2020/10/22

Carrilho segue conselho de Sócrates e desce do Olimpo à rua

Carrilho tem a sua lista completa, que deverá ser publicitada, na próxima quinta-feira, na antiga FIL, com a presença de Jorge Coelho e de Maria de Belém Roseira, a candidata à presidência da Assembleia Municipal. A lista não foi consensual, pois dos 61 votos, pouco mais de metade (38) mereceu “sim”, 18 votos “não” e cinco abstenções. Um resultado em que “pesou” o facto de integrar muitos independentes e “alguns desconhecidos”, com “mais-valia” para conquistar a maior câmara do País. A partir de hoje, Carrilho segue o conselho de Sócrates: “Sair do Olimpo de filósofo e descer à rua.” Começa, pois, o seu périplo pelos bairros de Lisboa, em duas freguesias que simbolizam o lema escolhido: “A Volta do Abandono”.

A lista de candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, liderada por Manuel Maria Carrilho e tendo em segundo lugar Nuno Gaioso Ribeiro, foi aprovada, esta semana, pela comissão política da concelhia lisboeta, por 38 votos a favor, 18 contra e 5 abstenções.
O resultado, à partida, revela que não teve um “apoio fácil”, facto “desvalorizado” por alguns votantes, nomeadamente da estrutura local. Explicam: “Não contestamos que sejam pessoas válidas, mas do ponto de vista político não sabemos se terão “a suficiente mais valia”, por serem independentes- em dez elegíveis, cinco não estão afectos ao PS – e, sobretudo, por serem “ilustres desconhecidos e, assim, pouco cativantes para os lisboetas”.
Em contraposição, os apoiantes de Carrilho consideram a lista como “um conjunto de reputados especialistas”. E desenrolam, mesmo de forma resumida, o currículo de cada um.
Nuno Gaioso Ribeiro, 34 anos, é docente universitário e administrador de empresas, especialista em gestão de projectos e investimentos internacionais. Em terceiro lugar, a ex-deputada Natalina Moura, licenciada em Ciências Geológicas e professora convidada da Universidade Independente. Segue-se, na quarta posição, João Matias, 49 anos, independente, engenheiro electrotécnico, especialista em tecnologias de informação e comunicação, gestor de empresas e director da delegação portuguesa da ‘Oracle’. António Dias Baptista, em quinto lugar, 47 anos, é jurista, membro da actual assembleia municipal de Lisboa, e presidente do Grupo Municipal do PS em Lisboa, desde 1998. É dirigente nacional, federativo e concelhio do PS, vice da Comissão Política Concelhia, membro da FAUL e da Federação Nacional do PS.
Depois está Rui Paulo Figueiredo, assessor jurídico do primeiro-ministro, e também membro da Assembleia Municipal da capital, além de ter sido assessor de diversos ministros e de ser dirigente nacional, federativo e concelhio dos socialistas da capital.
Por último, estão Paulo Pereira, independente e ex-vice-presidente do IPPAR, Ana Barbosa e Isabel Abreu, também independentes.
Talvez o nome mais “sonante” seja o que ocupa o 11.º lugar da lista, como suplente, Eduardo Prado Coelho, escritor e docente universitário da Universidade Nova de Lisboa. Conhecido também é o ocupante do 13.º, António Serzedelo, membro da associação de defesa dos homossexuais ‘Opus Gay’.
A verdade é que nos dez primeiros lugares, em lugar elegível portanto, há seis homens e quatro mulheres, com uma média etária baixa, e estão presentes seis elementos vindos do sector público e quatro do privado. Talvez por isso, Carrilho tenha sublinhado, ao defender a sua lista, “a existência de uma grande interdisciplinaridade entre os seus membros, o que oferece garantias de cumprimento do projecto para a cidade de Lisboa”.
Hoje Carrilho sai à rua e enceta o seu périplo pelos bairros de Lisboa, visitando duas freguesias e fazendo aquilo que designa como “a volta do abandono”. Segue o conselho de Sócrates de “o filósofo abandonar o Olimpo das grandes ideias e descer à rua e ao povo”.

Reduzir a metade
os carros em Lisboa

Entretanto, Carrilho teve um almoço de trabalho na Casa do Alentejo, em Lisboa, sobre “a mobilidade na cidade”, que juntou administradores, representantes das operadoras de transportes do concelho e delegados sindicais de empresas de transportes públicos.
Objectivo: “Avaliar os problemas da cidade e começar a definir as medidas concretas”, que serão apresentadas, no seu todo, em Setembro. À mesa, o candidato ouviu as preocupações da Carris, Metro, Soflusa, Transtejo, CP e das três maiores cooperativas de taxistas que operam na capital.
Entre outras questões, foram abordadas as seguintes: aumento do número de faixas BUS para “permitir o aumento da velocidade comercial dos veículos”; o excesso de táxis e a falta de praças; a necessidade imperiosa de criar mais estacionamento na periferia lisboeta, “para diminuir o número de veículos individuais e melhorar o serviço prestado pelos transportes públicos”. Tudo preocupações que Carrilho considerou “pertinentes” e que vai ter em conta (aliás já tinha) no seu programa de acção.
Os taxistas reconheceram que o serviço no aeroporto da Portela continua a ser “o calcanhar de Aquiles” do sector e criticaram a autarquia por ter criado “encargos financeiros com o serviço do transporte LX Porta-a-Porta, que poderia ser feito em articulação com as centrais de táxis, a um preço mais barato e dando trabalho ao sector”.
Carrilho explicou que a solução de muitos destes problemas passa por uma “visão metropolitana” e aproveitou a deixa para criticar o papel da Autoridade Metropolitana de Transportes, considerando-o “altamente ineficaz”, “medíocre” e “insuficiente”.
Deu também a garantia de se comprometer em “diminuir para metade o número de automóveis que circulam em Lisboa, reduzindo o tráfego de atravessamento”. E considerou que “as portagens à entrada da cidade devem ser a última solução”.

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