2019/10/22

Notáveis do PS e PSD reúnem-se em megajantar e defendem Bloco Central

A homenagem a Fausto Correia, falecido há quase dois anos, homem que chegou a ser apontado para grão-
-mestre do Grande Oriente Lusitano, juntou esta terça-
-feira, no restaurante da antiga FIL alguns notáveis do PS e do PSD, como Dias Loureiro, Jorge Coelho, Almeida Santos, Pedro Santana Lopes, Luís Nazaré, Álvaro Amado, Arlindo de Carvalho e Paulo Mota Pinto, actual vice-presidente do PSD. Segundo apurou o SEMANÁRIO, um dos temas mais falados ao jantar foi a possibilidade de a realidade da crise económica, deste ano e do próximo, e de um resultado muito equilibrado entre o PS e o PSD nas legislativas de 2009, com nenhum partido a ter maioria absoluta, a obrigar, forçosamente, o país a um Bloco Central.

A homenagem a Fausto Correia, falecido há quase dois anos, homem que chegou a ser apontado pata grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, juntou esta terça-feira, no restaurante da antiga FIL alguns notáveis do PS e do PSD, como Dias Loureiro, Jorge Coelho, Almeida Santos, Pedro Santana Lopes, Luís Nazaré, Álvaro Amado, Arlindo de Carvalho e Paulo Mota Pinto, actual vice-presidente do PSD. Segundo apurou o SEMANÁRIO, um dos temas mais falados ao jantar foi a possibilidade de a realidade da crise económica, deste ano e do próximo, e de um resultado muito equilibrado entre o PS e o PSD nas legislativas de 2009, com nenhum partido a ter maioria absoluta, a obrigar, forçosamente, o país a um Bloco Central. Curiosamente, ainda ontem, uma sondagem publicada no “Correio da Manhã”, dava o PS e o PSD praticamente empatados, com 32 por cento, projecção que, se se confirmasse, daria certamente origem a um governo do Bloco Central, até porque resultados nesta ordem para os dois maiores partidos portugueses podem pressupor que o PCP, o Bolo de Esquerda e o CDS-PP teriam boas votações. O pressuposto de que, com o sistema multipolarizado, o país entraria em grande instabilidade política é essencial nesta visão. Na verdade, com um governo minoritário, ou com um governo de coligação com o CDS-PP ou o Bloco de Esquerda, partidos que poderiam fazer pagar caro o preço se entenderem, ora com o PSD, ora com o PS, a instabilidade política poderia ser uma certeza e, num contexto de crise económica, essa
situação poderia ser catastrófica para os interesses do país. O facto de as elites do país terem receio, não só das fórmulas instáveis, mas também dos seus protagonistas, é, também um elemento a ter em conta. Um dos reversos de quem defende o Bloco Central pode ser a pouca confiança em Paulo Portas e Francisco Louçã, homens à demasiado tempo na vida política, com bastantes vícios de sistema e, sobretudo, com uma necessidade vital de agradarem às suas clientelas. Recorde-se que, em 1983, quando se formou o Bloco Central, com Mário Soares e Mota Pinto, curiosamente o pai do actual vice-presidente do PSD, Paulo Mota Pinto, PS e PSD saiam das eleições com 36 e 27 por cento, respectivamente. Por sua vez, os comunistas, tiveram 18 por cento e o CDS 12 por cento. Tanto José Sócrates como Manuela Ferreira Leite já afastaram a possibilidade de um Bloco Central. O primeiro-ministro foi, porém, mais cauteloso que Ferreira Leite. A líder do PS comentou que só se estivesse fora do juízo perfeito, faria uma coligação com o PS, o que não é de espantar face à necessidade de Ferreira Leite, agora chegada ao partido, ter de mostrar grande confiança e autonomia para granjear apoio do eleitorado.
Entre os dois grandes senadores do PS e do PSD, presentes no jantar, os cenários políticos para o futuro, parece que não estão assim tão fechados. Tudo depende daquilo a que a realidade obrigue, seguindo a máxima muito portuguesa de que o que tem que ser tem muita força. Os elogios que Dias Loureiro fez, na semana passada, a Sócrates e que desagradaram a muitos social-democratas têm, aliás, que ser lidos nesta óptica. Dias Loureiro acha que Sócrates faz bem ao país. O que não quer dizer que não, ache, também., que, por exemplo Ferreira Leite também não pudesse fazer bem ao país, ainda para mais se estivesse junta com Sócrates. Os dois, segundo algumas opiniões de observadores, até se poderiam complementar, aliando a modernidade à tradição. Jorge Coelho, agora afastado das lides políticas, CEO da Mota-Engil, também sabe hoje melhor do que ninguém a necessidade de estabilidade política, no interesse da actividade económica e do crescimento do país. No entanto, sendo ainda muito recente o tempo em que abandonou a política, é natural que Coelho tenha mais dificuldades do que Dias Loureiro em manifestar abertamente a sua opinião, de modo a não causar problemas ao PS e ao governo de Sócrates. A estratégia socialista para as legislativas de 2009 parece, aliás, já definida, com Sócrates a pedir, certamente, uma maioria absoluta para governar.
Outros presentes no jantar, Santana Lopes, Arlindo de Carvalho, Luis Nazaré, muito mais cépticos ao Bloco Central, terão, certamente, ouvido os mais entusiastas defensores de um entendimento entre o PS e o PSD com algum espanto e ironia. Há um mês, Santana Lopes fez, aliás, a sua campanha das Directas, agitando a bandeira contra o Bloco Central, de modo a fazer uma melhor oposição à sua concorrente Ferreira Leite. No entanto, Santana Lopes já deu alguns bons exemplos que não é homem para soluções fechadas, para além de estar muito mais realista e integrado no sistema do que o Santana que ganhou Lisboa em 2001. Até porque um Bloco Central em 2009 poderia abrir novas oportunidades de ruptura um pouco mais à frente, precisamente como aconteceu em 1983.
Segundo apurou o SEMANÁRIO coube a Dias Loureiro fazer um discurso de homenagem a Fausto Correia, salientando o homem fraterno e amigo, de crenças e valores, falecido em 9 de Outubro de 2007. Fausto de Sousa Correia, nasceu em Coimbra a 29 de Outubro de 1951 Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Advogado e consultor de empresas, Jornalista do “República”, co-fundador de “A Luta” e chefe da Delegação Regional Centro da ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa. Regeu a cadeira de “Iniciação ao Jornalismo” no Liceu D. Duarte, em Coimbra. Durante quase nove anos, de 1983 a 1992, fez parte dos sucessivos Conselhos de Administração da RDP – Radiodifusão Portuguesa. Desde Abril de 1992 e até Outubro de 1995, foi Vice-Presidente da Direcção-Geral da Agência LUSA de Informação. Deputado à Assembleia da República, eleito pelo Círculo de Coimbra, nas IV, VII, VIII e IX Legislaturas. De Outubro de 1995 e até Outubro de 1999, exerceu as funções de Secretário de Estado da Administração Pública do XIII Governo Constitucional. Entre Outubro de 1999 e Abril de 2002 foi, sucessivamente, Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Secretário de Estado Adjunto do Ministro de Estado e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro.|

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