2019/09/21

Presidente do PSD fortalece a sua autoridade

Manuela Ferreira Leite pediu às distritais do PSD que apresentem as listas de deputados por ordem alfabética, o que é inédito e parece ser mais um sinal da sua afirmação de autoridade. A questão passa agora por saber quem faz o escalonamento das listas e se algumas figuras social-democratas não alinhadas com a direcção, como Pedro Passos Coelho as integram ou não.

Ferreira Leite pede às distritais listas de deputados por ordem alfabética

Manuela Ferreira Leite pediu às distritais do PSD que apresentem as listas de deputados por ordem alfabética, o que é inédito e parece ser mais um sinal da sua afirmação de autoridade. A questão passa agora por saber quem faz o escalonamento das listas e se algumas figuras social-democratas não alinhadas com a direcção, como Pedro Passos Coelho as integram ou não.

Ao pedir às distritais do PSD listas de nomes para candidatos a deputados por ordem alfabética e ao parecer chamar a si a sua escolha, relacionando-se directamente com os presidentes das distritais, a líder do PSD volta a reafirmar a sua autoridade no partido. O procedimento é inédito e o que tem acontecido em processos de escolha de candidatos em anos anteriores é o líder do partido designar alguns membros da sua direcção para centralizarem o assunto. Desta vez, Ferreira Leite parece querer tomar a rédea destes poderes, sem delegar em outros.
Há várias interrogações que se suscitam com este processo. Quem fará o escalonamento das listas de deputados às legislativas de 27 de Setembro? O mais provável é que a líder concerte posições com as distritais, caso em que a indicação das listas por ordem alfabética, teria funcionado, em boa medida, como um condicionamento político. Como as distritais terão ficado “assustadas” com a lista por ordem alfabética, é quase certo que Ferreira Leite conseguirá impor algumas condições, designadamente no que respeita a alguns nomes mais incómodos. Apesar de no partido se viver um ambiente de grande contenção, ninguém querendo colocar em causa Ferreira Leite, o facto é que em surdina a maioria distritais faz saber que quer continuar a ter a palavra decisiva na constituição das listas. Já o presidente da distrital do Porto, Marco António Costa, fez saber abertamente, num recado para Ferreira, que não voltará a ceder às candidaturas impostas pela direcção nacional do partido. Em vésperas das eleições, com as sondagens a darem o PSD taco-a-taco com o PS, as distritais também sabem que Ferreira Leite não deverá arriscar uma guerra interna.
A grande incógnita é, porém, saber se a líder segue os seus apoiantes que não querem equilíbrios nem consensos nas listas ou se Ferreira Leite – tal como fez nas europeias, onde preteriu Marques Mendes e optou por Paulo Rangel contra a vontade dos seus apoiantes – inclui mesmo nas listas Passos Coelho e outras figuras sociais democratas não alinhadas com a direcção.
Alguns elementos da direcção de Ferreira Leite, caso de Alexandre Relvas, não se têm coibido de, publicamente, considerar que Passos Coelho não devia integrar as listas de deputados por ter discordado da estratégia da líder e, mais recentemente, ter condicionado fortemente Ferreira Leite, ao exigir-lhe uma vitória nas europeias. É sabido que Pedro Passos Coelho gostava de ser o cabeça-de-lista por Vila Real, contando, aliás, com o apoio das estruturas locais. Há quem garanta, porém, que Ferreira Leite acabará por integrar Passos Coelho nas listas, saindo o seu poder ainda mais fortalecido. Depois de se ter criado um clima de hostilização de Passos Coelho, a que os seus apoiantes reagiram com desagrado, como aconteceu com Ângelo Correia, Ferreira Leite apareceria no papel de apaziguadora, unindo o partido rumo à vitória e mostrando que não cede a pressões, mesmo as que vêm da sua direcção.

Sociais-democratas atribuem o poder de escolha de listas à Comissão Política Nacional

Passos Coelho deve integrar as listas de deputados do PSD?

Na direcção social-democrata e no “inner circle” de Ferreira Leite têm sido muitas as pressões para que a líder não integre Pedro Passos Coelho nas listas de deputados às eleições legislativas de 27 de Setembro. Na origem da resistência ao nome do ex-candidato à liderança do PSD estará a tentativa de condicionamento de Ferreira Leite feita por Passos Coelho antes das europeias, ao exigir uma vitória ao PSD. O SEMANÁRIO ouviu alguns militantes laranjas, Arlindo Carvalho, Feliciano Barreiras Duarte, Ribau Esteves e Pedro Rodrigues, bem como o independente José Miguel Júdice, sobre a questão.
Inês de Sousa

Arlindo Carvalho

“Comissão Política Nacional é que decide”

“Eu não conheço ainda a posição do perfil elaborado pela Comissão Política Nacional para a escolha dos candidatos a deputados. Ainda não foi dada a conhecer essa posição, portanto, não tenho uma opinião específica sobre esta matéria.”

Feliciano Barreiros Duarte

“Confio que a decisão será tomada em defesa dos interesses do PSD”

“O facto de Pedro Passo Coelho integrar ou não as listas de deputados é uma decisão que tem que ser tomada pela Comissão Política Nacional do partido. Eu confio que a decisão será tomada em nome da defesa dos superiores interesses do PSD.”

Ribau Esteves:

“As listas dos deputados têm de ser representativas dos militantes de base”

“Acho que esta questão não é importante. O Partido Social-Democrata tem que fazer aquilo que é importante para o partido. É importante que o partido tenha as listas mais indicadas para que tenha um melhor resultado na eleição, todos queremos que o melhor resultado seja ganhar. Por um lado, a líder do partido, Manuela Ferreira Leite, tem que ter uma opção, no que respeita aos cabeças de listas, que lhe seja confortável para a sua estratégia. Por outro, os dirigentes dos partidos distritais, que têm um papel muito importante na gestão das listas, têm que dar o contributo para que as listas em cada um dos ciclos eleitorais os deixem confortados e que sejam representativas dos militantes, dos simpatizantes, e o mais possível dos cidadãos. É essa análise que tem que ser feita e subordinado só a essa análise é que a presidente do partido e os dirigentes têm que tomar decisões. Eu, por exemplo, não estou disponível para ser candidato e o PSD tem uma regra óbvia nesta eleição que as pessoas não podem ser candidatas a uma câmara e à Assembleia da Republica. Já tinha dito há algum tempo que gostava de ver o companheiro Passos Coelho a fazer alguma coisa de executivo na vida política, porque ser deputado é muito fácil. Gostava de o ver candidato a uma câmara, como já o foi. Ser candidato em Portugal é uma coisa fácil. Defendo a eleição uninominal dos deputados e como a nossa eleição é de lista os portugueses não escolhem deputados, escolhem o primeiro-ministro e o partido que os vai representar. Espero que a eleição dos deputados passe a ser uninominal e que passemos a escolher os deputados, o que até seria muito bom para a democracia portuguesa. Considero irrelevante se o companheiro Passos Coelho vai ou não vai integrar as listas, o que é importante é que as pessoas que têm que decidir decidam bem e se sintam bem com a decisão que tomarem. Se dentro dessa lógica entenderem que o companheiro Passos Coelho aí fica, têm o meu apoio, se entenderem que não fica bem têm o meu apoio também.”

José Miguel Júdice:

“A questão não é um drama nem para a Pátria, nem para o País.”

“Cada partido deve ter as suas regras. A opinião geral de um partido não é o direito fundamental de um homem. Se a direcção do partido achar que deve integrar nas listas Pedro Passos Coelho – muito bem. Se achar que não deve integrá-lo – muito bem na mesma. Esta questão não é um drama nem para a Pátria, nem para o País.”

Pedro Rodrigues

“Vou dar a minha opinião internamente”

“O critério para a elaboração das listas é uma escolha que deve ser feita pelas Comissões Políticas Distritais e Nacional, pelo secretário-geral e pela presidente do partido. Julgo que Manuela Ferreira Leite deve tomar essas opções e escolhas. A escolha das listas do partido é uma matéria que deve ser reservada aos órgãos próprios, nem deve ser discutida na praça pública nem fora dos órgãos próprios. Estou, obviamente, à disposição desses órgãos para dar a minha opinião internamente.”

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