2026/09/13

O tudo ou nadapor Pedro Martins

Numa altura em que já faltam quatro vitórias para o F.C.Porto se sagrar virtualmente campeão nacional e em que a questão do segundo lugar aparentemente também está resolvida, o interesse da Superliga nas últimas sete jornadas vai centrar-se, tudo indica, na fuga à despromoção.

E aqui a competitividade não podia ser maior. Do último classificado para o grupo dos oitavos, há apenas oito pontos de diferença. Mais, equipas como o Sporting de Braga, Boavista, Paços de Ferreira ou Moreirense nesta altura a meio da tabela classificativa, estão a duas derrotas apenas da “linha de água”. À excepção do Vitória de Setúbal, que com a derrota caseira no fim-de-semana passado dificilmente vai conseguir evitar a Segunda liga (cá está um caso em que a chicotada psicológica não surtiu efeitos), ninguém se vai poder distrair até ao final do campeonato. Principalmente Académica e Beira Mar, nesta altura na zona de descida mas que na última jornada até conseguiram resultados positivos. Uma luta pois que promete!
De mal a pior vai o Sporting. Os campeões nacionais voltaram a perder, agora em Barcelos (embora com um golo irregular), e ficaram a sete pontos do rival Benfica, que está cada vez mais perto de regressar à Europa do Futebol, via pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Os encarnados, graças a uma nova grande penalidade de Simão Sabrosa, despediram-se da Luz com uma vitória. Num dia de festa, cerca de 100 mil adeptos do clube da águia disseram adeus a um estádio que não chegou a completar meio século de existência.
Ainda em relação ao Sporting, uma nota para as declarações de Sá Pinto esta semana. Na sala de imprensa, o internacional português sem papas na língua, mostrou-se chocado por não ser convocado e lamentou ainda a falta de orientação por parte de Laszo Boloni. Afinal a confirmação daquilo que já se sabia há muito, o silêncio permanente entre o treinador e o restante grupo de trabalho. Numa época para esquecer em Alvalade, uma nota negativa também para o facto dos jogadores terem quebrado apenas em parte o black-out imposto em Dezembro. Uma situação que pelos vistos nem a própria SAD consegue pôr cobro. Será que recusar entrevistas em jornais ou televisões não prejudica antes de mais os próprios jogadores?
Recebido aparentemente de braços abertos na selecção nacional foi Deco. Como já se esperava o agora jogador luso-brasileiro foi convocado por Luis Felipe Scolari para o particular de Sábado à noite nas Antas com o Brasil. Quis assim o destino que Deco vestisse a camisola de Portugal pela primeira vez no estádio do seu actual clube e logo frente à selecção do País que o viu nascer. Pouco interessado nestas coincidências está naturalmente Scolari, desejoso não só de vencer a equipa que ele próprio ajudou a ser campeã mundial mas acima de tudo em ter os melhores ao seu dispor no Euro 2004. O seleccionador nacional está ainda numa fase de observação e como tal voltou a chamar jogadores como Luis Loureiro, Silas, Rogério Matias ou Maniche.
Para último deixei intencionalmente o maior feito do futebol português nos últimos anos: a qualificação inédita de F.C.Porto e Boavista para as meias finais da Taça UEFA. As duas equipas da cidade invicta estão entre as doze melhores da Europa esta época (contando naturalmente também com as equipas apuradas para os quartos de final da liga dos campeões). Só a Itália com quatro e a Espanha com três clubes estão melhores que o nosso País. Resta agora esperar por uma final da Taça UEFA em Sevilha exclusivamente portuguesa e depois fazer votos que esta não volte a ser uma época sem exemplo na Europa do Futebol.

Durão desvaloriza moções de censura

O comportamento da oposição com a apresentação de moções de censura ao Governo num momento de crise internacional é irresponsável, disse o primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso.

Desvalorizando as quatro moções de censura, Durão Barroso disse que a posição do Partido Socialista é uma surpresa considerando que está “irreconhecível”. “Só em Portugal se assiste à irresponsabilidade de apresentação de moções de censura ao Governo precisamente num momento de crise internacional e quando mais sentido tem o reforço da unidade nacional”, disse Durão Barroso, no debate das moções de censura ao Governo no Parlamento.

PS, PCP, Os Verdes e o Bloco de Esquerda apresentaram, no Parlamento, quatro moções de censura ao Governo relativamente ao envolvimento de Portugal na guerra do Iraque, mas nenhuma delas tem qualquer hipótese de ser aprovada e pôr em risco este Governo.

“A surpresa está mesmo no PS, este PS está irreconhecível”, disse Durão Barroso, citado pela Reuters. “Antes o PS era um partido moderado, hoje o PS aparece como um partido radical, antes o PS assumia posições equilibradas, responsáveis, hoje tem uma linguagem extremista e atitudes radicais, antes no Governo o PS não alinhava com as posições daqueles que afrontam a NATO e sempre se opuseram à União Europeia, hoje, na oposição, o PS dá o dito por não dito”, acrescentou.

Uma outra guerra

Vacas, frangos, perus e porcos. Portugal está neste momento envolvido numa guerra contra a saúde pública. Ou devia estar. Temos fundados receios que não.

É verdadeiramente intolerável saber que na cadeia alimentar dos portugueses existem substâncias perigosas, susceptíveis de pôr em causa a saúde pública. E é ainda mais intolerável que se perceba que as autoridades, designadamente o Governo, não sabem lidar com este problema.

Neste tipo de assunto não pode haver lentidão, secretismo ou poupança. É verdade que a máquina do Estado, apesar de grande, não é especialmente eficaz. Mas quando está em causa a saúde de todos nós, tem necessariamente de ser eficaz.

É verdade que a Administração Pública tem uma cultura de segredo e de falta de transparência que não raro põe em causa o interesse público e os direitos dos cidadãos. Mas aqui não podem existir contemplações. O País não pode ser mantido na ignorância do que se está a passar com os alimentos que diariamente consome e as instituições têm de ser suficientemente lestas para que se possa saber quem é quem.

É verdade que temos um enorme défice. Que o Estado tem gasto mais do que deve. Que o País tem de fazer um emagrecimento financeiro para ter as contas em ordem e em dia. Embora diga eu que é simplesmente estranho que o Estado só tenha um discurso de poupança quando está apertado. O Estado deve ser sempre poupado. Tem de combater sempre o desperdício. Deve dar sempre um exemplo de contenção e boa gestão. Sempre e não apenas quando o défice passa os 3%.

Mas na saúde não se pode poupar. Se é preciso dinheiro para fazer análises, que se gaste. Se é preciso dinheiro para pagar a mais veterinários, que apareça. O que jamais pode suceder é virem as autoridades justificarem-se que não é possível fiscalizar adequadamente a qualidade daquilo que comemos porque não há meios. Ou porque não há vontade em obtê-los.

Do ponto de vista político, esta crise da alimentação tem sido gerida da mesma maneira incompetente e “contaminada” do costume. O ministro da Agricultura do PSD, que descobriu que não sabia de nada, diz que a culpa foi do PS. O ex-ministro da Agricultura do PS, que também nunca deu por nada, diz que a culpa é do PSD. Haja decência. Resolvam é o problema e deixem-se de contabilidades sinistras de culpabilidades políticas à custa da saúde de todos nós.

Temos de ganhar a guerra da alimentação às forças do terrorismo veterinário e do fundamentalismo químico.

“Sharon explorará conflito no Iraque para guerra contra Palestina”

O chefe negociador palestiniano, Sa’eb Erekat, mostra-se bastante preocupado com o impacto que a guerra no Iraque terá no Médio Oriente. Durante uma entrevista telefónica, em exclusivo ao SEMANÁRIO, o ministro palestiniano revela que “Sharon explorará o conflito no Iraque para uma escalada de guerra contra a Palestina” e, por isso, apela à comunidade internacional para travar os ímpetos belicistas do primeiro-ministro israelita.

Na sua opinião, como reagirá o povo palestiniano a uma ofensiva militar norte-americana no Iraque?

Nós somos contra a guerra. A guerra não deveria ser uma opção e eu acredito que esta disputa deveria ser resolvida por meios pacíficos. Além disso, estamos preocupados com o impacto que a guerra terá em nós, porque ao mesmo tempo que o mundo está focado no Iraque, as atrocidades vão-se sucedendo nos territórios ocupados.

Os palestinianos vão sendo mortos – como sucedeu ainda ontem (segunda-feira), com a morte de onze civis -, diariamente e a todas as horas são demolidas casas, confiscam-se terrenos, constroem-se colonatos, as forças de segurança israelitas fazem incursões, ataques, assassinatos. Por isso, estamos mesmo preocupados que com o início da guerra, e com as atenções do mundo viradas para o Iraque, que Sharon reocupe Gaza e destrua a Autoridade Palestiniana (AP), e por fim ocupe os territórios autónomos.

Como vê esta crise numa perspectiva palestiniana?

Uma guerra não é opção. A nossa região precisa de paz. Precisa da brisa da paz e não do vento da guerra. Precisamos de ensinar ao Médio Oriente como resolver disputas através de meios pacíficos a da diplomacia.


Pensa, assim, que esta guerra trará consequências nefastas para o povo palestiniano?

Eu espero que Sharon não se aproveite se da situação para uma escalada de guerra contra nós, e a comunidade internacional terá que assegurar que não permitirá a Sharon tirar proveito do conflito no Iraque.


Então na sua opinião, acha que Sharon irá aproveitar-se negativamente da crise iraquiana para atacar os palestinianos e as suas instituições?

Na minha opinião, acho que este Governo irá explorar o conflito no Iraque para uma escalada de guerra contra a Palestina.


O mundo deverá então tomar medidas para travar os ímpetos de Sharon?

Absolutamente. Apelamos aos americanos, apelamos aos europeus, apelamos à comunidade internacional para impedir que Israel explore a situação, para não fazer mais guerra aos palestinianos.


O que pensa sobre o anúncio feito por George W. Bush e Tony Blair sobre uma hipotética divulgação e implementação do “mapa da paz”?

Achamos bem, mas queremos que passem das palavras à acção. Queremos ver o “mapa da paz” implementado, queremos que Bush e Blair assumam aquilo que disseram. Acolhemos bem o que disseram e esperamos que transfiram aquilo que afirmaram para uma política realista para ser aplicada no terreno.


Mas acredita que Bush fará os esforços necessário para implementar este “mapa da paz”?

Vamos responsabilizá-lo por aquilo que ele disse, e o mundo devia fazer o mesmo, chamá-lo à responsabilidade para implementar o “mapa da paz”.


Acredita que a criação da figura do primeiro-ministro palestiniano e a nomeação de Mahmoud Abbas para ocupar o referido cargo poderá ser uma mais valia para o processo negocial?

Haverá um forte e credível primeiro-ministro da AP. Hoje (terça-feira) finalizámos o processo da sua nomeação. O Presidente Arafat assinou e ratificou a lei constitucional que define os poderes do novo cargo, e esperamos que o primeiro-ministro consiga relançar o processo de paz.