum valor conservador e sempre instrumentalizou os valores à sua manutenção no poder. Não faz sentido falar em fractura ideológica nesta lei do divórcio – que visa acabar com milhares de situação inaceitáveis de abuso nos tribunais e, sobretudo, que evita o habitual golpe do baú de um dos cônjuges – e ao mesmo tempo o Presidente da República ter promulgado sem qualquer obrigação constitucional o alargamento da Interrupção Voluntária da Gravidez.
Sejamos claros: em nossa opinião é óbvio que não são valores morais, nem questões ideológicas, que presidem ao veto nesta lei, tal como aliás também não foram as razões directamente expressas na questão do veto ao Estatuto Autonómico dos Açores.
São sempre, em Aníbal Cavaco Silva, questões de poder. No primeiro caso, o problema final é a Madeira e Alberto João Jardim, com o seu “federalismo fiscal” e, no segundo, é uma manobra perfeitamente populista – tentando agradar a uma maioria sociológica mal informada – em nome de anunciados valores de que curiosamente se lavou as mãos aquando do referendo ao aborto.
E porquê? Porque na ausência de Ferreira Leite o Presidente assume-se então como actor político directo e já não, apenas, como o garante da Constituição. O Presidente Cavaco Silva ao fazer uma marcação pessoal – que claramente o PS não deverá aceitar – está ele mesmo a ser o agente da desestabilização, do desgaste do executivo, para, eventualmente, em momento oportuno, poder actuar com maior veemência.
E, nesse sentido, estar calada é a estratégia correcta para Ferreira Leite.|

A questão liberal

No actual contexto político e económico, a questão liberal não se reduz apenas à livre iniciativa, que cada vez está mais ameaçada pelo enquadramento do País (o País está enquadrado, reduzido a um quadrado, e, quem não tiver os contactos certos, “não se safa”, servindo o Estado – enorme – apenas como instrumento de conservação desses interesses instalados).
No contexto actual, a questão do liberalismo é uma questão de humanismo e um imperativo ético. E, nesse sentido, o liberalismo volta a ser subversivo, como o foi no século XIX.
O liberalismo hoje regressa às suas origens, enquanto clivagem com o Antigo Regime. Tem que ser uma resposta às desigualdades e a afirmação da igualdade de oportunidades para todos.
A liberdade e a igualdade são, no nosso contexto político nacional, valores por adquirir. Elas estão presentes, diante do autismo das autoridades, sempre que exista um país que tem uma diáspora para além de metade da sua população, a quem não dá resposta e manda sem destino à procura de sustento.
Tenhamos noção que não é um lugar-comum dizer que a grande marca identitária da mudança do País foi sempre colonial. E, a explicação é simples, na candura da nossa inaugural impossibilidade de vivermos com aquilo que temos.
Mas, o que é mais relevante na nossa história centenária é que em todas as rupturas liberalizadoras há uma presença forte do discurso da derrota ou do fracasso colonial.
Logo no fim do nosso feudalismo e com o advento da dinastia de Avis – com o nascimento da consciência burguesa da primeira nação da Europa – é a solução externa que preside, enquanto razão de Estado – seja na busca das linhas de comércio, da pimenta, dos escravos ou do ouro, já tivemos diversas oportunidades para desenvolvermos o tema.
A primeira grande ruptura ultramarina, que leva ao choque modernizador e de abertura económica – e portanto numa primeira fase também de libertação popular e afirmação burguesa -, dá-se com o colapso de Alcácer-Quibir – que leva exactamente ao fim da dinastia de Avis e ao regime de abertura dual (dois Estados com o mesmo rei na Ibéria) e à dinastia dos Habsburgo (dita Filipina).
Modernamente, a grande ruptura com o Antigo Regime – o fim da Inquisição e a instituição de uma Carta Constitucional de matriz liberal em 1822 – é filha directa da independência do Brasil.
Depois, é o nosso fracasso no “mapa cor-de-rosa”, que vai, finalmente, fazer colapsar a coroa que os Bragança deram a Nossa Senhora da Assunção e impor uma República, que nem os próprios republicanos desejavam.
E, não nos esqueçamos que a restauração da liberdade com o 25 de Abril é resultado directo do anacronismo do nosso modelo colonial e efeito do desgaste de uma guerra colonial, feita em três frentes, nascida depois do colapso da Índia, e com um contingente geral, que o Orçamento Geral do Estado dificilmente conseguia suportar, quanto mais remunerar convenientemente.
Podíamos quase criar uma lei política nacional, segundo a qual, sempre que a pressão externa não existe, o País tende a fechar-se em si próprio, a criar soluções mais autocráticas que colocam em causa a dignidade dos cidadãos, em nome de uma pequena minoria, que, normalmente, enriquece com os poucos negócios do Estado, usando verdadeiramente a corrupção como instrumento para forçar à transferência dos recursos do Estado para esse pequeno grupo de detentores. Foi sempre assim.
A questão que fica por saber, e de algum modo o professor Oliveira Salazar tentou responder no período anterior à II Guerra Mundial, é se será inevitável que o totalitarismo se deixe instrumentalizar, ao ponto de sacrificar o bem-estar comum à usura de uma minoria que se instala à mesa do Orçamento do Estado.
Sem pressão colonial nem agenda externa, assistimos, neste momento, ao reforço do Estado, dos seus poderes de controlo e de manipulação, tudo acoitado num discurso ideológico e paroquial, ora securitário, ora de reforço da autoridade do Estado, ambos na agenda da pequena burguesia, sempre disposta a sacrificar a liberdade para manter o pouco que de seu julga ter.
Neste contexto, a questão que se vai colocar aos portugueses é se, não podendo viver com ajuda externa, a divisão do que produzimos pode ser feita a favor da comunidade e do bem-estar comum ou se mantemos a tendência da lei histórica nacional de reforço de algumas elites em prejuízo da nação, agravando o fosso entre ricos e pobres, sempre que o destino da Pátria fica confinado ao quadrado.
Esta é questão liberal no actual contexto político e económico nacional.|

Socialistas católicos é que fizeram a lei que Cavaco vetou

O projecto do PS sobre a lei do divórcio foi elaborado foi elaborado pelo moderado e católico Guilherme Oliveira Martins, contando entre os primeiros subscritores, Maria do Rosário Carneiro, do movimento humanista ligado ao PS. Na semana passada, em entrevista ao SEMANÁRIO, o padre Vitor Melícias também considerou equilibrada e justa a lei do divórcio vetada por Cavaco. Refira-se que na maioria dos países europeus está em vigor legislação sobre o divórcio semelhante à do projecto dos socialistas.

O projecto do PS sobre a lei do divórcio foi elaborado foi elaborado pelo moderado e católico Guilherme Oliveira Martins, contando entre os primeiros subscritores, Maria do Rosário Carneiro, do movimento humanista ligado ao PS. Na semana passada, em entrevista ao SEMANÁRIO, o padre Vitor Melícias também considerou equilibrada e justa a lei do divórcio vetada por Cavaco. Refira-se que na maioria dos países europeus está em vigor legislação sobre o divórcio semelhante à do projecto dos socialistas. O SEMANÁRIO publica um extracto da exposição de motivos do projecto socialistas, onde se resumem as razões da lei:
“O projecto, elaborado a partir de trabalho para o efeito realizado pelos Professores Guilherme de Oliveira e Anália Torres, procura convergir com a legislação mais recente e com a que vigora na maioria dos países Europeus, como pode ser conferido na publicação Principles of European Family Law Regarding Divorce and Maintenance Between Former Spouses, livro que é produto da actividade da CEFL, Comission on European Family Law em que Portugal também participa. Assume-se esta mudança em três planos fundamentais. Em primeiro lugar, elimina-se a culpa como fundamento do divórcio sem o consentimento do outro, tal como ocorre na maioria das legislações da União Europeia e alargam-se os fundamentos objectivos da ruptura conjugal. O abandono do fundamento da culpa é, aliás, ponto de convergência na legislação europeia como se pode ler na obra atrás citada: “A eliminação a qualquer referência à culpa é consistente com a evolução da lei e da prática nos sistemas legais europeus analisados. Em muitos desses sistemas a culpa foi abandonada. Mesmo os poucos que, de forma parcial, a mantém muitas vezes na prática evoluíram na direcção do divórcio sem culpa. De qualquer dos modos é difícil atribuir culpa apenas a um dos cônjuges” (in Boele-Woelki et al. (2004), Principles of European Family Law Regarding Divorce and Maintenance Between Former Spouses, Commission on European Family Law, Antwerp-Oxford, Intersentia, p.55).
Em segundo lugar, assume-se de forma explícita o conceito de responsabilidades parentais como referência central, afastando assim claramente a designação hoje desajustada de “poder paternal”, ao mesmo tempo que se define a mudança no sistema supletivo do exercício das responsabilidades parentais considerando ainda o seu incumprimento como crime. Finalmente, e reconhecida a importância dos contributos para a vida conjugal e familiar dos cuidados com os filhos e do trabalho despendido no lar, consagra-se pela primeira vez na lei e em situação de dissolução conjugal, que poderá haver lugar a um crédito de compensação em situação de desigualdade manifesta desses contributos.” |

As principais razões do veto de Cavaco

Cavaco Silva vetou o projecto da lei do divórcio, enviando uma mensagem à Assembleia da República onde expõs as razões do veto. O Parlamento pode agora confirmar a lei por maioria absoluta de votos ou alterar o diploma. O SEMANÁRIO recorda as principais razões de Cavaco para se opor ao projecto, na mensagem enviada: “É no mínimo singular que um cônjuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei possa de forma unilateral e sem mais obter o divórcio e, sobretudo, possa retirar daí vantagens aos mais diversos níveis, incluindo patrimonial. Assim, por exemplo, numa situação de violência doméstica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos – uma realidade que não é rara em Portugal -, é possível aquele obter o divórcio independentemente da vontade da vítima de maus tratos. Mais ainda: por força do crédito atribuído pela nova redacção do nº 2 do artigo 1676º, o marido, apesar de ter praticado reiteradamente actos de violência conjugal, pode exigir do outro o pagamento de montantes financeiros. Se, por comum acordo do casal, apenas o marido contribuiu financeiramente para as despesas familiares, é possível que, após anos de faltas reiteradas aos deveres de respeito, de fidelidade ou de assistência, ele possua ainda direitos de crédito sobre a sua ex-mulher e que esta, dada a sua opção de vida, terá grandes dificuldades em satisfazer (…) Noutro plano, são retiradas à parte mais frágil ou alvo da violação dos deveres conjugais algumas possibilidades que actualmente detém para salvaguardar o seu “poder negocial”, designadamente a alegação da culpa do outro cônjuge ou a recusa no divórcio por mútuo consentimento. Doravante, à mulher vítima de maus-tratos, por exemplo, só restará a via de, após o divórcio, intentar uma acção de responsabilidade contra o seu ex-marido, com todos os custos financeiros e até psicológicos daí inerentes. E, como é óbvio, nessa acção ter-se-á de provar a culpa do ex-cônjuge pelo que, em bom rigor, a culpa não desaparece de todo da vida conjugal: deixa de existir para efeitos de subsistência do vínculo matrimonial mas reemerge no momento do apuramento das responsabilidades, nos termos do disposto no novo artigo 1792º, mas sempre de um modo claramente desfavorável à parte mais frágil, à parte não culpada pela violação de deveres conjugais ou, enfim, à parte lesada pelo ex-cônjuge (…)O novo regime do divórcio, introduzindo uma alteração de paradigma de grande alcance, vem pôr termo a essa presunção, o que implica que as contribuições dadas para os encargos da vida conjugal e familiar são susceptíveis de gerar direitos de crédito sobre o outro cônjuge – ficando todavia em aberto inúmeras questões, nomeadamente a de saber se o crédito de compensação agora criado é renunciável. Além de a vivência conjugal e familiar não estar suficientemente adaptada a uma realidade tão nova e distinta, podendo mesmo gerar-se situações de autêntica “imprevisão” ou absoluta “surpresa” no momento da extinção do casamento, o novo modelo de divórcio corresponde também, até certo ponto, a um novo modelo de casamento, no seio do qual são ou podem ser contabilizadas todas e quaisquer contribuições dadas para a vida em comum. Mesmo a admitir-se a adopção deste novo modelo de casamento, não pode deixar de se salientar o paradoxo que emerge desta visão “contabilística” do matrimónio, uma vez que a filosofia global do casamento gizada pelo novo regime do divórcio corresponde a uma concepção do casamento como espaço de afecto. Sempre que um dos cônjuges entenda que desapareceu esse afecto, permite-se agora que unilateralmente ponha termo à relação conjugal, sem qualquer avaliação da culpa ou de eventuais violações de deveres conjugais. Ora, a par desta visão “afectiva” do casamento, pretende-se que a seu lado conviva uma outra, dir-se-ia “contabilística”, em que cada um dos cônjuges é estimulado a manter uma “conta-corrente” das suas contribuições, e apenas a prática poderá dizer qual delas irá prevalecer. Existe uma forte probabilidade de aquela “visão contabilística” ser interiorizada pelos cônjuges, gerando-se situações de desconfiança algo desconformes à comunhão de vida que o casamento idealmente deve projectar.”|

Arranque da Liga Sagres

FC Porto recebe Belenenses, Sporting o Trofense, enquanto o Benfica desloca-se ao recinto do Rio Ave. Estes são os jogos inaugurais da Liga Sagres em que participam os principais candidatos ao título nacional. Lucho Gonzalez do FC Porto, Fabio Rochemback do Sporting e Pablo Aimar do Benfica são os jogadores em maior destaque do campeonato nacional que arranca hoje.

Arranca hoje o campeonato nacional de futebol da primeira divisão, conhecido este ano por Liga Sagres. E cabe ao V. Guimarães e V. Setúbal efectuarem o jogo inaugural da temporada, enquanto os restantes desafios serão disputados ao longo do fim-de-semana.
Com um orçamento a rondar os 40 milhões de euros, o FC Porto parte como principal candidato à conquista do título nacional, uma vez que é o campeão em título. O sorteio ditou que o primeiro jogo dos Dragões fosse em “casa” frente ao Belenenses. Já o Sporting, com um orçamento na ordem dos 25 milhões de euros, apresenta-se com o plantel possivelmente mais equilibrado. Ao não deixar sair nenhum dos seus jogadores principais e ao ter contratado futebolistas de créditos firmados e com experiência, como Fabio Rochemback, Marco Caneira e Hélder Postiga, os leões são considerados por muitos como a melhor equipa neste arranque de campeonato. Na primeira jornada, o conjunto orientado por Paulo Bento irá receber o recém-promovido Trofense. Relativamente ao Benfica, cujo orçamento é de cerca de 30 milhões de euros, efectuou uma revolução no plantel, tendo contratado diversos jogadores. Desta forma, ainda é bastante prematuro fazerem-se previsões sobre as possibilidades dos encarnados em lutar pelo título nacional, embora tenham jogadores e um treinador de elevada qualidade. Cabe ao Rio Ave receber o clube da Luz na primeira jornada da Liga Sagres.

Outsiders

Apesar do natural favoritismo dos três grandes nacionais, V. Guimarães e Sp. Braga poderão vir a ser os “outsiders” deste campeonato nacional e, tal como tem acontecido num passado recente, intrometer-se na luta pelos três primeiros lugares da competição. No que diz respeito à formação bracarense, agora orientada pelo experiente treinador Jorge Jesus, que na época passada fez um excelente trabalho no Belenenses, apresenta-se em excelente plano e com um conjunto competitivo e com bastante qualidade. Com o guarda-redes Eduardo, o defesa Alberto Rodríguez, os médios Luís Aguiar e Andrés Madrid e um ataque entregue a Meyong e Roland Linz, a equipa de Braga tem todas as condições para realizar uma temporada de bom nível. Já o V. Guimarães de Manuel Cajuda, depois de no ano passado ter sido a surpresa da temporada e terminado em terceiro lugar, à frente do Benfica, arranca para a época 2008/2009 com expectativas elevadas. O guarda-redes Nilson, o central Sereno e o lateral Andrezinho, e um meio-campo combativo e experiente, são os principais argumentos da equipa nortenha.

Principais figuras

Em todas as equipas existe sempre um jogador que sobressai pela sua qualidade, liderança e influência no estilo de jogo. E os grandes nacionais não fogem à regra. No que ao FC Porto diz respeito, o médio Lucho Gonzalez é, claramente, esse jogador. Leitura de jogo é a principal característica deste argentino, que é considerado o “farol” dos dragões. Ricardo Quaresma, Lisandro Lopez e Chistian Rodriguez são os outros jogadores em destaque nos campeões nacionais. No Sporting, Fabio Rochemback, que regressa a Alvalade, tem sido o futebolista em maior evidência neste início de temporada. Técnica acima da média, capacidade de passe e visão de jogo são algumas das “armas” deste influente médio brasileiro, que conta ainda com a qualidade e apoio de João Moutinho, Miguel Veloso e Liedson. Já no Benfica, Pablo Aimar é, indiscutivelmente, o jogador em maior destaque. Capacidade de desequilíbrio e uma visão de jogo invejável tornam o argentino num dos melhores “10” do mundo, embora as lesões constantes nos últimos anos tenham prejudicado a carreira do médio organizador. Reyes, Carlos Martins e Dí Maria são outros dos jogadores que poderão “dar que falar” na temporada 2008/2009.

FC Porto e Benfica no mercado

Ao contrário do Sporting, que conseguiu manter Miguel Veloso e João Moutinho e que, com excepção da possível contratação de Hugo Viana, não deverá alterar a configuração do plantel, FC Porto e Benfica ainda estão com algumas indefinições nas respectivas equipas. No que diz respeito aos dragões, continuam sem saber se contam com Ricardo Quaresma na temporada que arranca hoje e se vão colmatar a possível saída do extremo português para o Inter de Milão de José Mourinho ou para o Liverpool, que poderá avançar brevemente com uma proposta de 25 milhões de euros. Refira-se ainda que o internacional luso tem feito pressão junto da SAD azul e branca para negociar o seu passe abaixo dos 30 milhões de euros pedidos. Até ao final do período de transferências, que termina a 31 de Agosto, ainda poderá vir a acontecer muita coisa.
Já no Benfica, continua a “novela” Luis García. O Espanhol continua a pedir 10 milhões de euros pelo passe do avançado, enquanto a SAD encarnada não vai além dos 7,5 milhões de euros. Perante este impasse, Rui Costa, director desportivo da equipa da Luz, já começou a conversas com outros jogadores, como Suazo do Inter de Milão. Contudo, o elevado ordenado que o ponta-de-lança aufere no colosso italiano e o alegado interesse do FC Porto no empréstimo deste jogador poderão dificultar uma possível vinda do rápido futebolista para o Benfica. Entretanto, devido ao bom torneio olímpico que tem estado a realizar, Di Maria tem sido sondado por alguns dos principais clubes europeus, embora as águias não aceitem negociar o passe do promissor extremo argentino por menos de 25 milhões de euros. |

Aquecem os motores para a última corrida à Casa Branca

As últimas sondagens dão McCain mais próximo de Obama, numa altura em que o democrata prepara, com grande pompa, o ataque final ao acesso à presidência.

A poucos dias da importante convenção democrata, que se iniciará na próxima segunda-feira, onde muitos dos pontos fulcrais da corrida à Casa Branca serão alinhavados, Barack Obama vê o seu rival republicano, John McCain, aproximar-se nas sondagens, atingindo este a percentagem mais alta dos últimos tempos.
Com esta aproximação, abrupta, dos concorrentes, o candidato democrata prepara a recta final da sua campanha, agora que entramos nas semanas decisivas, com toda a pompa e circunstância. Apesar de ter vindo a ser criticado pelos opositores, de estar a levar a cabo a “política espectáculo”, Obama não se intimida e vai, amanhã, participar num marcante acto eleitoral, onde poderá anunciar já o seu candidato a vice-presidente.
O acto mencionado realizar-se-á no Old State Capitol em Springfield, estado do Illinois, o mesmo local onde anunciou oficialmente a sua candidatura, no dia 10 de Fevereiro do ano passado.
Segundo vários analistas políticos americanos, o democrata poderá aproveitar este comício para anunciar o nome do seu candidato a vice-presidente, devido ao grande simbolismo do evento e do local onde este se irá realizar.
Contudo, não se descarta que o anúncio aconteça mesmo antes de sábado, pois várias especulações dão conta de que no fim da sexta-feira o candidato pode vir a anunciar o nome de seu vice, para que eles pudessem comparecer juntos ao comício de Illinois. Lembramos que esta, tão aguardada, divulgação está apontada para ser feita através de sms, para cerca de 70 mil apoiantes, inscritos com antecedência, numa lista de pessoas que saberá, em primeira mão, o nome tão esperado.
Depois da presença neste, que se espera marcante, acto, Barack Obama rumará à Convenção Nacional Democrata, que começará na próxima segunda-feira em Denver, estado do Colorado. Este acto inicia-se no dia 25 e é esperado que o candidato a vice-presidente, escolhido por Obama, discurse ao país, já nessa condição, no próximo dia 27, o que faz antever que a divulgação do nome escolhido estará mesmo para breve.

Vários são os “favoritos” de Obama

Depois de muito se especular e de muitos nomes terem surgido, enquanto outros tantos foram afastados, restam-nos um grupo de três nomes, de onde deverá sair o próximo candidato democrata ao lugar de vice-presidente dos Estados Unidos da América.
O governador de Virgínia é visto por muitos analistas como o mais sério candidato ao cargo. Tim Kaine é um homem bastante popular e consigo deverá atrair os eleitores de um estado-chave, aquele onde é governador e o voto católico e branco. A maior desvantagem de Kaine é que ele pouco traz de novo no que toca à política externa.
Outro dos nomes mais falados é Joe Biden, senador por Delaware. Este é um dos democratas mais antigos no Congresso, é presidente do Comité de Relações Exteriores do Senado e deverá conseguir agregar experiência à candidatura, principalmente no ponto em que Kaine mais fragilidades demonstra.
O terceiro nome forte, apontado como possível escolha de Obama, é Evan Bayh, senador eleito pelo estado do Indiana. É conservador, apoiou Hillary Clinton nas primárias, e por isso muita gente acredita que ele traria votos do centro e dos eleitores da ex-primeira dama.

McCain mais próximo de Obama nas sondagens

Na mais recente sondagem, divulgada nos Estados Unidos, John McCain aparece mais próximo de Barack Obama na disputa das eleições norte-americanas. As sondagens dão ao candidato republicano 43% de intenção de voto. Obama, por sua vez, atinge 45% da preferência do eleitorado, segundo esta sondagem, divulgada esta semana na edição do “Los Angeles Times”.
Com uma margem de erro de cerca de 3% esta é uma diferença insignificante entre os dois candidatos. O estudo revela ainda que a escolha dos eleitores brancos recai, maioritariamente, sobre McCain, com um resultado de 47% contra 36%. Nesta sondagem a economia e o Iraque estão no topo das preocupações dos norte-americanos.
Obama é visto como o melhor candidato para resolver a crise económica e também os problemas energéticos. 48% dos eleitores acha que Obama não tem experiência para conduzir os destinos da Casa Branca, contra 44% que o consideram capa para tal. Esta sondagem foi realizada no período entre 15 e 18 de Agosto, atingindo um universo de 1375 pessoas.
Uma outra sondagem dá mesmo a vantagem ao candidato republicano, o que acontece pela primeira vez nesta campanha.
Segundo esse estudo o senador do Arizona consegue agradar a 46 % dos eleitores inquiridos contra os 41 % que disseram preferir o senador Obama.|

A economia ao serviço do homempor Maria Valentina Machado

Se é um facto incontestado que sem uma robusta e saudável economia não é possível um desenvolvimento social capaz de satisfazer o Homem, também não é menos verdade, muito antes pelo contrário, que, sem este, aquela nunca será forte e, consequentemente, com capacidade de distribuição da riqueza. Mas a economia não pode escravizar o Homem, porque a razão fundamental daquela é servir este, levando-o a que o seja em plenitude.

A economia portuguesa revelou no 2.º trimestre do ano corrente uma melhoria muito ténue mas que, relativamente à situação de outros parceiros da UE, com crescimentos negativos do PIB ou em franca recessão técnica, podem indiciar uma certa esperança em que arranque definitivamente. No entanto, não se pode esquecer que a economia portuguesa é excessivamente dependente do exterior, com uma forte componente de exportações, o que deve deixar um alerta muito sério, pois com a crise que afecta os países para quem exportamos, é muito provável que aquelas diminuam e consequentemente afecte o pequeno crescimento do PIB.
De qualquer modo e porque a esperança é a última a morrer, devemos estar prudentemente cautelosos mas animados.
Um outro dado que pode ser animador é o facto da taxa de desemprego ter baixado, ainda que muito pouco, no mesmo período de tempo. Contudo, e relativamente ao desemprego, não se deve esquecer que tal melhoria pode apenas dever-se ao emprego temporário que esta época do ano propicia. Logo, é necessário não deixar de fomentar a criação de emprego e tal só pode e deve ser levado a cabo pelos empresários. Ao fim e ao cabo, é nestes que reside a possibilidade de traçar uma estratégia ascendente da nossa economia, tendo sempre presente que esta deve estar ao serviço do Homem e não este escravizado àquela, como, aliás, tem vindo a acontecer. É evidente que em épocas de crise, como aquela que temos vivido e que se arrasta há demasiado tempo, o Homem tem de sacrificar-se para que aquela cresça, ainda que contra ventos e marés. E assim tem acontecido nestes três últimos anos, primeiramente devido ao estado calamitoso em que se encontravam as contas públicas que todos, interna e externamente, reconhecem se conseguiram equilibrar com as medidas corajosas tomadas pelo Governo, mas sobretudo com a imensa capacidade de sacrifício e espírito de compreensão do povo português. Só que essas medidas corajosas e impopulares não afectaram todos por igual mas sim e sobretudo, a chamada classe média, hoje extremamente empobrecida. E quando se pensava que o mau tempo tinha passado e se aproximava a bonança, outros factores, agora externos, surgiram como a especulação do petróleo e seus derivados, a crise financeira americana, com a consequente desvalorização do dólar e suas consequências na economia global, implicando recessão no investimento e o aumento, muitas vezes especulativo, do preço de bens essenciais. É óbvio que uma economia tão dependente do exterior como a nossa tem de reflectir e ressentir-se dessa crise internacional e, por isso, face aos resultados referidos relativos ao 2.º trimestre deste ano, têm de nos deixar esperançados mas muito prudentes e receosos.
Esta crise internacional beneficia apenas as economias daqueles países que, não respeitando os Direitos do Homem e consequentemente os das Crianças, conseguem não apenas sobreviver mas desenvolver-se à custa de condições de trabalho indignas do ser humano, com horários de trabalho excessivos e reduzidos salários e, para escândalo do mundo civilizado, explorando o trabalho infantil, tal como na Europa aconteceu em finais do séc.. XVIII. É óbvio também que nestas condições não pode haver uma sã competitividade global, pois os princípios e os métodos são completamente diversos.
Deseja-se, espera-se e merece-se que a economia portuguesa dê origem ao desenvolvimento do país, não apenas no vector económico mas no vector social. Sabe-se que sem aquele este não é possível desenvolver e por isso mesmo o desenvolvimento social entre nós tem tão pouca expressão mas, quando se espera que a economia portuguesa ainda que tenuamente cresça, é bom recordar que o desenvolvimento adveniente tem de ser harmonicamente distribuído, com justiça e equidade, contemplando os mais desfavorecidos que são, para além dos tais cerca de 2 milhões de pobres, a tal classe média empobrecida que são cerca de 6 milhões de portugueses. E tal tem de se conseguir a curto e a médio prazo, pois, como se tem referido constantemente, os portugueses estão, não apenas cansados de sacrifícios, mas sobretudo indignados, para não dizer revoltados, com as disparidades existentes que separam os mais ricos dos pobres ou empobrecidos, que o mesmo é dizer que separam cerca de 2 milhões de ricos dos restantes 8 milhões.
E essa distribuição harmónica, com justiça e equidade, passa, em primeiro lugar, pela criação de emprego, condição essencial para o desenvolvimento económico e social; passa por uma política de salários justos adequados à capacitação dos trabalhadores, cujo mínimo não pode ser inferior a 500 euros se, de facto, nos queremos aproximar da média europeia; passa ainda pela continuação do esforço na formação académica e profissional dos jovens, tornando-os trabalhadores capacitados; passa pelo reconhecimento, por parte do Estado, que, por si só, não conseguirá os resultados que se esperam a curto prazo, confiando e colaborando com a sociedade civil, sem a qual estaríamos a anos-luz das metas já alcançadas; passa ainda pela não marginalização daqueles que, por qualquer razão, não foram nem estão devidamente qualificados, possibilitando e investindo numa formação contínua recorrente, para o que se exige, não apenas a disponibilidade do Estado, mas igualmente da sociedade civil em geral e das empresas, sindicatos e associações profissionais em especial; passa pelo reconhecimento e não marginalização dos idosos, quer tenham ou não sido trabalhadores, revendo as suas pensões, nomeadamente as de reforma, com base na inflação, mas também com base não apenas no salário mínimo mas também de acordo com o salário médio da sua carreira; passa por uma política firme e eficaz de erradicação da pobreza e discriminação social, com a certeza de que não são somente os pobres os discriminados ou marginalizados, mas também outros que o são apenas por motivos sociais; passa por uma correcta e coerente política de promoção e protecção da família, incentivando a natalidade, a fim de que se rejuvenesça a população portuguesa, condição essencial para uma economia saudável e promissora e, porque é na família que se forma o Homem, actor e usufrutuário da mesma economia; passa pelo desenvolvimento, com justiça e equidade, do mitigado Estado-Providência que temos, também ele fruto da colaboração do Estado e da sociedade civil, no sentido de que ninguém, ninguém mesmo, deixe de usufruir, em plenitude, dos seus direitos de cidadania.
E não se pense que tal é pura utopia porque, de facto, o não é, desde que o desenvolvimento económico se não divorcie do desenvolvimento social. Se os países do Norte europeu conseguiram esse desenvolvimento harmonioso, também os do Sul, onde nos integramos, também terão de o alcançar.
Se é um facto incontestado que sem uma robusta e saudável economia não é possível um desenvolvimento social capaz de satisfazer o Homem, também não é menos verdade, muito antes pelo contrário, que, sem este, aquela nunca será forte e, consequentemente, com capacidade de distribuição da riqueza. Mas a economia não pode escravizar o Homem, porque a razão fundamental daquela é servir este, levando-o a que o seja em plenitude.
A economia não depende somente do capital, mas também e sobretudo do Homem que a torna possível.
A economia só faz sentido quando o objectivo, primeiro e último, é o serviço do Homem.|

Docente da ULHT