2020/09/26

A oposição interna faz tréguas Ferreira Leite cauciona escolha

Manuela Ferreira Leite vai ser a mandatária da candidatura de Fernando Negrão à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, assumindo, com essa atitude, um claro apoio à escolha feita por Marques Mendes.
“Esta é boa notícia para o PSD, que esbate aquela ideia de que o candidato vai fazer uma campanha sozinho e sem meios de apoio, para além do círculo restrito ligado a Marques Mendes. Manuela Ferreira Leite é um peso pesado da política portuguesa e terá explicado, discretamente e sem alardes públicos, as razões por que não podia aceitar ser ela própria a candidata do PSD à Câmara de Lisboa, como seria o desejo inicial de Marques Mendes” – disse ao SEMANÁRIO, exultante, um dos principais dirigentes do PSD.

A escolha de Fernando Negrão é geralmente reconhecida como uma boa escolha, por todos os sectores do partido, não tendo passado despercebido o rasgado elogio que lhe fez Jorge Coelho, no programa “A Quadratura do Círculo” da SIC Notícias. A estratégia da oposição interna, como do PS, é subtil: “Fernando Negrão não merecia ser metido na alhada provocada em Lisboa… por Marques Mendes.” Dito de outro modo – a oposição interna não pode atacar Fernando Negrão, pelo seu currículo e sua postura política bem recente – foi ministro efémero do efémero governo de Santana Lopes. Daí que os santanistas afirmam que se trata de um bom candidato, mas estão convencidos de que “o PSD vai sofrer uma monumental derrota”. Luís Filipe Menezes não segue na mesma linha, mas não deixa de “arrasar” Marques Mendes, como fez ontem no seu artigo semanal no “Correio da Manhã: “Não fora a comiseração de alguma comunicação social subserviente, somada aos analistas que amam o politicamente correcto, e há muito que a direcção do PSD tinha perdido toda a margem de manobra.” Marques Mendes – diz sem citar o nome, “não conseguiu colocar de pé um projecto coerentemente alternativo, mas em contrapartida já não resiste às tiradas avulso de despropositada sofreguidão como a promessa de criar o Ministério das Pequenas e Médias Empresas”.
Sobre o candidato escolhido por Marques Mendes, escreve o fogoso autarca de Gaia: “Finalmente surge Fernando Negrão, com um currículo intocável (…), quer Negrão, quer as bases lutadoras de Lisboa, não mereciam tanta confusão. Contudo, a partir de agora nenhum social-democrata deve deixar de dar o seu contributo para o sucesso da batalha de Julho. A liderança de Lisboa é estratégica e insubstituível para um partido de oposição. O candidato é qualificado. Os militantes são incansáveis. Ainda é possível vencer.”
Por tudo isto, se percebe que, no PSD, o toque é agora a reunir, o que pode confortar Marques Mendes responsável, em última análise, pela escolha. O PSD vai jogar toda a sua artilharia pesada e todos os trunfos a favor e em benefício de Fernando Negrão. Até ao resultado do escrutínio de 1 de Julho, haverá paz interna no PSD. Para Marques Mendes, uma vitória será um estímulo em face da quarta derrota consecutiva que infligirá a José Sócrates. Para a oposição interna, um bom resultado do PSD dever-se-á exclusivamente a Fernando Negrão. Uma derrota humilhante do PSD desenterrará, definitivamente, o machado de guerra outra vez. Teremos de aguardar.

Discurso de Fernando Negrão com cinco pontos “essenciais”
Convidado a meio da tarde de terça-feira, apresentada oficialmente a sua candidatura anteontem, Fernando Negrão teve pouco tempo para preparar o seu discurso de apresentação. Ainda assim deixou algumas traves mestras, que, no mínimo, devem merecer a atenção dos eleitores de Lisboa. É uma peça bem construída e genuinamente baseada na experiência profissional e política que tem tido desde que entrou na vida activa. Daí que valha a pena referir “os cinco pontos essenciais” em que assentará a sua acção se for eleito presidente da Câmara:
– Uma câmara a funcionar de forma transparente, sem suspeitas e sem promiscuidades. “A título exemplificativo – diz – uma vez eleito assumirei pessoalmente o pelouro do Urbanismo.”
– “Quero uma Câmara a dar exemplos (…). Há vários anos que se instalou uma prática de um excesso de assessores do presidente da Câmara e dos vereadores (…), promoverei uma redução drástica do número de assessores.”
– “Quero uma Câmara a defender a sério junto do Governo os interesses e a competitividade da cidade de Lisboa (…) não aceitarei o projecto da Ota (…), em nome dos lisboetas não aceito a teoria do facto consumado.”
– “A situação financeira muito difícil da Câmara (…) desde já quero anunciar que encomendarei um estudo a uma instituição financeira nacional com vista à definição de soluções, metas e calendários concretos, para o saneamento das finanças do Município.”
– “A questão social. Lisboa tem problemas sociais graves; 32 mil idosos vivem em solidão, há muitos bairros degradados. (…) Darei uma prioridade especial à protecção social, ao combate à exclusão social (…).”
Um programa de acção, que vai ser desenvolvido ao longo da campanha eleitoral. Uma campanha de proximidade e de divulgação pública. Onde o PSD vai procurar ter uma grande capacidade de mobilização. O resto conhecer-se-á após o fecho das urnas e a contagem dos votos. Neste momento, em relação a Lisboa, sabendo os riscos, o PSD parece hoje um partido mais apaziguado. Sobretudo, mais unido.

Carmona Rodrigues não se candidata
e recusa apoiar qualquer candidatura

Carmona Rodrigues anunciou, ontem, em conferência de imprensa, que não é candidato nas próximas eleições intercalares à Câmara Municipal de Lisboa
“Tenho recebido inúmeros apoios e incentivos para a minha candidatura”, começou por dizer o ex-autarca, considerando que a cidade de Lisboa tem melhorado nos últimos anos, o que fez nomear várias intervenções operadas durante a sua presidências.
Ainda assim, entendeu não avançar como independente, depois do PSD lhe ter retirado a confiança e apontado Fernando Negrão como o seu candidato. Acompanhado dos “seus” vereadores Gabriela Seara, Fontão de Carvalho e Pedro Feist, anunciou a decisão.
“Só hoje (ontem) saí da Câmara Municipal de Lisboa. Tive de deixar a casa arrumada e mesmo assim ficaram coisas por fazer. Não é possível criar uma equipa em dois dias. Se o calendário fosse diferente a minha posição podia ser outra? Penso que sim, mas não há milagres”.
“Não há condições para me candidatar. Ponderei bem, mas foi esta decisão que tomei. Ponderei bem e espero que me compreendam”, anunciou, aproveitando para, mais uma vez, pedir desculpas aos lisboetas.
Mais uma vez, como já o tinha feito quando anunciou que não se demitia, Carmona Rodrigues voltou a criticar os partidos políticos, numa clara alusão à atitude tomada pelo PSD, pelo qual foi eleito como independente.
“Fui eleito pelo Povo e deposto pelos partidos”, considerou o ex-autarca.
Por outro lado, o ex-autarca de Lisboa aproveitou ainda a oportunidade para referir que não irá apoiar nenhum dos candidatos às eleições intercalares de 1 de Julho.

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