2020/10/20

Portas vinca vocação de governo do CDS-PP

Populares lançam alicerces de um novo ciclo para partido.

Passando ao lado de todas as polémicas que recentemente se têm abatido sobre o partido, com diversas demissões incluindo a de Manuel Monteiro e o eventual surgimento de um novo partido à direita, a direcção popular está a preparar o lançamento das linhas mestras de um novo ciclo do CDS-PP. A “nova era” portista baseia-se numa re-adequação organizativa que visará privilegiar uma participação das bases reforçando o Conselho Económico e Social em detrimento dos concentrados poderes que hoje caracterizam o papel do presidente do partido.

A direcção do CDS-PP quer assinalar no Porto o início de um novo ciclo dp partido no governo que segundo o seu secretário-geral, Luís Pedro Mota Soares será de, no mínimo, oito anos.

O Congresso Nacional do CDS-PP está a ser preparado com o objectivo de lançar as linhas mestras do novo ciclo político que se está a iniciar com a passagem do partido do Largo do Caldas para a área da governabilidade. Celebrando o fim do ciclo estabelecido em Braga há cinco anos, que levou o CDS-PP ao poder há cerca de um ano, o partido de Portas quer agora lançar as sementes para uma “nova era” do partido a nível nacional.
Segundo Luís Pedro Mota Soares, secretário-geral do CDS-PP, esta é a oportunidade para que, depois de chegar ao governo, adequar o partido a “um conjunto de circunstâncias novas” com as quais se depara. “O facto de o CDS-PP estar no governo leva-nos a que tenhamos que assumir novos compromissos”, quer com o partido, quer com os portugueses.
No que toca à readaptação do partido a uma nova realidade ao nível interno, Mota Soares garante que existirão algumas novidades no que se refere à organização do partido “adequando um conjunto de novos elementos e de novos institutos dentro do partido às novas circunstâncias” que se afiguram. “A reorganização do Conselho Económico Social passa, por isso, por um compromisso do presidente do partido e da secretaria-geral com a estrutura do partido” com vista a colmatar o facto de Paulo Portas ser também Ministro da Defesa o que leva a que tenha “menos tempo disponível do que tinha na anterior conjuntura”.

No entender da direcção do partido existirá também um conjunto de compromissos externos que deverão ser respeitados pelo partido. Mota Soares considera que o CDS-PP deverá “preparar um novo ciclo da governação portuguesa” que em seu entender “será, no mínimo, de oito anos”. “Passamos de um partido do arco da governabilidade para um partido do governo” o que leva a que a direcção do partido tenha que estabelecer “todas estas linhas me parecem muito importantes” e que levaram, inclusivamente, “à antecipação do nosso congresso para esta data”.
Em relação à necessidade de desconcentrar algumas das competências do presidente do partido, Mota Soares garante que não passará por nenhuma alteração “ao nível estatutário” e garante que não se trata de uma “delegação de competências porque não passa por isso”. No entanto, essa desconcentração passará pelo reforço de “um dos fóruns que têm que ser privilegiados na acção política do partido, nomeadamente num partido que está no governo: o Conselho Económico e Social”. Para a direcção, este órgão deverá passar a constituir “um palco onde militantes e não militantes possam debater, de uma forma mais livre, um conjunto de políticas que são fundamentais e que podem depois ter consequências na governação do país”. Mota Soares fala ainda de mais autonomia para as bases do partido com a promoção de actividades “que não estejam sempre e só dependentes do presidente do partido”.
O Congresso dos populares estará ainda imbuído de forte simbolismo. Tudo porque será realizado passados, exactamente, cinco anos do congresso de Braga. “não é uma celebração do que se passou em Braga, quem entender isso assim está redondamente enganado”. O que os responsáveis do partido visam é celabrar o início do ciclo que levou à formação do actual executivo. Lembrando o slogan “duas oposições que dialogam fazem melhor trabalho do que duas oposições que estão em constante guerra” e a recuperação do discurso da democracia cristã, o secretário-geral popular sublinha que “esse congresso preparou um ciclo de cinco anos” e que as linhas mestras daquele ciclo foram preparadas nesse congresso. “Neste congresso queremos, numa visão de futuro, preparar também as linhas mestras do novo ciclo de oito anos (…) os próximos congressos também serão condicionados por um conjunto de linhas de actuação que podem sair deste congresso”, garante.
O local escolhido para a realização do conclave dos populares visa também lembrar o primeiro congresso do partido no Palácio de Cristal, onde não voltou. Esse congresso histórico do CDS, acabou cercado por radicais de esquerda e chegou a exigir a intervenção militar e policial. Este “congresso marcou muito a vida do partido” e represneta uma “homenagem sentida que se quer fazer à resistência do CDS”.

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