Carrilho em Lisboa e Assis no Porto escolhidos por unanimidade

O PS oficializou, quarta-feira, a escolha de Manuel Maria Carrilho e de Francisco Assis, como candidatos às Câmaras Municipais de Lisboa e do Porto, respectivamente.

O coordenador autárquico
foi cauteloso, ao especificar, depois, que ultrapassar o PSD no número de Câmaras e conquistar, assim, a Associação Nacional de Municípios “não é uma fasquia para o PS”. Contudo, também foi bem explícito quando disse que os socialistas querem concorrer “preferencialmente sozinhos” e que eventuais coligações em “alguns concelhos em que essa coligação permita uma mudança” serão “analisadas caso a caso”.
Além disso, foi bem claro, quanto a Lisboa e Porto: “Nessas duas o partido tem votos para ganhar sozinho” e será considerado “o peso de cada partido nas últimas legislativas”. Talvez fosse um “recado” dirigido a Jerónimo de Sousa, que, antecipando-se, veio recusar ser, tão só, “a cereja no bolo socialista”.
Recorde-se que na capital, o Bloco de Esquerda até teve mais votos do que o PCP. E fique a saber que Francisco Louçã já remeteu uma decisão sobre uma eventual coligação em Lisboa (no Porto já foi afastada pelo BE) para Maio, depois da realização da Convenção do partido.
Na conferência de imprensa, Jorge Coelho admitiu que a direcção socialista já aceitou reunir-se com o PCP, a pedido deste, embora ainda sem data marcada.
O secretariado nacional do PS aprovou uma estratégia autárquica nacional, pois estão já escolhidos, segundo Coelho, “cerca de 80 por cento dos candidatos a presidentes de municípios”. Ficou, ainda, agendada, para o início de Setembro, uma convenção nacional autárquica.
Entretanto, a 29 de Abril, no Porto, e no dia seguinte, em Lisboa, serão realizados colóquios para a preparação do “Manifesto Eleitoral Autárquico” dos socialistas.
Coelho foi parco nos elogios. Quanto a Carrilho, apenas disse: “É um excelente candidato, tem provas dadas no País e foi o melhor ministro da Cultura desde o 25 de Abril”.

Os dois candidatos

Manuel Maria Carrilho anunciou a sua intenção de entrar nesta corrida há cerca de um ano, afirmando, na altura, ter “um projecto para Lisboa”. Desde então, o ex-governante conseguiu agregar um vasto leque de apoios, conseguindo até “arredar” Ferro Rodrigues, que hesitou e acabou por desistir. “Ele lá sabe porquê”, comentava um “ferrista”, embora o próprio Ferro Rodrigues tenha, há tempos, esclarecido que se recusava a entrar em disputas internas e, assim, não seria candidato a Lisboa.
Francisco Assis, por seu turno, que já teve experiência parlamentar, liderando a bancada socialista, e que actualmente dirige a federação distrital do Porto, já veio anunciar que irá lançar as “Novas Fronteiras” na cidade invicta.
Vai convidar um conjunto de personalidades independentes da cidade ligadas aos mais diversos sectores, para participarem na feitura do seu Programa, que tenciona apresentar antes do Verão.
“Vamos criar no Porto um modelo tipo Novas Fronteiras, pois o Porto tem uma efervescente actividade em vários domínios, que importa envolver no projecto que vamos elaborar” — declarou.
Para ser mais claro: “Quero fazer uma grande plataforma aberta à intervenção de independentes”. Recusa, todavia, “procurar federar interesses que estejam momentaneamente descontentes com o modelo de gestão do actual presidente da edilidade portuense”. “É muito mais do que isso”, disse. E apesar da indisponibilidade, já divulgada, pretende, nos próximos dias, fazer uma derradeira tentativa junto do BE, para constituir uma alternativa alargada, que prevê também o PCP. Se não resultar, “concorreremos sós, porque o PS é alternativa mesmo sozinho”, rematou.

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