2020/06/03

Cimeira dos mais poderosos termina sem consenso

O preço dos cereais, a pobreza extrema, que cada vez afecta uma maior percentagem da população do planeta, com maior incidência em África, bem como os problemas inerentes às alterações climáticas, dominaram a ordem de trabalhos da reunião anual dos 7 países mais industrializados do globo, aos quais se associa nesta cúpula a Rússia, que teve lugar em Hokkaido Toyako, no Japão.

Naquele que foi o último encontro do G8 para George W. Bush e o primeiro em que marcou presença o Presidente russo, Dimitri Medvedev, os dois líderes chegaram a abordar o sistema antimíssil norte-americano em antigos países do Leste, embora o assunto não tenha sofrido qualquer avanço, porque o rumo da reunião centrou-se nos mais pobres e nos problemas climatéricos.
Reunida no Japão, a Cimeira anual, que junta os países mais industrializados do mundo, mais a Rússia, grupo denominado por G8, chegou ao fim na última quarta-feira, sem se ter alcançado qualquer acordo de monta, no que toca ao tema onde se aguardava um possível entendimento entre todos os representantes, mais precisamente sobre as questões climatéricas. Aquelas que são consideradas como economias emergentes, a China, Índia, Brasil, México e África do Sul, aproveitaram este encontro para relembrar os restantes membros desta elite que não estão, neste momento, em condições de reduzir para cerca de metade as emissões de carbono até ao ano de 2050, como era esperado.
De modo a colmatar as falhas neste patamar, os membros do G5, nome pelo qual é denominado o grupo das nações emergentes, incapaz de cumprir as metas fixadas pelos mais poderosos do Mundo, promete tentar cumprir objectivos de médio prazo, com maior probabilidade de poderem ser bem sucedidos, modelo já defendido por vários grupos de ambientalistas.
O grupo em que se incluem a China, Índia, Brasil, México e África do Sul, demonstrou, neste encontro com os mais ricos do Planeta, que está preocupado com os problemas inerentes à emissão de gases com efeito de estufa. As nações emergentes concordam com a necessidade de reduzir as emissões deste tipo de gases maléficos, mas defendem que é da competência dos seus parceiros mais industrializados dar o exemplo disso mesmo.
Os países que formam o grupo do G8 é, hoje em dia, responsável por 40% das emissões globais de CO2, enquanto a China e Índia, membros do G5, países em forte processo de aumento de produção industrial, emitem 25% destes gases altamente nocivos para a atmosfera.
O próprio Presidente chinês, Hu Jintao, chamou à atenção de que estas são nações que se encontram envolvidas num pleno processo de industrialização e modernização, onde ainda é necessário melhorar a qualidade de vida das populações, factor mais importante para o executivo de Pequim, do que a poluição que dessa melhoria pode advir.
Em substituição da meta apontada para 2050, impossível de ser atingida, um novo compromisso contra o aquecimento global, desta feita não vinculativo, e que foi pela primeira vez foi assumido também pelos Estados Unidos, o grupo dos cinco países em fase de modernização industrial propôs uma redução que variará de 25 a 40% das emissões de gases poluentes até ao ano de 2020.
Vozes contraditórias e demonstrativas de grande insatisfação vieram da boca dos ambientalistas, que aproveitaram para denunciar a falta de vontade governamental dos países mais ricos para assumir a liderança no combate contra o aquecimento global.
Já nos descontos de uma cimeira, que voltou a não trazer alterações significativas para as áreas que foram lançadas a debate, tudo porque a vontade própria de cada um se voltou a superiorizar ao bem comum, o Presidente americano, George W. Bush, não deixou de elogiar aquilo a que nomeou de “significativos esforços” alcançados nesta cimeira, pelos países do G8.
Embora tenham sido muitas as horas de conversações em que se incluíram os líderes presentes nesta cimeira, de concreto o que se conseguiu foi pouco mais do que saber que tanto o Presidente americano, como o seu homólogo francês, Nicolas Sarkozy, deixaram a certeza de que estarão de volta ao continente asiático já em Agosto próximo, para participarem na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, porque, de resto, nem saber sobre que pratos recaiu a escolha dos governantes, no repasto final, foi tarefa fácil, devido ao vasto leque de 24 pratos que foram servidos aos “senhores do mundo”, quiçá se não significado do vasto número de vontades diferentes existentes entre os representantes dos Estados presentes.

África foi alvo de grandes atenções

Quando se pensava que temas quentes, nomeadamente a segurança e defesa, dominariam a ordem de trabalhos, as questões da pobreza, principalmente a que se alastra e afecta o continente negro, tomou conta do palco das discussões deste encontro.
Para além dos oito mais ricos, outros oito países, estes africanos, juntaram-se também aos trabalhos que se debruçaram e centraram particular atenção nos problemas de África. Tema em que as ideias para resolução abundam, mas o problema é que as promessas feitas se mantêm ainda por cumprir.
De olhos postos em África e com a participação adicional de oito nações deste continente, foi de alimentos que se falou e de pôr África a produzir em maior quantidade. Governantes como Gordon Brown defendem que África deve duplicar a quantidade do que produz actualmente.
Na realidade, colectivamente, os oito países mais ricos entregaram a África cerca de 2 mil milhões de euros, número que fica muito longe dos 16 mil milhões prometidos em 2005. O Reino Unido e os Estados Unidos destacam-se como os que mais cumprem neste âmbito.
À margem da Cimeira, Durão Barroso anunciou a utilização de mil milhões de euros de fundos europeus parados para ajudar os agricultores pobres dos Países em Vias de Desenvolvimento, para compra de sementes e para acesso a fertilizantes.|

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