2020/01/26

Cavaco espera ganhar à primeira volta mas está preparado para segunda

“A noite eleitoral da candidatura de Aníbal Cavaco Silva ocorrerá exclusivamente no Centro Cultural de Belém (…) funcionará uma sala de imprensa aberta a partir das 17 horas”. A informação, seca e com os pormenores técnicos destinados à comunicação social foi posta no site do candidato, com tempo suficiente para prevenir qualquer surpresa. Nada é dito como actuará o Professor Cavaco Silva se, como esperam todos os envolvidos directamente na campanha (e o próprio candidato…) for eleito, depois de amanhã, Presidente da República.

Em caso de eleição, é certo e seguro que Cavaco Silva tem preparado o discurso de vitória e deve partilhá-lo com os portugueses de modo sereno e nada exuberante. “As responsabilidades derivadas da eleição começam nesse instante e como Presidente eleito, Cavaco Silva sabe que não pode defraudar todos os que votaram nele, ainda que, como é normal, a chamada maioria presidencial não seja nenhum factor instrumental para o futuro. Essa maioria dissolve-se após o escrutínio” – disse ao SEMANÁRIO um dirigente do PSD que tem acompanhado de perto a campanha.
Como se sabe o Centro Cultural de Belém é o principal ex-libris do consulado de dez anos de Cavaco Silva à frente do Governo e foi utilizado, pela primeira vez, na primeira presidência portuguesa da União Europeia. O local, sendo emblemático, justifica que ali faça quartel general o Prof. Cavaco Silva na noite das eleições. O discurso depois de conhecidos os resultados deverá ocorrer num dos auditórios do CCB. Não foi possível saber se na noite de domingo haverá acesso do público ao CCB, particularmente ao grande auditório, se Cavaco se restringe ao discurso através das Televisões e das Rádios ou se envolverá em qualquer manifestação popular, no caso de ser eleito.
Hoje o último dia de campanha, Cavaco Silva estará na cidade de Lisboa, em dois locais muito movimentados da cidade nos derradeiros contactos com a população. Por volta do meio dia percorrerá a avenida da Igreja, almoça na Cervejaria Trindade e inicia a digestão na Brasileira do Chiado, ponto de partida para um passeio pela Baixa. O Comício de encerramento foi marcado para as 21H30 no Pavilhão atlântico, já que à meio noite tudo tem de estar terminado, para dar lugar ao chamado dia de reflexão, expressamente previsto nas Leis eleitorais. Sábado vai ser, assim , um espaço em que a comunicação social fica como que amordaçada sem poder referir-se a qualquer aspecto, mínimo que seja, sobre qualquer tema relacionado com a campanha, os candidatos, as previsões, as intenções ou até de simples menção social. Essa obrigação é extensiva aos jornais de domingo, com excepção das referencias pontuais e estritamente noticiosas relacionadas com o acto eleitoral. Por isso mesmo, todas as sondagens, inquéritos de opinião ou simples previsões de resultados têm como limite de publicação, esta sexta feira.
Ontem cavaco Silva andou pelo distrito de Viseu, foi a S. Pedro do Sul, e cujo concelho nasceu o antigo secretário geral do PCP, Carlos Carvalhas, com quem, aliás, Cavaco Silva mantém boas relações no domínio pessoal. É que Carvalhas, foi há muitos anos vice presidente de Cavaco Silva, quando este, longe ainda da liderança do PSD, foi Presidente do Conselho Nacional do Plano. E depois foi a Lamego, que é a terra de Fernando do Amaral, presidente da assembleia da República, no tempo do primeiro Governo de Cavaco Silva. Os dois políticos desentenderam-se e tiveram até um conflito que azedou irremediavelmente as suas relações, a propósito de uma deslocação de uma delegação da Assembleia da República ao leste europeu. Fernando do Amaral, hoje aposentado, apoia a candidatura de Mário Soares e não fez como Fernando Nogueira, isto é não se reconciliou com o agora candidato presidencial. Por isso, ontem em Lamego não houve reencontro…
O comício de Viseu, ontem à noite iniciou-se já na fase de impressão desta edição do SEMANÁRIO, pelo não pudemos confirmar o que nos disse um dirigente distrital do PSD: “Viseu vai provar hoje, inequivocamente que não deixou de ser o cavaquistão!” Mais de cinco mil pessoas no comício da cidade de Viriato era a previsão desse dirigente.

Mensagem aos emigrantes
Apelo ao voto nas presidenciais

Com data de segunda feira passada, Cavaco Silva dirigiu uma mensagem aos “Portuguesas e portugueses da Diáspora” onde pede a todos “que votem nas eleições para o Presidente da república” que decorrem nos mais diversos consulados de Portugal espalhados pelo Mundo, entre hoje e domingo.
A mensagem pode incluir-se como uma manifestação de campanha pois Cavaco Silva não deixa de recordar que “o direito de voto dos portugueses não residentes em Portugal nas eleições presidenciais só foi conseguido com grande esforço num processo em que me envolvi convictamente no passado, contra muitos que hoje se afirmam como paladinos das nossas comunidades”
Cavaco Silva revela cinco prioridades “para uma política de afirmação de Portugal no Mundo, em estreita ligação com as nossas Comunidades: Aposta na divulgação da nossa Língua e dos nossos valores Históricos; reforço e participação cívica e política dos portugueses da Diáspora; acompanhamento dos problemas sociais dos emigrantes; valorização dos casos de sucesso nos mais variados domínios; e a melhoria dos instrumentos de ligação política e administrativa com as nossas comunidades”
Nesta sua mensagem, Cavaco reitera os seus compromissos com as comunidades, no caso de ser eleito: Deslocações periódicas às mais diversas comunidades para além de criar “pela primeira vez uma assessoria política para as comunidades portuguesas no âmbito dos serviços da Presidência da República”

Ideias “simples” na “recta final

Numa das suas “Notas do Candidato”, Cavaco Silva disserta sobre”um conjunto de ideias simples, mas ambiciosas que procurará transmitir na fase derradeira da campanha e que são, nas suas próprias palavras:
“Em primeiro lugar; Portugal tem a capacidade, a força interior, para fazer mais e melhor; segundo: Todos temos que entender o mundo todos os dias diferente que vivemos e que, desejavelmente, ajudaremos também a mudar; terceiro: este mundo exige mais de cada um de nós e esta é a nossa maior e derradeira oportunidade; quarto: urge passar a uma fase de tranquilidade política, em que os portugueses se possam concentrar nas grandes tarefas nacionais” E, logo a seguir, entre outras considerações, a seguinte frase: “Tenho procurado ser nesta campanha, a voz da esperança”
É nesta sequência que em Coimbra, anteontem, num vigoroso pedido de apoio, proclamava Cavaco Silva: “Não descansem até ao próximo domingo: Eu quero os portugueses mais unidos e se for eleito serei, indiscutivelmente, o Presidente de todos os portugueses”. Na cidade do Mondego, alguém respondeu: “Coimbra inteira quer Cavaco à primeira”, O repto está lançado, o tempo de campanha prestes a esgotar-se. Como disse Cavaco, esta semana na Figueira da Foz : “Todos têm de ser responsabilizados nesta hora de voto”. Uma frase que em uníssono nacional só merece um “ámen”!PC

Henrique Medina Carreira

No próximo dia 22 deverá ser eleito o próximo Presidente da República.
Atravessamos a crise mais generalizada, mais profunda, mais demorada e mais perigosa dos últimos trinta anos.
A nossa escolha tem agora de ser muito clara: ou queremos continuar como somos e ficaremos cada vez mais pobres, ou aceitamos mudar de vida para sermos mais europeus e mais ricos.
Enfrentamos a derradeira oportunidade democrática em vários anos: pela “conservação” ou pela “mudança”; pelo “marasmo” ou pela “prosperidade”.
O Presidente da República não tem poderes para fazer tudo. Mas tem poderes para estragar quase tudo. Sejamos sérios: sem economia o Estado Social torna-se um arremedo e a Democracia uma caricatura.
Não se brinque com a economia porque os pobres e os desempregados têm direito à vida.
Vamos todos votar no Prof. Cavaco Silva.

João Lobo Antunes
(Mandatário Nacional)

O tempo exige que Cavaco Silva seja Presidente de todos os que aqui vivem, dos que aqui nasceram e dos que para cá emigraram.
Ele traz consigo o conhecimento reflectido e profundo de Portugal, e um entendimento claro das exigências da modernidade. Traz ainda duas qualidades indispensáveis para um estadista – realismo e visão – e um estofo moral que se exprime na coerência entre aquilo em que acredita e aquilo que pratica.
Nunca, em anos recentes, a foi escolha tão clara; nunca, em anos recentes, será essa escolha tão decisiva. Ela é, naturalmente, a escolha de um homem, a escolha de Cavaco Silva, mas é, acima de tudo, uma escolha por Portugal.
Queremos, consigo, construir de novo a esperança.

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