Aparelho socialista irritado com António Costa

Os socialistas do aparelho estão descontentes com a constituição das listas do PS em Lisboa. António Costa escolheu cirurgicamente os nomes pelo valor acrescentado que podiam trazer, metendo, ainda, cinco independentes em dez lugares. Ana Sara Brito, ex-coordenadora da campanha de Manuel Alegre, Manuel Salgado, arquitecto influente e José Cardoso da Silva, ex-presidente do BBVa e ex-director-geral do BCP, são nomes em posições destacadas. Já a antiga vereação socialista e os homens da concelhia do PS na capital ficaram a ver navios. Entretanto, no campo do PSD, a entrada na corrida de Carmona Rodrigues, com apoios de peso, baralhou a estratégia mendista.

Os socialistas do aparelho estão descontentes com a constituição das listas do PS em Lisboa. António Costa escolheu cirurgicamente os nomes pelo valor acrescentado que podiam trazer, metendo, ainda, cinco independentes em dez lugares. Ana Sara Brito, ex- coordenadora da campanha de Manuel Alegre, Manuel Salgado, arquitecto influente e José Cardoso da Silva, ex-presidente do BBVa e ex-director-geral do BCP, são nomes em posições destacadas. Já a antiga vereação socialista e os homens da concelhia do PS na capital ficaram a ver navios, nomes como Rui Baptista, Nuno Gaioso Ribeiro e, claro, o poderoso Miguel Coelho e qualquer dos nomes que lhe são afectos no Secretariado do PS. É sabido que a concelhia de Lisboa se inclinou, no início do processo eleitoral em Lisboa, para a candidatura de António José Seguro, uma escolha que também era bem vista por Jorge Coelho. Entre António José Seguro e António Costa há uma rivalidade de longa data, facto que não é alheio, certamente, às sucessivas “abortagens” que têm sido feitas aos voos de Seguro. Há cerca de um ano como potencial presidente da Comissão Permanente do PS e agora como candidato a Lisboa. Também é sabido que Sócrates e Costa têm um pacto geracional que deve conter algumas cláusulas mais concretas, como a de Seguro só ascender em caso de comum acordo.
Para além de Ana Sara Brito, foram poucas as contrapartidas que Costa deu aos socialistas. Marcos Perestrello, um homem próximo de Sócrates, ficou na quarta posição da lista. Curiosamente, Eduardo Cabrita, homem próximo de Sócrates, ficou a trabalhar na dependência de Sócrates, com a Secretaria de Estado da Administração Local. O outro “brinde” ao partido foi dado na pessoa de Manuel Brito, ex-presidente do Instituto Nacional do Desporto, filho do malogrado “mérchander” de arte, Manuel de Brito, muito próximo da família Soares. Nesta última escolha, Costa juntou ao útil ao agradável, apresentando um militante socialista que traz grande valor acrescentado às listas. Desde que começou a correr em pista própria que Costa tem tido especial cuidado com as famílias existentes no PS. Recorde-se que o ex- MAI esteve ao lado do grupo do ex-secretariado, depois ligou-se a Sampaio, foi um ministro muito apreciado por Guterres, esteve como braço-direito de Ferro Rodrigues e assumiu igual posição com José Sócrates. Não é, assim, por acaso, que na candidatura de Costa se tenta passar a mão pelo pêlo aos soaristas. Como também não é certamente por acaso que João Soares, que quis muito ser candidato pelo PS nestas eleições, já deu a cara a apoiar Costa sem reservas.
O calcanhar de Aquiles de Costa sempre residiu na pouca influência junto do aparelho, com tendência para se ligar a figuras menos sofisticadas, com facilidade de gerar empatias. Talvez bem ciente desta fragilidade, Costa pode ter percebido que nem sequer valia a pena dar “posições” ao aparelho, contribuindo apenas para tornar menos coesa a sua lista. É bom recordar, porém, que os candidatos do PS em Lisboa sempre precisaram do aparelho para ganhar. Nas eleições de 2005, os desentendimentos que se geraram entre Miguel Coelho e Manuel Maria Carrilho contribuíram fortemente para a derrota. Por outro lado, convém lembrar que o PS, sem coligação à esquerda, nunca conseguiu ganhar a capital, facto a que não é estranho, certamente, o ónus que António Costa quis fazer recair, no lançamento da sua candidatura, sobre o PCP, Bloco de Esquerda e Helena Roseta por não haver coligação por Lisboa. Desta vez, porém, os estragos de uma derrota na capital podem ser muito fortes, afectando o governo, o que não aconteceu em 2005, onde o governo estava em pleno estado de graça e Carrilho levou com as responsabilidades todas em cima. Desta vez, se houver derrota, as responsabilidades até podem não ser bipartidas. Se Costa tinha tudo para ganhar e perdeu a culpa é de quem? Talvez de Sócrates e da sua política.

Alibi Carmona não resulta

Entretanto, no campo do PSD, a entrada na corrida de Carmona Rodrigues, veio tornar a missão de Fernando Negrão e Marques Mendes ainda mais difícil. Ainda para mais Carmona, já em segundo nas sondagens, apareceu com um naipe de apoiantes de peso. Como Carlos Barbosa e Simone de Oliveira. O apoio, de novo, de Cunha Vaz também tem peso. A questão da urbanização dos terrenos do Sporting pode, aliás, ser um dos temas da campanha, com Carmona a comprometer-se na resolução do assunto. Repare-se que tanto Cunha Vaz como Manuel Salgado, os dois ódios de estimação de Carrilho, aparecem novamente nesta campanha, com o arquitecto dentro das listas do PS.
O líder do PSD está a avaliar a nova situação do ponto de vista estratégico e várias hipóteses estão já no terreno. Quanto maior for a derrota de Negrão, mais os ataques a Mendes se acentuarão a partir de 15 de Julho. O cenário de Mendes utilizar Carmona como um alibi político, para justificar os maus resultados de Negrão, está em cima da mesa. No PSD, há, contudo, quem esteja convencido que esta estratégia serve de pouco, já que Mendes não vai conseguir passar essa mensagem. Está muito fresca a memória da escolha de Carmona, precisamente por Mendes ( preterindo Santana Lopes) para que a estratégia do alibi possa funcionar. Talvez já preparado para o que pode ser uma hecatombe no PSD, o líder social-democrata prepara-se, entretanto, para tomar o poder de iniciativa, convocar um Congresso e fazer directas… Para ver se passa.

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