2019/12/08

“Com o apoio de Jardim ficou claro que Santana vai ganhar”

Rui Gomes da Silva, vice-presidente do PSD e apoiante de Santana Lopes, diz em entrevista ao Semanário que se antes da declaração de Alberto João Jardim, Santana Lopes era já um candidato com grandes hipóteses de vitória, com o apoio do presidente do Governo Regional da Madeira “ficou claro que Santana Lopes será o próximo líder do PSD.”

Rui Gomes da Silva, vice-presidente do PSD e apoiante de Santana Lopes, diz em entrevista ao Semanário que, se antes da declaração de Alberto João Jardim, Santana Lopes era já um candidato com grandes hipóteses de vitória, com o apoio do presidente do Governo Regional da Madeira “ficou claro que Santana Lopes será o próximo líder do PSD”. O dirigente social-democrata refere também, no âmbito da política geral, que a revisão em baixa sobre o crescimento económico para 2008, confirma que as previsões do governo de José Sócrates eram falsas e irrealistas. Sobre a reforma do mapa judiciário, implicando o encerramento de muitos tribunais, Rui Gomes da Silva refere que “se vai agravar a situação de desertificação do país”, constituindo mais “uma machadada no interior do país”. Por último, em matéria de política externa, Rui Gomes da Silva critica a acção de Sócrates na Venezuela. Em primeiro lugar porque as relações próximas com Hugo Chávez podem prejudicar as relações com alguns países europeus. Basta ver as críticas que o presidente venezuelano fez recentemente a Ângela Merkel. Em segundo lugar pelo facto de descentrar a política externa portuguesa das relações com o Brasil.

Depois do apoio de Alberto João Jardim a Santana Lopes como vê as perspectivas para a candidatura do ex-primeiro-ministro?
Acho que com o apoio do Dr. Alberto João Jardim está defendido o quadro de apoios partidários das maiores estruturas do PSD do país, e isso leva a que o Dr. Santana Lopes seja neste momento, e a partir desse apoio, o melhor candidato para vir a vencer as eleições directas. Se antes era uma possibilidade com grandes hipóteses de obter vencimento, acho que a partir da declaração do Dr. Alberto João Jardim ficou claro que o Dr. Santana Lopes será o próximo líder do PSD.

Qual é a posição do PSD sobre o mapa judiciário? E a sua posição pessoal?
Achamos um erro este braço de ferro que o Governo faz sobre o mapa judiciário. Tive oportunidade de ouvir todas as partes envolvidas na questão do mapa judiciário, o Bastonário da Ordem dos Advogados, o Bastonário da Ordem dos Notários, a Associação Sindical dos Juízes, o Sindicato do Ministério Publico, o Sindicato dos Oficiais de Justiça, todas as partes interessadas na organização da justiça em Portugal, todas estas mesmas partes, todos estes sindicatos, foram unânimes em se pronunciarem contra o mapa judiciário, contra a reformulação apresentada pelo Partido Socialista.
Mas aquilo que para o PSD mais revelou foi que com a presente proposta se vai agravar a situação de desertificação do País, bem como o facto de se seguirem medidas e soluções já tentadas na saúde e na educação, que visam apenas o encerramento de tribunais, como houve o encerramento de hospitais, de centros de atendimento, como há encerramentos de escolas. Portanto, é mais uma machadada no interior do País, é mais uma machadada nesta necessidade de sermos solidários com as pessoas que não vivem nos grandes centros urbanos.

O governo reviu em baixa o crescimento económico. Como avalia estes resultados?
É no fundo a confirmação daquilo que o PSD tem vindo sempre a dizer. Dissemo-lo no debate do orçamento, dissemo-lo mais tarde em vários debates da Assembleia da Republica. Que as realidades que o Governo trouxe para o Orçamento de Estado, e as realidades que fizeram e ainda fazem, é uma maneira de mostrar aos portugueses que é possível uma recuperação, são completamente falsas, são no fundo realidades sem nenhuma sustentação, ou são números sem nenhuma sustentação na realidade. São quadros macroeconómicos que não existem, que não vão existir, e portanto levarão a uma situação económica gravíssima nos próximos meses, até fim de 2009.

O PM está em visita à Venezuela, em vésperas da Cimeira União Europeia-América Latina. Que expectativas têm para essa cimeira?
Deveria ser uma cimeira com a qual Portugal teria grandes expectativas. Não penso que a solução política que está a ser seguida pelo Governo, e com a tentativa de ligação bilateral a alguns países da América latina, seja a melhor, por duas ou três razões. A primeira, não havendo uniões económicas na América Latina, isso dificulta o relacionamento com a Europa, tal como ela existe em termos de união económica, de União Europeia. Depois porque o facto de poderes de soluções calvinistas, estarem a ser seguidas na América Latina dificulta também o relacionamento com uma Europa, com os países democráticos da Europa. Em terceiro lugar porque Portugal deveria privilegiar o relacionamento com o Brasil, e portanto esta tentativa de entendimento com outros países da América Latina que não o Brasil, são situações que, quanto a nós, não deveriam ser uma prioridade. Não deixam de ser importantes, mas a prioridade de Portugal deveria ser o Brasil. Por isso é que houve tanto investimento nos últimos anos, até em Governos em que o próprio primeiro-ministro José Sócrates era membro desse mesmo Governo, estou-me a referir ao governo do Engenheiro Guterres, e por isso a prioridade deveria ser o Brasil. Não percebo por que é que o Governo abandonou essa prioridade. |

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