2020/12/02

Distritais obrigam Ferreira Leite a ir a jogo

As distritais de Lisboa, Porto e Vila Real apresentaram as suas listas, com o Porto a revelar apenas os dois primeiros nomes, sem concertarem previamente posições com Ferreira Leite e a direcção nacional do partido. Apenas terão sido cumpridos dois critérios nacionais, o da paridade, salvaguardando a quota para as mulheres, e o da necessidade de renovação.

As distritais de Lisboa, Porto e Vila Real apresentaram as suas listas, com o Porto a revelar apenas os dois primeiros nomes, sem concertarem previamente posições com Ferreira Leite e a direcção nacional do partido. Apenas terão sido cumpridos dois critérios nacionais, o da paridade, salvaguardando a quota para as mulheres, e o da necessidade de renovação. Os votos contra as listas aprovadas, 7 em Lisboa e 5 em Vila Real, foram, aliás, de militantes afectos à presidente do PSD. Ferreira Leite tem agora espaço de manobra para alterar a composição das listas.

As distritais de Lisboa, Porto e Vila Real apresentaram as suas listas, com o Porto a revelar apenas os dois primeiros nomes, sem concertarem previamente posições com Ferreira Leite e a direcção nacional do partido. Apenas terão sido cumpridos dois critérios nacionais, o da paridade, salvaguardando a quota para as mulheres, e o da necessidade de renovação. Os votos contra as listas aprovadas, 7 em Lisboa e 5 em Vila Real, foram, aliás, de militantes afectos à presidente do PSD. Ferreira Leite tem agora espaço de manobra para alterar a composição das listas. O objectivo de algumas distritais pode, aliás, ter sido o de obrigar Ferreira Leite a ir a jogo, clarificando as suas posições, nomeadamente em termos do primeiro lugar da lista por Vila Real caber a Passos Coelho e de indicar os nomes que prefere para a lista por Lisboa, alterando a composição proposta pela distrital.
Na distrital de Lisboa, liderada por Carlos Carreiras, um antigo apoiante de Santana Lopes e de Passos Coelho, Manuela Ferreira Leite foi proposta para cabeça de lista de deputados do PSD, numa votação realizada no início desta semana. Logo a seguir surgem os nomes de Nuno Morais Sarmento, Luís Marques Guedes e Sofia Galvão. Nos lugares seguintes estão nomes como Pedro Lynce, Pedro Afonso, Susana Toscano, Sérgio Lipari, Fernando Ferreira, Ana Sofia Bettencourt, Ricardo Leite, e Paulo Torres. Curiosamente, em décimo primeiro lugar, no meio de ilustres desconhecidos laranjas, surge o nome de Zita Seabra. Também Helena Lopes da Costa, apoiante de Ferreira Leite depois de ter sido uma indefectível santanista, aparece num humilhante 19º lugar, depois de nas
Legislativas de 2005 ter sido a terceira da lista. A lista foi aprovada por 27 votos a favor, sete contra e três abstenções.

A lista deixou de fora nomes como Rui Gomes da Silva, Arménio Santos, Henrique de Freitas, José Matos Correia, Pedro Pinto e António Preto, tendo sido aprovada por 27 votos a favor, sete contra e três abstenções.
Esta composição espantou vários sectores do partido. O facto de Rui Gomes da Silva e Pedro Pinto terem ficado de fora parece um acto hostil ao santanismo. Por sua vez, a exclusão de Matos Correia parece hostil ao barrosismo. As hostes de Ferreira Leite também não ficaram satisfeitas com a composição, talvez porque não façam parte da lista figuras com mais fortes ligações a Ferreira Leite. Marques Guedes esteve muito ligado a Marques Mendes e Sofia Galvão, apesar de ser vice-presidente do partido, iniciou-se verdadeiramente na política no governo de Santana Lopes. Há mesmo quem diga no PSD que esta lista não faz sentido e que se teve quaisquer intuitos, os mesmos podem virar-se contra os seus autores. Por exemplo, em Lisboa, face à falta de consistência da lista, uma alteração radical feita pela líder pode ser vista como muito positiva por muitos dirigentes, mesmo por aqueles que não têm nada a ver a linha da actual líder do partido.
Na semana passada, a Distrital laranja do Porto, liderada por Marco António, antigo menezista e apoiante de Passos Coelho, também aprovou a lista de deputados, com 29 votos a favor e um contra. Aguiar Branco encabeça a lista, tendo como nº 2 Agostinho Branquinho. A divulgação da lista integral só será feita, por decisão da distrital, após a discussão e aprovação pelos órgãos nacionais do partido. À semelhança do que acontece em Lisboa, a composição da lista pode, porém, suscitar grandes reservas à direcção nacional e a mesmo a outras tendências do partido, já que muitos nomes não estarão representados na lista.
Também na semana passada, também a distrital de Vila Real, liderada por Domingos Dias, aprovou a sua lista, sem fazer uma concertação prévia com Ferreira Leite e a sua direcção. Pedro Passos Coelho foi escolhido para encabeçar a lista, tendo em segundo lugar António Cabeleira seguido de Isabel Sequeira, Pedro Pimentel e Nataniel Araúj.
Esta lista obteve 22 votos a favor, cinco contra e dois em branco.
À saída da reunião, o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Campos, afirmou que “metade das secções concelhias (sete das 14) não se revê na lista apresentada, acrescentando que foram
“excluídos os nomes propostos pelas secções apoiantes de Manuela Ferreira Leite”.
A inclusão do nome de Passos Coelho em lugar elegível nas listas de deputados tem sido motivo de grande polémica. Vários elementos da direcção de Ferreira Leite têm defendido que os deputados devem ser fiéis à linha estratégica definida pela líder. Ferreira Leite tem-se remetido ao silêncio sobre esta questão.
Na semana passada, o líder da distrital de Vila Real, Domingos Dias, não deixou dúvidas sobre a sua posição: “Passos Coelho é uma mais valia do partido e com certeza Manuela Ferreira Leite, que quer os melhores resultados para o partido nas Legislativas de Setembro, não deixará de incluir o seu nome nas listas”.
Refira-se que Passos Coelho manifestou a vontade de se candidatar pelo distrito de Vila Real, de onde é natural e onde já ocupou o cargo de presidente da Assembleia Municipal.

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