2021/09/23

Autarcas do PSD sob suspeita

“Não escondo que as situações que têm vindo a público envolvendo personalidades do PSD sob suspeita causam um óbvio incómodo.” – disse ao SEMANÁRIO um membro da Comissão Permanente do maior partido do Governo.

O PSD está numa situação de expectativa. Entende que a lei deve ser cumprida e que as autoridades judiciais devem fazer o seu trabalho, com eficácia e com rapidez, de modo a que tudo possa ficar esclarecido.

“Não há inquietação, mas há incómodo. Tomara o Partido que nada disto ocorresse, nem no PSD, nem em qualquer outra formação política” – uma afirmação de um membro da Comissão permanente dos social-democratas que, ao mesmo tempo se manifestou preocupado com “a publicidade mediática em volta de casos que ainda não estão totalmente averiguados, o que, através de fugas, sempre mal explicadas, dá azo a indesejáveis julgamentos na praça pública.

É preciso, para bem da democracia, evitar espectáculos públicos, sobretudo, insisto, quando as investigações ainda não estão totalmente constituídas. Os linchamentos públicos são inadmissíveis” – concluiu a nossa fonte.

Enquanto isto, o SEMANÁRIO sabe que o PSD continua a manter contactos, a nível distrital e local, com diversos membros do Governo, fazendo-o discretamente e no âmbito da sua actividade política normal. Algumas fontes reconhecem que “é invulgar a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros nas sessões partidárias, mas que a actual digressão de Martins da Cruz se justifica plenamente, tendo em conta a necessidade de o Partido conhecer com detalhe a evolução da política europeia, neste fase final da atribuição dos Fundos Comunitários a Portugal e também da evolução dos trabalhos da Convenção Europeia”.

No que diz respeito à actividade governativa, nos bastidores do PSD, a maior parte dos ministros merece nota positiva. “Há um impulso reformista que se nota em quase todo o lado e isso é positivo” – opinião de um antigo ministro social-democrata, hoje sem funções políticas. Este dirigente vê com bons olhos as reformas que estão a ser levadas a cabo na Educação, no Ensino Superior e na Saúde.

Como pontos fracos aponta “o caos que se vive no ambiente” que coloca em risco a continuação de Isaltino de Morais. “Note que eu disse ambiente e não refiro as Cidades, já que, em matéria de descentralização o Governo não tem andado mal.” explicou a mesma fonte, para quem “A justiça também é um sector vulnerável e na Administração Interna tardam as reformas”.

Esta crítica surge na altura em que o Governo decidiu em Conselho de Ministros fundir a Protecção Civil com o Serviço Nacional de Bombeiros, que é considerada pelo actual Governo como uma grande reforma, no dizer de um dos seus mais importantes ministros.

Sabe-se entretanto que, Valente de Oliveira esteve reunido há algumas semanas com a direcção do Instituto de Estradas de Portugal, tendo revelado a decisão de um corte de 15% de obras públicas que estavam programadas para o ano em curso. O que explicaria, para alguns alguma desmotivação e cansaço do ministro das Obras Públicas.

Também correm rumores que Ferreira do Amaral, mais dia menos dia, pode voltar ao Ministério que já ocupou no tempo de Cavaco Silva.

Turismo em crescimento

Num outro sector, o da Economia, Carlos Tavares revelou ontem que “o crescimento sustentável” do turismo português passa pela elaboração de “um programa integrado e coerente que dê aos agentes económico um sinal inequívoco sobre as grandes opções de desenvolvimento do sector em termos de ordenamento e ambiente, áreas e produtos prioritários; política de formação dos recursos humanos, infraestruturas de apoio, transportes e política de promoção”.

Carlos Tavares revelou que esse “programa pluridisciplinar é um objectivo do Governo a lançar em breve, em estreita articulação com os agentes empresariais privados do sector”.

O ministro da Economia disse, também que hoje, sexta feira será assinado um protocolo entre a RTP, o ICEP e a ANRET para a emissão de 48 programas sob o tema descobrir Portugal.

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