À espera dos primeiros sinais das decisões e das nomeações

Subitamente o País encheu-se de rumores, de sugestões, de boatos e de notícias não confirmadas. O Presidente eleito, no passado domingo, arrumou papéis e rumou ao Algarve, onde descansa, reflecte e vai fazendo, discretamente, os contactos que entende mais urgentes. Na sua casa de Lisboa, e no dia seguinte à eleição, recebeu uma amiga de longa data, que é também jornalista do “Expresso” e da SIC – Maria João Avillez. Mas só amanhã se saberá se o “Expresso” traz algumas revelações sobre o que pensa fazer, no imediato, o novo inquilino do Palácio de Belém. Sintomático é, contudo, o silêncio dos principais colaboradores de Cavaco Silva no período da campanha eleitoral. O que avoluma os rumores…

Ramalho Eanes, futuro marechal da República. É um dos rumores, porventura o que politicamente terá menos impacto. Até agora o ex-Presidente tem recusado essa distinção, mas ele sabe que enquanto viver dificilmente alguém terá essa dignidade. Durão Barroso sondou-o, mas Ramalho Eanes quase que se arrepiava, pois a condição de marechal faria dele um conselheiro especial do ministro da Defesa, que então se chamava… Paulo Portas.
Eanes foi presidente da Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva e acompanhou o agora Presidente eleito em várias acções de campanha e foi um dos que não teve receio de pedir a sua eleição à primeira volta. Conselheiro de Estado vitalício, na sua condição de ex-Chefe do Estado, a ser elevado à condição de marechal, permaneceria no activo das Forças Armadas até ao fim da sua vida. Os marechais não passam à reserva. Como quer que seja, alguns obstáculos já foram superados E Ramalho Eanes tem condições novas para alguns protagonismos, numa colaboração estreita com Cavaco Silva. Pode, aliás, ajudá-lo na formação da sua Casa Militar. Aqui também surgiram alguns rumores, um dos quais apontava o general Rocha Vieira para chefe da Casa Militar, o que parece pouco provável, uma vez que não é da tradição presidencial nomear para esse importante cargo um oficial-general na reserva, por mais prestigiado que seja.
Laborinho Lúcio será o futuro procurador-geral da República? Alguns meios próximos de Cavaco Silva dizem que é o nome preferido pelo Presidente eleito, mas ao SEMANÁRIO não possível saber, sequer, se Cavaco Silva já pensou nisso. Alguns meios políticos e judiciais confessam que se trata de um bom nome. É magistrado, foi ministro da Justiça do próprio Cavaco Silva, foi responsável pelo Centro de Formação de Magistrados, conhecerá como poucos as teias complexas da Justiça. Tem fama de ser frontal e incorruptível e é um homem de consensos. É o ministro da República para os Açores, tem coabitado exemplarmente com Carlos César e mantém relações cordiais com o Executivo de José Sócrates. Tem boas condições para substituir Souto Moura, mas é cedo para se saber se é isso que vai acontecer.
Manuela Ferreira Leite, colaboradora essencial do novo Presidente e sua amiga de longa data, que papel vai ter daqui para a frente? Especulações não faltam. Para uns tem o perfil certo para ser chefe da Casa Civil, como o SEMANÁRIO referiu há uma semana. Tem experiência governativa, que é essencial para quem exerce essas funções, mas há quem julgue que Cavaco Silva vai preferir uma pessoa mais nova. Ferreira Leite poderá ser convidada para Conselheira de Estado, na quota de cinco que ao Presidente cumpre nomear. Essa circunstância não inibiria Ferreira Leite de regressar ao palco partidário, onde muita gente suspira por si e a vê como futura líder do PSD e instalada em S. Bento como primeira-ministra.
Alexandre Relvas, o “Mourinho” de Cavaco Silva, nas palavras do Presidente eleito, as quais, aliás, têm sido pretexto para aflorações diversas de ciúme políticos (o SEMANÁRIO testemunhou algumas… que guardará ara memórias…) que também revelam alguma incompreensão por um certo deslumbramento que Cavaco demonstrou ter pelo seu chefe de campanha. “O menino da Católica”, “no PSD ninguém o conhece”, “é arrogante e vaidoso”, foram os epítetos mais suaves que podem ser reproduzidos…
É cedo para averiguar se Alexandre Relvas, com a ajuda de Cavaco Silva, terá espaço de manobra para desempenhar a curto prazo um papel fulcral na política portuguesa. E se fala nisso é porque tem sido lançada à boca pequena a ideia de que Relvas poderia muito bem ser o futuro líder do PSD e chegar a S. Bento a tempo de coabitar alguns anos com Cavaco Silva. (Há, pelo menos, um familiar do novo Presidente, que insinuou essa probabilidade junto de várias personalidades, incluindo ex-ministros de Cavaco Silva. Certamente num acto à margem do conhecimento do Presidente eleito…) Para já o que é certo é que Alexandre Relvas tem compromissos empresariais de que não parece disposto a deixar. Além disso, o novo Presidente, pelo menos para já, não tem o mínimo espaço de manobra para interferir na vida interna do PSD. Além de que, em boa verdade, são excelentes as relações políticas e pessoais que mantém com Marques Mendes.

Encontro de Presidentes E com Sócrates, quando?…

Jorge Sampaio, o Presidente cessante, deve receber nos próximos dias, no Palácio de Belém, o seu sucessor. Apesar de terem sido antagonistas há dez anos, o tempo aproximou os dois homens, que desenvolveram sentimentos de amizade e de respeito. Hoje pode dizer-se, sem receio de errar, que Jorge Sampaio só dissolveu a Assembleia da República e convocou eleições antecipadas, que haviam de ditar a maioria absoluta do PS e a queda de Santana Lopes, depois de se certificar da concordância de Cavaco Silva. Melhor dizendo, depois de indagar se a ala cavaquista do PSD não levantaria ondas a tal controversa decisão. Essa consulta a Cavaco Silva permaneceu até agora em sigilo, nem Sampaio a revelou nos seus últimos escritos públicos.
É assim de esperar que a transição seja mais do que pacífica e que Sampaio facilite até ao limite, todas as solicitações que lhe forem feitas por Cavaco Silva. Após este encontro serão depois os futuros colaboradores de Cavaco Silva a entender-se com os assessores de Sampaio.
Está a gerar, alguma expectativa, o modo e a forma como Sócrates e Cavaco vão ter o primeiro encontro pessoal. Antes ou depois da posse?
Há 20 anos, quando foi eleito para Belém e antes de tomar posse, Mário Soares convidou o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, para um almoço. Cavaco fará o mesmo com Sócrates?
O novo Presidente e o actual primeiro-ministro deverão concertar, entre si, alguns pormenores essenciais no que toca, designadamente, aos convidados oficiais presentes na investidura, a 9 de Março. Sabe-se que, até por contraponto com Mário Soares – tendo em consideração as críticas veladas à pompa e circunstância que rodearam a posse de Soares, que refere na sua autobiografia política -, Cavaco Silva deverá ser muito sóbrio. Ainda assim afluirão a Lisboa a maior parte, se não mesmo a totalidade dos Chefes de Estado dos PALOP, Lula da Silva ou virá ou enviará o seu vice-presidente, Xanana Gusmão, Presidente de Timor, também deverá estar presente. Dos Estados Unidos virá ou o vice-presidente ou a secretária de Estado (a família Bush é amiga da família do novo Presidente português), e seguramente um representante das casas reais espanhola e britânica e, porventura, alguns Chefes de Estado da União Europeia. E todos estes convites devem ser acertados com José Sócrates, que aproveitará a ocasião para algumas conversações de natureza política.PC

Câmara de Lisboa dá luz verde para “salas de chuto”

A Câmara de Lisboa mostrou-se “aberta” à instalação de uma sala de injecção assistida na capital, como uma “experiência piloto”. Contudo, remete a decisão para depois do congresso internacional, em Junho, onde devem ser “analisados modelos de intervenção”, já aplicados noutros países. Com enquadramento legal desde 1999, a decisão passa pelas autarquias. O IDT perfilha a ideia de “existirem condições” para avançar, ainda este ano, com este projecto.

Desta vez parece que a instalação de “salas de chuto” começa a ganhar forma prática. João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), anunciou, no final da semana passada, a disponibilidade da edilidade liderada por Carmona Rodrigues, para avançar com o projecto, ainda no decurso deste ano. Segundo aquele responsável “há condições para realizar esta experiência-piloto, na proximidade de um grande centro de tráfico”, na capital lisboeta.
Já esta semana, o vereador Sérgio Lipari Pinto, responsável pela política de prevenção e combate à toxicodependência na Câmara Municipal de Lisboa, sublinhou que “nunca esteve, nem está, contra esse tipo de experiência na cidade de Lisboa”, embora o executivo camarário prefira que, “pela grande responsabilidade que tal decisão acarreta” se faça primeiro “um diagnóstico profundo e sério” do problema e se assuma “um compromisso entre todas as entidades públicas e privadas numa rigorosa avaliação de diagnóstico da situação actual”.
Ora, João Goulão entendeu estas palavras como um “começo”. Explicou: “A avaliação com base num diagnóstico local é já um pressuposto para a instalação.” A sua confiança de que “siga em frente” assenta no novo Plano Nacional de Combate à Droga – que está em fase de aprovação interministerial – no qual se prevê “a realização desses diagnósticos, com a participação de organismos do IDT, das autarquias e dos ministérios envolvidos”. E até chegou a prometer que haveria “um retrato da realidade e programas lançados antes de Julho”.

Mais complicado no Porto

A criação de salas de injecção assistida dispõem de enquadramento legal desde 1999. Segundo a sua lei, a decisão de as instalar deve passar pelas autarquias e pelas Organizações Não Governamentais (ONG).
Daí que Goulão se mostre convicto de que “a luz verde” do município lisboeta avance, com ou sem o congresso internacional de Junho, tanto mais que “há abertura do Governo, desde logo ao assumir o plano nacional contra a droga e toxicodependência. E teime em insistir com outra experiência-piloto no Porto, mais complicada, conhecida como é a oposição do autarca Rui Rio.
As salas de injecção assistida, avisa, “são uma resposta, não uma solução”, e a experiência “só faz sentido integrada numa rede alargada de dispositivos de redução de danos”. Assim, o IDT promete, como pivot de toda a acção, uma avaliação ao fim de um ano, para se fazerem ajustes se forem necessários “até em relação à legislação”.
O modelo ainda não está definido, pois “será discutido com os parceiros”. O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência diz apenas que, “como é habitual neste tipo de programas, a experiência-piloto será lançada na proximidade de um grande local de consumo, isto é, de um bairro de tráfico, e integrará, pelo menos, uma cabina destinada aos usuários de drogas não injectáveis”. Outro suporte inscrito no plano nacional é a instalação de máquinas de troca de seringas.

Medida controversa sempre adiada

Quem lida com este problema, sobretudo os especialistas, está de acordo numa coisa: “A situação dos toxicodependentes de fim de linha, mais degradados, em Lisboa e no Porto, é suficientemente grave para que se avance e não se fique à espera, mais uma vez, de diagnósticos que nunca mais chegam.”
Têm uma certa razão neste lamento, tendo em conta o historial passado. Com efeito, a criação de uma sala de injecção assistida era defendida pelo ex-presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, que chegou a visitar um espaço em Madrid, considerando-o “uma progressão natural de uma política global de redução de riscos”.
Depois, o seu sucessor, Santana Lopes, no final do mandato municipal, lamentou que não tenha conseguido criar uma sala de injecção assistida, justificando-se com “dificuldades de articulação da CML com o poder central”.
A última campanha eleitoral para as autárquicas é bem o registo desta medida controversa, aplaudida por uns e criticada por outros. Na verdade, só o Bloco de Esquerda, pela voz de José Sá Fernandes, ao visitar uma das principais zonas de tráfico e consumo de droga a céu aberto na capital – Anjos e Intendente – defendeu as salas de chuto.

Lobo Xavier desafia Ribeiro e Castro a pôr ordem no partido

António Lobo Xavier desafiou Ribeiro e Castro a colocar ordem no Grupo Parlamentar do CDS/PP, o que pode ser interpretado como uma abertura do caminho a Paulo Portas. Ribeiro e Castro tem uma conjuntura difícil pela frente e a circunstância de não ser deputado também não o ajuda. Uma entrada em conflito directo e aberto com a bancada do seu partido ainda pode fragilizar mais a sua posição.

António Lobo Xavier desafiou Ribeiro e Castro a colocar ordem no Grupo Parlamentar do CDS/PP. Esta quarta-feira, no programa da SIC-Notícias, “Quadratura do Círculo”, Lobo Xavier considerou que as declarações de vários deputados do CDS/PP, designadamente António Pires de Lima e Mota Soares sobre as eleições presidenciais e a vitória de Cavaco Silva são contrárias ao discurso e orientação do presidente do partido, Ribeiro e Castro, e dos órgãos do partido. Esta segunda-feira, Pires de Lima considerou que com a eleição de Cavaco, e Sócrates como primeiro-ministro, surge oportunidade para o CDS “ter um espaço muito interessante para fazer um discurso afirmativo e mobilizador” à direita. Pires de Lima ainda referiu que o PP tem de ser autónomo, sem cair na tutela presidencial, rematando que “se a liderança for competente, há um espaço em aberto”, numa provocação clara a Ribeiro e Castro. Por sua vez Mota Soares considerou que sem o apoio do PP, Cavaco não teria ganho, uma declaração idêntica à proferida por Narana Coissoró na noite das eleições. Ambos os deputados também consideraram que Cavaco não deve esquecer algumas batalhas caras ao PP, como a revisão constitucional e as leis laborais, traduzindo as contrapartidas que deverão ser exigidas ao novo inquilino eleito. Recorde-se que tanto Pires de Lima como Mota Soares são muito próximo de Paulo Portas, tendo desempenhado cargos directivos destacados no consulado do ex-ministro da Defesa.
As declarações dos dois deputados são, de facto, contraditórias com as declarações do líder do partido, que não exigiu nada a Cavaco nem estabeleceu metas ou novas linhas estratégicas para o futuro. Foi, neste quadro, que Lobo Xavier fez as suas criticas, chegando a dizer que com ele isso não aconteceria. No tempo da direcção de Paulo Portas, Lobo Xavier foi um importante aliado do ex-ministro da Defesa. Nos últimos tempos, por causa da candidatura de Cavaco, os dois homens divergiram, pelo menos no entusiasmo ao professor. Paulo Portas fez uma timída declaração de apoio a Cavaco, enquanto Lobo Xavier foi muito mais aberto. Há quem diga que Lobo Xavier está vaticinado para liderar um dia o CDS. Mas também há quem afirme que Lobo Xavier e Paulo Portas continuam com grandes pontos de convergência e que o primeiro nunca irá contra a posição do segundo. O facto de Lobo Xavier desafiar hoje Ribeiro e Castro a colocar ordem no partido pode ser mesmo interpretado como uma abertura do caminho a Paulo Portas. Ribeiro e Castro tem uma conjuntura difícil pela frente e a circunstância de não ser deputado também não o ajuda. Uma entrada em conflito directo e aberto com a bancada do seu partido ainda pode fragilizar mais a sua posição. Na hipótese do actual líder do PP entrar em ruptura com a bancada parlamentar, talvez envolvendo processos disciplinares, pode acontecer que os deputados passem a independentes, deixando Ribeiro e Castro ainda mais debilitado. O facto é que, no quadro dos estatutos do PP, os discursos contraditórios entre Ribeiro e Castro e a sua bancada parecem violar o que diz o artigo 56º dos estatutos sobre o grupo parlamentar do partido. O artigo refere que os deputados populares devem conformar as suas posições com a orientação fixada pelos órgãos deliberativos do partido e com as dirctivas emanadas da Comissão Política Nacional. Nos mesmos estatutos também se diz que, sem prejuízo da liberdade de opinião, os militantes devem defender a unidade e o fortalecimento do partido.
Nos últimos meses, a guerra entre o grupo parlamentar do PP, constituído por deputados afectos à antiga direcção de Paulo Portas, e a liderança de Ribeiro e Castro, conquistada já depois das eleições legislativas de Fevereiro de 2005, tem tido vários episódios. Há dois meses, quando se assistia a um crescendo das dissonâncias em torno da candidatura presidencial de Cavaco, os dois sectores chegaram a entrar em conflito por causa de um projecto sobre investigação médica ao nível das células estaminais. A bancada defendeu o projecto e Ribeiro e Castro rejeitou-o, colocando-se à direita dos deputados. Aliás, Ribeiro e Castro, tem surpreendido pelo discurso radical em algumas matérias. O líder do CDS/PP considerou recentemente que “o terrorismo era filho da esquerda” e que Che Guevara foi um assassino.

Cavaco espera ganhar à primeira volta mas está preparado para segunda

“A noite eleitoral da candidatura de Aníbal Cavaco Silva ocorrerá exclusivamente no Centro Cultural de Belém (…) funcionará uma sala de imprensa aberta a partir das 17 horas”. A informação, seca e com os pormenores técnicos destinados à comunicação social foi posta no site do candidato, com tempo suficiente para prevenir qualquer surpresa. Nada é dito como actuará o Professor Cavaco Silva se, como esperam todos os envolvidos directamente na campanha (e o próprio candidato…) for eleito, depois de amanhã, Presidente da República.

Em caso de eleição, é certo e seguro que Cavaco Silva tem preparado o discurso de vitória e deve partilhá-lo com os portugueses de modo sereno e nada exuberante. “As responsabilidades derivadas da eleição começam nesse instante e como Presidente eleito, Cavaco Silva sabe que não pode defraudar todos os que votaram nele, ainda que, como é normal, a chamada maioria presidencial não seja nenhum factor instrumental para o futuro. Essa maioria dissolve-se após o escrutínio” – disse ao SEMANÁRIO um dirigente do PSD que tem acompanhado de perto a campanha.
Como se sabe o Centro Cultural de Belém é o principal ex-libris do consulado de dez anos de Cavaco Silva à frente do Governo e foi utilizado, pela primeira vez, na primeira presidência portuguesa da União Europeia. O local, sendo emblemático, justifica que ali faça quartel general o Prof. Cavaco Silva na noite das eleições. O discurso depois de conhecidos os resultados deverá ocorrer num dos auditórios do CCB. Não foi possível saber se na noite de domingo haverá acesso do público ao CCB, particularmente ao grande auditório, se Cavaco se restringe ao discurso através das Televisões e das Rádios ou se envolverá em qualquer manifestação popular, no caso de ser eleito.
Hoje o último dia de campanha, Cavaco Silva estará na cidade de Lisboa, em dois locais muito movimentados da cidade nos derradeiros contactos com a população. Por volta do meio dia percorrerá a avenida da Igreja, almoça na Cervejaria Trindade e inicia a digestão na Brasileira do Chiado, ponto de partida para um passeio pela Baixa. O Comício de encerramento foi marcado para as 21H30 no Pavilhão atlântico, já que à meio noite tudo tem de estar terminado, para dar lugar ao chamado dia de reflexão, expressamente previsto nas Leis eleitorais. Sábado vai ser, assim , um espaço em que a comunicação social fica como que amordaçada sem poder referir-se a qualquer aspecto, mínimo que seja, sobre qualquer tema relacionado com a campanha, os candidatos, as previsões, as intenções ou até de simples menção social. Essa obrigação é extensiva aos jornais de domingo, com excepção das referencias pontuais e estritamente noticiosas relacionadas com o acto eleitoral. Por isso mesmo, todas as sondagens, inquéritos de opinião ou simples previsões de resultados têm como limite de publicação, esta sexta feira.
Ontem cavaco Silva andou pelo distrito de Viseu, foi a S. Pedro do Sul, e cujo concelho nasceu o antigo secretário geral do PCP, Carlos Carvalhas, com quem, aliás, Cavaco Silva mantém boas relações no domínio pessoal. É que Carvalhas, foi há muitos anos vice presidente de Cavaco Silva, quando este, longe ainda da liderança do PSD, foi Presidente do Conselho Nacional do Plano. E depois foi a Lamego, que é a terra de Fernando do Amaral, presidente da assembleia da República, no tempo do primeiro Governo de Cavaco Silva. Os dois políticos desentenderam-se e tiveram até um conflito que azedou irremediavelmente as suas relações, a propósito de uma deslocação de uma delegação da Assembleia da República ao leste europeu. Fernando do Amaral, hoje aposentado, apoia a candidatura de Mário Soares e não fez como Fernando Nogueira, isto é não se reconciliou com o agora candidato presidencial. Por isso, ontem em Lamego não houve reencontro…
O comício de Viseu, ontem à noite iniciou-se já na fase de impressão desta edição do SEMANÁRIO, pelo não pudemos confirmar o que nos disse um dirigente distrital do PSD: “Viseu vai provar hoje, inequivocamente que não deixou de ser o cavaquistão!” Mais de cinco mil pessoas no comício da cidade de Viriato era a previsão desse dirigente.

Mensagem aos emigrantes
Apelo ao voto nas presidenciais

Com data de segunda feira passada, Cavaco Silva dirigiu uma mensagem aos “Portuguesas e portugueses da Diáspora” onde pede a todos “que votem nas eleições para o Presidente da república” que decorrem nos mais diversos consulados de Portugal espalhados pelo Mundo, entre hoje e domingo.
A mensagem pode incluir-se como uma manifestação de campanha pois Cavaco Silva não deixa de recordar que “o direito de voto dos portugueses não residentes em Portugal nas eleições presidenciais só foi conseguido com grande esforço num processo em que me envolvi convictamente no passado, contra muitos que hoje se afirmam como paladinos das nossas comunidades”
Cavaco Silva revela cinco prioridades “para uma política de afirmação de Portugal no Mundo, em estreita ligação com as nossas Comunidades: Aposta na divulgação da nossa Língua e dos nossos valores Históricos; reforço e participação cívica e política dos portugueses da Diáspora; acompanhamento dos problemas sociais dos emigrantes; valorização dos casos de sucesso nos mais variados domínios; e a melhoria dos instrumentos de ligação política e administrativa com as nossas comunidades”
Nesta sua mensagem, Cavaco reitera os seus compromissos com as comunidades, no caso de ser eleito: Deslocações periódicas às mais diversas comunidades para além de criar “pela primeira vez uma assessoria política para as comunidades portuguesas no âmbito dos serviços da Presidência da República”

Ideias “simples” na “recta final

Numa das suas “Notas do Candidato”, Cavaco Silva disserta sobre”um conjunto de ideias simples, mas ambiciosas que procurará transmitir na fase derradeira da campanha e que são, nas suas próprias palavras:
“Em primeiro lugar; Portugal tem a capacidade, a força interior, para fazer mais e melhor; segundo: Todos temos que entender o mundo todos os dias diferente que vivemos e que, desejavelmente, ajudaremos também a mudar; terceiro: este mundo exige mais de cada um de nós e esta é a nossa maior e derradeira oportunidade; quarto: urge passar a uma fase de tranquilidade política, em que os portugueses se possam concentrar nas grandes tarefas nacionais” E, logo a seguir, entre outras considerações, a seguinte frase: “Tenho procurado ser nesta campanha, a voz da esperança”
É nesta sequência que em Coimbra, anteontem, num vigoroso pedido de apoio, proclamava Cavaco Silva: “Não descansem até ao próximo domingo: Eu quero os portugueses mais unidos e se for eleito serei, indiscutivelmente, o Presidente de todos os portugueses”. Na cidade do Mondego, alguém respondeu: “Coimbra inteira quer Cavaco à primeira”, O repto está lançado, o tempo de campanha prestes a esgotar-se. Como disse Cavaco, esta semana na Figueira da Foz : “Todos têm de ser responsabilizados nesta hora de voto”. Uma frase que em uníssono nacional só merece um “ámen”!PC

Henrique Medina Carreira

No próximo dia 22 deverá ser eleito o próximo Presidente da República.
Atravessamos a crise mais generalizada, mais profunda, mais demorada e mais perigosa dos últimos trinta anos.
A nossa escolha tem agora de ser muito clara: ou queremos continuar como somos e ficaremos cada vez mais pobres, ou aceitamos mudar de vida para sermos mais europeus e mais ricos.
Enfrentamos a derradeira oportunidade democrática em vários anos: pela “conservação” ou pela “mudança”; pelo “marasmo” ou pela “prosperidade”.
O Presidente da República não tem poderes para fazer tudo. Mas tem poderes para estragar quase tudo. Sejamos sérios: sem economia o Estado Social torna-se um arremedo e a Democracia uma caricatura.
Não se brinque com a economia porque os pobres e os desempregados têm direito à vida.
Vamos todos votar no Prof. Cavaco Silva.

João Lobo Antunes
(Mandatário Nacional)

O tempo exige que Cavaco Silva seja Presidente de todos os que aqui vivem, dos que aqui nasceram e dos que para cá emigraram.
Ele traz consigo o conhecimento reflectido e profundo de Portugal, e um entendimento claro das exigências da modernidade. Traz ainda duas qualidades indispensáveis para um estadista – realismo e visão – e um estofo moral que se exprime na coerência entre aquilo em que acredita e aquilo que pratica.
Nunca, em anos recentes, a foi escolha tão clara; nunca, em anos recentes, será essa escolha tão decisiva. Ela é, naturalmente, a escolha de um homem, a escolha de Cavaco Silva, mas é, acima de tudo, uma escolha por Portugal.
Queremos, consigo, construir de novo a esperança.

Todos querem censurar o Google Earth

Nada mais confortável que viajar pelo mundo sem sair da frente do computador. É esse o serviço que o Google Earth oferece: palmilhar o planeta através de imagens de satélite com pormenor suficiente para ver o automóvel que estacionou à frente de casa. Mas, se para a maior parte das pessoas esta é uma ferramenta lúdica e inofensiva, para muitos políticos e militares o Google Earth tem de ser encerrado. Sustentam que esta é uma poderosa arma nas mãos dos terroristas que passam a conhecer a localização exacta de bases militares, centrais nucleares e residências oficiais de estadistas. Esta é uma matéria que abrirá um precedente, quer se decida pela censura, quer pela legitimidade da defesa interna.

O Google Earth é um programa de acesso gratuito que permite a visualização de imagens de satélite de todo o planeta. Consiste num software que é descarregado gratuitamente para o computador pessoal. Usa-
-se para “sobrevoar” cidades, ruas, florestas e montanhas de todo o mundo. Basta digitar um endereço, ou a latitude e longitude de um qualquer lugar e a imagem correspondente aparece. Depois dos protestos dos utilizadores, as imagens mais polémicas de certos locais sensíveis da capital americana, como o domicílio do Presidente Bush ou o Capitólio foram substituídas por outras, não censuradas. Com excepção do Observatório Naval dos Estados Unidos da América, residência oficial do vice-presidente Dick Cheney, que continua fortemente pixelizada. De onde vem, então, a censura? Provavelmente os Serviços Secretos dos EUA já trataram de proteger a segurança das personalidades oficiais norte-americanas.
O mais célebre dos motores de busca não acusa o toque. Responde dizendo que usa apenas imagens que já tinham sido disponibilizadas e publicadas por outras. De facto, uma parte das imagens de alta resolução de Washington provém, por exemplo, de um serviço geológico americano (US Geological Survey, uma agência científica federal). O programa WorldWind, equivalente ao GoogleEarth, publicado um ano antes pela NASA, permite igualmente constatar que as últimas imagens captadas em 2002 estão censuradas, enquanto as de 1998 não estão. Poder-se-á pensar que esta alteração é reflexo do desejo crescente de segurança interna norte-americana pós–11 de Setembro. Mas isso não explica por que razão o telhado e a piscina da Casa Branca foram disfarçadas grosseiramente enquanto que o Pentágono, a escassos quilómetros de distância, é visível em alta resolução e exibe claramente a reconstrução feita na ala oeste, depois dos ataques de 11 de Setembro.
Os EUA não são os únicos a esconder os seus locais mais sensíveis. Índia, Coreia do Sul, Austrália e Tailândia já vieram a público mostram a sua indignação perante o que consideram ser uma violação da sua intimidade territorial. Os potenciais alvos mais citados são os edifícios oficiais, as instalações militares e os locais industriais como as centrais nucleares. Por enquanto só um país dispõe de privilégios no âmbito da lei americana: a resolução máxima das imagens comerciais de Israel não podem ultrapassar os dois metros por pixel.
De facto, os diferentes países não são tratados da mesma forma: no Google Earth somente os EUA dispõem de uma cobertura quase total com boa resolução. Nos restantes países, a cobertura por satélite é de qualidade média.
Quantos aos riscos do Google Earth, uma sociedade francesa, a Fleximage, citada por uma revista, diz que censurar a imagens não é a solução: “Essa censura só terá uma consequência: atrair ainda mais os olhares dos curiosos.”

Ataques terroristas na mira

Estas imagens que o Google Earth disponibiliza oferecem ao internauta uma viagem pelo mundo sem sair da frente do ecrã do computador. É, assim, possível dar uma espreitadela a um campo de batalha e acabar o trajecto junto às pirâmides do Egipto ou no Taj Mahal. Mas não é o aspecto lúdico que está a incomodar meio mundo. As críticas concentram-se na disponibilização de locais sensíveis, como são as bases militares americanas no Iraque, os campos de prisioneiros de Guantanamo ou as centrais nucleares. Motivos mais que suficientes para vários países terem solicitado ao Google a suspensão do serviço, que apesar de não ser o único é o mais visitado.

A Coreia do Sul já enviou um comunicado a Bush em que fala do perigo que o Google Earth encerra, argumentando que as imagens mostram a localização exacta do palácio presidencial e de outras localizações estratégicas do país. Antes, foi a Austrália que se indignou com a existência de imagens do seu único reactor atómico “HIFAR”, usado para produzir matéria destinada à área médica. A Holanda não se ficou por pedidos e exigiu mesmo o encerramento do Google Earth.
Os militares americanos, na mesma linha de ideias, também manifestaram o seu incómodo face ao serviço. O capitão Josué Thompson, comandante de uma base aérea próxima de Bagdad, declarou à NBC que “as imagens do Google expõem a base ao ataque dos rebeldes iraquianos”.
Por enquanto a internet ainda consegue fugir às leis que regem o mundo físico. A questão que se coloca é até quando.

Veja também Google TV e outro equipamento informático.