João Rendeiro monta estratégia para vender o BPP ao BCP

Ao mesmo tempo que no mercado se tem a percepção que Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto se vão entender, a exploração de alguma tensão interna no BPC, por parte de José Miguel Júdice e João Rendeiro, que vieram em entrevista, no jornal espanhol de Lisboa, atacar o fundador do banco e anunciar que já controlariam cerca de 27% da assembleia-geral, está a criar expectativa na reunião de segunda-feira. Depois do fracasso das OPA da PT e do BPI, parece claro que não há condições para novas tentativas de OPA hostis em Portugal, pelo que seria pura especulação essa possibilidade, e o facto do BPP aparecer nesta guerra, está a ser entendido como uma tentativa de João Rendeiro preparar a venda do seu banco ao BCP, nos próximos meses e com mais-valias significativas. Rendeiro, segundo fontes do mercado, poderia mesmo vir a estar disponível para integrar a administração do BCP.

Alguma imprensa tem referido que poderia haver alguma divisão dos órgãos sociais do Millennium bcp, nomeadamente entre o CAE e o Conselho Geral e de Supervisão (CGS), poderes que deverão ser clarificados em alterações estatutárias. O Banco Privado Português (BPP), que publicamente tem encabeçado a oposição às propostas de revisão dos estatutos do BCP, vai solicitar que a votação na assembleia-geral (AG) da próxima segunda-feira seja feita por voto secreto, tornando mais fácil o aparecimento de posições contrárias à proposta apresentada por Jardim Gonçalves, presidente do Conselho Geral e de Supervisão do banco, mesmo entre accionistas históricos, considerados fiéis da gestão e de Jardim Gonçalves.
A contagem de espingardas para a AG de segunda-feira começou, e à medida que o tempo passa e são conhecidos novos dados, confirma-se que, como avançava a notícia do “Jornal de Negócios” do passado dia 18 de Maio, estão criadas as condições para se formar uma minoria de bloqueio. Depois de João Rendeiro, presidente do BPP, ter dito ao “Diário Económico” que havia 20% do capital disposto a chumbar a polémica proposta de alteração de estatutos, ontem ficou a saber-se que o número subiu para 27%.
Este pode ser um dos últimos episódios de uma operação de marketing bem montada para obrigar o BCP a comprar o BPN a João Rendeiro e aos seus accionistas (do qual Francisco Pinto Balsemão é um dos principais) e assim aumentar a consolidação bancária no mercado português, onde cerca de 87% dos cativos já pertencem às cinco maiores instituições.
Na próxima assembleia-geral, na segunda-feira, 28 de Maio, o BCP vai conhecer a estratégia de Paulo Teixeira Pinto para os próximos anos e deliberar a adequação dos seus estatutos ao novo código das sociedades cotadas, incluindo a alteração dos processos de fusão ou cisão, que passam a ter o OK de 75% dos votos emitidos contra o limite de dois terços antes, mantendo que cada accionista vote até um máximo de 10%.

A nova estratégia de Paulo Teixeira Pinto

Depois do fracasso da OPA ao BPI e em vésperas da assembleia-geral mais decisiva do BCP, desde a sua fundação, o choque de interesses passou para a comunicação social. O Conselho Superior impediu o Conselho de Administração de ir além dos sete euros por acção, inviabilizando objectivamente a OPA ao BPI, e durante o último ano, o BCP esteve praticamente paralisado, conforme no início da semana reconhecia a UBS, perdendo quota de mercado, apesar de ter melhorado a sua “performance” de rentabilidade.
Fracassada a OPA, Paulo Teixeira Pinto tinha dois caminhos: ou fazia uma conferência de imprensa, acusando que aquele fracasso tinha sido o último acto de gestão de Jardim Gonçalves e imediatamente anunciava uma operação de valorização das acções dos accionistas do banco, por exemplo recomprando 10% do capital do BCP e apresentando um plano de cinco anos, prevendo os objectivos de remuneração – o que tornaria o BCP de tal maneira caro, que ninguém se atreveria a sonhar com uma OPA e muito menos hostil, ou, pelo contrário, deixava Jardim Gonçalves tomar a dianteira do processo de blindagem estatutária do banco, prejudicando os investidores de curto prazo. Leal a Jardim Gonçalves, foi este o caminho que o BCP acabou por seguir, mau grado o incómodo dentro da instituição e sobretudo os comentários de Bayão Horta, que, com mais de setenta anos, continua a influenciar o banco comercial criado em 1985, por Américo Amorim e pela antiga CISF de Hermínio Ferreira e Tavares Moreira.
Foi neste contexto que, depois de se ter retirado de funções executivas há dois anos, Jardim Gonçalves decidiu voltar a ter maior presença para assegurar a continuidade da estrutura de gestão do banco, apesar de a médio prazo vir a permitir novos arranjos no conselho de administração, nomeadamente com a entrada de novos gestores mais globais e orientados para o mercado europeu, tendo em atenção a impossibilidade de grandes crescimentos orgânicos em Portugal.

O ataque de Rendeiro

Percebendo a hesitação, os investidores especulativos habituais decidiram atacar o capital do BCP para provocarem a realização de mais-valias fáceis e rápidas – legítimo interesse no mercado de capital. Em primeiro lugar puseram, a correr na comunicação social, a possibilidade de uma OPA ao BCP e depois começaram a comprar acções. O ataque final conduzido já por João Rendeiro, do Banco Privado Português, numa estratégia pensada por José Miguel Júdice, um “neomaçon” que não gosta de Jardim Gonçalves – sobretudo depois dos problemas financeiros que teve -, mas que no caso aje como mandatário de Rendeiro.
A ideia destes senhores foi simples: juntaram um conjunto de investidores institucionais para dar dimensão à sua representação na assembleia-geral, e depois de tentarem desacreditar a estratégia do BCP, tentaram dividir publicamente Jardim Gonçalves de Paulo Teixeira Pinto, aproveitando a intriga tonta de Bayão Horta que, em público e em privado, não parou de atacar Paulo Teixeira Pinto (as razões privadas desse contencioso o SEMANÁRIO desconhece).
A estratégia, ao contrário do reconhecimento de uma simples “germanada” – o professor Germano Marques da Silva entendeu que a sua proposta de estatuto do banco deveria ser alterada para adequar o votado há um ano, à nova lei, o que naturalmente inclui a autocrítica de uma precipitação há doze meses atrás -, passou a ser a denúncia de um alegado assalto ao poder por parte da velha geração, alegadamente, ultrapassada, mas que não deixaria Paulo Teixeira Pinto gerir conveniententemente o banco.
Porém, nem Jardim Gonçalves, nem Paulo Teixeira Pinto, caíram na armadilha lançada por Júdice e Rendeiro. O CEO veio mesmo a público confirmar duas ideias: que tinha uma visão estratégica de longo prazo para o banco e um rumo definido para a criação de valor e, segundo, que havia sintonia entre Jardim Gonçalves e o próprio presidente do Conselho de Administração, relativamente às propostas de estatutos que serão discutidos na próxima assembleia-geral, que se realizará a 28 de Maio.
“Tenho uma visão estratégica de longo prazo, que aposta em fortalecer e expandir o Millennium bcp e transformá-lo num banco com maior escala, excelência, rendibilidade e protagonismo no panorama financeiro europeu”, disse Teixeira Pinto à Lusa.
“O Millennium bcp tem um rumo bem definido e confia no empenho e participação dos accionistas para assegurar a estabilidade e segurança dos seus activos”, referiu Teixeira Pinto.
Por outro lado, relativamente ao plano a apresentar aos accionistas, no “Investor day” , o presidente Teixeira Pinto disse à Reuters que “o Conselho de Administração Executivo (CAE) e os restantes órgãos sociais do Millennium bcp têm objectivos convergentes, que passam por ganhar escala, aumentar a rendibilidade e assumir maior protagonismo europeu”, referiu Paulo Teixeira Pinto.
O responsável adiantou que “o banco está focado no reforço da sua posição competitiva nos diversos mercados em que opera, apostando no desenvolvimento de novas oportunidades de negócio que permitam alavancar as suas competências e capacidades”.
O Chief Executive Officer (CEO) do maior banco privado de Portugal explicou que assim se irão “materializar os objectivos financeiros assumidos e consolidar a sua autonomia estratégica e identidade corporativa”.
“(Reconheço) a determinação e confiança do CAE e a identidade de objectivos e adequada conjugação de esforços com os restantes órgãos sociais, no sentido de alcançar as metas e compromissos de criação sustentada de valor”, disse, à Reuters, Paulo Teixeira Pinto.
“Tenho uma visão estratégica de longo prazo, que aposta em fortalecer e expandir o Millennium bcp e transformá-lo num banco com maior escala, excelência, rendibilidade e protagonismo no panorama financeiro europeu”, adiantou.

BPI não vai à assembleia-geral do BCP

Diante da polémica e depois do fracasso da OPA e do Banco Português de Investimento, que controla 7,2% do capital do Millennium bcp, ter decidido alienar a sua posição, Fernando Ulrich decidiu não estar presente na assembleia-geral, que decorre na próxima segunda-feira, 28 de Maio, nem através dos seus mais altos representantes (Artur Santos Silva e Fernando Ulrich), nem fazendo-se representar por advogados, o que, de alguma maneira, vem favorecer o grupo de bloqueio liderado por Rendeiro.
Porém, fonte oficial do banco liderado por Fernando Ulrich indicou ontem que, para o BPI, não é claro o que se está a passar no interior do BCP e que qualquer posição que viessem a tomar poderia ser sempre entendida como uma retaliação, depois da OPA abortada do BCP sobre o BPI.
Para a história desta assembleia-geral, recorde-se que vai ser discutida uma proposta de alteração dos estatutos, apresentada pelo presidente do Conselho Geral e de Supervisão do BCP, Jardim Gonçalves, que aponta no sentido da blindagem do capital do banco passar de 66% para 75% dos votos expressos em assembleia-geral e na designação da comissão executiva pelo Conselho Geral, quando actualmente é eleita em assembleia-geral.

BCP diz que altera estatutos para adequação directa ao novo código

O Banco Comercial Português insistiu durante toda a semana que havia notícias inexactas sobre as alterações estatutárias propostas à próxima assembleia-geral, e que elas se justificam com a adequação ao novo código das sociedades e avançou terem já a aprovação do Banco de Portugal.
Num comunicado enviado à CMVM, o BCP considerou “oportuno” o esclarecimento por tendo surgido, “na imprensa e em tomadas de posição de agências de aconselhamento accionista, notícias e comentários inexactos” sobre aspectos da proposta.
O banco diz que não é “correcto que se trate de uma proposta global que só globalmente possa ser votada”, estando “garantida, nos termos legais, a possibilidade de deliberação autónoma e separada da assembleia geral sobre qualquer uma das alterações estatutárias propostas”.
O BCP justifica a proposta de subir para 75 por cento dos votos emitidos para deliberação sobre certas alterações estatutárias, dizendo que limita-se “a reajustar a disposição estatutária ao que sempre vigorou no BCP e à maioria deliberativa que o Código dos Valores Mobiliários consagrou”.
Recorda ainda o BCP que ela vigorou no banco desde 1993 até Março de 2006 e foi alterada, porque estava em discussão um projecto de alteração que referia uma maioria de 2/3, que a própria CMVM veio a alterar, passando a prever o limiar de 75 por cento.
Também para justificar a proposta de designação, pelo Conselho Geral e de Supervisão, do Conselho de Administração Executivo, até agora eleito em AG, o banco recorre ao novo código.
“Corresponde a uma das modalidades previstas na lei”, referia o comunicado, “aliás, aquela que se aplica na ausência de disposição contrária dos estatutos e também a única que vigora em muitos países europeus”.
Sobre a faculdade de assistência do presidente do Conselho Geral e de Supervisão, Jardim Gonçalves, corrige que é “a mera reprodução” duma disposição legal e não é uma inovação, porque já está prevista nos estatutos da sociedade.
Recorde-se que os accionistas do BCP aprovaram, há pouco mais de um ano, o actual modelo organizativo de liderança do banco, elegendo Jardim Gonçalves para presidir ao Conselho Geral e de Supervisão, e outras alterações estatutárias.
As alterações, fundamentava na altura, tinham em vista “a adopção de um dos modelos previstos nas alterações aos códigos das sociedades comerciais aprovadas em Conselho de Ministros”, não se afastando “substancialmente do projecto divulgado pela CMVM”.
Num outro comunicado hoje emitido, o BCP dá conta de que o Banco de Portugal não se opôs às alterações estatutárias que vão a voto na AG da próxima segunda-feira.

BCP propõe Germano da Silva
e Ludgero Marques para presidir à AG

Entretanto, o Conselho Geral e de Supervisão do BCP vai propor na assembleia-geral (AG) de 28 de Maio, os nomes de Germano da Silva e Ludgero Marques para os cargos de presidente e vice-presidente da mesa da AG. Ambos são accionistas do banco, sendo que a carteira de Ludgero Marques está avaliada em mais de 700 mil euros.
Na próxima assembleia-geral (AG) de accionistas agendada para 28 de Maio, o Conselho Geral e de Supervisão do Banco Comercial Português (BCP) porá à votação novos nomes para a presidência e vice-presidência da mesa da AG. Actualmente, o presidente e vice-presidente da mesa da AG são Luís Neiva Santos e Miguel Galvão Teles.
O banco justifica a alteração com a recente alteração do código das sociedades comerciais; os requisitos de independência e o regime de incompatibilidade dos membros da AG para avançar com novos nomes.
Assim, Conselho Geral e de Supervisão vai propor os nomes de Germano da Silva, para a presidência da AG, e Ludgero Marques, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), para a vice-presidência do mesmo órgão. O Conselho Geral e de Supervisão é presidido por Jardim Gonçalves. Ludgero Marques é accionista do BCP desde a fundação do banco e tem assento no conselho superior do banco, órgão onde têm assento os maiores accionistas do banco. Ludgero Marques tem uma carteira com 221 740 acções do BCP, uma posição avaliada em 710 mil euros, a preços de mercado.
Germano da Silva também é accionista, com 6905 títulos do banco.
O código das sociedades comerciais não inibe que os membros da AG sejam accionistas do banco. O critério de independência só é violado se estes tiverem uma participação qualificada na sociedade, de mais de 2%, segundo o n.º 5 do artigo 414 do código.

Durão e Balsemão garantidos, Guterres pode estar presente

Os Bilderbergers europeus deverão aproveitar a reunião da Turquia de modo a tentar evidenciar as suas diferenças. O lamaçal do Iraque será revisto novamente, e com Tony Blair a sair de primeiro-ministro, poderá ser dito ao Reino Unido que devem, a todo o custo, fazer o que é necessário para integrar o seu país na Comunidade Europeia

O clube de Bilderberg, que junta figuras cimeiras do poder mundial, político, económico, financeiro e, nos últimos anos, cada vez mais dos media, reúne este ano em Istambul, de 31 de Maio a 3 de Junho, o que pode significar um novo “empurrão” à Turquia, num momento político muito complicado. Curiosamente, a Turquia vai ter eleições legislativas cruciais a 24 de Maio, que podem decidir o braço deferro entre duas concepções de país, um de componente mais islamista e outro mais laico.
Durão Barroso e Pinto Balsemão deverão ser partipantes garantidos na reunião, havendo a hipótese de António Guterres também estar presente. Outros dois nomes portugueses, figuras menos cimeiras, um mais à esquerda e outro mais à direita, também deverão estar em Istambul.. Recorde-se que, no ano passado, estiveram Augusto Santos Silva e Aguiar Branco.
Entretanto, o SEMANÁRIO, em contacto com o mais profundo conhecedor dos meandros de Bilderberg, o espanhol Daniel Estulin, que há muito investiga este clube dos poderosos (sendo autor do livro “O Clube de Bilderberg, ed. Temas e Debates), inteirou-se de alguns pontos quase certos da agenda deste ano.
Primeiro e mais importante, o esgotamento da energia, ruptura conhecida como “Peak Oil”. Os problemas de energia continuam, uma vez mais, a dominar as discussões no seio do Bilderberg de Istambul. O petróleo e o gás são escassos e são recursos não renováveis. Uma vez utilizados não poderão voltar a ser reutilizados. À medida que o mundo evolui e o petróleo e o gás natural vão desaparecendo, enquanto que a procura aumenta vertiginosamente, especialmente com as economias emergentes da Índia e da China, que querem ter todos os privilégios do estilo de vida americano, o Planeta ressente-se nas suas fontes naturais e no seu ecossistema. Atravessamos, de facto, o limiar da produção e descoberta de petróleo. A partir de agora, a única certeza que temos é que a oferta continuará a diminuir e os preços a aumentar. Nestas condições o conflito mundial parece uma certeza. Chegamos a um ponto de não retorno.
Para aqueles que percebem o verdadeiro choque de civilizações que nos espera num futuro muito próximo, o fim do petróleo significa o fim do sistema financeiro mundial, algo que já foi reconhecido pelo “Wall Street Journal” e o “Financial Times”, dois membros quase de pleno direito do círculo restrito da Bilderberg. Por exemplo, o relatório petrolífero da Goldman Sachs – outro membro da elite Bilderberg – publicado a 30 de Março de 2005 aumentou o preço do petróleo para o ano de 2005-06 de 55-80 dólares por barril para 55-105. Aliás, durante a reunião de 2006, os Bilderbergers confirmaram que a sua estimativa do preço do petróleo para 2007-08 continuava a pairar à volta dos 105-150 dólares por barril. Não admira que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso tenha anunciado, há meses atrás, durante a apresentação da política energética da União Europeia, que o tempo tinha chegado para uma era “pós-industrial”.
À medida que o crescimento económico se afunda e que os efeitos do “Peak Oil” se tornam evidentes face ao colapso da civilização, a América terá de renegociar os seus direitos a um estilo de vida que não pode mais financiar. Ao longo do processo, os Estados Unidos serão forçados a desafiar a Europa, a Rússia e a China pela hegemonia sobre o controlo e esvaziamento do hidrocarbono, reservas não renováveis, a maioria das quais estão depositadas no Médio Oriente.
Outro dos temas de Bilderberg deverão ser as relações europeias com a Rússia, não só no que respeita à Europa mas também à Ásia Central. Quanto ao conflito com o Irão, este tema também deverá estar, ao de leve, em cima da mesa. Os Bilderbergers europeus podem, aliás, ter comunicado aos Estados Unidos que, se eles querem guerra com o Irão, terão de a fazer sozinhos. Para além disso, com a França, a Rússia, o Japão e a China a investirem em força no Irão, o mundo desenhou uma linha na areia, e aos Estados Unidos será dito, na conferência, para não a ultrapassarem.
Por outro lado, os EUA e os Bilderbergers europeus deverão aproveitar a reunião da Turquia em 2007 de modo a tentar evidenciar as suas diferenças. O lamaçal do Iraque será revisto novamente, e com Tony Blair a sair do poder, deverá dito ao Reino Unido que devem, a todo o custo, fazer o que é necessário para integrar o seu país na Comunidade Europeia. Por último, deverá ser discutido em Istambul o que fazer para limpar as manchas que caíram no FMI e no Banco Mundial. Os membros Bilderberg norte-americanos querem resolvê-lo na Turquia. A Direcção do Banco Mundial quer Wolfowitz fora. Se ele conseguir chegar à Turquia, poderá apenas sobreviver como resultado de um compromisso de última hora.
Recorde-se que na reunião do ano passado, em Otava, estiveram presentes nomes como – para além dos portugueses Pinto Balsemão, Santos Silva e Aguiar Branco – Carl Bildt, Juan Luís Cébrian, Ahmad Chalabi, Edmund Clark, Kenneth Clarke, Mário Monti, George Osborne, Richard Pearle, David Rockeffeler, a Rainha da Holanda e o chinês Zhang Yi.

Com os olhos nos mais pequenos!

A aprendizagem cultural e as actividades para um público infanto-juvenil são cada vez mais procuradas. O número crescente de actividades e espectáculos para os mais novos merece agora um olhar mais atento. O CCB é uma das instituições com uma aposta mais forte neste segmento, através do Centro de Pedagogia e Animação, que procura incentivar o consumo cultural e a aprendizagem através da sua programação para o público infanto-juvenil. Destacamos agora algumas das experiências que consideramos mais enriquecedoras, para participar durante o mês de Maio.

Nas oficinas do Centro de Pedagogia e Animação do CCB podem encontrar-se algumas actividades que têm por origem ou por fim a leitura. O público-alvo são crianças, pais, professores, contadores de histórias, ilustradores, bibliotecários, todos aqueles que têm alguma relação com os livros. Amanhã, 19 de Maio, durante a tarde, as salas do CPA recebem professores, contadores, ilustradores e bibliotecários. “Contos de meter medo ao susto” é uma oficina de criação literária, através da análise dos objectos mágicos que vivem dentro dos contos que por alguma razão provocam o medo. A partir do livro “A Bruxa Arreganha-Dentes”, das suas imagens e da personagem, far-se-á um trabalho de recontar a história. Será ainda proposto um trabalho de criação de novos objectos mágicos, com os quais se constrói uma nova personagem e um novo conto de meter medo ao susto.
Também amanhã, durante a tarde, realiza-se uma outra oficina para pais e mães que gostam de contar histórias e para os seus filhos. “Histórias para pais e mães” é uma oficina em que é proposto a estes pais um percurso através da história das suas histórias, desde que as ouviram até que as começaram a contar. Esta oficina incide muito sobre o trabalho de voz e de expressão corporal, porque afinal os contos moram no corpo e é com ele que se podem fazer viver os textos que atravessam a nossa vida e que se transformam tantas vezes na nossa própria história.
Simultaneamente, acontece uma oficina de “Histórias para filhos”, onde os mais pequenos contadores de histórias se preparam para contar uma história aos pais e mães que precisam dela para viver e para adormecer.
No domingo também há uma actividade especial e cujo formato se tem vindo a repetir. “O Mercadinho da Primavera” é feito para meninos e meninas de todas as idades. A ideia é trazer tudo de casa: brinquedos, livros, comidinhas, canções, histórias. Qualquer coisa para a troca que se efectua nos jardins do CCB.
“Biblioteca de Mala Aviada” é para crianças a partir dos seis anos e outra actividade que tem como fim o impulso da leitura. Durante os meses de Maio e Junho, a biblioteca poderá ser usada em três formatos: a “Mala Aviada 1” consiste na ideia do professor ir buscar a mala ao Centro de Pedagogia e Animação (CPA) e pode utilizá-la na sua sala de aula como desejar, durante uma semana; a “Mala Aviada 2” proporciona o inverso, as crianças deslocam-se ao CPA e a mala passeia nas redondezas do Centro Cultural de Belém, com um bibliotecário especializado; por fim a “Mala Aviada 3” é a última hipótese, em que a mala se desloca à escola com um bibliotecário especializado. Esta biblioteca terá uma vida imensa, desaparecendo e reaparecendo em malas de viagem. Podem partir em qualquer direcção, desde Belém até ao ponto mais a norte de Portugal.
Dentro destas malas encontram-se mais que livros, encontram-se alimentos para a vontade de ler livros de outra forma. Os livros preparam-se para se entregarem de novo às árvores que lhes deram origem. A partir de um livro deitado numa mala, as crianças serão convidadas a criar folhas para colocarem numa árvore perto de si, que se transformará numa verdadeira história inventada por todos. Os livros afinal andam atrás da sua origem: a madeira. Quem passar por lá durante esse dia poderá ler um livro, ou apenas uma folha, ou toda uma história. O que interessa é o contacto com os livros.
Ainda em Maio a sala do Centro de Pedagogia e Animação recebe “A Galinha da Minha Vizinha”. Este é um espectáculo com criação e interpretação da companhia Circolando e de Graça Ochoa. Num mundo em que qualquer vizinha tem uma galinha melhor que a minha, costuram-se sonhos. Um espectáculo no qual a casa e o espaço se constroem com amigos imaginários que ocupam as horas livres. Sozinhos sentimo-nos mais livres e conseguimos deixar sair dos nossos baús fechados muitos sonhos e todas as histórias.
Depois de as crianças assistirem ao espectáculo “A Galinha da Minha Vizinha”, propõe-se a realização de uma oficina de dança. onde os principais estímulos para o movimento serão elementos do espectáculo. De 21 a 27 de Maio, para crianças dos 6 aos 12 anos.
E em Junho há mais! Momentos de cultura e de aprendizagem, mas também de diversão e brincadeira. Como estas há outras propostas de várias instituições culturais pelo país, basta estar de olhos postos nos mais pequenos. Um percurso cada vez mais trabalhado ao nível educativo pelas escolas e pelos pais. Não fique aí parado. Participe!

A oposição interna faz tréguas Ferreira Leite cauciona escolha

Manuela Ferreira Leite vai ser a mandatária da candidatura de Fernando Negrão à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, assumindo, com essa atitude, um claro apoio à escolha feita por Marques Mendes.
“Esta é boa notícia para o PSD, que esbate aquela ideia de que o candidato vai fazer uma campanha sozinho e sem meios de apoio, para além do círculo restrito ligado a Marques Mendes. Manuela Ferreira Leite é um peso pesado da política portuguesa e terá explicado, discretamente e sem alardes públicos, as razões por que não podia aceitar ser ela própria a candidata do PSD à Câmara de Lisboa, como seria o desejo inicial de Marques Mendes” – disse ao SEMANÁRIO, exultante, um dos principais dirigentes do PSD.

A escolha de Fernando Negrão é geralmente reconhecida como uma boa escolha, por todos os sectores do partido, não tendo passado despercebido o rasgado elogio que lhe fez Jorge Coelho, no programa “A Quadratura do Círculo” da SIC Notícias. A estratégia da oposição interna, como do PS, é subtil: “Fernando Negrão não merecia ser metido na alhada provocada em Lisboa… por Marques Mendes.” Dito de outro modo – a oposição interna não pode atacar Fernando Negrão, pelo seu currículo e sua postura política bem recente – foi ministro efémero do efémero governo de Santana Lopes. Daí que os santanistas afirmam que se trata de um bom candidato, mas estão convencidos de que “o PSD vai sofrer uma monumental derrota”. Luís Filipe Menezes não segue na mesma linha, mas não deixa de “arrasar” Marques Mendes, como fez ontem no seu artigo semanal no “Correio da Manhã: “Não fora a comiseração de alguma comunicação social subserviente, somada aos analistas que amam o politicamente correcto, e há muito que a direcção do PSD tinha perdido toda a margem de manobra.” Marques Mendes – diz sem citar o nome, “não conseguiu colocar de pé um projecto coerentemente alternativo, mas em contrapartida já não resiste às tiradas avulso de despropositada sofreguidão como a promessa de criar o Ministério das Pequenas e Médias Empresas”.
Sobre o candidato escolhido por Marques Mendes, escreve o fogoso autarca de Gaia: “Finalmente surge Fernando Negrão, com um currículo intocável (…), quer Negrão, quer as bases lutadoras de Lisboa, não mereciam tanta confusão. Contudo, a partir de agora nenhum social-democrata deve deixar de dar o seu contributo para o sucesso da batalha de Julho. A liderança de Lisboa é estratégica e insubstituível para um partido de oposição. O candidato é qualificado. Os militantes são incansáveis. Ainda é possível vencer.”
Por tudo isto, se percebe que, no PSD, o toque é agora a reunir, o que pode confortar Marques Mendes responsável, em última análise, pela escolha. O PSD vai jogar toda a sua artilharia pesada e todos os trunfos a favor e em benefício de Fernando Negrão. Até ao resultado do escrutínio de 1 de Julho, haverá paz interna no PSD. Para Marques Mendes, uma vitória será um estímulo em face da quarta derrota consecutiva que infligirá a José Sócrates. Para a oposição interna, um bom resultado do PSD dever-se-á exclusivamente a Fernando Negrão. Uma derrota humilhante do PSD desenterrará, definitivamente, o machado de guerra outra vez. Teremos de aguardar.

Discurso de Fernando Negrão com cinco pontos “essenciais”
Convidado a meio da tarde de terça-feira, apresentada oficialmente a sua candidatura anteontem, Fernando Negrão teve pouco tempo para preparar o seu discurso de apresentação. Ainda assim deixou algumas traves mestras, que, no mínimo, devem merecer a atenção dos eleitores de Lisboa. É uma peça bem construída e genuinamente baseada na experiência profissional e política que tem tido desde que entrou na vida activa. Daí que valha a pena referir “os cinco pontos essenciais” em que assentará a sua acção se for eleito presidente da Câmara:
– Uma câmara a funcionar de forma transparente, sem suspeitas e sem promiscuidades. “A título exemplificativo – diz – uma vez eleito assumirei pessoalmente o pelouro do Urbanismo.”
– “Quero uma Câmara a dar exemplos (…). Há vários anos que se instalou uma prática de um excesso de assessores do presidente da Câmara e dos vereadores (…), promoverei uma redução drástica do número de assessores.”
– “Quero uma Câmara a defender a sério junto do Governo os interesses e a competitividade da cidade de Lisboa (…) não aceitarei o projecto da Ota (…), em nome dos lisboetas não aceito a teoria do facto consumado.”
– “A situação financeira muito difícil da Câmara (…) desde já quero anunciar que encomendarei um estudo a uma instituição financeira nacional com vista à definição de soluções, metas e calendários concretos, para o saneamento das finanças do Município.”
– “A questão social. Lisboa tem problemas sociais graves; 32 mil idosos vivem em solidão, há muitos bairros degradados. (…) Darei uma prioridade especial à protecção social, ao combate à exclusão social (…).”
Um programa de acção, que vai ser desenvolvido ao longo da campanha eleitoral. Uma campanha de proximidade e de divulgação pública. Onde o PSD vai procurar ter uma grande capacidade de mobilização. O resto conhecer-se-á após o fecho das urnas e a contagem dos votos. Neste momento, em relação a Lisboa, sabendo os riscos, o PSD parece hoje um partido mais apaziguado. Sobretudo, mais unido.

Carmona Rodrigues não se candidata
e recusa apoiar qualquer candidatura

Carmona Rodrigues anunciou, ontem, em conferência de imprensa, que não é candidato nas próximas eleições intercalares à Câmara Municipal de Lisboa
“Tenho recebido inúmeros apoios e incentivos para a minha candidatura”, começou por dizer o ex-autarca, considerando que a cidade de Lisboa tem melhorado nos últimos anos, o que fez nomear várias intervenções operadas durante a sua presidências.
Ainda assim, entendeu não avançar como independente, depois do PSD lhe ter retirado a confiança e apontado Fernando Negrão como o seu candidato. Acompanhado dos “seus” vereadores Gabriela Seara, Fontão de Carvalho e Pedro Feist, anunciou a decisão.
“Só hoje (ontem) saí da Câmara Municipal de Lisboa. Tive de deixar a casa arrumada e mesmo assim ficaram coisas por fazer. Não é possível criar uma equipa em dois dias. Se o calendário fosse diferente a minha posição podia ser outra? Penso que sim, mas não há milagres”.
“Não há condições para me candidatar. Ponderei bem, mas foi esta decisão que tomei. Ponderei bem e espero que me compreendam”, anunciou, aproveitando para, mais uma vez, pedir desculpas aos lisboetas.
Mais uma vez, como já o tinha feito quando anunciou que não se demitia, Carmona Rodrigues voltou a criticar os partidos políticos, numa clara alusão à atitude tomada pelo PSD, pelo qual foi eleito como independente.
“Fui eleito pelo Povo e deposto pelos partidos”, considerou o ex-autarca.
Por outro lado, o ex-autarca de Lisboa aproveitou ainda a oportunidade para referir que não irá apoiar nenhum dos candidatos às eleições intercalares de 1 de Julho.

S. João da Madeira alarmada com efeitos na saúde

O ar que se respira na zona em que está implantada
a metalúrgica da Novolivacast está com níveis de partículas de ferro e outras muito acima dos níveis permitidos legalmente. A empresa já foi alertada, mas o processo de novos filtros para tentar laborar em termos legais só dará resultados em Outubro. Só depois se decidirá se a empresa continuará a laborar ou não. O presidente da edilidade, Castro Almeida, paciente, espera, mas diz que “a Câmara não está na disposição de ter no concelho empresas a qualquer custo”. Entretanto, a população na área teme efeitos nocivos na saúde.

Os portugueses estão a dedicar, cada vez mais, “especial atenção ao ambiente” e há mesmo casos em que “a população, sobretudo fora das grandes metrópoles, fica alarmada com os efeitos na saúde devido à poluição do meio onde vivem”.
O último caso que chegou até nós, respeita ao ar que se respira na área onde está implantada a metalúrgica Novolivacast – a actual designação da antiga Oliva – em S. João da Madeira, que terá atingido “valores de partículas, mormente de fero, acima dos níveis máximos permitidos pela legislação”.
A informação foi avançada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), que terá sido alertada por “preocupações crescentes dos moradores naquela área, que temem pela sua saúde”.
Enquanto a empresa não dá qualquer informação sobre estas queixas de uma Comissão de Moradores (que se constituiu para desencadear o processo de queixa), aquele organismo (CCDO-N) só garante que “até Outubro serão sanadas as dúvidas sobre se a empresa respeita, ou não, as condições ambientais imprescindíveis para laborar”.
De facto, a CCDR-N aguarda os resultados do “estudo à qualidade do ar na zona envolvente àquela indústria”, que exigiu na última reunião técnica – efectuada em conjunto com elementos da Direcção Regional de Economia do Norte (DREN) e da Administração Regional de Saúde (ARS) – uma vez que os últimos dados tinham “concluído que tinham sido ultrapassados os limites fixados por lei no que respeita à emissão de partículas”. Nessa altura, aquele órgão também exigiu à empresa em causa “a implementação de medidas e acções específicas para mitigar aqueles valores excessivos”.
Por outro lado, como o processo de licenciamento ambiental está ainda a decorrer e em aberto até ao final de Outubro, há tempo suficiente para se poder aferir, em termos definitivos, se as condições ambientais de laboração da Novolivacast são seguras para a saúde das populações vizinhas”.
Com o processo a decorrer ainda durante alguns meses, a CCDR-N está convicta que este processo “irá permitir concluir, ou não, pela eficácia das medidas e pela segurança ambiental, dentro das normas estabelecidas pela lei, mormente no que se refere aos efeitos sobre as pessoas da zona de vizinhança da metalúrgica”.
Por usa vez, fonte da DREN veio já informar que “a referida empresa estará já a testar filtros em algumas chaminés da fábrica, para tentar laborar em condições legais e sem prejuízo de ninguém”.

A qualquer preço: não

Face a este tipo de suspeitas, os residentes mais próximos formaram uma Comissão de Moradores, liderada por Adolfo Resende.
Diz: “Não temos certezas, mas nas nossas ruas tem havido muitos casos de cancro e temos receio de que estejam relacionados com a poluição que já vem dos tempos da Oliva”. Adianta que “apesar das promessas, dos novos responsáveis da empresa que sucedeu à primeira empresa, para resolver os problemas, está tudo praticamente na mesma”. Se algo melhorou foi apenas o barulho das máquinas que antes não deixava ninguém dormir, acrescenta Adolfo Resende.
Outros moradores lamentam que “vem aqui muita gente para ver e dizer de sua justiça, mas nada fizeram ou fazem para resolver o problema que acaba por afectar a nossa saúde”. Quanto ao presidente da Câmara de S. João da Madeira, Castro Almeida, garante que está atento e que aguarda os resultados do processo que está em curso para terminar com a poluição. Todavia vai dizendo que “a Câmara não está disponível para ter no concelho empresas a qualquer custo e muito menos quando desrespeitam normas legais de funcionamento e que afectam a saúde das populações”.