2019/09/21

O jogopor Francisco Moraes Sarmento

Nos dias que correm é, cada vez mais, evidente o poder proporcionado pela informação.

Este poder sempre condiciona o modo de vida das pessoas e das sociedades, de tal forma que quem não a domina ou a ela não tem acesso directo, depende de quem a gera e origina.

Por exemplo, governos que não sejam, eles próprios, fonte de informação, daquela que alimenta a comunicação social, ficam subjugados às entidades e pessoas que as divulgam. Não há mercado se não houver comunicação.

A “guerra da informação”, e os seus aspectos mais espectaculares e dramáticos, é um aspecto a que se atende cada vez mais. Outra circunstância estranha, acentuada hoje, é a confusão entre o conhecimento da informação propriamente dita e os seus meios utilizados para sua massificação e divulgação.

A antiga expressão “quarto poder” é um exemplo desta confusão, fazendo esquecer que os instrumentos, não são uma finalidade em si mesmo, nem sede de poder, mas uma imensa tuba dos diversos agentes que determinam o conhecimento da informação e que detêm, efectivamente, o governo social.

Os sons, as imagens, os comentários expõem a bondade do pensamento ao escândalo moral, fazem-nos abstrair do nosso lugar e, por fim, levados pelo espírito gregário, fazem-nos ignorar a individualidade que nos caracteriza e faz de cada um de nós, um ser vário e original.

A comunicação proporcionada pela Internet, principalmente, através do correio electrónico e de funcionalidades como os fóruns, as salas de conversa em tempo real, permite uma experiência individual desta nova relação com o mundo, na qual a posição social, o sexo, o vestuário ou o aspecto físico não importam.

As convenções sociais e a moralidade decaem, as palavras exprimem, então, a mais pura subjectividade, muitas vezes encoberta pelo anonimato. A determinante mais decisiva é de carácter ético. O espírito que assiste a cada um revela a síntese entre a verdade e a liberdade designada por educação.

Agora, o “ser genérico”, poderoso, totalitário e demagógico, oferece, a cada um de nós, a ilusão de omnipresença, uma espécie de simulacro do rei do mundo. Todos podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. A participação nos acontecimentos, e no extremo, a intervenção em todo o real, sustentada pelas novas tecnologias, é uma farsa que a vida acaba por revelar.

Hoje, o “ser genérico” está em guerra, logo participamos, de algum modo, nesse conflito, ignorantes dos aspectos invioláveis da natureza. A banalidade e, em muitos casos, a grosseria mesmo dos que se arrogam porta-vozes do mundo intelectual dominam a linguagem e a comunicação.

E desatentos, ficamos susceptíveis a um jogo de manipulações que só não é humanamente determinado e certo, porque a sorte e o joker são invioláveis e as finalidades transcendentes às gerações dos homens.

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