“As notícias sobre a crise no Bloco são manifestamente exageradas”

Luís Fazenda, em entrevista ao SEMANÁRIO, afirma que as notícias sobre “a crise interna no Bloco são manifestamente exageradas”. Em relação à revisão do regime do subsídio de desemprego, o parlamentar do BE considera que “este acordo não favorece, como devia, a parte mais fraca da equação, que são os desempregados”

O Governo liderado por José Sócrates enfrenta uma crise interna?
O problema deste governo não é a existência de uma eventual crise interna, que se desconhece, mas sim a continuação de uma política recessiva que agrava as condições da economia, aprofunda as desigualdades sociais e aumenta o desemprego.

Como vê o Bloco de Esquerda a revisão do regime do subsídio de desemprego?
Este acordo não favorece, como devia, a parte mais fraca da equação, que são os desempregados. Como se já não fosse suficientemente difícil a sua situação, aproveita-se da sua fragilidade para os obrigar a aceitar um emprego para o qual não podem não estar habilitados, com um corte no ordenado e a milhas da sua residência. Prejudica, também, os direitos dos mais jovens que passam a receber uma espécie de subsídio de desemprego sazonal.

Qual a opinião do Bloco sobre o primeiro mês de Cavaco Silva como Presidente da República, designadamente em relação à sua visita ao Hospital D. Estefânia, em Lisboa?
O mandato de Cavaco Silva é para cinco anos. Não há nenhuma razão para fazer um balanço ao fim de um mês.

Romano Prodi é o líder que a Itália precisa?
Berlusconi era o líder que a Itália não precisava. Um governante que se candidatou a um cargo com o fito de se livrar dos seus problemas com a justiça, governando em proveito pessoal e que afundou o país numa grave crise económica e social. Esperamos, agora, que Prodi confirme aquilo que disse quando era presidente da Comissão Europeia, quando considerou que o Pacto de Estabilidade e Crescimento é mesmo estúpido e que opte por políticas inteligentes.

Não estamos, hoje, perante uma profunda crise da esquerda, quando os partidos emanados desse campo político, ao encontrarem-se no poder, governam maioritariamente através de políticas próprias da direita?
Ao estender a generalização de um comportamento particular a toda a esquerda essa leitura é um pouco abusiva. Estamos, isso sim, perante uma crise dos partidos que assim procedem. Em todo o caso, estes partidos não esgotam o campo da esquerda.

Como analisa o Dr. Luís Fazenda a actual crise interna existente no Bloco, nomeadamente em relação à crispação criada pela participação de Joana Amaral Dias na campanha de Mário Soares para a presidência da república?
As notícias sobre a crise interna no Bloco são manifestamente exageradas. O exemplo que refere, aliás, já foi respondido pela própria Joana Amaral Dias em duas entrevistas concedidas na semana passada. Foi a própria que esclareceu que foi bem recebida na Mesa Nacional do Bloco. Nem podia ser de outra forma, a Joana Amaral Dias é uma militante e dirigente do Bloco no pleno exercício dos seus direitos.|
Duarte de Albuquerque Carreira

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