Galp Energia aprova fusão por incorporação da Gás de Portugal

Foi aprovado o projecto de fusão por incorporação da GDP na Galp Energia. Actualmente a GDP é uma empresa totalmente detida pela petrolífera nacional. Em comunicado à CMVM, a Galp mostrou a intenção de efectuar a fusão sem a convocação de uma assembleia-geral e apontando o primeiro trimestre de 2008 como prazo para a conclusão da operação.

O Conselho de Administração da petrolífera nacional aprovou a fusão por incorporação da Gás de Portugal (GDP), pretendendo desta forma concentrar na GDP Distribuição as participações nas sociedades que desenvolvem actividades ligadas ao gás natural.
Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp informou que “foi aprovado pelos órgãos de gestão das sociedades envolvidas o Projecto de Fusão por incorporação da sociedade por si integralmente detida GDP, na Galp Energia”. O mesmo documento indica que “a fusão será realizada ao abrigo do artigo 116.º do Código das Sociedades Comerciais, sem convocação das assembleias-gerais das sociedades intervenientes, e deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2008”.
A Galp afirma ainda que “a fusão não terá qualquer impacto” no trabalho seguido na consolidação das contas, uma vez que se trata de uma “fusão de uma sociedade por si integralmente detida, no âmbito de um processo de reestruturação interna” anunciou em comunicado à CMVM. Fonte da empresa ao SEMANÁRIO disse que este processo possibilitará “a simplificação da estrutura da empresa” sendo a consolidação das contas um dos objectivos primários da fusão.
Foi no início deste mês que a energética nacional decidiu propor ao Conselho de Administração a aprovação da fusão por incorporação da GDP, tendo como objectivo concentrar na GDP Distribuição as participações nas sociedades que desenvolvem actividades ligadas ao gás natural. No comunicado enviado à CMVM, a Galp Energia informou ter deliberado “propor ao Conselho de Administração a aprovação da fusão por incorporação da GDP”, empresa por si integralmente detida, pretendendo “concentrar numa outra sub holding existente, a GDP Distribuição, SGPS, S.A., as participações nas sociedades que desenvolvem actividades ligadas ao gás natural, bem como eliminar um patamar de consolidação e contribuir para a simplificação da estrutura do Grupo Galp Energia”.

Ricardo Salgado afasta cenário de aquisição de outros bancos

O Banco Espírito Santo registou resultados líquidos de 487,8 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, um valor que se situou 60% acima do registado no período homólogo e ligeiramente acima das estimativas dos analistas. Em comunicado divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BES explica esta evolução com o crescimento de 17,5% do crédito a clientes e de 14,5% dos recursos totais de clientes. Já Ricardo Salgado, CEO da instituição, subinhou que, espera “num futuro próximo que haja uma desaceleração do crescimento dos resultados”. Por outro lado, garantiu que o banco não está a estudar uma aquisição sobre o BCP, nem sobre qualquer outro banco: “O BES não estuda aquisições.”

Apesar da crise dos mercados financeiros, o BES revelou ontem que teve, nos primeiros nove meses deste ano, um resultado líquido positivo de 487,8 milhões de euros, ou seja, uma subida de 60% acima do registado no período homólogo.
Por isso mesmo, Ricardo Salgado precisou: “O banco continua a apresentar um crescimento que em linha com os trimestre anteriores mas o efeito da quebra de confiança nos mercados dos EUA e Europa não podiam deixar de afectar toda a gente. Vamos assistir a uma desaceleração”.
Sobre a hipótese de rever os objectivos do plano estratégico devido à actual crise financeira, garantiu que informaria “o mercado se as coisas não correrem como o esperado”, adiantando que “esta crise não está passada e pode demorar de seis meses a um ano”. Assim, os objectivos do plano estratégico até 2010 “são hoje um desafio maior do que há três meses”.
Em comunicado, o BES adianta que excluindo os factos não recorrentes verificados no segundo trimestre, os resultados ter-se-iam elevado a 450 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um aumento de 48% face ao registado no período homólogo. No primeiro semestre os lucros tinham aumentado mais de 80%.
O banco voltou assim a superar as previsões dos analistas, uma tendência recorrente nos últimos trimestres.
O BES assinala que o crescimento da actividade foi assentou numa “forte dinâmica comercial”, destacando o crescimento de 17,5% no crédito a clientes, enquanto os recursos verificaram um aumento de 14,5%. Destaca ainda o negócio internacional, com o crédito a crescer 43,4% e os recursos a aumentarem 22,1%.
O produto bancário comercial aumentou 15,2% para atingir os 1,183 mil milhões de euros e produto bancário (que inclui os resultados de operações financeiras) subiu 23,6% para 1,52 mil milhões de euros. O banco realça a subida de 15,3% nos resultados financeiros, para 708,4 milhões de euros e das comissões que aumentaram 15%.
No mercado de capitais, o banco precisa que apesar da “turbulência verificada nos mercados financeiros”, os resultados desta área de negócio aumentaram 65,3% em termos homólogos.
Ainda acerca da crise no crédito que assolou os mercados no Verão, o BES adianta que o banco “tem mantido prudentes níveis de excedentes de liquidez o que, num ambiente de crise financeira internacional, minimizam os riscos de impacto na sua actividade”.
Adianta que apesar da crise conseguiu diminuir o esforço de provisionamento de 0,51% para 0,47%, citando “a selectividade da política de crédito e controlo dos riscos”.
O BES efectuou provisões de crédito no valor de 147,4 milhões de euros, acima dos 130,4 milhões de euros verificados no período homólogo, embora o peso tenha diminuído. “A redução da carga de provisões para crédito é consistente com a progressão da qualidade dos activos que se tem traduzido numa sistemática redução dos rácios de sinistralidade”, refere o banco.
O BES adiantou que o peso do crédito vencido há mais de 90 dias no crédito total reduziu-se para 1,03%, quando em Setembro de 2006 a sinistralidade era de 1,21%.
Já a cobertura (relação entre as provisões e o crédito vencido há mais de 90 dias) situou-se em 222,4%, acima dos 207,9% do período homólogo. A margem financeira acumulada desceu 4% para 1,81%, uma queda que o banco explica com três factores: forte concorrência no crédito à habitação; novas regras implementadas pelo Governo, como os arredondamentos nas taxas de juro; e a adopção, com a crise do subprime, de uma estratégia mais prudente na gestão das aplicações monetárias, canalizando para os prazos mais curtos os excedentes de liquidez.
Os custos operativos totalizaram a 689 milhões de euros, o que representa um aumento de 4,8%, que o BES diz estar “muito influenciado pelo comportamento da área internacional (incremento de 11,3%), com os custos da actividade doméstica a apresentarem um crescimento de 3,6%”. Para o aumento dos encargos em Portugal, o banco destaca o investimento na rede que se traduziu, no corrente exercício, em 40 balcões novos e 36 remodelações de balcões antigos.
Apesar da subida dos curtos, o “cost to income” voltou a melhorar, baixando para 58,2% até Setembro, face aos 62,9% verificados em 2006. A rendibilidade dos capitais próprios (ROE) situou-se nos 17,9%, acima dos 14,7% verificados em 2006. A rentabilidade dos activos (ROA) subiu de 0,81% para 1,07%.
Os rácios de capital do Grupo “apresentam-se em níveis confortáveis”, com o rácio Core Tier I e o rácio de solvabilidade total a atingirem, respectivamente, 6,7% e 11,8%, ou seja, “níveis consideravelmente acima dos mínimos recomendados pelo Banco de Portugal.

“Fusão entre BCP e BPI não terá sucesso”

Ricardo Salgado afirmou ontem, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados, que o banco não está a estudar uma aquisição sobre o BCP, nem sobre qualquer outro banco: “O BES não estuda aquisições. O banco está sempre disponível para continuar a sua solidificação, mas não temos nenhuma iniciativa para adquirir este ou outro banco”.
Ricardo Salgado referiu ainda que a estratégia do BES é de crescimento e que, “por isso, vão reforçar a posição em Espanha”. A propósito adiantou: “Estamos sempre prontos para encontrar soluções para crescer no nosso país desde que façam sentido, mas não tomaremos iniciativas para adquirir o BCP”.
E terminou: “Se juntássemos os nosso balcões aos do BCP, ficávamos com balcões à frente uns dos outros e iríamos alienar balcões.”
Já em relação à possível fusão BPI/BCP diz que não acredita no seu sucesso.
“Chegámos ao fim em termos de concentrações. Uma eventual Oferta Pública de Aquisição (OPA) do BPI sobre o BCP não terá sucesso”.
O mesmo responsável acrescenta, ainda, que com uma possível fusão, “o maior banco privado português passaria a ser detido por estrangeiros e perderia o centro de decisão nacional”, defendendo que o País ficaria a perder se o BCP fosse detido por bancos estrangeiros: “O país perde se um banco detido por banco estrangeiros vier a controlar o maior banco privado português”. No entanto, para o caso do seu banco em particular, Ricardo Salgado acredita que poderia ter vantagens: “O BCP perde porque há um banco (BPI) que é detido maioritariamente por estrangeiros. Se estes vierem a controlar o BCP, seria mau, mas podia vir a ser bom para o BES”.

Alípio Dias pode ser o nome consensual para a “terceira via” no BCP

Alípio Dias pode ser uma via consensual entre os accionistas do BCP, para construir uma lista para a administração do BCP, afastando o espectro de duas listas em confronto na próxima Assembleia Geral. O BPI e a CGD, mas também António Gonçalves, Pedro Teixeira Duarte, Góis Ferreira, Stanley Ho e até Filipe Botton podem aparecer a apoiar também esta solução.

Vai haver uma segunda lista para os órgãos de administração do BCP na próxima Assembleia Geral. Este é o sentimento dos grandes investidores institucionais do BCP, ouvidos pelo SEMANÁRIO, que antecipam uma guerra que poderá marcar definitivamente o maior banco privado português. Mas, no BCP, ainda há margem de manobra para construir uma solução de consenso com os accionistas mais relevantes. O nome consensual para o Conselho de Administração começa a ser o de Alípio Dias. Para além de ser um próximo do fundador do BCP, Alípio Dias poderia ter os apoios do BPI e da CGD.

Baião ouve accionistas

Ricardo Baião Horta está a ouvir os accionistas com mais de 2% do BCP para estabelecer uma fórmula de governo para o futuro no BCP. Entretanto, começa a desenhar-se a futura liderança, para depois de Março de 2008. Com o Conselho de Administração em final de mandato, Alípio Dias, um dos actuais administradores próximos de Jardim Gonçalves, pode vir a assumir a presidência do BCP, recompondo o Conselho de Administração, com a entrada de pelo menos dois administradores de fora do banco. Uma solução na qual pode alinhar o próprio Jardim Gonçalves e que poderia contar com o apoio do BPI, do BES, da CGD, António Gonçalves, da Teixeira Duarte, de Stanley Ho, da Eureko, Filipe Botton e de Góis Ferreira, entre outros.

Modelo de governo

Antes de mais, o governo do BCP. Todos os accionistas de referência estão de acordo: Jardim Gonçalves tem que se manter no banco, embora afastado das decisões estratégicas e do dia-a-dia. A separação da liderança do Conselho Superior da presidência do Conselho Geral e de Auditoria pode ser a solução estatutária para, dentro do actual modelo dualista, manter Jardim Gonçalves no seio do BCP, mas dando espaço ao CEO.
Caso se venha a impor o modelo monista, então, a dupla legitimidade deveria ser alterada, passando o CEO a ser designado pelo Conselho de Administração, eleito na Assembleia Geral. É o modelo que existe no BES e no BPI, e aquele que os principais institucionais prefeririam.
Para perceber a vontade dos principais accionistas, Baião Horta, incumbido pelo Conselho Geral e de Auditoria de elaborar a solução estatutária para o BCP, está a reunir-se com os maiores accionistas (com mais de 2%) para apresentar dentro de duas semanas um primeiro “draft”, que possa reunir consensos. O objectivo será recolher opiniões e sugestões sobre a necessidade de se proceder a ajustamentos ao modelo societário da instituição.

O conselho de Paulo Olavo Cunha

Entretanto, no “Jornal de Negócios” Paulo Olavo Cunha, o advogado de um dos sete activistas contra Jardim Gonçalves (Bernardo Moniz da Maia), veio dar sinal que poderia não estar de acordo com todas as soluções, havendo mesmo quem notasse que o grupo dos sete poderia não apoiar qualquer solução de consenso, embora não tivesse força para se opor.
Paulo Olavo Cunha escrevia que existe “uma diferença fundamental entre os poderes dos administradores no âmbito de um conselho de administração de uma SA de modelo monista – em que a gestão compete a um único órgão – e aqueles que caracterizam o estatuto dos membros do CA Executivo do modelo dualista (no qual o Conselho Geral e de Supervisão também tem poderes de gestão), que é um órgão que, tal como o CA clássico, tem competência para gerir os negócios sociais, representando a sociedade perante terceiros. Neste último cenário, onde o órgão de administração é essencialmente integrado por gestores pro-
fissionais, uma vez que os accionistas ou os seus representantes tomam assento preferencialmente no Conselho Geral e de Supervisão, os poderes do órgão executivo não são tão amplos quanto os que caracterizam o Conselho de Administração do modelo clássico.
Com efeito, enquanto nas sociedades de estrutura clássica (PT, BES) ou anglo-saxónica (BPI) os poderes de gestão pertencem exclusivamente ao respectivo CA, nas sociedades de inspiração germânica (EDP, BCP) o Conselho de Administração Executivo, para além de estar sujeito a um apertado e permanente controlo do Conselho Geral e de Supervisão – que pode incluir o poder de nomear e destituir os próprios administradores -, partilha com este órgão poderes que, tradicionalmente, não são da titularidade de um órgão de mera fiscalização. Com efeito, aproveitando a abertura legalmente estabelecida, não raro os estatutos ampliam os poderes (legais) do CGS, sujeitando ao consentimento prévio deste órgão a prática pelo CA Executivo de diversas categorias de actos de gestão.”
“Por sua vez”, explicava o advogado, “a própria composição da estrutura accionista deve estar em estreita correlação com o modelo de governação societário adoptado. Nos casos em que o controlo da sociedade é razoavelmente definido, existindo um reduzido número de accionistas com participações significativas, impõe-se não complicar a gestão da sociedade, concentrando o poder accionista no próprio CA; diversamente, sempre que o capital se encontra fragmentado, distribuído por diversos accionistas, cujas participações não ultrapassam os 10%, é frequente os accionistas de relevo pretenderem integrar o CGS para controlar a curta distância a gestão, que entregam a profissionais”.
“O que não se compreende é que os accionistas deleguem no órgão de supervisão o poder de vida e de morte sobre os próprios administradores, abrindo mão de uma prerrogativa que devem conservar e permitindo que os membros desse órgão possam vir a exorbitar as suas funções.”
“Moral da história (que não a ética)”, conclui o jurista: “A orgânica societária, sendo necessariamente consequência da vontade accionista, é todavia, em certos casos, manipulável.”

BPI aumenta posição no BCP para 8,9%

Mas, como Jardim Gonçalves, logo de início, admitiu, os modelos funcionam desde que as pessoas sejam as adequadas para os lugares. E é, nesse sentido, que a discussão do estatuto do BCP dificilmente pode ser feita à margem da escolha das principais figuras do Conselho de Administração.
Para já alinham-se posições. O Banco Português de Investimento (BPI) adquiriu parte da posição da Fortis no Banco Comercial Português (BCP), passando a deter 8,9% do capital do seu rival. O BPI, do mesmo modo que teve uma palavra a dizer na saída de Paulo Teixeira Pinto, quer lutar pela sua solução para o BCP.
Com esta transacção, o banco liderado por Fernando Ulrich garante uma das posições accionistas mais relevantes na estrutura accionista da instituição a seguir aos holandeses da Eureko. O reforço foi concretizado através da BPI Vida e elevou a participação do grupo no BCP a 8,873%. O banco de Fernando Ulrich reforça assim o estatuto de segundo maior accionista do BCP, só atrás da Eureko, que detém 9,96% do BCP.
Uma posição que poderá ser decisiva para influenciar o futuro do BCP.
Para os accionistas do BCP ouvidos pelo SEMANÁRIO, caso não seja possível a terceira via no BCP, irão a votos, em Março próximo, sempre duas listas, sendo incerto o futuro do banco.

BCP valoriza quase 1,8 mil milhões

Ainda com o consenso a negociar por Jardim ainda longe, esta fractura evidente de pontos de vista fez imediatamente disparar o preço das acções do BCP, sobretudo, depois de se saber do reforço da posição do BPI e da entrada de Stanley Ho, que ainda ontem continuava a comprar acções do BCP.
Todo este movimento, provavelmente, não servirá só para contar espingardas – a comissão Baião Horta e Jardim Gonçalves terão uma palavra a dizer – mas, exactamente, porque, também, um sentimento de recuperação começa a ser vivido na banca europeia, as acções do BCP começam a ser atraentes. Ontem, subiram mais de 4,6%.
Aliás, a expectativa de crise económica nos países – como aquela que se começa a desenhar, apesar da estratégia orçamental de Teixeira dos Santos, aumenta sempre o valor e a rentabilidade dos bancos. Por outro lado, o facto do Banco Central estar a ceder liquidez está a permitir a algumas instituições financeiras comprar, a bons preços, activos que estão a ser vendidos pelos mais aflitos e que darão mais-valias logo que os mercados estabilizem.
A valorização do BCP esta semana ultrapassou os 1,8 mil milhões de euros, atestando, exactamente, o potencial em causa.

Sonaecom ainda tem que pagar os estragos da OPA à PT para poder …

Esta semana, Ângelo Paupério veio dizer aos jornais que a Sonaecom ponderava a possibilidade de se juntar com a PT Multimédia. Depois do “spin-off” da PT. Um cenário desejável de consolidação no mercado de telecomunicações e que daria à PTM o acesso ao negócio dos telefones fixos e móvel. Mas fontes próximas dos actuais accionistas da PT Multimédia consideram que o negócio ainda não se pode fazer, ainda que as duas empresas casem perfeitamente.

Em cima da mesa está ainda o passado recente da última OPA da Sonaecom à PT Multimédia e os ressentimentos criados nos accionistas da PT. Nem Luís Silva nem Joaquim de Oliveira, muito menos Ricardo Salgado ou mesmo a Caixa Geral de Depósitos veriam com bons olhos uma tomada de controlo por parte da Sonae na PTM. Para isso, a Sonaecom teria que pagar nunca menos de 15 ou 16 euros por acções, o que seria impossível, na cultura do grupo, mesmo agora que Belmiro de Azevedo se afastou.
Para já. No máximo, com a blindagem, a Sonaecom poderá ir apenas até aos 10%, o que dificilmente cabe na cultura do grupo do norte.
Por outro lado, uma fusão aproveitando a fragilidade da Soanecom, cujas acções caíram mais de 30% desde o fim da OPA e cujos prejuízos são persistentes (a Sonaecom nunca teve lucros) onde os interesses da Sonaecom seriam compatibilizados com os restantes accionistas, eventualmente deixando o sector das telecomunicações de ser estratégico para o grupo Azevedo, também ainda não pode ser equacionada, pelo simples facto que existem nos accionistas da PTM grandes desconfianças relativamente ao grupo do Norte. “É preciso tempo e uma mudança de postura da Sonaecom para que a atitude possa mudar.”
Por outro lado, existe ainda a forte hostilidade política do grupo do Norte ao governo socialista e em particular ao primeiro-ministro. O facto de Belmiro de Azevedo ter dito publicamente que o Governo deve muito à Sonae levaria certamente o mercado a entender que se estava a fazer “pagamentos”, caso o Governo se empenhasse na fusão entre a PTM e o grupo do Norte. O excesso de linguagem cria agora embaraços que dificultam uma operação que todos os analistas consideram fazer sentido economicamente e que aumentaria o nível de concorrência no mercado das telecomunicações em Portugal.

Caixa BI aposta na compra da Cabovisão
pela Sonaecom

É neste contexto de dificuldades, que, aparentemente, o mercado não interiorizou em face da subida das cotações, que o Caixa BI acredita que é possível uma consolidação entre a Sonaecom e a Cabovisão, da empresa canadiana Cogeco. A casa de investimento coloca, assim, de lado a hipótese da empresa liderada por Ángelo Paupério vir a comprar a PT Multimédia.
Concretamente, na segunda feira, o Diário Económico noticiava que a Sonae estaria a estudar a corrida à PTM. O presidente da Soanecom, Ângelo Paupério disse que a empresa não vai abdicar do seu papel consolidador do mercado e que “se alguém interpretar esta declaração como uma intenção de comprar a PTM a qualquer preço, não está a perceber”. No entanto, o mesmo responsável adianta que “vai haver um momento em que vamos dizer se a PTM está, ou não está, nos projectos de crescimento da Soanecom”.
Numa nota de análise, João Fidalgo, analista do Caixa BI, afirma que “com o ‘spin-off’ da PTM, a Soanecom encontra-se muito atenta ao enquadramento competitivo que irá surgir, ao mesmo tempo que coloca pressão a que se assista a uma efectiva concorrência entre a operadora de cabo e a sua anterior holding, pelo que acreditamos que seja possível uma consolidação envolvendo a Sonaecom e a Cabovisão”.
Na opinião de João Fidalgo, “as recentes entrevistas por parte do management da Cogeco não excluem este nosso cenário”, considerando que o sector das Telecomunicações caminha no sentido da convergência de plataformas e tecnologias tornando imperativo que o agrupamento (“bundling”) de serviços exista nas ofertas comerciais das operadoras, facto que não tem sido premente até muito recentemente.”

BPI diz que Sonaecom não deverá pagar um prémio elevado pela PTM

Já do seu lado, os analistas do Banco BPI consideraram que a PT Multimédia se encontra a um valor mais razoável para ser adquirida pela Sonaecom, uma vez que o preço das suas acções registou uma correcção de 12% na semana passada, mas que, a concretizar-se a operação, a empresa liderada por Ângelo Paupério não deverá pagar um valor elevado pela ex-subsidiária do Grupo PT, já que não existem grandes sinergias a serem retiradas desta união.
Os analistas do BPI consideram que as declarações do CEO da Sonaecom Ângelo Paupério ao “Diário Económico” têm um impacto “Neutral” no título, uma vez que “estas posições da Sonaecom e da Sonae SGPS não são novas”.
Relativamente à possibilidade da compra da PTM pela Sonaecom, o BPI nota que “uma vez que não prevemos sinergias significativas deste negócio, também não esperamos que a Sonaecom pague um prémio elevado sobre o que pensamos ser a avaliação fundamental da PTM, nomeadamente o nosso preço-alvo de 10,15 euros para o fim de 2008”.
“Em adição, acreditamos que a sobreposição dos mercados da PTM e da Sonaecom deve ser bastante elevada, e por isso a combinação das duas empresas não deve permitir uma grande complementaridade entre os dois negócios”, nota.
Quanto ao desejo do Grupo Sonae de manter a sua presença no sector das Telecomunicações, o BPI nota que “Belmiro de Azevedo não se referiu especificamente à Sonaecom. Isto não exclui a possibilidade de manter a exposição [ao sector] através de outros veículos que não sejam a Sonaecom”.

Interessados terão de esperar até passar um ano sobre a última OPA

Porém, se alguém lançar uma oferta sobre a PT Multimédia imediatamente a seguir ao “spin-off” não será com certeza a Sonaecom, dizem alguns analistas. Só no caso de a empresa liderada por Ângelo Paupério ter chegado a acordo com os accionistas da PTM e obtido o consentimento da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) para a operação. Isto porque, de acordo com o Código dos Valores Mobiliários, artigo n.º 186, uma empresa só pode avançar com uma OPA “sobre os valores mobiliários pertencentes à mesma categoria dos que foram objecto de oferta” dozes meses após o desfecho da primeira oferta – neste caso 2 de Março de 2008. Apesar da OPA ter sido lançada sobre a casa-mãe Portugal Telecom (PT) tinha como contrapartida, caso tivesse sucesso, o lançamento de uma outra sobre a PTM – uma vez que a PT ainda detém mais de 50% da PTM. Logo estava implícito que a segunda OPA tinha que acontecer se a primeira se concretizasse.
A Sonaecom ainda não decidiu se o seu futuro passa pela PTM e, a passar, qual é a melhor forma de aproximação, noticiava ainda o “Diário Económico”. Enquanto isso outros “players” continuam silenciosos, mas atentos, deixando evidente que o futuro da dona da TV Cabo está longe da clarificação.
Embora o momento não seja comparável, é preciso não esquecer que, durante a OPA, houve manifestações de interesse na compra da rede que viesse a ser alienada pela Sonaecom, caso esta comprasse a PT. Na ocasião, há cerca de um ano, Abel Mateus, presidente da Autoridade da Concorrência, obteve respostas da Vodafone, Cabovisão, SGC – empresa de João Pereira Coutinho -, Cofina e Radiomóvel. Ao questionário da AdC também responderam os fundos de capital de risco Silver Lake, Apollo e BC Partners. A generalidade das entidades consideravam a PTM – rede de cabo – mais facilmente transaccionável que a rede de cobre.
Agora, as mesmas entidades, ou tomam posições accionistas na PTM, para se posicionarem, como é o caso da Cofina, ou preferem não se pronunciar, como a Vodafone e a SGC. Outras ainda não descartam a possibilidade da compra mas garantem que o momento não é oportuno.
Seja qual for a intenção é preciso esperar pelo “spin-off”, que deverá estar concluído no final do mês de Outubro. Passado este obstáculo há outros. Ao lançar uma OPA o potencial comprador terá sempre que contar com uma empresa com estatutos blindados a 10% do capital. Tal como aconteceu na PT, só o voto favorável dos accionistas permite levantar a blindagem que dá acesso ao controlo da empresa. Além disso, não há “golden share” do Estado, mas há uma posição de mais de 15% da CGD, que claramente terá uma palavra a dizer em todo o processo.

Sonaecom funde Optimus com Novis no início de Novembro

Entretanto, a Sonaecom vai proceder à fusão destas duas empresas numa só, de forma a conseguir “poupanças substanciais nos investimentos futuros” ao nível das infra-estruturas de transmissão e nas “despesas de funcionamento”, que enfrenta pelo facto de ter “duas estruturas jurídicas, sem que existam quaisquer razões que justifiquem a manutenção da actual situação”, segundo explicou a empresa à Anacom.
Antes de tornar efectiva esta operação, o que acontecerá a 1 de Novembro, a Sonaecom, única accionista da Optimus e da Novis, vai “limpar” os saldos contabilísticos das duas para que as contas da nova empresa arranquem do zero. Uma forma de preparar a empresa par a futura fusão?

BCP – Jardim Gonçalves e Teixeira Duarte apoiam Filipe Pinhal …

Enquanto Filipe Pinhal aposta na normalização da vida do banco, para recuperar resultados até ao fim do ano, Pedro Teixeira Duarte prepara, fora do banco e sem pressa, a redacção dos novos estatutos. Todos estão de acordo em não correr riscos com alargamentos de conselhos gerais ou superiores e por isso o BCP deve voltar ao “modelo monista puro”, com um Conselho de Administração, um Conselho Fiscal e um Conselho de Vencimentos. O SEMANÁRIO sabe que Filipe Pinhal tem o apoio de Jardim Gonçalves e de Pedro Teixeira Duarte para fazer o próximo mandato, devendo ser substituído cerca de 30% do Conselho de Administração – devem sair Francisco Lacerda e Castro Henriques, eventualmente, substituídos por elementos da alta direcção do banco.

A precipitação da saída de Paulo Teixeira Pinto, na sexta-feira passada, não lhe retira dignidade, nem a imagem de seriedade que construiu. Ele tinha passado a ser parte do problema e decidiu antecipar-se. Jardim Gonçalves emerge de imediato como vencedor da contagem de espingardas, que já se tinha dado na Assembleia Geral do final do mês de Agosto, já se sabia. Com a saída do CEO, Filipe Pinhal, o primeiro vice-presidente de Paulo Teixeira Pinto, assumiu a presidência do Conselho de Administração.
Mas, o verdadeiro embate, que ficou enunciado, ainda está para acabar. Passa pela revisão dos estatutos e pela definição de quem irá dominar o banco depois dela. Para já Jardim Gonçalves não se assume como parte do problema. Pedro Teixeira Duarte saiu do Conselho Geral e de Supervisão para poder negociar mais à vontade um novo estatuto “monista puro” para o BCP. Por dentro, Filipe Pinhal faz os ajustamentos que entende necessários no banco, ele que é a personalidade que Jardim Gonçalves e Teixeira Duarte desejam ver como líder do BCP para o próximo mandato.
No Conselho de Administração, Francisco Lacerda e Castro Henriques preferiram não se demitir, mas foram publicamente convidados a irem para casa, com a retirada de pelouros. O mesmo se passa nas estruturas de alta direcção do banco. Mudanças normais.
Igualmente nos accionistas há mexidas. E com seis meses pela frente o verdadeiro governo executivo do BCP, composto pelos quatro gestores considerados do lado de Jardim, tem tempo e dinheiro para gerir e preparar o futuro, não tendo Pinhal caído no erro de Paulo Teixeira Pinto de ter, de início, aceite condições impossíveis.
As movimentações já começaram com o aparecimento de novos accionistas. A Jerónimo Martins anunciou deter já 1,5 milhões de acções do BCP. Outros movimentos estão a acontecer, levando o BCP a subir na bolsa, a contra-ciclo do mercado.

Accionistas do BCP apoiam o sistema monista puro

Estando totalmente afastado o cenário de uma fusão com o BPI, dado que a La Caixa o exclui e não faz sentido que queira perder o controlo de um banco contra uma posição irrelevante no BCP, o controlo do BCP passará por um grupo de accionistas nacionais, eventualmente associado a investidores institucionais nacionais e estrangeiros.
De acordo com fontes dos accionistas, um novo projecto de estatutos está em discussão no BCP e prevê eliminação dos órgãos liderados por Jardim Gonçalves, voltando-se a uma estrutura monista.
A blindagem dos estatutos do BCP está para durar, apesar das tentativas de alguns para as suavizar. Pelo menos a julgar pelo projecto que tem vindo a ser discutido por alguns dos principais accionistas.
Ao que os jornais apuraram, há já um amplo consenso em algumas matérias, nomeadamente a blindagem e o desaparecimento de alguns órgãos, como o Conselho Geral e de Supervisão. No que toca à blindagem, que não permite que qualquer accionista vote com mais de 10% dos votos presentes numa Assembleia Geral, há já o acordo do BPI que, com 8,5% do capital do banco, é um dos afectados por esta regra defensiva. O banco liderado por Fernando Ulrich tem estado, aliás, a trabalhar de forma muito próxima com a Teixeira Duarte, o accionista que tem assumido a condução das negociações quanto à nova redacção dos estatutos e do modelo societário do BCP.
A Teixeira Duarte quer chegar a um consenso quanto ao documento, e só depois disso se poderá começar a pensar em data para a marcação de uma Assembleia-Geral, em que os estatutos poderão ser alterados se contarem com o voto favorável de dois terços dos accionistas.
O presidente da construtora, que abandonou o Conselho Geral e de Supervisão, para melhor conduzir as negociações com outros accionistas, apesar de não quer perder o ímpeto reformista dos vários accionistas com quem negoceia, tem consciência que a aceleração do processo de revisão dos estatutos pode complicar a vida ao novo CEO e dar novo sinal de instabilidade aos clientes. No final do corrente mês de Setembro decorrerão novos contactos entre os accionistas, ficou estabelecido na reunião de ontem de alguns advogados ligados ao processo.
Por seu lado, Jardim Gonçalves tem como preocupação garantir a independência do banco e a manutenção de uma estrutura de gestão sólida e, por isso, aceitará a mudança.
O modelo em cima da mesa, e que não deverá sofrer grandes alterações, deverá passar pela transição para um “sistema monista puro”, em que desaparecerão, tanto o Conselho Geral como o Conselho de Supervisão. Está prevista a existência de “conselheiros do conselho de administração”, com reduzidos poderes não vinculativos, uma forma diplomática de proporcionar a algumas figuras e accionistas um acompanhamento, ainda que relativamente distante, da evolução da estratégia do banco, mas também a maneira eficaz de impedir o acesso de especuladores ou pequenos investidores de curto prazo ao núcleo estratégico do banco, como acontecia com a proposta de alargamento do Conselho Geral e de Supervisão proposto por Joe Berardo.

Pinhal acaba com comités executivos
e mantém para si pelouro da rede comercial

O novo presidente do BCP, que manteve para si a competência comercial sobre o retalho, acabou com os comités executivos no banco, manteve para si o comando da rede comercial e fundiu as operações internacionais, que passam depender de Christopher de Beck.
Na primeira reunião como presidente do conselho de administração do Banco Comercial Português (BCP), Filipe Pinhal determinou a extinção dos comités executivos, passando a existir apenas comités de coordenação.
Isto significa que o poder de decisão volta inequivocamente ao conselho de administração executivo, num sinal de que Pinhal vai conduzir o banco.
Além disso, cada área de negócio – retalho, corporate, banca de investimento, serviços bancários e operações internacionais (por fusão do European e do Overseas Committe) – passa a ter dois administradores responsáveis e não um com outro alternante, como acontecia até aqui.
O novo presidente do BCP deu também um sinal claro de que o enfoque é o negócio e a relação com os clientes ao manter para si o comando da rede comercial.
Alípio Dias juntou às suas competências, nas grandes empresas, a banca de investimento e Christopher de Beck ficou com a operação internacional, nomeadamente Angola, passando as relações com a Fortis para o CFO.