“É o princípio do fim da crise”

Para Sócrates a notícia não podia ser melhor: a economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano, segundo dados ontem divulgados pelo INE. “Os resultados são o princípio do fim da crise”, afirmou José Sócrates, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros.

Para Sócrates a notícia não podia ser melhor: a economia portuguesa inverteu a tendência de queda, ao crescer 0,3 por cento no segundo trimestre do ano, segundo dados ontem divulgados pelo INE. “Os resultados são o princípio do fim da crise”, afirmou José Sócrates, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. Certamente expectante é que a inversão da tendência de queda contagie, também, as intenções de votos no Partido Socialista. Para o líder do executivo, não poderia haver melhor motivo, que este, para interromper as férias que gozava na vizinha Espanha.

Foi com optimismo, mas com cautela, que José Sócrates anunciou ao país o “princípio do fim da crise”. Para o primeiro-ministro, estes dados são “animadores e positivos”, mostrando que “o Governo está num caminho seguro para sair de uma das mais graves crises da economia”. No entanto, fez questão de sublinhar que este ” não é o fim da crise, mas sim o princípio do fim da crise”, salientando que “há ainda desafios a enfrentar”. “Tenho boas indicações e bons sinais, e não apenas dos resultados da economia, que nos permitem olhar para este número como um número sustentável no futuro”, afirmou, definindo este momento como sendo de “viragem”, mas advertindo que os portugueses vão ter “ainda de suportar as consequências da crise económica, que não se deixarão de sentir”. Sócrates salientou que há “ânimo económico” e que “este crescimento faz com que Portugal saia da situação de recessão”, adiantando ainda que mesmo entre os congéneres europeus o “declínio económico é muito inferior” e que, “um pouco por todo o mundo, a situação económica melhorou”, o que aumenta as perspectivas do crescimento económico. Relativamente ao impacto da crise no emprego, Sócrates considerou que é “muito cedo para dizer”. “O impacto no emprego será mais retardado” e “só se dará uns meses depois”. Não deixando, no entanto, de afirmar as políticas do actual governo, como alavancas deste crescimento. Para Sócrates, as políticas deste executivo “ajudaram muita gente a encontrar emprego e a aguentar o seu emprego e as empresas a encetar negócios” e “permitiram que cerca de 75 mil a 100 mil portugueses mantivessem o seu emprego”, disse Sócrates. O líder do executivo reitera que Portugal é, assim, dos primeiros países europeus a sair da recessão económica, facto que leva o executivo a prometer, para o terceiro trimestre, melhorar os níveis de actividade económica, em relação à média europeia. Mas ainda deverá ser cedo para encomendar o bolo e mandar abrir o champanhe. O arranque do “motor” exportador ainda demorará a fazer sentir-se, antes de se poder, definitivamente, fechar o agora anunciado fim do ciclo recessivo. Teixeira dos Santos cauteloso nas palavras O ministro das Finanças saudou, tal como Sócrates, os números divulgados pelo INE, mas advertiu, na mesma linha que o primeiro-ministro, que a saída de Portugal da recessão não significa o fim da crise. “O crescimento em cadeia do primeiro para o segundo trimestre deste ano termina a recessão técnica iniciada em meados de 2008. Mas isto não é o fim da crise que nos tem afectado”, sublinha Teixeira dos Santos. Numa reacção escrita à comunicação social, o responsável afirma que, para virar a página da crise será preciso que o crescimento se mantenha de “forma sustentada” e que esta dinâmica se “reflicta na criação de emprego”. Portanto, enquanto os motores privados permanecerem travados, “os apoios do Governo à economia e ao emprego devem manter–se de forma a consolidar a recuperação do crescimento”, defende o ministro. Neste contexto, sublinha, “há que apostar na qualificação dos portugueses e na modernização e internacionalização da nossa economia para assegurar um crescimento mais forte a médio e longo prazo. O esforço de investimento privado com esse fim deve ser incentivado e o investimento público deve ser mantido.” CDS-PP: números “não permitem grandes euforias” O deputado democrata-cristão Diogo Feio alerta para não entrar em euforia com os números revelados pelo INE. “Em primeiro lugar, continuamos com dados negativos quanto ao investimento. Em segundo lugar, não há uma consequência no emprego. Em terceiro lugar, o investimento demonstra que as nossas empresas ainda não estão numa posição positiva quanto à sua liquidez, como seria necessário.” “Há economias europeias que estão a reagir bem melhor do que a nacional; e, por outro lado, o segundo trimestre de todos os anos, é naturalmente bem melhor do que o primeiro. É um trimestre em que há mais crescimento”, notou ainda o deputado. Bloco de Esquerda aponta “profunda crise” O Bloco de Esquerda não está convencido, nem se deixa contagiar pelo optimismo do Governo. A deputada bloquista, Helena Pinto, sustenta que o aumento do crescimento económico não reflecte a realidade social do país. Os dados do INE significam, antes, ser “necessário e urgente que o Governo reforce as medidas sociais de apoio aos desempregados, nomeadamente aqueles que não têm acesso ao subsídio de desemprego”, interpreta a bloquista. Helena Pinto lembra que “o desemprego em Portugal continua em crescimento”. PCP: economia continua em recessão Uma posição semelhante tem o PCP perante os dados ontem divulgados pelo INE. “É um erro grave considerar que o país saiu da recessão, porque a variação em cadeia melhorou”, declarou o deputado José Lourenço, para quem as políticas do Executivo socialista são “manifestamente insuficientes” para contrariar o ciclo recessivo em que o país está mergulhado. O deputado comunista defende que uma análise correcta deverá ser feita em comparação, não com o primeiro trimestre do ano, mas antes com o segundo trimestre do ano passado. “Em termos homólogos, o que aconteceu é que mantivemos um decréscimo de menos 3,7 por cento, idêntico ao do primeiro trimestre”, disse. Já a CGTP considera “estranho” que a economia melhore no segundo trimestre quando o desemprego está a crescer “de forma substancial” e continuam as situações de falências de empresas, afirmou ontem Maria do Carmo Tavares, da Comissão Executiva. “Causa estranheza a melhoria da economia com o desemprego a crescer de forma substancial e [quando] continuam as falências de empresas e os salários em atrasos” sublinhou.

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