2019/12/13

Aeroporto de Fátima ganha força depois do chumbo da Ota

A região Oeste ficou sem o aeroporto da Ota mas pode sair beneficiada com o aeroporto internacional de Fátima, vocacionado para receber peregrinos em romagem ao santuário, em voos charter ou low-cost. Os autarcas do Oeste e da região de Leiria querem contrapartidas do Governo pelo chumbo da Ota e o aeroporto em Fátima pode funcionar como infra-estrutura essencial para dinamizar muitas autarquias. O Governo, sabe o SEMANÁRIO, também está receptivo à ideia, podendo apoiá-la financeiramente, caso tenha viabilidade técnica e ambiental. Para além do turismo religioso, o aeroporto poderia também servir para fins de turismo indiferenciado e mesmo para efeitos de emergência médica para toda a região centro.

A região Oeste ficou sem o aeroporto da Ota mas pode sair beneficiada com o aeroporto internacional de Fátima, vocacionado para receber peregrinos em romagem ao santuário, em voos charter ou low-cost. Os autarcas do Oeste e da região de Leiria querem contrapartidas do Governo pelo chumbo da Ota e o aeroporto em Fátima pode funcionar como infra-estrutura essencial para dinamizar muitas autarquias. O Governo, sabe o SEMANÁRIO, também está receptivo à ideia, devendo apoiá-la financeiramente, caso tenha viabilidade técnica e ambiental. Para além do turismo religioso, o aeroporto poderia também servir para fins de turismo indiferenciado e mesmo para efeitos de emergência médica para toda a região centro. Quantas mais finalidades o aeroporto puder alcançar, mais viabilidade a sua execução parece ter.
A hipótese de criação de um aeroporto internacional em Fátima começou a ser falada no ano passado, ainda antes de o Vaticano ter lançado o projecto, no Verão passado de promover voos turísticos para vários santuários do mundo. A ideia, porém, nunca foi devidamente acarinhada. Por um lado, a decisão de localizar o aeroporto internacional de Lisboa na Ota tirava sentido e espaço de manobra ao aeroporto de Fátima. Por outro lado, havia autarcas que temiam falar do aeroporto em Fátima, com medo que pudesse prejudicar a concretização do aeroporto na OTA, cuja localização sempre muito atacada apesar da decisão do Governo estar tomada. O tempo viria a dar-lhes razão, ainda que por motivos diferentes.
Só há um mês, depois de o Governo rever a localização do aeroporto para Alcochete, a ideia de Fátima ganhou um novo impulso. Apesar de Fátima ser um destino mais a norte, o facto é que também pode dinamizar a região Oeste, sobretudo no plano das unidades hoteleiras já existentes ou a construir, funcionando como unidades de alojamento do turismo religioso. Refira-se que a localização do aeroporto de Lisboa em Alcochete afastou mais geograficamente os peregrinos de Fátima, o que poderia ser colmatado pela construção da nova estrutura aeroportuária.
Por sua vez, para o governo, um investimento como do aeroporto de Fátima não só é uma oportunidade de atenuar a insatisfação sentida pelas populações do Oeste como se integra na linha global do governo de tentar dinamizar a economia nacional com pacotes de investimento que aumentem o crescimento económico. Como aconteceu na semana passada com o conjunto de projectos e investimentos anunciados por José Sócrates para o Alentejo.
A pouco mais de dois anos das eleições legislativas, o governo pensa cada vez mais em termos eleitorais. Sócrates precisa cada vez mais que as populações sintam resultados concretos, o que só parece ser viável com o crescimento da economia, ou pelo aumento das exportações, como ainda esta semana referiu Cavaco Silva, ou pelo aumento do investimento, público e privado. Por outro lado, depois de a margem Sul ter ficado satisfeita com a adjudicação do aeroporto em Alcochete, Sócrates parece estar ciente de que não se pode descurar o eleitorado da região Oeste, evitando uma votação maciça no PSD nas eleições legislativas de 2009.
A Igreja também está receptiva à ideia, só lhe desagradando a escassa proximidade da localização que é dada como mais provável para o novo aeroporto, a Giesteira, a 5 Km de Fátima, onde já existe um aeródromo. Na verdade, a existência prévia deste aeródromo garante facilidades de construção para um aeroporto internacional. Há, aliás, um estudo em curso para avaliar a viabilidade desta localização, as condições de segurança, o modelo de financiamento e a vertente ambiental, que deve ficar concluído no espaço de um mês, segundo disse ao SEMANÁRIO, o presidente da Câmara de Ourém, David Catarino, um dos grandes entusiastas da construção de um aeroporto em Fátima. Um dos objectivos principais do estudo é avaliar as condições para uma ampliação das pistas, de modo a que o novo aeroporto estivess apto a receber aeronaves com capacidade para 170 passageiros.
A decisão de avançar com o estudo sobre a Giesteira foi tomada em Setembro de 2007, já que a actual pista da Giesteira foi apontada como destino de voos turísticos a partir do Vaticano e de outros pontos da Europa. A atractividade de Fátima nos mercados turísticos internacionais levou, então – mesmo com as limitações inerentes em face da decisão prévia de localização do aeroporto de Lisboa na Ota – várias entidades locais a criarem um grupo de trabalho. Refira-se que o aeródromo é propriedade privada mas que o proprietário, Joaquim Clemente, está disponível para o alienar.
No caso de a localização na Giesteira não ter viabilidade, designadamente por estar muito próximo do Santuário, David Catarino considera que há que encontrar uma nova hipótese de localização, de modo a não perder a oportunidade de colocar Fátima no roteiro de peregrinação do Vaticano e contribuir para o desenvolvimento da região. Recorde-se que tanto o santuário de Lourdes como o de Cracóvia, por exemplo, são servidos por aeroportos muito próximos.

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