Ferreira Leite aceita coligação com o CDS-PP em Lisboa

Santana Lopes poderia ter a sua candidatura comprometida, no que concerne a um bom resultado eleitoral, caso a direcção do PSD rejeitasse uma coligação com o CDS-PP, ou Manuela Ferreira Leite não tivesse mantido a postura firme de apoio a Santana.

Apesar de resistências na direcção laranja

Direcção do PSD poderá estar contra eventual tomada de posição de Ferreira Leite em aceitar coligação com o CDS-PP em Lisboa.

Santana Lopes poderia ter a sua candidatura comprometida, no que concerne a um bom resultado eleitoral, caso a direcção do PSD rejeitasse uma coligação com o CDS-PP, ou Manuela Ferreira Leite não tivesse mantido a postura firme de apoio a Santana. Da parte dos militantes de topo da máquina laranja, poderá ter havido eventualmente, movimentações com vista a travar a corrida de Pedro Santana Lopes à câmara da capital, e, prendê-lo assim em Lisboa, longe da ribalta da vida politica nacional.
Uma vez mais a história repete-se. Santana Lopes, antes de avançar para as urnas, confronta-se primeiro com os seus inimigos internos, para depois – aí sim – avançar para a campanha. Depois do apoio incondicional de Manuela Ferreira Leite à sua candidatura, com rasgados elogios de parte a parte, parece que fortuitamente, calhou uma vez mais, à direcção do PSD, fazer das suas ao “menino guerreiro”.
Primeiro, através da tentativa de retirar palco político ao ex-líder do PSD, mediante oposição à sua candidatura a Lisboa e de tentar encobrir a obra de Pedro Santana Lopes enquanto homem “no leme” dos destinos da capital.
Porem, estes intentos não surtiram efeito junto de Manuel Ferreira Leite, e, para espanto de muitos, e admiração de mais alguns – “o político das sete vidas” dizem – Pedro Santana Lopes, foi mesmo o escolhido por Manuela Ferreira Leite para concorrer à câmara lisboeta.
Tudo aponta para que Manuela Ferreira Leite, não deixe cair por terra esta cooperação com Pedro Santana Lopes. É quase certo que Ferreira Leite aceita a coligação do PSD com o CDS-PP à câmara municipal de Lisboa.
Perante a derrota, de alguns dos sectores da máquina laranja, incapazes de travar o ímpeto com que a líder laranja tomou a decisão de apoiar Pedro Santana Lopes – lembre-se que a corrida à câmara Lisboeta é uma prova onde muitos querem participar – restou apenas duas hipóteses. A primeira, dificultar a campanha do ex-autarca durante a corrida. A segunda, dificultar essa mesma corrida mesmo antes de ela começar.
Sabendo o quão difícil é denegrir a imagem de Santana Lopes, junto da opinião pública mais favorável à sua candidatura, isto é, junto da franja do eleitorado mais fiel a Santana. Parece que, decisores de primeira linha no PSD viraram-se para a tentativa de bloquear a coligação, entre o PSD de Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite e o CDS-PP, liderado pelo antigo ministro da defesa de Santana, Paulo Portas.
Gorada a primeira hipótese, optando pela segunda, os opositores internos de Santana entraram em gestão de danos. Impossibilitados de evitar a candidatura, tentaram cortar ao candidato laranja a percentagem de 5,5 a 7% correspondentes às intenções de votos no CDS-PP. Mas ao que tudo indica a coligação PSD/CDS-PP a Lisboa vai mesmo avançar.
Muito por força da líder Manuela Ferreira Leite e um pouco pela falta de expressão dos opositores, não só à coligação mas também de Santana Lopes, do lado do CDS-PP. Lembre-se que, mostrando-se pouco entusiasmado com a ideia de o partido concorrer coligado com o PSD para a Câmara de Lisboa nas próximas autárquicas, Ribeiro e Castro considerou que “o partido só tinha ganhar em termos de representatividade” se apresentasse uma candidatura própria ao eleitorado com as suas propostas para a cidade. “O CDS tem de ser capaz de apresentar uma candidatura autónoma, mas se quem tem responsabilidades no partido não tem capacidade para fazer vingar uma lista própria, então essas pessoas deveriam sair e dar o lugar a outros”, defendeu na altura o ex-líder democrata cristão. Porem a assembleia concelhia do CDS-PP de Lisboa aprovou por 73 por cento dos votos, o início das conversações com o PSD para formalizar uma coligação com os sociais-democratas nas autárquicas na capital, expressando o apoio esmagador à coligação. Recorde-se que PSD e CDS têm actualmente 21 coligações autárquicas, onde se destacam as de Porto, Gaia, Coimbra, Sintra, Cascais, Aveiro, Famalicão, Lamego ou Nelas.
Este apoio incondicional de Manuela Ferreira Leite a Pedro Santana Lopes tem para laivos de surpresa. Enquanto presidente da distrital de Lisboa do PSD, aquando das autárquicas de 2001, Manuela Ferreira Leite foi uma das pessoas que maiores reservas levantou à existência de uma coligação pré-eleitoral em Lisboa com o partido liderado por Paulo Portas. Contudo, a vitória de Pedro Santana Lopes sem maioria absoluta acabou por criar as condições políticas para o acordo pós-eleitoral que se seguiu.
Derrotados que estão, os opositores internos que compõem as engrenagens da máquina laranja, resta agora a Pedro Santana Lopes confrontar uma vez mais, em ritmo recorde de candidaturas nos últimos anos aos mais variados cargos, o eleitorado.

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