2026/09/13

BE considera “patética” polítca norte-americana de guerra

Depois das declarações de Colin Powell, tornou-se ainda mais evidente que a guerra contra o Iraque, decidida há muito, não tem qualquer justificação. Assistimos hoje a um dos episódios mais patéticos da história das relações internacionais

Depois das declarações de Colin Powell, tornou-se ainda mais evidente que a guerra contra o Iraque, decidida há muito, não tem qualquer justificação. Assistimos hoje a um dos episódios mais patéticos da história das relações internacionais.

Os Estados Unidos, tal como se esperava, não conseguiram demonstrar nenhuma das suas acusações e trataram as Nações Unidas com desrespeito ao levar ao Conselho de Segurança material de “prova” sem qualquer consistência. Quem se associar a esta estratégia dos Estados Unidos só o poderá fazer por puro seguidismo. Portugal não pode ter qualquer relação com esta encenação.

O Bloco de Esquerda reafirma a sua oposição a esta guerra pela pilhagem do petróleo iraquiano e lamenta o seguidismo português em relação à actual administração de extrema-direita dos Estados Unidos. Esta guerra é um crime. Ao associar-se a ela, Portugal será cúmplice de um crime.

O Bloco de Esquerda associa-se a todas as personalidades de todos os quadrantes políticos que, em todo o mundo, se opõem a esta guerra. E, acima de tudo, associa-se à generalidade da opinião pública portuguesa e europeia contra a arbitrariedade nas relações internacionais.

Powell apresenta provas

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, apresentou no Conselho de Segurança das Nações Unidas as tão esperadas provas de violação do regime iraquiano à resolução 1441. Conversas telefónicas e imagens aéreas foram as provas reveladas.

O secretário de Estado, Colin Powell, apresentou no Conselho de Segurança das Nações Unidas, há minutos, as tão esperadas provas contra o Iraque. Powell voltou a criticar o regime de Bagdad pelas constantes violações da resolução 1441, apresentando uma serie de gravações, nas quais se podiam ouvir conversas entre oficiais de alta patente do quartel-general iraquiano com vários funcionários, presentes em complexos que seriam alvos de inspecções.

Esta conversas teriam como objectivo erradicar todas as provas que pudessem incriminar o regime de Saddam Hussein, quando os inspectores da ONU se fizessem deslocar àqueles locais. Nesta perspectiva, Powell não tem dúvidas ao afirmar que Bagdad está a condicionar e a prejudicar os trabalhos dos técnicos da UNMOVIC, fazendo exactamente o oposto do que está previsto na resolução 1441.

O secretário de Estado norte-americano disse ainda que existem vários complexos suspeitos de terem armas químicas, tendo mostrado algumas fotografias aéreas, alegadamente deste tipo de local, sendo que num deles (Taji) foram encontradas há umas semanas algumas ogivas vazias. De acordo com as imagens reveladas e com a interpretação de Powell, constatou-se uma actividade anormal dias antes dos inspectores se terem deslocado ao complexo de Taji. De acordo com Washington, terão sido camiões a retirar substâncias proibidas. Powell disse que este procedimento foi repetido pelo menos em 30 locais diferentes.

PCP critica Lei do Financiamento dos Partidos do PSD/PP e PS

O PCP já reagiu à proposta de Lei referente ao financiamento dos Partidos. A declaração da Comissão Política do PCP, refere que é necessário «tornar pública uma veemente e frontal oposição do PCP a estes projectos».

A Comissão Política do PCP já examinou o conteúdo dos projectos de lei apresentados pelo PS, pelo PSD e pelo CDS-PP sobre o financiamento dos partidos e sobre uma nova lei dos partidos.

A declaração de Vítor Dias, da Comissão Política do PCP, refere que é necessário «tornar pública uma veemente e frontal oposição do PCP a estes projectos, empreender uma vigorosa denúncia pública das concepções que os inspiram e alertar para que a sua aprovação representaria um intolerável retrocesso de caracter profundamente antidemocrático».

A mesma declaração diz ainda que «o PCP considera oportuno lembrar que a apresentação destes projectos se verificou no quadro de uma lamentável e condenável convergência entre a maioria governamental e o PS em torno da urgente colocação na agenda política de uma suposta «reforma do sistema político», o que serve manifestamente as conveniências governamentais de desviar as atenções de problemas efectivamente cruciais do país.

No que respeita aos projectos do CDS-PP (apoiado pelo PSD) e do PS sobre financiamento dos partidos, o PCP adverte que, descontadas as doses maciças de retórica, os seus grandes e capitais objectivos são: «aumentar significativamente as subvenções do Estado aos partidos e às suas campanhas eleitorais e criar excessivas limitações e absurdas dificuldades à obtenção pelos partidos de receitas próprias.»

O PCP anuncia ainda que, no quadro do seu combate político aos projectos já apresentados, apresentará em breve um projecto-lei sobre o financiamento dos partidos que, procedendo a melhorias pontuais na lei em vigor, visará sobretudo diminuir os limites máximos das despesas eleitorais em cada eleição que estão em vigor, assim enfrentando, ao contrário do PS, do PSD e do CDS-PP, o problema crucial do despesismo eleitoral.

O comunicado comunista, chama a atenção para «a excepcional gravidade dos projectos coincidentes apresentados pelo PSD (apoiado pelo CDS-PP) e pelo PS com vista a uma nova lei dos partidos e que, ao pretenderem impor por via legal um modelo único de funcionamento e organização internos para todos os partidos, representam uma insolente tentativa de subversão e esmagamento de princípios e concepções democráticas justamente protegidos pela ordem jurídica pós-25 de Abril.

Segundo o comunicado do Partido Comunista, «o PSD, CDS-PP e PS querem impor por lei a outros partidos as suas próprias concepções sobre matérias em relação às quais, em termos democráticos, a decisão só pode pertencer à opinião e vontade dos membros desses partidos”.

O PCP que considera reger-se – como dispõe o art.º 51º da Constituição – «pelos princípios da transparência, da organização e da gestão democráticas e da participação de todos os seus membros, jamais se atreveria a apresentar um projecto de lei dos partidos para impor ao PSD, ao CDS ou ao PS alterações em aspectos do seu funcionamento que porventura considere de discutível ou insuficiente democraticidade».

Desta forma, o PCP afirma através do comunicado que “dará um firme combate às intoleráveis e antidemocráticas imposições e ingerências contidas nos projectos do PSD e do PS”.

Chirac e Blair “de acordo” quanto ao Iraque

Apesar das divergências quanto à questão do Iraque, Chirac e Blair declararam concordar inteiramente quanto à necessidade de desarmar aquele país, através das Nações Unidas.

O Presidente francês, Jacques Chirac, disse, na terça-feira, que, apesar de existirem algumas divergências com a posição britânica quanto à questão do Iraque, concorda com o primeiro-ministro britânico Tony Blair no que respeita à necessidade daquele país ser desarmado através do Conselho de Segurança da ONU.

“No que respeita ao Iraque, temos diferentes abordagens mas, antes de mais e sobretudo, temos duas convicções que são fundamentais e partilhadas: a primeira é que temos de desarmar o Iraque, e a segunda é que isto tem de ser levado a cabo através do conselho de Segurança das Nações Unidas. Quanto a isso, estamos inteiramente de acordo”, afirmou Chirac.
O Reino Unido e a França acordaram, também, num plano para pressionar a União Europeia a adoptar políticas de defesa e segurança comuns.

Numa cimeira em Le Touquet, dominada pelo Iraque, Tony Blair e Jacques Chirac apoiaram fortemente o desenvolvimento da há muito discutida Força de Reacção Rápida.

Também concordaram em partilhar equipamento militar, como aero-cargueiros, destinado a missões humanitárias ou de manutenção de paz. “A França e o Reino Unido concordam que esta é a altura para a União Europeia aceitar novas responsabilidades no âmbito da gestão de crise”, disseram numa declaração conjunta. Blair e Chirac declararam, ainda, o seu apoio à iminente tomada do controlo das operações da NATO na Macedónia por tropas da União e revelaram que apresentarão propostas conjuntas para o destacamento de mais forças europeias para a Bósnia, na cimeira de ministros de negócios estrangeiros da União, no próximo mês. Finalmente, os líderes apelaram aos parceiros europeus que aumentem a sua despesa na defesa.