Sócrates “intoxica o debate político”

Em final de campanha, o SEMANÁRIO entrevista um dos principais estrategas por detrás da “máquina laranja”, António Leitão Amaro. Depois de um resultado surpreendente nas Europeias, o candidato a deputado faz uma resenha da campanha e das expectativas do partido, para o dia 27 de Setembro.

Entrevista a António Leitão Amaro, secretário-geral da JSD

Em final de campanha, o SEMANÁRIO entrevista um dos principais estrategas por detrás da “máquina laranja”, António Leitão Amaro. Depois de um resultado surpreendente nas Europeias, o candidato a deputado faz uma resenha da campanha e das expectativas do partido, para o dia 27 de Setembro. Fala da “diferença de estilo” de Manuela Ferreira Leite em campanha. E depois da tão defendida asfixia democrática do PS, introduz, no léxico da campanha, um novo adjectivo: a “toxidade” do Primeiro-Ministro. É o sprint final às legislativas.

1 – Como é que se transforma, um partido que à partida – com MFL no poder – estava condenado à derrota num candidato à vitória?
Acho que basta olhar para trás! Hoje as pessoas não têm dúvidas que o PSD pode sair vencedor das eleições legislativas.
O PSD decidiu que iria fazer o seu caminho, que é diferente do escolhido pelos outros Partidos, e que era o que mais se adequava às características da sua líder e ao conteúdo da sua mensagem política.
A persistência na estratégia de verdade, proximidade e rigor, mesmo contra o ruído mediático e contra-opinião dos nossos adversários, foram a chave.
Claro que o contributo de Paulo Rangel nas Europeias foi importantíssimo, porque juntou energia, acutilância e galvanização a esse caminho de verdade, rigor, proximidade e excelência que o PSD tinha escolhido. O brilhantismo de Rangel, apoiado – deixe-me dizer-lhe – pela frescura, motivação e excelência da JSD, permitiram alcançar o único elemento que faltava a uma estratégia certa: a vitória!

2- E para as legislativas. A fórmula foi a mesma?
Sim, com certeza! Mais do que por ter sido bem sucedida, o PSD manteve a fórmula por acreditar que é verdadeiramente a correcta!
Acredito que o PSD está sintonizado com os portugueses em optar por uma Política de Verdade, proximidade e rigor.

3- Qual foi a estratégia adoptada pelo PSD?
O PSD apostou na verdade, proximidade e rigor. O Partido quis contrastar claramente com a maneira como Sócrates e o PS governaram e fazem política. A política socialista é a política da encenação e grandes aparatos para esconder a falta de resultados concretos e melhorias reais no Pais. É também a política das promessas repetidas e repetidas até à exaustão mas sem concretização.
O PSD preferiu optar pela verdade e no rigor.
Apostou também na proximidade e nas pessoas quer na campanha, quer nas suas propostas políticas. É que são as pessoas, as associações, as empresas, as instituições sociais que fazem e devem fazer o País andar para a frente. E o PSD é claramente o Partido das pessoas e da iniciativa privada e social, enquanto o PS aposta no gigantismo, mediatismo, espectáculo e controlo.

4- Qual tem sido o maior obstáculo do PSD, na conquista do eleitorado? A inaptidão da Dra. Manuela Ferreira Leite para discursos e comícios?
Não se deve confundir diferença com inaptidão. A política e a escolha do sentido de voto não são a “chuva de estrelas”, uma passagem de moda ou qualquer concurso mediático. Continuo a acreditar que a credibilidade do orador e a qualidade do conteúdo são mais importantes que a estética ou a forma.
O maior obstáculo para o PSD tem sido optar pelo caminho difícil, que é o de não jogar na espuma do mediatismo e na política dos casos que dão mais soundbytes e minutos de televisão, mas na política de proximidade, verdade e rigor.

5- Para além de candidato à Assembleia da República nas listas do PSD, o António é Secretário-Geral da JSD. Podemos saber qual foi o orçamento da Jota para as legislativas?
A JSD não tem Orçamento autónomo para a campanha. Vamos acordando com o PSD apoios individuais para cada iniciativa realizada e recursos empregues. O que gastamos sai do orçamento nacional do PSD que é público. Todos sabem o esforço de contenção que o PSD fez, tendo reduzido drasticamente as suas despesas compreendendo o momento difícil que vivem os portugueses. Uma coisa posso assegurar: na JSD, ao contrário do que se diz suceder com o PS, os jovens não são pagos para fazer campanha. É tudo voluntarismo e boa vontade!

6- Nos bastidores da campanha, quantas pessoas estão a tempo inteiro envolvidas na campanha da Jota?
A JSD tem uma equipa de 12 pessoas a trabalhar a tempo inteiro na campanha a partir da sede nacional. A estes somam-se as centenas que andam na rua com as campanhas distritais e nacionais do PSD e da JSD, que são autónomas.
A JSD tem, quer a nível distrital, quer a nível nacional, voltas autónomas das do PSD porque acredita que se deve dirigir especificamente aos jovens que falam e pensam de maneira diferente, convivem em locais diferentes e têm preocupações diferentes do resto da população.

7 -A Volta Nacional da JSD termina este fim-de-semana. A campanha passou por vários pontos do País. Sentiu durante a Volta que o partido mobilizou um número substancial de cidadãos dispostos a acredita na “Nova Geração de Políticos” como se assumem?
Sim, sim! Quer o Partido quer a JSD tiveram mobilizações enormes de pessoas. E os eventos com a Dra. Manuela Ferreira Leite foram só um exemplo disso. E aí posso garantir-lhe que em muitos sítios houve mobilizações que o Partido há muito tempo não tinha.
Mas houve muito mais mobilização para além da volta da Dra Manuela. Só a JSD teve eventos da volta nacional, e nas suas campanhas distritais que contavam com mais de 200 jovens sem haver sequer qualquer figura do Partido presente.
Foi uma mobilização nacional, em larga escala, mas de proximidade e pulverizada por todo o País ao mesmo tempo. A chamada “máquina” da JSD funcionou muito, e foram muitos mais do que os militantes que se juntaram a nós!

8 – Qual é o segredo para que a JSD tenha nestas legislativas a possibilidade de vir a eleger um número de deputados que pode vir a constituir a terceira maior bancada parlamentar?
Esta forte aposta do PSD em tantos candidatos jovens é sinal quer de clarividência do Partido, quer da grande qualidade que têm hoje os quadros da JSD.
A JSD têm vindo a realizar um trabalho muito interessante de renovação na forma de fazer política, conta com quadros excepcionais e com provas dadas na sociedade civil. Estamos na Política com uma genuína intenção de ajudar a mudar o País para melhor.
O PSD compreendeu isso, e por também acreditar na importância da renovação dos quadros políticos e de apostar nos melhores, decidiu convictamente apostar nesta geração de jovens.

9 – O Presidente da JSD, Pedro Rodrigues, já afirmou que a principal preocupação da Jota na AR serão os jovens. Pode explicar-nos, recorrendo a alguma smedidas concretas, de que forma é que a JSD procurará defender os interesses da juventude portuguesa?

O Grupo Parlamentar da JSD dará sobretudo atencao especial as questões relacionadas com o desemprego, propondo medidas de desagravamento fiscal das empresas e dos trabalhadores e de apoio ao empreendedorismo. Da habitacao propondo medidas de incentivo aos senhorios para colocarem no mercado de arrendamento imóveis a rendas cotroladas para jovens. Da educacao com a imediata alteracao do Estatuto do aluno, de forma a instalar no sistema de educacao princípios de rigor, excelência e mérito.

10 – O PSD é um partido com forte tradição autárquica. Acredita que a próximidade dos actos eleitorais pode, a favor do PSD, melhorar a votação?
Com certeza! Provavelmente uma das qualidades que os eleitores mais apreciam nos políticos é a proximidade. Vejam-se a ligação que têm com os autarcas, e a contrastante desconfiança com que muitos olham os deputados.
O PSD, sendo o Partido mais autárquico de Portugal, com milhares de dirigentes que vivem diariamente experiências de proximidade vai com certeza capitalizar essa experiência e realidade de proximidade.

11 – Se voltasse atrás, mudava alguma coisa na abordagem do partido às legislativas?
Como responsável da JSD estou sobretudo preocupado em avaliar o desempenho da JSD. Há com certeza coisas a melhorar, mas acredito sinceramente que a nossa abordagem foi a correcta: mostrámos uma Nova Atitude e uma nova maneira de fazer Política. Com aposta na proximidade, muito contacto com as pessoas, aposta na elaboração colaborativa do nosso programa eleitoral, credibilização das nossas candidaturas pela assinatura de um contrato eleitoral com os portugueses que é eticamente muito exigente.

12 – E o que é que correu francamente mal na campanha?
Termos que viver diariamente com um adversário (José Sócrates e s seus delegados de propaganda) que optou por uma estratégia de fuga à verdade e aos assuntos importantes. Não é fácil querer discutir seriamente os problemas do País e as suas soluções, e do outro lado encontrar um adversário interessado em intoxicar o debate político de modo a evitar que o seu desempenho passado seja fiscalizado e as propostas em alternativa sejam discutidas.

13- Amanhã é dia de eleições, poderá revelar-nos se nas sondagens do partido, o PSD é vencedor?
Sondagens há muitas e os respectivos resultados divergem bastante. As eleições recentes mostram a imprudência de fazermos balanços com base nas sondagens. O que lhe posso assegurar é que estive na estrada quer nesta campanha, quer na das Europeias. E sinceramente noto uma grande diferença, para melhor, na reacção das pessoas ao PSD.

O TGV favorece mais Espanha do que Portugal?

Manuela Ferreira Leite defendeu que o projecto do TGV em Portugal é importante para que Espanha tenha mais fundos estruturais, por ser um projecto transfronteiriço. Ferreira Leite manifestou-se contra o envolvimento espanhol na discussão deste tema em Portugal e reafirmou que, se for primeira-ministra, suspende o projecto.

Manuela Ferreira Leite defendeu que o projecto do TGV em Portugal é importante para que Espanha tenha mais fundos estruturais, por ser um projecto transfronteiriço. Ferreira Leite manifestou-se contra o envolvimento espanhol na discussão deste tema em Portugal e reafirmou que, se for primeira-ministra, suspende o projecto. Ferreira Leite disse ainda, no debate de sábado com o primeiro-ministro, que não tencionava resolver os problemas de Portugal em função dos interesses dos espanhóis. A pergunta do SEMANÁRIO desta semana é: O projecto do TGV favorece mais a Espanha do que Portugal?
Inês de Sousa

António Costa Pinto
“Não tem qualquer sentido”
” Não, isso não tem qualquer sentido. Um projecto destes é negociado com base em múltiplos interesses dos países europeus. Cada um é livre de fazer a sua opção.”

Miguel Beleza
“Não favorece nem desfavorece nenhum dos países”
“Não estou seguro que favoreça ou desfavoreça particularmente qualquer dos países. Penso que não é uma boa opção para Portugal. Não favorece Portugal e favorece Espanha? Não me parece que faça uma grande diferença.”

Rui Ramos
“Espanha está mais à vontade para receber o TGV”
“Não é uma opinião fácil. Não conheço estudos técnicos que apontem num sentido ou noutro. Em termos de impressões, uma via que corre em dois sentidos, em princípio, favorece o lado que for capaz de melhor a utilizar, de lhe dar mais uso, de aproveitar melhor os objectivos que tem. Creio que ninguém pode dizer que favorece mais este ou aquele país. Tudo depende do que os países e do que os cidadãos fizerem daquela linha e da maneira como a usarem. Imagine-se que são sobretudo os espanhóis a usarem a linha, se for para vir a Lisboa e gastarem dinheiro em Lisboa, a almoçar ou a fazerem compras, aí ganhávamos nós. Temos que esperar para ver.
Agora, em termos de captar os subsídios europeus para este género de empreendimentos internacionais, ambos os países têm a ganhar e a perder com isso, dependendo da situação em que estão. Neste momento, devido à situação financeira de cada país, os espanhóis estão mais à vontade para se lançarem ao empreendimento do que os portugueses. Esse é que é o grande facto. Espanha graças aos esforços financeiros que fez no final da década de 90, está um país mais à vontade do que nós estamos. Portugal está muito endividado e prejudica o país. A questão aqui não é o TGV, é a divida externa.”

Hugo Velosa
“Beneficia mais Espanha do que Portugal”
“Segundo tudo o que se tem dito, há muitas questões que se devem levantar em relação ao TGV. É por isso que um dia possa fazer todo o sentido haver um TGV ou uma linha de alta velocidade que ligue a Europa, Espanha e Portugal. Neste momento beneficia mais a Espanha do que Portugal, até pelas razões que têm sido invocadas para não avançar de imediato com este tipo de projecto ou outro semelhante, porque a única solução não é o sistema TGV. Quando houver condições financeiras e Portugal estiver noutra circunstância, o nosso país também poderá ser beneficiado mas, neste momento, beneficia mais a Espanha do que Portugal.”

Feliciano Barreiros Duarte
“Beneficia Espanha e Portugal”
” O TGV beneficia não só Portugal mas também Espanha como mais um instrumento de promoção de desenvolvimento económico e social. A ser construído irá permitir que o nosso País tire proveito da sua existência.”

Vítor Ramalho
“Favorece Portugal”
“O TGV é um instrumento de mobilidade de transportes europeu e, portanto, nesse sentido favorece todos os países por onde passa e muito mais o nosso País. Portugal é o país ocidental do continente europeu mais próximo das Américas, a relação externa de Portugal com o mundo atlântico é feito pelo mar. Tudo aquilo que seja acelerar a mobilidade do nosso país a partir de Lisboa para a Europa, favorece a transacções comerciais, a mobilidade de pessoas e, isso é um aspecto positivo. Portugal é Europa e não pode estar fora do quadro europeu. Além disso, tem uma especificidade geográfica que mais justifica essa aproximação da Europa que se faz através do mecanismo TGV, assim como se faz através dos aeroportos ou das vias de comunicação rodoviárias.”

Será o tudo ou nada na corrida às legislativas

É o debate do ano. A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, e o líder do PS, José Sócrates, têm amanhã, encontro marcado, com todos os portugueses, na SIC. O país vai parar. Espera-se uma audiência superior a três milhões de espectadores.
Será o tudo ou nada, na corrida a São Bento.

É o debate do ano. A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, e o líder do PS, José Sócrates, têm amanhã, encontro marcado, com todos os portugueses, na SIC. O país vai parar. Espera-se uma audiência superior a três milhões de espectadores.
Será o tudo ou nada, na corrida a São Bento. Com o eleitorado de centro indeciso, quanto ao seu sentido de voto, amanhã não se discutirá apenas medidas e políticas governativas. Joga-se sim a vitória ou a derrota nas legislativas de 27 de Setembro.

Para o PS, Sócrates não pode perder. Se perder, poderá comprometer definitivamente, a reviravolta no marcador dos votos, dissipando para o BE, à esquerda, e para o PSD, à direita, os votos dos indecisos.
Para o PSD, o paradigma é outro. Ferreira Leite tem, obrigatoriamente, de ganhar o debate se pretender manter a curva global ascendente nas intenções de voto, e claro, as aspirações à vitória.
José Sócrates e Ferreira Leite não vão, definitivamente, deixar munições nos bolsos por gastar. Amanhã estará em jogo, a vitória nas legislativas. E os líderes dos dois maiores partidos nacionais, PS e PSD, sabem disso.
Sabem também, que durante 60 minutos, mais que nunca, vão estar sob o escrutínio, e em directo, de seguramente, mais de três milhões de espectadores (ver caixa).
Cabe agora saber o que é cada um dos líderes prepararam para a noite de Sábado.
Conhecidos os programas dos dois partidos será possível fazer uma antevisão, aproximada, daquilo que será o debate de amanhã.
Os temas mais quentes serão, certamente, as obras públicas e o controlo da despesa pública.
De um lado, José Sócrates, apostado em levar adiante obras públicas como o TGV e o novo aeroporto de Lisboa, de modo a dinamizar a economia. Do outro, Ferreira Leite, com uma visão oposta, defendendo o abandono de obras públicas “faraónicas”, e apontando, como caminho, o apoio às PME’S como forma de dinamizar a economia. Este será, ao que tudo indica, o cavalo de batalha da máquina laranja: A despesa pública.
Esta semana, de todo o modo, Ferreira Leite já deu sinais disso mesmo, ao prometer um “combate tenaz à despesa pública” com o objectivo de conseguir “margem para baixar os impostos”, caso ganhe as eleições legislativas e forme Governo. “O objectivo fundamental do combate à despesa pública só pode ser a possibilidade de baixar os impostos. Eu digo isto há muitos anos, há muito tempo. O meu combate à despesa não é para ter margem para fazer mais despesa, é para ter margem para baixar os impostos”, frisou a ex-ministra das Finanças. De resto, Manuela Ferreira Leite deverá confrontar o primeiro-ministro, com os números do aumento da carga fiscal e da manutenção da despesa pública.
Na réplica, José Sócrates fará certamente, questão de relembrar a Ferreira Leite – da mesma forma que fez com Paulo Portas – daquilo que a então, ministra das finanças, “fez no Verão passado”. Esperando-se, da parte do líder socialista, a marcação de várias comparações entre a actual governação socialista e a anterior governação social-democrata. A criação do imposto especial por conta, o aumento do iva e os números do défice serão uma herança, do governo do PSD ao país, que Sócrates não deixará de lembrar.

Saúde será tema fracturante

Na parte reservada à saúde também se espera forte discussão. Com Sócrates e Ferreira Leite a defenderem visões diferentes quanto ao Sistema Nacional de Saúde. A actual ministra da saúde, Ana Jorge, já afirmou mesmo que a pasta da saúde deverá ser, actualmente, o que mais distingue PS e PSD.
De acordo com o PS, o PSD quer passar para a mão dos privados “a prestação dos cuidados de saúde”, limitando “o acesso universal”. Na resposta, a estes argumentos que certamente serão recuperados por Sócrates, Ferreira Leite deverá voltar a insistir o que está em jogo é a “sustentabilidade financeira” do SNS e uma “maior acessibilidade aos serviços de saúde”. Uma maior de liberdade de escolha entre cuidados públicos e privados, o fim das taxas moderadoras e o aumento da comparticipação e o incentivo do consumo de genéricos passando a prescrição a ser feita por “denominação comum internacional” são outras das ideias do PSD.

Ferreira Leite irá “seduzir” os professores

A FENPROF é muito clara: Irá pôr em cima da mesa as propostas dos partidos e decidir qual é a melhor. E, com a força sem precedentes, que os sindicatos de professores granjeiam presentemente junto da classe, é de admitir um voto em massa, no partido que apresentar a melhor proposta para a educação, à luz da valoração da FENPROF e suas congéneres. Ferreira Leite irá certamente tentar “seduzir” a classe, ao passo que José Sócrates não o poderá fazer, soará a falso e portanto irá manter a mesma postura: gestão de danos. Sem tocar nos pontos que geraram discórdia – isso caberá a Ferreira Leite – José Sócrates irá por ênfase nas medidas que trouxeram benefícios à classe, como é o caso dos concursos de quatro em quatro anos.

Caso “TVI” será tema quente

A contestação unânime, gerada pela extinção do jornal de sexta-feira, na TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes promete fazer subir o tom. Manuela Ferreira Leite já admitiu haver “asfixia democrática”, e o facto de ter havido uma tentativa de compra da TVI pela PT – denunciada pelo PSD – são momentos que prometem aquecer o debate. Manuela Ferreira Leite é dura nas palavras e amanhã não se auguram melhoras. “Quem ousa dizer alguma coisa que não está de acordo com o Governo de Sócrates sofre retaliações” afirmou a líder laranja relativamente ao clima que se vive no país.
Na resposta, Sócrates não deixará de lembrar o caso que envolveu o PSD e os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Isto num debate, que como já se disse, poderá decidir o voto de milhões de eleitores indecisos.

“Não tenho dúvidas que houve uma pressão política do PS no caso TVI”

Poucos acreditavam que José Ribeiro e Castro, depois de ver boicotada a sua direcção pelos “portistas” e de uma disputa tão crispada com Paulo Portas pela liderança do CDS, estaria disponível para o combate político ao lado do actual líder.

Poucos acreditavam que José Ribeiro e Castro, depois de ver boicotada a sua direcção pelos “portistas” e de uma disputa tão crispada com Paulo Portas pela liderança do CDS, estaria disponível para o combate político ao lado do actual líder. Mas a verdade é que está: “Portugal está saturado do eng. José Sócrates e eu não tinha o direito de recusar este combate”, justifica. Sobre a governação do País, avança que um Governo composto por PSD e CDS é a solução que melhor garante a governabilidade e que Portugal precisa de um “choque político saudável”, que significa um CDS com 30% de votos – um cenário que considera, para já, ainda longe.

Rui Moreira, no seu livro “Uma Questão de Carácter”, diz que o Porto se “apagou bruscamente”. Como é que isso aconteceu?

Tenho uma grande admiração, estima e amizade pelo Rui Moreira. Compreendo o seu ponto de vista, ele é um grande lutador pela afirmação do Porto e da sua região, e às vezes faz uns diagnósticos fortes que não podemos analisar isoladamente e fora do propósito: um despertar do Porto para maiores desígnios. Mas é verdade que há uma questão da administração pública que está encravada, é verdade que o Governo Sócrates tem sido o mais centralista de que há memória e isso apaga a pujança e a presença da cidade no contexto nacional, também é verdade que se anunciam projectos lesivos para a região norte como a subordinação do aeroporto Sá Carneiro a uma dita estratégia aeroportuária nacional que mais não visa do que criar espaço para a afirmação única do novo aeroporto de Lisboa… O País não cresce numa lógica unipolar, pelo contrário. Terá mais capacidade de crescimento numa lógica bipolar, em que a região do Porto é importante e tem dinamismo.

O seu partido tem defendido uma redução generalizada dos impostos. Não é irresponsável diminuir a receita quando a dívida pública está tão elevada?

O CDS tem isso presente. Recordo que defendi durante muito tempo que devia haver um pacto sobre a despesa pública, em que ela não devia ultrapassar 40% do PIB. E isso porque acredito que enquanto não conseguirmos esse objectivo não crescemos. O CDS diz que nós temos uma carga fiscal acima das nossas capacidades, o professor Medina Carreira denuncia-o muito vezes. E a realidade é que Portugal não cresce.

E não cresce porque há demasiados impostos?

Também por isso. Não é a única causa mas será uma das principais. O nosso País é como um corredor sobre o qual se coloca duas bilhas de gás às costas e ele não consegue bater recordes. E assim está a nossa economia. Somos um País que precisa de correr aceleradamente para convergir com os patamares médios da União Europeia, mas temos vindo a divergir continuadamente. Tenho chamado a atenção que o País, mesmo fora de um cenário de crise internacional, não cresce.

Mas se cortamos nas receitas o Estado não vai poder levar a cabo as suas políticas de investimento público ou de apoio social.

Temos de fazer uma análise clara daquilo que podemos. Esta não é uma questão apenas ideológica, também é de doutrina. Há uma frase de Thomas Jefferson da qual gosto muito: “Um Governo suficientemente grande para te dar tudo o que queres é um Governo suficientemente poderoso para te tirar tudo o que tens”. E no relacionamento que temos com o Estado é preciso ter sempre isto presente, se queremos um Governo opressivo, que pesa e que impede, do ponto de vista económico, a nossa capacidade de crescimento. Não vamos resolver nenhum dos nossos problemas de pobreza ou de desigualdade se não crescermos mais economicamente. E também não vamos ser capazes de satisfazer as despesas com as políticas sociais se também não crescermos mais.

E como é que vamos crescer mais?

Se o País crescer mais, com taxas mais baixas de impostos, arrecada mais e tem mais capacidade financeira. Os tais 40% do PIB são mais altos do que 50% de um PIB baixinho. Não se pode responsavelmente reduzir impostos que levem o défice a disparar e viessem agravar a dívida pública. Por isso, é preciso agir sustentavelmente sobre a despesa. Mas nós somos um partido que está do lado do contribuinte, das famílias e das pequenas e médias empresas. Primeiro, porque achamos que as pessoas sabem melhor do que o Estado o que fazer ao seu próprio dinheiro; segundo, porque achamos que isso é um estímulo importante ao seu sucesso; e terceiro, porque sabemos que em termos macro isso conduz a uma capacidade de crescimento superior. O objectivo da redução de impostos exige que previamente se actue sobre a despesa, com o seu controlo e redução.

O PS diz que o País cresce através do investimento público. Concorda com esta visão?

Não tenho nada contra o investimento público. Mas depende, desde logo, da oportunidade. Em termos de grandes obras há circunstâncias de contenção financeira que podem determinar, só por si, que um investimento se suspenda. Depois há investimentos que são puras megalomanias e que vão deixar um fardo sobre as gerações futuras. Como é que se pode apresentar às gerações vindouras, em nome do futuro, dívidas e hipotecas? Isso é inaceitável. O investimento público que, neste tempo de crise, seja dirigido à criação de emprego é bem-vindo, como também o é aquele que tenha reflexos positivos sobre a economia ou que se traduza na concretização de questões de soberania. Mas encarar o investimento público como solução salvífica é um erro.

O CDS, hoje, é um partido menos conservador, em termos de costumes, que o PSD? Temos visto o PSD encabeçar a luta pela família tradicionalista…

O CDS não tem essa crise de identidade e eu não vou entrar nesse tipo de apreciações. O CDS é um partido de direita, que sempre defendeu os valores da família e não tem nenhuma angústia nessa matéria. Não se embaraça se lhe chamarem conservador, temos, até, relações excelentes com o partido conservador britânico. Mas esta eleição, para nós, joga-se, sobretudo, nas questões que têm que ver com a economia, emprego, impostos, o clima de insegurança que cresceu no País… As questões fracturantes foram inventadas por José Sócrates para poder ir a reboque da agenda do Bloco de Esquerda e distrair os portugueses. José Sócrates tem de responder por aquilo que fez de mal e, sobretudo, pelo que prometeu, anunciou e não fez. Veja agora o caso TVI, que também é uma distracção das questões da agenda real.

O que pensa sobre o caso TVI?

Acho absolutamente inaceitável o que se passou. Para mim, não tenho dúvidas que é este PS que está na origem dos factos e que houve uma pressão política – pública, aliás. É um caso de assédio político e moral tão claro, tão dirigido e continuado que eu diria que se inverteu o ónus da prova e compete ao PS demonstrar que não tem nada que ver com aquele assunto. Quando é evidente que tem – o que é gravíssimo. Um partido que se relaciona com a comunicação social a este limite extremo, com tiques latino-americanos do pior, como a confrontação directa com órgãos de comunicação social, comum em Países como o Equador de Rafael Correia ou a Venezuela de Hugo Chaves.

Ou a Madeira de Alberto João Jardim ainda neste fim-de-semana.

Tem aspectos criticáveis, mas assumem uma natureza diferente. Não me recordo de em Portugal, a não ser no PREC, terem sido fechados jornais. É evidente que há sempre uma tenção entre políticos e a imprensa, mas este limite nunca foi atingido.

Não é o PS o partido que sai mais prejudicado com o fim do jornal de sexta-feira da TVI e com as suspeições que esse fim acarretou?

Não. Isso é uma leitura ardilosa de “virar o bico ao prego”. A direcção da informação da TVI demitiu-se, a Manuela Moura Guedes foi tirada do ar, o jornal foi cancelado, a redacção da TVI está em polvorosa… As vítimas são estas. Este caso é seríssimo, merece muita atenção, mas não é o caso principal da campanha – não nos podemos distrair.

Esta campanha está cheia de casos e a assumir contornos de alguma imprevisibilidade.

A estratégia dos casos e dos incidentes favorece quem tem coisas a esconder: o agravamento dos impostos, do desemprego, o empobrecimento e endividamento das famílias, as empresas que estão a fechar… Estas são as questões que devemos discutir.

Surpreendeu-o o facto de Maria José Nogueira Pinto integrar as listas do PSD à Assembleia da República?

Não quero comentar. Foi uma decisão pessoal que tomou. Tinha saído do CDS em circunstâncias que lamento muito e que vivi intensamente. Mas não quero falar sobre isso.

Com que resultado eleitoral do seu partido, no dia 27 de Setembro, o dr. José Ribeiro e castro ficaria satisfeito?

Com o crescimento do CDS. É indispensável para o País um crescimento forte do CDS. Portugal não resolve duradouramente os seus problemas enquanto não fizer claramente uma viragem à direita. O País, na última década, tem decrescido, perdido competitividade, capacidade de afirmação. Éramos o décimo quinto de uma Europa a 15 e agora caminhamos para ser o vigésimo sétimo de uma Europa a 27. Já só temos como companheiros na UE países que sofreram o domínio comunista dos pais, irmãos, primos do PCP e do Bloco de Esquerda. O País afastou-se e deixou de cultivar um conjunto de valores que são importantes e que o CDS, como um partido de direita e do centro direita, guarda dentro de si.

O objectivo do CDS é, portanto, ficar à frente das forças mais à esquerda da política nacional?

O nosso objectivo é crescer e contribuir para uma alternativa ao Partido Socialista do eng. José Sócrates. Mas a necessidade do País é muito mais forte do que isto. No meu entender, o Pais precisa de um choque político que passa por uma forte votação no CDS. Só uma forte votação no CDS representa o choque político saudável de que o País necessita. E acredito no efeito automático desses resultados, acredito no poder do voto do eleitor e naquilo que se dizia a seguir ao 25 de Abril: o voto é a arma do povo. Não é esse o nosso objectivo, mas ninguém tem dúvidas de que se o CDS tivesse uma votação de 20, 25 ou 30 por cento, produziria um choque político saudável no País, no ambiente mediático, cultural ou político.

Paulo Portas aconselha “prudência, cautela e caldos de galinha” relativamente ao PSD. Continua a achar que a única solução que garante a governabilidade é um governo PSD/CDS?

Nunca formulei assim esse juízo, mas estou de acordo com essa conclusão. A solução que permite tirar o País da situação em que está é uma maioria do centro-direita, com uma componente clara do CDS. Somos conscientes, temos noção das realidades e temos humildade, sabemos que a mudança não se faz só connosco, mas estamos plenamente conscientes de que não há mudança sem nós. Os problemas do País não se resolvem apenas na próxima legislatura, Portugal tem de entrar noutra rota. Vivermos completamente debruçados sobre a esquerda é desastroso. Vivemos imersos num banho cultural de valores esquerdistas que são um atraso de vida.

Jerónimo de Sousa acusa José Sócrates de governar à direita.

Isso é uma fantasia. Como é que o País é governado à direita? Portugal, nos últimos anos, nunca foi governado à direita. Mesmo quando o CDS esteve no Governo a governação não se regia pela nossa partitura.

O que pensa do Bloco Central?

É sintomático que tenha aparecido vozes a falar do Bloco Central, um defunto pouco glorioso que só continuou na política dos interesses. O Bloco Central fortalece a minha convicção de que o voto verdadeiramente seguro para quem quer uma mudança relativamente à governação Sócrates é no CDS. Se Sócrates com um partido incomoda muita gente, com dois incomoda muito mais. É preciso dizer não a esse tipo de solução.

Como é que o CDS consegue afastar o apelo ao voto útil no PSD?

Com a sua própria capacidade de afirmação e com a utilidade do voto no CDS. O partido representa uma cultura económica, social ou cultural completamente diferente.

O CDS tem por hábito ser um partido de rupturas internas. Depois de uma campanha interna muito crispada e de metade do partido ter boicotado a sua liderança, o senhor decidiu ficar e disponibilizar-se para o combate político. Por que razão?

É verdade, como diz, que o CDS não tem tido a capacidade, em muitas das suas lutas, de guardar toda a gente dentro de si. E creio que isso é um factor negativo. O que aconteceu foi que o dr. Paulo Portas entendeu convidar-me para integrar as listas do partido e eu aceitei. Em matéria de união do partido e de capacidade de combate do CDS num momento que é muito importante – não só para o CDS mas essencialmente para Portugal – Paulo Portas fez a parte que lhe competia ao convidar-me e eu fiz a parte que me competia ao aceitar o convite. Acredito que nós iremos tanto mais longe quanto cada um resolver entender o que isto é e fazer a sua parte. Portugal precisa de uma mudança, quer mudar, está saturado do eng. José Sócrates e eu não tinha o direito de recusar este combate tendo sido convidado pelo presidente do partido. E faço-o com gosto.

Quando Paulo Portas for embora da liderança está disponível para regressar à presidência do CDS?

Temos, nesta altura, um combate político muito importante e é nisso em que estou totalmente concentrado.

Politólogos são unânimes e não acreditam numa maioria absoluta do PSD

Pedro Passos Coelho escreveu esta semana um artigo de opinião no qual sublinhava a importância de Manuela Ferreira Leite lutar por uma maioria clara nas legislativas. Caso obtenha maioria absoluta, será que Ferreira Leite consegue soltar as amarras que a ligam ao cavaquismo e fazer nascer uma nova era na política portuguesa?

Pedro Passos Coelho escreveu esta semana um artigo de opinião no qual sublinhava a importância de Manuela Ferreira Leite lutar por uma maioria clara nas legislativas. Caso obtenha maioria absoluta, será que Ferreira Leite consegue soltar as amarras que a ligam ao cavaquismo e fazer nascer uma nova era na política portuguesa? Assim, a pergunta do SEMANÁRIO esta semana é: será que uma maioria absoluta de Ferreira Leite a libertava da tutela de Cavaco Silva? E o que é que nasceria depois disto?

Rui Ramos
“Ferreira Leite não precisa de se libertar do Presidente da Republica”
” Não quero fazer como o primeiro-ministro fez na terça-feira ao dizer que não falava de cenários. Mas parece que esse é um cenário bastante improvável. Em relação a uma eventual tutela do Presidente da Republica penso que não é um problema que se coloque à liderança do PSD, que tem com Cavaco Silva uma simpatia e sintonia que afasta quaisquer problemas e, portanto, não precisa de se libertar do Presidente da Republica. Cavaco Silva é que precisará de dar instruções ou ordens a uma maioria como essa. Em relação ao PSD depende de quais são os planos de Manuela Ferreira Leite, ela já indicou que tem uma intenção de controlar o partido e moldá-lo à sua imagem e segundo a sua orientação. Mostrou-o com a exclusão de Pedro Passos Coelho das listas de deputados. É obvio que se Ferreira Leite tivesse um resultado de maioria absoluta, ficaria com uma força enorme no PSD e isso entregar-lhe-ia completamente o partido e, é essa força ela neste momento não sente, por isso, é que teve que fazer aquela escolha de candidatos de maneira a ter a certeza que em São Bento teria apenas gente da sua inteira confiança.”

José Adelino Maltez
“Ferreira Leite fica feliz quando lhe chamam Cavaquista”
“O artigo do Passos Coelho é para marcar a agenda, tanto podia pedir uma maioria absoluta ao PSD, como podia pedir que Ferreira Leite descobrisse a Índia. Ela ainda nem assegurou a maioria relativa quanto mais a maioria absoluta. Isso é um bom jogo dialético para continuarmos a falar dele. Não acho que uma maioria absoluta libertasse Ferreira Leite do peso do Cavaquismo. Em primeiro lugar, parece que a coitada da dr. Manuela Ferreira Leite tem o Cavaquismo a persegui-la, quando foi ela que inventou o cavaquismo sem Cavaco – até lhe interessa. As razões dos eventuais êxitos que Ferreira Leite possa ter é precisamente porque ela se assume com um cavaquismo sem cavaco. Há, pelo contrário, uma colagem dela à imagem de Cavaco. Cavaco tem uma indiscutível confiança popular como se manifesta em todas as sondagens muito mais do que ela, não sei se o dobro se o triplo. Tudo o que seja insinuação subliminar como está patente em todos os discursos de Ferreira Leite é bom para ela. Tudo o que seja um ataque a chamar-lhe cavaquista ela fica feliz. Quem sai prejudicado no meio disto tudo é o dr. Cavaco porque fica com um espaço (reduzido) onde pode ser atacado por ver o seu nome envolvido na discussão político partidária. O artigo do Passos Coelho é uma provocação ao sistema que não é aleatória, porque aquele artigo é aquele que não se estava à espera e é aquela que mais atrapalha. Não é um artigo de impulso é um artigo político de provocação ao sistema.”

António Costa Pinto
“Tutela tanto se passará com maioria absoluta como relativa”
” Não creio que quer com maioria absoluta queira com maioria relativa essa relação deixe de existir. Acho que essa relação de tutela tanto se passará com maioria absoluta como com maioria relativa.”|

Manuel Meirinho
“Nem há maioria absoluta, nem Ferreira Leite está tutelada por Cavaco”
“Primeiro, não vai haver maioria absoluta. A pergunta pressupõe que ela está sob tutela de Cavaco – o que não concordo. Primeiro, é muito provável que não haja maioria absoluta, logo a questão não tem grande consistência e, depois, não é líquida nem nada que se pareça que Ferreira Leite e o PSD sejam actuados sob a tutela de Cavaco. Parte-se à partida de um pressuposto que é a maioria absoluta de Manuela Ferreira Leite e o facto de ela estar sob a tutela de Cavaco e não concordo nem com ambas as afirmações. Não faço comentários com base em hipóteses tão remotas e sem consistência. Não tem grande sentido. Não há nenhuma tutela de Cavaco, há sim uma relação institucional e partidária entre o Presidente da Republica e Ferreira Leite. Não há relação tutelada nem maioria absoluta. Mas como é completamente improvável que haja uma maioria absoluta seja dela seja do Sócrates, não há qualquer problema. Qualquer partido que ganhe esta condenado a ter uma relação institucional com o Presidente da Republica, mas nunca uma relação tutelada.”