Euro sobe com possível acção da Alemanha

A moeda única esteve esta semana em alta pela primeira vez em quatro sessões, devido à especulação de que a Alemanha vai agir para reduzir a turbulência financeira na Europa.
O governo da chanceler alemã, Angela Merkel, está a dar sinais finalmente que vai intervir para ajudar a reduzir a turbulência financeira na Europa.

Alemães vão apoiar economias de Leste e o euro

A moeda única esteve esta semana em alta pela primeira vez em quatro sessões, devido à especulação de que a Alemanha vai agir para reduzir a turbulência financeira na Europa.
O governo da chanceler alemã, Angela Merkel, está a dar sinais finalmente que vai intervir para ajudar a reduzir a turbulência financeira na Europa.
Já na quarta-feira o ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrück, disse que a Alemanha vai “mostrar a sua capacidade de agir”, no âmbito das dificuldades financeiras sentidas por alguns países da Zona Euro.
“Os países da Zona Euro começaram a reconhecer a importância do sistema financeiro e estão a tomar medidas para lidar com a situação de modo apropriado”, disse um perito do Societe Generale Asset Management à Bloomberg.
Os problemas da falta de financiamento das dívidas de países como a Grécia colocaram em tensão a moeda europeia e a própria credibilidade da Europa política, mas foi depois da ameaça do colapso das economias de leste, a quinta alemã, que Berlim se sentiu pressionada a agir.

Obrigações europeias

A ideia de lançar um pacote de obrigações europeias, mesmo com um prémio elevado para socorrer estas situações, está em cima da mesa, para além da última possibilidade, descartada pelos alemães, do BCE poder avançar para a emissão de moeda.
Quando se fala de obrigações europeias frequentemente referem-se coisas distintas: emitir títulos para financiar projectos de investimento e criar mecanismos de gestão integrada da dívida pública na Zona Euro. Ambas as discussões têm raízes no passado. A actual crise poderá dar “fôlego” às duas.
A ideia de emitir obrigações em larga escala, secundadas pelo Orçamento da UE, marcou o debate nos anos 90, quando o presidente da Comissão, Jacques Delors, propôs no seu “Livro Branco” a construção de infra-estruturas pan-continentais.
A Europa estava, também então, em recessão, mas igualmente em contagem decrescente para a moeda única. E esta estratégia permitia relançar as economias sem comprometer o processo de ajustamento orçamental exigido a cada um dos países para a entrada no euro. A proposta nunca saiu da gaveta, devido à oposição da Alemanha (recentemente reunificada), que receava um aumento da sua “factura” europeia.
As obrigações europeias regressaram agora ao discurso político. Há quem as entenda como foram apresentadas por Delors. Mas há uma corrente cada vez mais forte a defender que têm de ser dados passos concretos para integrar o mercado da dívida pública da Zona Euro.

Banco Mundial defende acção coordenada europeia

No “Financial Times”, de quarta-feira, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, colocava o dedo na ferida, afirmando que a Europa tinha de ter uma acção concertada para fazer face ao colapso das economias de Leste. O modelo seguido o ano passado para intervir na crise húngara pode ser repetido agora para o Leste, sem que isso signifique necessariamente esquecer o euro, conforme anteviram quarta-feira os mercados.
A Alemanha levou tempo a perceber que o euro estava ameaçado, mas está a ser rápida na percepção das dificuldades no leste.
Para salvar os bancos dos países de leste são necessários apenas 300 mil milhões de euros e provavelmente mais 150 mil milhões para apoio às balanças de pagamentos dos países, valores perfeitamente ao alcance dos alemães. A coordenação entre a Europa e os organismos multilaterais, como o BM e o FMI, pode ser a solução imediata para fazer face a uma crise desencadeada pela falta de crédito nos países de leste, por causa da saída dos bancos da Europa mais rica.

Ministro das Finanças alemão admite possibilidade de socorrer outros países da Zona Euro

O grande sinal veio de Berlim. As coisas estão a mudar e provavelmente a crise pode levar a uma maior coesão europeia. O ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrueck, afirmou mesmo, abrindo o jogo, que alguns países da Zona Euro podem ser forçados a socorrer outros Estados-membros da região que estão com problemas em financiar a sua dívida.
“Alguns países estão a começar a ter dificuldades com os seus pagamentos”, alertou Peer Steinbrueck. “Os tratados da Zona Euro não prevêem nenhuma ajuda para países insolventes mas, na realidade, os outros Estados devem socorrer os que estão em dificuldade”, defendeu o responsável da pasta das Finanças da Alemanha.
Peer Steinbrueck recusou-se a nomear os países que estão com em dificuldades, mas adiantou que a Irlanda está “numa situação muito difícil”.

JuergeN Michels, economista do Citigroup, considera muito pouco provável que seja a Alemanha a ajudar os Estados-membros em dificuldades. “A opção mais provável é que o Banco Europeu de Investimento ou outra organização internacional comece a ajudar esses países, através da compra de obrigações públicas ou de ajuda directa”, refere o economista.

Portugal pode ser atingido

A queda das moedas das principais economias do Leste Europeu acentuou-se, ameaçando estes países com uma espiral semelhante à vivida pela Islândia, mas com um efeito potencial de contágio muito maior para a Zona Euro, incluindo Portugal.
O forint húngaro caiu 2,2 por cento face ao euro e registou um novo mínimo histórico. O zloty, a divisa polaca, caiu para um novo mínimo de cinco anos face ao euro, acumulando já uma perda de 36,8 por cento durante os últimos doze meses. E a coroa checa perdeu 2,2 por cento do seu valor para o euro, ficando no mínimo dos últimos cinco anos.
As divisas destes países do Leste europeu parecem cada vez mais frágeis, penalizadas pelo forte abrandamento das economias, o desequilíbrio externo acumulado ao longo dos anos, o elevado nível de endividamento dos agentes económicos em moeda estrangeira e a incapacidade dos respectivos governos para, sozinhos, enfrentarem estas pressões dos mercados. Um cenário que, embora de forma menos grave, faz recordar a espiral de depreciação da divisa em que entrou a Islândia em Setembro do ano passado.
Como afirmava quarta-feira na edição online do “Financial Times” uma analista do Commerzbank, “a capacidade dos bancos, empresas e particulares para fazer face aos empréstimos contraídos deteriora-se a cada depreciação das moedas, o que, por sua vez, reduz ainda mais a confiança nas divisas do Leste europeu”.

Zona Euro penalizada

Para os países da Zona Euro, a ocorrência de um colapso de uma divisa do Leste da Europa traria consequências muito mais graves do que as do caso islandês. Isto porque os bancos da Zona Euro entraram de forma agressiva nestes mercados durante os últimos anos. São elevados os montantes dos empréstimos concedidos em euros a húngaros, polacos e checos e que, a cada depreciação das divisas, ficam mais difíceis de amortizar.
Esta semana, a agência de notação financeira Moody’s alertou para a possibilidade de redução dos ratings atribuídos aos bancos da Zona Euro com uma presença forte nos mercados do Leste europeu. Estão em causa activos que ascendem a mais de 1000 milhões de euros. A Áustria é, de longe, o país mais exposto, já que, segundo a Moody’s, metade do seu negócio se realiza nos países do Leste europeu. Mas Portugal também não escapa aos efeitos de contágio, com destaque para a forte presença na Polónia da Jerónimo Martins e do BCP.
Recorde-se que esta ameaça já levou o Banco Central Europeu, no final de 2008, a dar uma ajuda à Hungria, quando o país passou por uma primeira ameaça de colapso da sua divisa. Agora, torna-se cada vez mais provável uma nova intervenção deste género.

“Spread” nacional no máximo

Se, nos países do Leste europeu, as pressões dos mercados se fazem sentir por via da depreciação das divisas, dentro dos países da Zona Euro os problemas surgem através da subida do custo da dívida pública.
Esta semana, os países em que o risco de incumprimento do Estado no pagamento da dívida pública é considerado maior – Grécia, Irlanda, Portugal, Itália e Espanha – viram o diferencial dos juros das suas obrigações subir de forma acentuada face à Alemanha.
No caso português, a diferença das emissões a 10 anos chegou aos 174,9 pontos base, constituindo novo máximo desde que o euro foi lançado.
É neste cenário que têm vindo a aumentar os apelos para a criação de uma emissão de obrigações pan-europeias, que permitissem a todos os países financiar-se no mercado ao mesmo preço. O problema é que, como assinalou ontem um analista da Standard & Poor’s, o risco atribuído a uma emissão desse tipo seria igual ao do país actualmente com o risco mais elevado. Ou seja, a Alemanha poderia ter de aceitar endividar-se a uma taxa semelhante à hoje suportada pela Grécia. Todas estas pressões, em conjunto com os riscos de contágio do Leste europeu, constituem uma ameaça à união monetária europeia e colocaram ontem o euro no seu valor mais baixo dos últimos três meses face ao dólar.
Mas este tipo de problemas é um exclusivo da Europa. Nos EUA, o estado da Califórnia, que se fosse um país teria a oitava maior economia do mundo, está cada vez mais sob a ameaça de um default na sua dívida. O governador Arnold Schwarzenegger já avisou que se o aumento de impostos que propõe não for aprovado terá de parar centenas de obras públicas e despedir milhares de funcionários.

UE encaminha processo contra países com alto défice orçamentário

Após avaliar programas de estabilidade de 17 países membros da UE, a Comissão Europeia encaminha processos contra seis por causa de défice orçamentário excessivo.
Nesta quarta-feira (18/02), a Comissão Europeia avaliou a política orçamentária de 17 países membros. Apesar da crise económica e financeira, a Comissão não pretende deixar de controlar o novo endividamento dos Estados-membros, limitado a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) pelo Pacto de Estabilidade do euro.
Sobretudo quatro países estavam na mira da Comissão Europeia: França, Espanha, Irlanda e Grécia. No ano passado, o défice orçamentário das quatro nações já ultrapassou a taxa máxima permitida pelo Tratado de Maastricht. No ano corrente, o novo endividamento de tais países deverá ser ainda maior.
Por esse motivo, o espanhol Joaquín Almunia, comissário europeu de Assuntos Económicos e Monetários, encaminhou nesta quarta-feira processo por défice excessivo contra esses quatro países, além de Malta e Letónia. No final do processo, o Conselho de Ministros das Finanças da UE poderá aplicar multas de 0,2% a 0,5% do PIB aos infractores do Pacto de Estabilidade.

Saneamento das finanças estatais

As regras do Pacto de Estabilidade assinado pelos 27 países membros da UE são, em princípio, simples. Se um país ultrapassar por dois anos consecutivos o limite de novo endividamento, terá problemas com Bruxelas. Neste caso, a Comissão Europeia poderá processá-los e impor multas bilionárias. Para isso, no entanto, é necessária uma maioria de dois terços no Conselho de Ministros.
Em 2005, o pacto foi reformulado. Em situações como a actual crise económica, a marca de referência para novo endividamento pode ser levemente ultrapassada, de forma temporária. Almunia lembrou que, devido à difícil crise financeira e económica actual, os orçamentos públicos dos países membros da UE estão sobrecarregados.
Almunia argumenta que a aplicação do Pacto de Estabilidade ajuda a sanear as finanças estatais, para que as próximas gerações não sejam prejudicadas. O comissário ressaltou ainda que o pacto deve ser usado de forma flexível, sem colocar em risco a credibilidade da política fiscal.

Alemanha ainda não ultrapassou limite

Com um défice orçamentário de 2,9% neste ano, a Alemanha ainda não pertence aos países a serem advertidos por Bruxelas. Segundo prognóstico da UE, no entanto, o país poderá ultrapassar o limite de 3% em 2010.
A França, por outro lado, deverá apresentar, em 2009, um défice orçamentário de 4,4%; a Espanha, de 5,8% e a Irlanda, de 9,5%.
Almunia apresentará as suas avaliações ao Comité Económico e Financeiro da UE, além de um cronograma para redução do défice. Esse grémio, com representantes dos países membros, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE), tem um prazo de duas semanas para dar seu parecer.
Após isso, o comissário espanhol poderá dar entrada formal no processo por défice excessivo, algo ainda a ser votado pelo Conselho de Ministros.
Além dos 17 países membros submetidos a avaliação nesta quarta-feira, Bruxelas analisará os programas de estabilidade da Itália, Luxemburgo, Portugal e Lituânia em 25 de Fevereiro próximo.

Crise agrava quadro

Programas conjunturais bilionários e as sequelas da crise financeira fizeram com que o défice orçamentário voltasse a subir nos países da União Europeia.
Para evitar o pior – uma profunda recessão -, o Estado está implementando programas de ajuda conjuntural, suprindo a baixa da demanda privada, apoiando os bancos e evitando assim o colapso do sistema financeiro. Isso sobrecarrega ainda mais os orçamentos públicos. Resta saber se algum dia essas dívidas poderão ser pagas.
Aliás, segundo um membro do Banco Central Europeu (BCE), Lorenzo Bini Smaghi, a economia da Zona Euro enfrenta a “mais séria crise económica desde a II Grande Guerra Mundial”.
A recessão mundial “vai ter sérias repercussões nas nossas economias e na edificação das nossas sociedades”, afirmou Bini Smaghi, num evento em Berlim, citado pela Bloomberg, acrescentando que “eles vão estar expostos a constrangimentos e a um ‘stress’ severo”.
O Fundo Monetário Internacional, no dia 28 de Janeiro, reviu em baixa as suas estimativas para o crescimento económico a nível mundial para 0,5% dos anteriores 2,2%.
Isto, a acontecer, será a mais fraca expansão desde a II Grande Guerra Mundial.
A economia da Zona Euro contraiu-se o máximo no quarto trimestre, desde que há registos, ou seja, desde 1995, uma vez que a crise financeira prejudicou as exportações e as empresas reduziram o investimento.
“Tenho a sensação que alguns responsáveis políticos pensam que as suas economias vão regressar ao estado equilibrado que tinham antes do início da crise”, afirmou o responsável, acrescentando que “eles parecem não estar a perceber que isso já era, na verdade um estado de desequilíbrio, caracterizado pelo excesso de empréstimos ao sector privado. Esta percepção poderá conduzir a decisões políticas inadequadas”.
Uma lição que se retira da crise é a de que a política monetária deve permanecer orientada de forma estável e não “ceder a pressões”, sublinhou Bini.
Os responsáveis do BCE, nomeadamente o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet disseram que estão relutantes em seguir o exemplo da Reserva Federal dos EUA em baixar os juros para perto de zero.
“O que é mais importante para nós é que os responsáveis políticos não se concentrem meramente em soluções de curto prazo e, em vez disso, adoptem uma perspectiva de longo prazo, com o objectivo de assegurar uma recuperação sustentada”, disse Trichet no Parlamento esta semana.
O responsável disse ainda que “também precisamos de nos assegurar que as decisões de hoje não provoquem desordens no futuro”.

Resultados em Portugal

Entretanto, o impacto dos pacotes de apoio começa a fazer-se sentir. O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou que as medidas de apoio ao emprego, que entraram em vigor no último dia de Janeiro, já envolveram 12 mil pessoas.
“São pessoas que estariam no desemprego se não fossem estas medidas”, disse José Sócrates à saída de uma reunião da Comissão Permanente de Concertação Social.
A reunião teve como objectivo dar a conhecer aos parceiros sociais os resultados das medidas de combate à crise que o governo tem vindo a pôr em prática, nomeadamente na área do emprego.
Por seu turno, o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, considera que as medidas orçamentais já anunciadas pelo Governo ainda não produziram o seu efeito, mas ao longo de 2009 deverão contribuir para controlar “o ritmo de recessão.” Ao mesmo tempo o governador garante que os bancos estão a financiar a economia. Recorde-se que os bancos nacionais não têm problemas de activos tóxicos, estando inclusivamente a conseguir emitir dívida não garantida pelo Estado.
Vítor Constâncio, que falou à margem de um encontro que a CIP está a realizar com associações de empresários, salientou que o ano de 2009 vai ser de recessão mundial, “o que acontece pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, com consequências que se prolongarão em 2010, onde pode já haver um crescimento positivo relativamente fraco”.
“No quarto trimestre houve um colapso do comércio mundial. Esperamos que não continue ao mesmo ritmo, até porque as medidas que foram tomadas pelos Governos e bancos centrais começam a produzir efeito”, salvaguardou o governador.
“As medidas orçamentais ainda não se concretizaram devidamente. Ao longo de 2009 esperamos que produzam os seus efeitos e controlem o ritmo de recessão”, acrescentou a mesma fonte.
Por outro lado, Vítor Constâncio avança ainda que actualmente não há um problema de financiamento às empresas e que a subida dos “spreads” está enquadrada num mercado “liberalizado” e onde há concorrência.

Juergen Stark
Membro do BCE afasta cortes agressivos dos juros perante ausência de risco de deflação
Juergen Stark, membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), considera que os “cortes agressivos nas taxas de juros aumentam a incerteza” e sublinhou que o BCE irá manter a sua política monetária, no combate à crise económica global, dado que a região não enfrenta riscos de deflação.
As afirmações foram feitas ao “Financial Times”, numa entrevista publicada na edição de ontem. Stark admitiu que o preço do dinheiro na Zona Euro poderá voltar a descer, mas salienta que não deve ser reduzido até níveis muito baixos, ou de uma forma muito rápida.
O BCE já efectuou quatro cortes na taxa de juro, desde Outubro. Dos 4,25%, a taxa directora foi descendo até aos actuais 2%. Na reunião deste mês Jean-Claude Trichet, presidente da autoridade monetária, manteve inalterada a taxa, admitindo efectuar uma nova redução do preço do dinheiro em Março.
Juergen Stark justifica a perspectiva de que não se deve reduzir as taxas de juro de uma forma muito agressiva, com o facto de acreditar que a economia da região, que está em contracção, não enfrentar o risco de deflação. Na mesma entrevista, sinalizou que o BCE poderá rever em baixa as previsões de crescimento e de inflação já no próximo mês.

Juros
Euribor regista primeira subida em 92 sessões

A taxa Euribor a doze meses registou ontem uma subida, interrompendo o ciclo de quedas que vinha a registar desde 10 de Outubro.
Assim, a Euribor a 12 meses avançou para os 2,085%, a primeira subida desde 10 de Outubro.
Já a Euribor a três meses, usada como referência sobretudo para os créditos às empresas, caiu para 1,888%, o valor mais baixo de sempre e inferior à taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE), que é de 2%, enquanto a Euribor a seis meses, a taxa mais utilizada nos créditos à habitação do mercado português, desceu para 1,982%.
Os analistas são unânimes em esperar uma nova descida dos juros pelo BCE em Março, uma vez que é esperado agravamento das condições económicas na zona euro.
Os mercados aguardam por um sinal da Alemanha, que irá intervir para travar a turbulência financeira na Europa, depois do ministro das Finanças alemão ter afirmado que é altura da maior economia europeia mostrar o que pode fazer neste campo, disseram especialistas à Bloomberg.

Greenspan diz que os EUA podem não estar a fazer o suficiente para obter a recuperação
Nacionalizações na agenda americana

O choque entre os liberais americanos e os defensores das soluções europeias está a dividir a sociedade americana. As nacionalizações aparecem como solução para economistas próximos de Obama, que vão na linha das soluções socialistas da Europa, enquanto a grande maioria dos senadores republicanos continua reticente aos avanços socialistas da nova administração. Mas esta semana Greenspan veio também ele abrir a porta a uma maior intervenção pública.
Os Estados Unidos podem estar a fazer muito pouco para reparar o seu sistema financeiro e promover a desejada recuperação económica. Esta foi a opinião de Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal norte-americana, expressa esta semana.
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou esta semana a lei de aprovação do pacote de estímulo económico no valor de 787 mil milhões de dólares (622 mil milhões de euros). O estímulo económico será dado através de reduções de impostos e mais investimento federal.
Obama comprometeu-se também a consagrar a maioria dos 315 mil milhões de dólares que restam do fundo de resgate da banca, aprovado pelo Congresso em Outubro, à revitalização da indústria financeira.
Mas Greenspan declarou à Bloomberg, em entrevista antes de um discurso no Clube Económico de Nova Iorque, que “a quantidade de dinheiro de ambos os pacotes poderá não ser suficiente para solucionar o problema”.
No discurso em Nova Iorque, o antigo presidente da Fed afirmou que a actual crise é algo que acontece uma vez num século e que acabará por passar. Recorde-se que a economia norte-americana registou a mais forte contracção desde 1982, ao desacelerar 3,8%, em ritmo anual, no quarto trimestre de 2008.
Greenspan, que dirige agora a sua empresa de consultadoria em Washington, advertiu para o facto de o impacto positivo que poderá advir do pacote de estímulo poder eclipsar-se, se os EUA não conseguirem resolver os problemas do seu sistema financeiro. “À luz da experiência do Japão na década de 90, temos de garantir que a reparação do sistema financeiro precede qualquer grande estímulo orçamental”, comentou.
Aquele responsável considera também que, para se estabilizar o sistema bancário e restaurar os níveis habituais de concessão de crédito, são necessários mais fundos para o programa de compra de activos tóxicos (TARP).
Greenspan salientou igualmente a importância do reforço de capital na banca. “Os bancos não vão conceder mais crédito enquanto não se sentirem confortáveis com a quantidade de capital que detêm”, declarou.
Greenspan sublinhou também a importância de travar a queda dos preços das casas, situação que está a penalizar a banca. “Enquanto não conseguirmos estabilizar o segmento dos activos dos balanços da banca, esta crise não terminará”, disse.
Os bancos norte-americanos registaram 758 mil milhões de dólares de perdas com o crédito desde que a crise começou. Muitas dessas perdas estão relacionadas com investimentos hipotecários que perderam valor com o colapso do mercado imobiliário.
“Lamentavelmente, a perspectiva de preços estáveis das casas ainda está a muitos meses de se efectivar”, considerou Greenspan, adiantando que o declínio do mercado imobiliário e a forte queda dos mercados accionistas de todo o mundo já destruíram mais de 40 biliões de dólares de riqueza, o que equivale a dois terços do PIB mundial do ano passado.

INE
Economia afunda mas emprego resiste

Apesar de a economia portuguesa ter afundado no último trimestre de 2008, a taxa de desemprego manteve-se, durante esse período, praticamente inalterada, ao subir uma décima face ao trimestre anterior, mas permanecendo nos mesmos 7,8% que haviam sido registados no último trimestre de 2007.
Segundo o INE, a população desempregada – estimada em 437,6 mil indivíduos – sofreu mesmo um decréscimo de 0,4% face ao trimestre homólogo de 2007, ainda que tenha aumentado 0,9% em relação ao trimestre anterior.
Feitas as contas para o conjunto do ano de 2008, a taxa de desemprego média foi de 7,6%, o que traduz uma descida de 0,4 pontos percentuais por comparação com 2007. Em termos absolutos, a população desempregada situou-se em 427,1 mil indivíduos, tendo diminuído 4,8% em relação ao ano anterior. A população empregada, por seu turno, registou um acréscimo anual de 0,5%.
Este desfasamento entre a evolução da actividade e do mercado de trabalho é um fenómeno normal, em especial na economia portuguesa, mas a maioria dos analistas antecipava que, em face da profunda retracção do PIB observada na recta final do ano, os números do desemprego fossem já mais sombrios.
A economia nacional registou uma contracção de 2,1% no quarto trimestre do ano passado, em termos homólogos, e “encolheu” 2% em relação a trimestre anterior, deixando, no conjunto do ano, a taxa de crescimento em zero.

Fortes quebras no investimento e exportações explicam contracção portuguesa

Por outro lado, a contracção da economia portuguesa no quarto trimestre do ano ficou a dever-se sobretudo “às reduções significativas do investimento e das exportações”, assinala o Instituto Nacional de Estatística na síntese económica e de conjuntura. O INE tinha já revelado que o PIB português recuou 2,1% no quarto trimestre do ano passado, face ao mesmo período de 2007, embora não avançasse na altura com a evolução das componentes do PIB.
Na síntese económica e de conjuntura, o INE adianta que a quebra do PIB ficou a dever-se sobretudo “à forte contracção do investimento e das exportações”.
Segundo a mesma fonte, o indicador de clima económico e o indicador de actividade económica voltaram agravar-se do terceiro para o quarto trimestre, sendo que “em Janeiro, o indicador de clima económico atingiu o mínimo histórico da série iniciada em 1989”.

Eurostat aponta para 32,1 mil milhões de euros
Zona Euro teve um défice comercial recorde em 2008
A Zona Euro registou o pior défice comercial da sua história em 2008, tendo atingido os 32,1 mil milhões de euros, segundo os dados do Eurostat, o gabinete de estatísticas europeu, que apresentou hoje a sua primeira estimativa para a balança comercial da UE e da Zona Euro de Dezembro de 2008.
Em 2007, a Zona Euro registara um excedente comercial de 15,8 mil milhões de euros. Desde a sua criação em 1999, a Zona Euro já conhecera dois anos de défice comercial, mas nunca tinha ultrapassado os 30 mil milhões de euros.
A União Europeia no seu conjunto registou também em 2008 o pior resultado desde 1999. O défice comercial dos 27 países da UE agravou-se cifrando-se em 241,3 mil milhões de euros, contra um saldo negativo de 192,4 mil milhões em 2007, o que representa uma subida de 25,4 por cento.
É a primeira vez desde 1999 que o défice comercial da UE ultrapassa os 200 mil milhões de euros, precisa o Eurostat.
No mês de Dezembro, a Zona Euro registou um défice do seu comércio exterior de 700 milhões de euros, quando em Novembro tinha sido de 5,8 mil milhões em Novembro. As exportações caíram 0,9 por cento face a Novembro, enquanto as importações recuavam 3,9 por cento face ao mês anterior.

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