Regionalização divide PSD

O tema da regionalização promete aquecer as hostes social-democratas já a partir de Setembro. Uma questão fracturante que ameaça fracturar, ainda mais, a estabilidade existente no PSD. José Mendes Bota criou esta semana um movimento cívico a favor da regionalização. A Norte, Rui Rio, vice-presidente da actual direcção, é um entusiasta da divisão administrativa do País. A líder, Ferreira Leite, considera a regionalização uma “aventura”. Neste cenário, Pedro Rodrigues, líder da Juventude Social-democrata, veio propor a realização de um referendo interno sobre o tema.

A regionalização surge como uma questão que divide os social-democratas e ameaça ser mais um factor de desestabilização da actual liderança de Manuela Ferreira Leite, já fragilizada com as críticas internas de figuras de grande referência no partido, como Ângelo Correia. É aceite por todos que a realizar-se um referendo sobre a divisão administrativa do País este nunca será antes do final desta legislatura, mas o debate do tema promete ser pouco pacífico para as hostes laranjas. Neste cenário, Pedro Rodrigues, líder da Juventude Social-Democrata, revelou que vai propor um referendo interno no partido sobre a matéria.
O movimento cívico Regiões, Sim! Lançou quarta-feira uma campanha nacional que visa a recolha de, pelo menos, 75 mil assinaturas para subscrever uma petição que será entregue na Assembleia da República. Em conferência de imprensa, o líder do movimento, Mendes Bota, afirmou que a campanha visa dar “sinais vitais” de que a regionalização “não morreu há dez anos encalhada no referendo”.
Em declarações ao SEMANÁRIO, Mendes Bota considerou “negativo” o PSD passar ao lado do tema da regionalização. “Como militante e dirigente do PSD acho que o tema da regionalização deve ser colocado acima da agenda política do partido”, sublinhou. Para o líder dos social-democratas do Algarve, o mais importante é o PSD clarificar a sua posição e o referendo é um meio idóneo de proceder a esse esclarecimento. “Não vejo que haja inconveniente na realização de um referendo interno. O assunto deve ser discutido no seio do PSD e o referendo, certamente, iria provocar essa discussão”, fundamentou Mendes Bota.

Ferreira Leite contra regiões administrativas

José Mendes Bota, um histórico defensor da regionalização em Portugal, lançou esta campanha de promoção da divisão de Portugal em regiões contra a vontade, já publicamente expressa, de Manuela Ferreira Leite. Durante a última campanha interna para a presidência do PSD, a actual líder laranja esclareceu que, sob a sua presidência, o partido não será conduzido na “aventura” da regionalização. Ferreira Leite foi clara nas palavras: “pessoalmente, sou absolutamente contra a regionalização”.
Á semelhança de 1998 – data do último referendo à regionalização, através do qual os portugueses chumbaram de um modo manifesto a divisão do País em oito regiões administrativas -, o PSD mostra-se, hoje, dividido quanto a esta matéria. A própria direcção nacional do partido não fala a uma só voz sobre as vantagens de recortar o País em regiões. O número dois de Manuela Ferreira Leite, Rui Rio, lançou em Abril deste ano, no Porto, um debate sobre a regionalização e anunciou a sua posição. “Há dez anos fui contra a regionalização. Hoje estou aberto a ser convencido de que ela é uma excelente solução para Portugal”, frisou.|

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