2020/09/26

Final antecipada da taçapor Manuel Lopo de Carvalho

Se o futebol em Portugal fosse assim, já não dizemos sempre mas 50% das vezes, os estádios estariam cheios por regra e não por excepção.
Dir-se-ia então que afinal os portugueses gostam de futebol e não, como é habitual referir-se, que gostam apenas dos seus clubes.
Os portugueses, como se prova de cada vez que as suas equipas de clube ou a selecção nacional jogam bem, deliram com o facto.

1 – Jogo fantástico de emoção este último Benfica-Sporting!
Se o futebol em Portugal fosse assim, já não dizemos sempre mas 50% das vezes, os estádios estariam cheios por regra e não por excepção.
Dir-se-ia então que afinal os portugueses gostam de futebol e não, como é habitual referir-se, que gostam apenas dos seus clubes.
Os portugueses, como se prova de cada vez que as suas equipas de clube ou a selecção nacional jogam bem, deliram com o facto. Nessas situações demonstram claramente que não podem gostar mais de futebol.
A questão central é que a qualidade do futebol praticado em Portugal é muito fraca. As situações como as desta final antecipada da Taça de Portugal são, infelizmente, as excepções que confirmam a regra.
Poder-se-á fazer algo para melhorar esta situação?
Estamos em crer que sim, mas para isso é preciso vontade e iniciativa para o fazer. A palavra cabe aos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol e à Liga de Clubes. É nossa convicção que existem condições para que se possam dar passos concretos na revitalização do futebol no nosso país.
As soluções já foram por variadíssimas vezes apontadas e passam, nomeadamente, pela redução dos quadros competitivos, pela redução do número de estrangeiros (brasileiros incluídos) de qualidade duvidosa a actuar no nosso país, pela formação e autonomia dos árbitros, pela qualificação dos dirigentes e treinadores.
Haja vontade que a oportunidade há muito esperada parece estar a surgir.

2 – Mas voltando ao Benfica-Sporting há que referir que o resultado conseguido pelo Benfica pode ter tido consequências gravosas para o clube.
Como assim, dirão alguns, então o Benfica não ganhou?
Lá ganhar ganhou, mas arrisca-se a que esta vitória seja apenas de curto prazo. A sua consequência foi dar um novo fôlego a uma solução organizativa demonstrada e reconhecidamente incapaz de levar a equipa e o clube a algum lado, de forma consistente.
Um resultado negativo teria como consequência o despedimento do idoso, teimoso e senil treinador italiano Trapattoni, que o portista José Veiga, com a cobertura do presidente L.F. Vieira, foi buscar, em terceira escolha, para treinar o Benfica. Os erros cometidos pelo treinador, a forma defensiva como insiste em pôr a equipa a jogar, a pouca consideração que os adeptos nutrem por ele, não permite esperar nada de bom para o futuro. Nem ele, Trapattoni, espera. O seu ar acomodado, displicente, derrotado, diz tudo.
Esta vitória sobre o Sporting tem pois muitas semelhanças com o que no ténis se chama “salvar um match point”.
Depois da derrota incrível sofrida em Janeiro em Alvalade, em mais uma demonstração clara da incapacidade do treinador, o Benfica ressurgiu das profundezas e goleou o Boavista com uma boa exibição. Estava salvo o primeiro “match point”. Uma derrota neste jogo teria tido efeitos terríveis na carreira do clube esta época.
Depois veio a derrota humilhante em casa contra o Beira-Mar, com nova dose de responsabilidade de Trapattoni. Foi o regresso ao fundo do poço. A vitória sobre o Sporting representou pois nova ressurreição do Benfica, o que constituiu como que a salvação do segundo “match point”
Até onde irá o Benfica nesta saga de se safar “in extremis”?
Em nossa opinião a lado nenhum.
Porém, agora que eliminou o Sporting com o brilho a que todos pudemos assistir, o Benfica tem uma nova janela de oportunidade, tendo ganho espaço de manobra para, sem a pressão dos resultados negativos, tomar as medidas que são evidentes e necessárias para tentar salvar a época futebolística, evitando a necessidade, de risco elevado, de ter de salvar mais “match points”
E quais são estas?
Para já as duas primeiras e mais óbvias são o agradecimento e acerto de contas com o treinador Trapatoni e com o portista José Veiga.
É só uma questão de tempo.
Ou saem agora a bem, ou saem brevemente a mal e debaixo dos insultos e desconsiderações dos sócios e simpatizantes do Benfica.
Compete aos dirigentes eleitos terem o discernimento necessário para o efeito.
Será que o fazem?
Duvidamos, mas é altura de referir que chegou a sua vez de terem o seu primeiro “match point” para salvar.
A ver vamos.

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