Esta é a 1000ª edição do SEMANÁRIO

Raras vezes o jornal é a própria noticia do jornal. Mas fazemos hoje o nosso milénio. Mil semanas depois sem interrupção, com altos e baixos, sabemos fazer parte do património de um país, umas vezes soubemos ser decisivos, outras fomos simplesmente irrelevantes.

Mas existimos, ao lado da história do país, emitindo opiniões, informando e criticando, com a generosidade de quem acredita que os portugueses podem viver num mundo melhor. Avançamos com esta 1000ª edição do SEMANÁRIO, com os problemas que nos afectaram nos ultimos quatro anos ultrapassados e com a certeza de que com a experiencia adquirida saberemos enfrentar as proximas 1000 edições.

Não se comemoram mil edições sem uma homenagem aos principais fundadores, com Marcelo Rebelo de Sousa, Victor da Cunha Rego, José Miguel Judice, Daniel Proença de Carvalho, Carlos Barbosa e Francisco Sarsfield Cabral à cabeça. Não se comemoram mil edições sem lembrar os nomes dos directores que se responsabilizaram pelos jornais: Victor da Cunha Rego, João Amaral, José Mendonça da Cruz, Alvaro Mendonça e Raul Vaz. Não se comemoram mil edições sem nos lembrarmos dos que já não estão connosco: Cunha Rego e Carlos Plantier.

Financiado por um grupo de empresarios, no inicio dos anos oitenta, o Semanário rapidamente se tornou numa referência politica e tambem na informação económica, prestigiando a afirmação da iniciativa dos empresários e da sociedade civil, que então renascia depois do gonçalvismo a ter quase extinto. Socialmente em 1986 lançamos a OLÁ, com o objectivo politico de dizer ao país que existia uma elite, que devia ser conhecida e que isso era bom para portugal.

Esgotado o projecto politico do Semanário, com o cavaquismo, haveriam de passar mais de dez anos para que o jornal voltasse a fazer sentido na critica á irresponsabilidade e à corrupção no governo socialista.

A perseguição politica do governo de Guterres e a tentativa da universidade moderna, por um lado e dos socialista, por outro, para tomarem por dentro o controlo do Jornal acabariam por conduzir á falência da sociedade editora. Esta semana foi o leilão dos activos e do titulo do jornal, tendo este sido arrematado pelo banco Efisa e pela Semanário Revistas, conformo acordo estipulado entre ambos. Com,o espaço de liberdade o SEMANARIO saberá manter a sua independência diante do poder politico e económico.

Será sempre livre o seu espaço de opinião embora mantenha uma linha editorial fortemente orientada para a intrervenção politica, expressando prioritariamente a ideologia e os valores do centro-direita, como espaço intelectual e de cultura que nunca deixou de ser. É que com a esperança que agora pode renascer no país, tambem há espaço para uma direita inteligente.

Mil semanas de História

Foram as mil semanas em que se cumpriu o projecto europeu dos portugueses. Em 1983, o bloco Central estava a fazer os ajustamentos necessários na economia Portuguesa para a adesão de Portugal á União Europeia.

O SEMANARIO surgia como uma voz critica do bloco central, em nome da alternancia democrática e reunia com isso a opinião plural de todos aqueles que acreditavam na democracia.

Mário Soares dirijia uma coligação, cujo ultimo acto serioa o da propria adesão á CEE. Feito o ajustamento, com o acordo copm o FMI, portugal iria nos anos seguintes ver imergir as maioprias da Cavaco Silva e depois o govern o de Guterres.

O SEMANÁRIO fez todo o trabalho de oposição, mas seria cavaco a sentar-se no Poder. O Cavaquismo não representa nenhuma inovação ideológica, mas é a continuidade natural do bloco Central, naquilo que de estruturante ele definiu para portugal, ou seja o caminho da afirmação neo-liberal da economia e da sociedade, da estabilização democrática e do respeito pela livre iniciativa, nos termos em que a Europa os defendia.

O ciclo do Cavaquismo estava contudo esgotado ao fim de seis anos. O pragmatismo inicial dava lugar á arrogância e esta à intolerância, à corrupção e à crispação na sociedade Civil. Mário Soares que entretanto sucedera ao esfingico Eanes, o inspirador do Partido Renovador, que fracturaria a familia socialista e com isso permitira a ascensão ao poder da direita, faria um segundo mandato fortemenete interventor, transformnando Belém na verdeira força de oposição ao Governo de centro-direita.

Foi um periodo em que a economia portuguesa CONVERGIU COM A Europa, de bom governo e fuindos comunitarios que garantiram aos portugueses a esperança de estar no pelotão da frente da Europa.

O excesso e o desgaste, dariam em 1995 lugar ao Guterrismo. A direita desistira, acreditando que vinham aí temmpos difíceis, e que competiria ao PS a gestão do ciclo negativo. Mas, Guterres, à custa do aumento do endividamento externo, manteve o sobreaquecimento na economia, na esperança que a crise internacional passasse. Tornou-se irresponsável o endividamento externo portugues e incontrolável a despesa do Estado. Cercado e percebendo o excesso da sua politica social, com o dialogo esgotado, Guterres acaba por fugir, deixando a esquerda desamparada entregue ao sucessor de Mário Soares, Jorge Sampaio.

Enquanto o PS virava à esquerda, para cobrir o PCP, e o sentido da bipolarização se acentuava na política portuguesa, a convocação de eleições gerais antecipadas traria de novo o centro-direita ao Poder.

O ciclo das últimas mil semanas foi portanto o ciclo da nossa adesão. Agora o desafiu da globalização é decisivo, com a economia internacional a abrandar e o país a necessitar de nova correcção nas contas publicas. Ao governo de Durão Barroso compete esse justamento, contando com a conivencia do Presidente da República e a abstenção de oposição por parte dos socialistas.

Feita a correcção do descontrolo das contas publicas, nos termos exigido pelo Pacto de Estabilidade e crescimento, o país começa de novo a vislumbrar uma esperança, sobretudo porque com a forte redução dos funcionários públicos devido as reformas antecipadas começam a haver condições politicas de relançamento económico.

Da euforia dos anos oitenta, feito á custa da reestruturação da banca e com a revolução nas telecomunicações dos anos noventa, verdadeiro balão de oxigénio para as economias mundiais, a história das últimas mil semanas é a história fantástica de duas décadas de progresso e de enriquecimento para a humanidade. O abrandamento dos últimos anos devido ao escesso de produção por causa da emergência da Ásia e da China e do efeito deflactor das suas produções, só pode ser ultrapassado com um novo salto tecnológico.

Mas, esse só chegará dentro de cinco ou dez anos, como aconteceu na crise dos anos 30. Até lá um país como Portugal está a apostar sobretudo na Saúde e no Turismo, apesar de tudo, beneficiado pelas condições de paz e de estabilidade interna.

De um País de emigrantes passamos a um pais de imigrantes. Porquue a economia cresceu, mas tambem porque a Europa ocidentar está a ser pressionada pela imigração de Leste e do magreb.

Mas o facto mais relevante da história mundial das últimas mil semanas foi mesmo a queda do muro de Berlim e fim a URSS. O triunfo da liberdade sobre o sonho utópico de justiça social e igualdade transformado em totalitarismo, fez emergir uma nova geopolítica, com o regresso da Rússia ao concerto das nações civilizadas da Europa e a afirmação hegemónica dos EUA como a única potência mundial.

Na última década, desenha-se finalmente o esperado confronto entre o fundamentalismo islãmico e o Ocidente. O “fim da história” dava lugar ao “choque de civilizações”. Primeiro na Guerra do Golfo, depois na guerra mundial contra o terrorismo e a intervenção no Afeganistão o mundo civilizado e defensor da democracia e dos direitos do homem conseguiu impor, pela força das armas, a sua força moral.

Seguramente as proximas mil semanas serão muito interessantes também.

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