Será que a luta de classes está de regresso?

As limitações ao Estado Providência, a perda de direitos e regalias, a erosão dos salários, o aumento do desemprego, realidades que hoje se fazem sentir em muitos países da Europa, particularmente em Portugal, podem ser, a longo prazo, o gérmen de uma nova luta de classes, à luz dos conceitos marxistas? O SEMANÁRIO fez esta pergunta a vários pensadores portugueses, como foi o caso de Jaime Nogueira Pinto, Joaquim Aguiar, José Adelino Maltez, José Gil, Manuel Villaverde Cabral e Ivan Nunes.

As limitações ao Estado Providência, a perda de direitos e regalias, a erosão dos salários, o aumento do desemprego, realidades que hoje se fazem sentir em muitos países da Europa, particularmente em Portugal, podem ser, a longo prazo, o gérmen de uma nova luta de classes, à luz dos conceitos marxistas? O SEMANÁRIO fez esta pergunta a vários pensadores portugueses, como foi o caso de Jaime Nogueira Pinto, Joaquim Aguiar, José Adelino Maltez, José Gil, Manuel Villaverde Cabral e Ivan Nunes.

Joaquim Aguiar

Joaquim Aguiar é peremptório. “A crise encoberta do Estado Providência na Europa gera uma crise visível e generalizada de condução política, difunde efeitos sociais de insegurança e de acentuação das desigualdades, promove fenómenos de criminalidade difusa e segmentada, mas não gera movimentos de luta de classes.”
Este politicólogo, assessor do Presidente da República, Cavaco Silva, depois de o ter sido, também, de Mário Soares e Ramalho Eanes, não deixa, porém, de abrir a porta, num contexto de crise social, ao que chama “expedientes de sobrevivência individual”, que irão “pôr em causa o contrato social de solidariedade entre grupos de rendimentos e entre gerações, impedindo a instalação de dispositivos de políticas sociais que ainda pudessem ser sustentáveis nestas novas condições.”
Joaquim Aguiar traça um quadro ainda mais negro quando diz: “Neste novo contexto de insegurança social, sem previdência (financeira) e sem providência (divina ou de distributivismo social), haverá quem justifique o recurso a formas de criminalidade com as imagens de movimentos revolucionários (como na América Latina) ou com as fidelidades a redes de protecção e de influência (como na Itália meridional). São disfarces ou máscaras, que encobrem fenómenos cuja verdadeira natureza é o ajustamento a novas situações pela via de procedimentos ilegais e ilegítimos.”
Mas nem por isso Joaquim Aguiar se afasta da sua tese, rematando: “Nada disso gerará movimentos de luta de classes, pela simples razão de que não há centros de acumulação de recursos financeiros que possam ser apropriados para posterior distribuição. Não há movimentos de luta de classes para ir apropriar dívidas e responsabilidades futuras. Onde não houver centros de acumulação de riqueza, não haverá mobilização para movimentos de transformação revolucionária.”
O politicólogo aproveita, ainda, para fazer uma radiografia da crise do Estado Providência e das contradições dos governantes ao lidarem com ele. Antes defenderam-no, hoje fazem a sua desmantelação mas nem por isso continuam a justificá-lo e defendê-lo. Diz Joaquim Aguiar: “A crise do Estado Providência continua encoberta porque os que se referem a ela são os mesmos que antes instalaram e defenderam esses dispositivos de políticas sociais e que sempre recusaram que eles fossem insustentáveis. O que fazem agora, dizendo que querem salvar o que antes garantiam que era eternamente legítimo e possível, é uma política a que não atribuem nome: desmantelam o que antes instalaram com a redução dos direitos que atribuíram, mas justificam o que fazem dizendo que querem defender o que estão a desmantelar. E terão de continuar a fazê-lo no futuro, porque o crescimento económico medíocre não permitirá compensar os efeitos do envelhecimento demográfico e do aumento dos custos com a saúde, a educação, os serviços do Estado e a construção de infra-estruturas. Considerando o que já é o nível actual de extracção fiscal na Europa, esta redução de direitos do Estado Providência não permite o ajustamento das sociedades com o retorno a modelos de segurança individualizada (poupança ou seguros) porque o rendimento disponível diminui para continuar a financiar o que não será sustentável, o que implica que aumentará o grau de insegurança individual e colectiva.”

José Adelino Maltez

Também José Adelino Maltez não parece considerar que desponte uma nova luta de classes. Escreve este professor da Universidade Técnica de Lisboa: “O que agora temos é uma nova questão social, misturando problemas não resolvidos da velha questão social, que Jerónimo de Sousa ainda traduz no calão da velha luta de classes, com a emergência de uma nova realidade da governança sem governo, que tanto dizemos ser integração europeia como globalização.”. Também Adelino Maltez começou por fazer o raio X ao Estado Providência: “O chamado “Estado Providência”, ou, em termos gerais, a intervenção dos aparelhos de Estado na sociedade e na economia, tanto pode ser a resposta bismarckiana à questão social da segunda metade do século XIX que, em Portugal, foi traduzida pelo Estado Novo salazarento, com meio século de atraso, como o “Welfare State” do pós-guerra, do relatório Beveridge, que começou a ser traduzida entre nós com o marcelismo, pintando-se de vermelho pintasilguista com o PREC e a pós-revolução do Bloco Central, dita keynesiana.”
Adelino Maltez não deixa de elogiar Marx, o que só surpreende quem não o conhece bem. “Marx é um velho subsolo filosófico que a todos nos ilumina, mesmo a liberais como eu e nada tem a ver com as vulgatas neomarxianas do leninismo, do maoísmo. Até o velho Karl se insurgia contra as ideologias de conserva, dizendo que não era marxista. Na prática, a teoria é outra, porque, sobretudo em Estados da nossa dimensão, a maioria dos factores de poder já não são nacionais, e os governos são meras pilotagens automáticas que só podem garantir as independências nacionais se conseguirem gerir dependências e interdependências. Pena é que não reparem na velha lição segundo a qual os problemas económicos só podem resolver-se com medidas económicas, mas não apenas com medidas económicas. Isto é, só se conseguirem repolitizar os velhos Estados, libertando-se das adiposas gorduras de aparelhos que foram feitos para dar resposta à velha questão social, mas que não admitem que a nova questão social implica a meritocracia e a consequente avaliação das competências, segundo o critério da justiça e não da inveja igualitária.”

Ivan Nunes

Já o sociólogo e professor Ivan Nunes não tem dúvidas que “as ‘lutas de classes’ não desapareceram.” Em relação ao futuro, também não exclui que tal possa vir a acontecer. Porém, faz uma ressalva. “Para haver ‘novas lutas de classes’, não basta haver boas razões para isso. É preciso que os trabalhadores encontrem os meios de se organizarem politicamente de forma eficaz.” O sociólogo entrevê dificuldades. “O movimento operário e o sindicalismo atravessam tempos muito difíceis. Há variações relevantes de país para país, distintas tradições (a França não é igual à Itália que não é igual à Grã-Bretanha que não é igual a Portugal), mas a tendência é global, e decorre da evolução do capitalismo desde as últimas décadas do século XX.”
Ivan Nunes acrescenta: “o que é certo, no final do século XX e início do século XXI, é que os trabalhadores estão mais fracos do ponto de vista organizativo do que estiveram em meados do século. Os sindicatos têm menos membros, os trabalhadores estão mais diferenciados, e a sua situação laboral frequentemente precária não ajuda à sindicalização. A tendência global para as privatizações (iniciada com Thatcher, mas seguida por quase toda a parte) também dificultou a vida aos sindicatos, porque a mobilização é mais fácil em grandes empresas do sector público. Há ainda o aspecto ideológico, após o desaparecimento da URSS: agora, para onde quer que se olhe, só há capitalismo, e em quase todos os casos de um tipo pior do que aquele que temos aqui. Por fim, a capacidade que o capital ganhou para se deslocalizar também é um factor.”
Sobre a crise do Estado-Providência, Ivan Nunes considera que esta ” é uma consequência do enfraquecimento político da classe operária. Não é, até agora, algo que tenha desencadeado uma nova força dos sindicatos.”

Jaime Nogueira Pinto

Também Jaime Nogueira Pinto, apesar de ter uma formação política muito diferente da de Ivan Nunes, considera que pode haver uma nova luta de classes mas há que ter ” muito cuidado nesta ‘actualização’ dos ‘conceitos marxistas’. Nogueira Pinto recorda que “o George Sorel tem, nas “Ilusions du Progrès”, um livro ainda hoje notável, e a propósito do valor e da actualidade de Marx e das suas doutrinas, uma opinião que perfilho: têm valor como “cânones de interpretação da realidade”; por exemplo, o conceito de “classe”, e sua dinâmica, a análise social em termos de classes. Mas valem pouco ou nada, como dogmas, como os usam os comunistas; ou como uma ferramenta crítica de agitprop, como os partidos esquerdistas radicais. Que já nem sequer o leram.” O professor remata que “se há classes hoje, deixaram de ser “revolucionárias”. São razoavelmente egoístas e “burguesas”. Todas.”

Villaverde Cabral

A exemplo de Jaime Nogueira Pinto, Manuel Villaverde Cabral não crê numa nova luta de classes. “A história não se vai repetir, refere. No entanto, este professor e investigador do ICS não deixa de admitir que “quem se sente prejudicado, vai sempre protestar, mas em novos moldes, até porque o operariado do tempo de Marx também já não existe hoje, nem deverá existir no futuro.”

José Gil

O filósofo José Gil, professor na Universidade Nova de Lisboa, começa por dizer que “a longo prazo é muito difícil prever a dinâmica social. Por outro lado, muitos conceitos marxistas deixaram de ter a pertinência do sentido que lhe era atribuído. Precisamente, muitos novos pensadores (como Toni Negri e Michael Hardt) tentam dar uma interpretação completamente nova de conceitos como “classe”, “luta de classes”, lendo certas obras de Marx de modo muito original. Isto interessa-nos para a questão que levanta: o trabalho “hegemónico” (que qualitativamente é mais importante na sociedade de hojeh) será o trabalho “imaterial”, e não aquele, material, ligado também a efeitos puramente materiais (como está implícito na ideia de “regalias”, “desemprego”, erosão de salários”).”. José Gil desenvolve este último conceito: “O trabalho imaterial diz respeito à biopolítica e age sobre a informação, o conhecimento, os afectos. Uma hospedeira num avião “vende” o seu sorriso, a sua capacidade de relacionamento com os passageiros, a sua simpatia, e não só as horas de trabalho material. Ora este tipo de trabalho cria novas subjectividades e novas formas de exploração. A nossa sociedade capitalista vai nesse sentido. Será por aí que, as novas formas de subjectivação se tornarão insuportáveis.”
O filósofo aponta, ainda “toda uma série de novos conflitos que provêm de outros fenómenos que não do trabalho apenas: imigração, xenofobia, o fosso cada vez maior entre “ricos” e “pobres” (conceitos a repensar numa subjectividade “nua”), etc.”, com relevância para a luta de classes. José Gil termina com uma pergunta. “Quem serão os novos “sujeitos” da nova “luta de classes”? Não o “proletariado”, não “os trabalhadores” (por exemplo, os artistas podem revoltar-se), mas um outro tipo de subjectividade que se está a formar. É nesse novo contexto que os fenómenos que aponta (desemprego, erosão dos salários) devem ser pensados.”|

A Literatura no Centro

O Ciclo Thomas Bernarhd acontece no CCB entre os dias 19 de Novembro e 1 de Dezembro, em vários espaços do CCB. Da relação do escritor com a música à relação com o teatro, este ciclo vai além disso, criando uma relação permanente do autor com o público, através de uma exposição, um concerto, conversas sobre a obra do autor austríaco, leituras dramatizadas, um lançamento de um livro e uma peça de teatro. Haverá ainda o jornal “Thomas Bernhard”.

Nascido na Holanda, Thomas Bernhard (1931-1989). passou a infância com os seus avós maternos em Viena. Em 1935 muda-se com eles para Seekirchen, perto de Salzburgo. O seu avô, o escritor Johannes Freumblicher, foi a sua grande referência. Foi educado em dois internatos, um nacional-socialista e o outro católico, que o marcaram muito. A morte do avô em 1949 e a da sua mãe no ano seguinte abalaram profundamente o escritor. Depois da sua hospitalização, devido a uma tuberculose que lhe deixou sequelas, Bernhard arranjou emprego num jornal de Salzburgo, ao mesmo tempo que começou a escrever contos e poemas. Bernhard estudou música e canto, antes de se dedicar exclusivamente à literatura e à escrita para teatro. A sua escrita, musical e rigorosa, revela uma consciência crítica exacerbada pelas vicissitudes da vida pessoal. Em 1957 foi publicado o seu primeiro livro de poesia, “Na Terra e no Inferno”, ao qual se seguiram outras colectâneas de poesia. Posteriormente, o autor aventura-se na escrita em prosa e no género dramático, publicando o seu primeiro romance, “Frost” (1963), e a sua primeira peça, “Uma Festa para Boris”, estreada em 1970.
O CCB programou para este ano alguns ciclos dedicados a personalidades artísticas importantes. O primeiro foi Paul Bowles, escritor norte-americano, agora a instituição dedica uma semana da sua programação a um dos maiores escritores europeus da segunda metade do século XX e também um dos mais polémicos da sua geração. Nunca deixou de exprimir as suas opiniões controversas nas suas muitas obras, sobretudo sobre a sua relação ambígua com a Áustria e os austríacos.
Este é um ciclo que toca o autor e a sua obra de vários pontos de vista, através de diferentes áreas artísticas e as relações com as mesmas. Por exemplo, a sua relação com a música, tão visível em obras como “O Náufrago” e “O Sobrinho de Wittgenstein”, é abordada neste ciclo. No dia 26 de Novembro, vai ler-se aquela primeira obra, um dos mais conhecidos romances de Thomas Bernhard pelo actor Tiago Rodrigues, seguida da projecção do filme “Glenn Gould: Variações Goldberg”, de Bruno Monsaingeon.
Também a sua ligação ao teatro, com leituras de “O Presidente” e a reposição da encenação do Teatro de Almada para “O Fazedor de Teatro”, com a qual o actor Morais e Castro ganhou o Prémio da Crítica em 2004. O seu tradutor para português, José António Palma Caetano, abordará em conferência a relação de Thomas Bernhard com Portugal. “O Fazedor de Teatro”, no original alemão “Der Theatermacher”, é sem dúvida uma das peças com mais repercussão e mais apresentada. Pertence já à fase de “maturidade dramática” do autor, tendo sido escrita na primeira metade dos anos oitenta e agora é reposta nos dias 28, 29 e 30 de Novembro.
Quem apresenta a leitura dramatizada de “O Presidente”, no dia 19 de Novembro, é a Companhia de Teatro de Almada, sendo aquela a primeira peça de carácter político do escritor e que tem uma parte que se passa em Portugal (no Estoril), no tempo da ditadura. Thomas Bernhard não era um político, contudo esta peça tem este carácter híbrido.
A concluir o ciclo, o maestro Michael Zilm dirigirá a Orquestra Metropolitana de Lisboa num concerto preenchido com música sobre a qual escreveu, designadamente a “Sinfonia Haffner”, de Mozart.
A exposição Thomas Bernhard, organizada pela Fundação Privada Thomas Bernhard, e com a contribuição de algumas das pessoas da sua vida, dá a conhecer aspectos da vida e da criação do escritor, com a apresentação de numerosos originais do autor de “Antigos Mestres”. Constituída por várias fotografias, cartas de família e textos originais, a exposição é uma viagem ao seu universo mais íntimo e familiar. A exposição estará patente mesmo pós ciclo, uma vez que continuará aberta ao público até 16 de Dezembro, na Galeria Mário Cesariny.
Também incluída no ciclo, está programada uma Comunidade de Leitores, que discutirá aspectos da sua obra literária, na Sala de Leitura do CCB. Da importância de Bernhard enquanto autor dramático à harmonia da sua escrita, passando pela visão inquietante que transmite nos livros ou a relação que tinha com a música, são vários os temas que se adaptam ao escritor austríaco, e que prometem animar uma conversa feita de leituras e que procura acima de tudo despertar leituras, ou não fosse este um ciclo dedicado à literatura, apesar da comunicação e da ligação a todas as outras áreas artísticas, é ali que está o centro gravitacional.

A um passo do Euro 2008

A selecção nacional defronta amanhã a formação da Arménia e na quarta-feira a equipa da Finlândia. E em ambos os jogos Portugal está obrigado a vencer se desejar participar no Campeonato da Europa que se irá realizar no próximo ano na Áustria e Suíça. Relativamente aos outros grupos, destaque para a Itália e Inglaterra que estão em risco de não se qualificarem para o Euro 2008.

Sem margem para erro. Portugal joga amanhã diante a Arménia no Estádio de Leiria e na quarta-feira defronta a Finlândia. E para evitar “conta de última hora”, a formação orientada por Luis Felipe Scolari está obrigada a vencer os dois últimos desafios da fase de apuramento para o Campeonato Europeu 2008.
Com 12 desafios disputados, Portugal ocupa o segundo lugar do Grupo A com 23 pontos, menos um que o líder, Polónia. No total, a formação nacional soma seis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, tendo apontado 23 golos e sofrido 10. Já na terceira e quarta posição e à espera de um “deslize” da equipa das quinas, estão as equipas da Sérvia e Finlândia com 20 pontos, enquanto a Bélgica já está completamente fora da corrida pelos dois primeiros lugares do grupo e que dão acesso ao Europeu 2008, uma vez que conta com apenas 15 pontos. Nas posições seguintes estão a Arménia (9), Cazaquistão (7) e Azerbeijão (5).

Onze português

No desafio de amanhã, o seleccionador nacional Luiz Felipe Scolari irá cumprir o último jogo de castigo e terá de ver o desafio das bancadas. E como se não bastasse, o técnico brasileiro tem encontrado algumas dificuldades para estruturar a equipa, uma vez que alguns jogadores importantes, como Deco, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho e Miguel, encontram-se lesionados. Em todo o caso, Portugal deverá apresentar-se amanhã no típico 4-3-3, com Ricardo na baliza, Paulo Ferreira a defesa direito, Caneira a lateral esquerdo, enquanto Bruno Alves e o luso-brasileiro Pepe, que se irá estrear na formação nacional, serão a dupla de centrais. Já Miguel Veloso deverá ocupar a posição de trinco, enquanto Maniche e Simão deverão ocupar as outras duas unidades do meio-campo. Já Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma serão os jogadores responsáveis por descair para as alas, enquanto Hugo Almeida deverá ocupar a posição de ponta-de-lança.
A título de curiosidade, refira-se que em três jogos frente à Arménia, Portugal nunca perdeu, mas também só venceu por uma vez. Porém, o facto de o desafio se realizar em Leiria pode ser um bom indicador, uma vez que a selecção soma duas goleadas em outros tantos jogos já disputados no estádio da cidade do Lis.

Pepe estreia-se pela selecção nacional

Apesar de ter nascido no Brasil, o central Pepe notabilizou-se como futebolista em Portugal. E, após ter garantido a nacionalidade lusa, o defesa imediatamente disponibilizou-se para representar a selecção nacional. Uma decisão que foi bastante bem recebida pela Federação Portuguesa de Futebol e pelo seleccionador nacional, Luis Felipe Scolari, tal como sucedeu com Deco. Assim, Pepe, que actualmente represente o Real Madrid, deverá estrear-se amanhã por Portugal e afirmou durante esta semana: “Foi uma surpresa para toda a gente quando decidi representar Portugal em vez do Brasil. Sinto-me muito integrado no país onde joguei desde muito novo. Agora sinto-me na obrigação de contribuir para que Portugal consiga o apuramento para o Europeu”.
Já Scolari fez uma breve análise da Arménia e Finlândia: “Vejo estas duas equipas como adversários de qualidade. Cada uma tem os seus pontos fortes, mas são equipas que podem vir a Portugal e conseguir um bom resultado. Cabe-nos impossibilitar que eles cresçam em campo e que sejam melhores que nós”.

Itália e Inglaterra em risco

A Itália e Inglaterra estão em risco de não marcarem presença no Europeu 2008. No que diz respeito à formação transalpina, encontra-se no terceiro lugar do Grupo B com 23 pontos. Menos um que a Escócia que, no entanto tem mais um desafio e disputa esta semana o seu último jogo da fase de apuramento. Desta forma, Itália está obrigada a vencer os dois encontros para garantir um dos dois primeiros lugares do grupo. Refira-se ainda que a França lidera esta tabela com 25 pontos em 11 jogos (falta disputar um) e também não poderá facilitar se desejar marcar presença na competição mais importante do “Velho Continente”.
Já a Inglaterra, encontra-se numa posição mais delicada. A formação orientada por Steve McClaren encontra-se no segundo posto do Grupo E com 23 pontos em 11 desafios (faltando apenas um jogo para terminar a fase de qualificação, uma vez que este grupo tem sete equipas). Todavia, a Rússia segue na terceira posição com 21 pontos conquistados em 10 jogos; ou seja, em caso de vitória nos dois desafios em falta diante os conjuntos de Israel e Andorra, passará para a frente dos ingleses. Já a Croácia, que lidera a tabela com 26 pontos em 10 jogos, também terá de vencer os dois últimos encontros para evitar o não apuramento para o Euro 2008. E curiosamente um desses desafios será frente à Inglaterra que, como se sabe, está obrigada a vencer.

Cavaco antecipa nota máxima a Sócrates

Já não é preciso esperar pela mensagem de fim de Ano do Presidente da República para saber que Cavaco vai dar nota máxima a José Sócrates nas matérias em que tinha pedido resultados em 1 de Janeiro de 2007, desenvolvimento económico, educação e justiça. Ontem, no decurso da viagem ao Chile, onde participou na cimeira ibero-americana, Cavaco elogiou as “reformas profundas” que estão a ser feitas pelo governo em áreas como a administração pública, justiça, educação, segurança social, salientando, ainda, que a estrutura da economia portuguesa está a mudar muito rapidamente. Na semana em que Santana Lopes e Luís Filipe Menezes tiveram a sua prova de fogo com o debate do Orçamento de Estado, os elogios de Cavaco ao governo representam um duro golpe para a actual direcção do PSD.

Já não é preciso esperar pela mensagem de fim de Ano do Presidente da República para saber que Cavaco vai dar nota positiva a José Sócrates nas matérias em que tinha pedido resultados em 1 de Janeiro de 2007, desenvolvimento económico, educação e justiça. Na viagem ao Chile, onde participou na cimeira ibero-americana, Cavaco elogiou as “reformas profundas” que estão a ser feitas pelo governo, salentando, ainda, que a estrutura da economia portuguesa está a mudar muito rapidamente.
Na semana em que Santana Lopes e Luís Filipe Menezes tiveram a sua prova de fogo com o debate do Orçamento de Estado, as declarações de Cavaco representam um duro golpe. Ainda para mais, a estreia de Santana no Parlamento não foi muito feliz e a forma como o PS atacou o ex-primeiro-ministro laranja deixou um sabor amargo na actual direcção. Luís Filipe Menezes falou mesmo em falta de respeito para com Santana. Recorde-se que o gáudio de ministros e deputados do PS, que lembraram quase sempre o passado do governo de Santana, atingiu a sua expressão máxima quando o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, disse que Santana tinha ido “berrar” ao hemiciclo e que depois “desandou”. Ontem, no próprio dia das declarações de Cavaco, o governo alcançou a vitória de ver o OE para 2008 aprovado, sem, sequer, os votos desfavoráveis ou a abstenção dos deputados da Madeira. Sócrates estava, aliás, visivelmente, satisfeito e na parte da tarde deve ter aumentado a satisfação com as palavras do Presidente da República.
As declarações de Cavaco foram proferidas no último dia da sua viagem, perante empresários portugueses e chilenos. O Presidente da República disse que “as autoridades portuguesas estão a avançar com reformas profundas na administração pública, na justiça, na segurança social e em muitos outros domínios”. Cavaco Silva salientou os investimentos “muito, muito fortes” em domínios como a educação e formação profissional, sublinhando que são “uma condição de sucesso para vencer os desafios da globalização”. O Presidente fez ainda questão de frisar a mudança na estrutura da economia portuguesa, que já não passa só pelos têxteis, vestuário e calçado, a imagem de marca antiga que se tinha de Portugal. “A estrutura da economia portuguesa está a mudar muito rapidamente. Os têxteis, o calçado, já não são os principais produtos da exportação portuguesa.”. Cavaco Silva deu como exemplo dos novos modos de produção portugueses a montagem de autómoveis na fábrica Volkswagen de Palmela, “uma das mais modernas da Europa”.
Curiosamente, na mensagem presidencial de Ano Novo de 1 de Janeiro de 2007, que tanta polémica gerou, já que Cavaco exigiu resultados ao governo, encontram-se mencionadas as áreas que foram hoje alvo de elogios.
Na altura, o Presidente da República disse o seguinte: ” é muito importante que em 2007 se registem progressos claros em, pelo menos, três grandes domínios da nossa vida colectiva: desenvolvimento económico, educação e justiça.”
No que respeita à primeira área, Cavaco referiu, designadamente, que o Estado deve ser um potenciador do desenvolvimento económico e que “cabe aos empresários serem verdadeiros agentes da mudança, aumentando a produtividade, investindo mais e, sobretudo, investindo melhor, com uma aposta decisiva na inovação e na qualidade.”. Parece não haver dúvidas, com os elogios feitos às alterações estruturais na economia portuguesa que esta condição de há quase um ano esta preenchida.
No que respeita à segunda área, Cavaco referiu em Janeiro deste ano: “é importante que 2007 fique marcado por melhorias visíveis no funcionamento do nosso sistema de ensino”, adiantando que esta é uma tarefa que a todos deve mobilizar: professores, pais e alunos, cada um com a sua responsabilidade, mobilizados num quadro que cabe ao poder central e às autarquias orientar e apoiar.”. O presidente da República disse ainda: “o tempo urge. A qualidade no ensino, o estímulo à excelência e o combate sem tréguas ao insucesso e abandono escolar têm que ter sinais positivos já em 2007.” Também parece não haver dúvidas de que Cavaco vai dar uma nota positiva a Sócrates, muito alta até, face às declarações no Chile de que as reformas no ensino têm sido “muito, muito fortes”.
Por último, no que se refere à terceira área da mensagem de Ano, Cavaco referiu que “2007 é o ano em que devem ser concretizados passos decisivos para a melhoria do funcionamento do sistema de justiça”, esperando-se “dos protagonistas deste sector um contributo activo para a eficiência” do sector.. Também aqui não há dúvidas que o Presidente do Governo elogiou no Chile o governo nesta área, referindo-se expressamente ao sector.
O facto de Cavaco ter feito elogios às reformas na administração pública e na segurança social representa, igualmente, um duro golpe para os partidos à esquerda do PS, em particular o PCP, e para os sindicatos, que marcaram ontem uma greve geral para 30 de Novembro e que têm contestado no Parlamento e nas ruas, as políticas de Sócrates em relação à Função Publica, contestando a perda de direitos e regalias, e em relação à idade da reforma e às pensões, com aumento do limite para 65 anos e condições monetárias menores.