A última cartada de Clinton

Na semana que antecedeu o decisivo ciclo de eleições primárias para definir o candidato democrata à Casa Branca, Hillary Clinton e Barack Obama aguçaram
argumentos num aguerrido debate televisivo, em que ambos os candidatos criticaram mutuamente as suas propostas, nomeadamente na área da saúde. Vitórias nos estados do Ohio e Texas são essenciais para Clinton ganhar novo fôlego, contrariando desta maneira as 11 vitórias seguidas de Obama.

Numa altura em que Obama e Clinton ultimam estratégias para atacar a vitória no Ohio e Texas, aumentam o tom nas acusações às suas propostas. Num debate televisivo na Universidade de Cleveland, os dois pré-candidatos à Casa Branca foram bastante duros nas suas acusações, especialmente na área da saúde, ponto crucial da campanha e tópico com especial relevância para os norte-americanos, que se queixam dos mais de 47 milhões de cidadãos norte-americanos sem seguro de saúde.
“Deveríamos fazer um debate baseado em informação rigorosa e não em informação falsa, enganadora e desacreditada, em especial em algo tão importante”, referiu a senadora de Nova Iorque.
Na resposta, Obama lembrou que Hillary se tem referido às propostas que ele fez de forma errada, enganando os eleitores. “A senadora Clinton tem-nos feito constantemente ataques negativos, através de e-mail, panfletos, anúncios e não nos queixamos porque percebemos que essa é a natureza destas campanhas.”
Hillary conta com um apoio de 50% da população no Ohio, contra 43% a favor de Obama. Já no Texas, as intenções de voto encontram-se muito mais próximas: 48% para Hillary contra 47% para Obama, segundo uma sondagem divulgada pelos jornais “The Washington Post” e ABC. No mesmo dia, Vermont e Rhode Island também votarão suas primárias.
Confrontada sobre uma possível retirada caso perca nestes estados, Hillary responde categoricamente que “isso não irá acontecer”, preferindo realçar o empenho colocado nos debates e nas campanhas junto dos norte-americanos.
Segundo alguns analistas, a ex-primeira dama acredita que vencerá nos dois principais estados que participarão nas próximas primárias, mesmo após as 11 derrotas consecutivas sofridas frente ao senador de Illinois. Obama ganhou em todos os estados que foram a votos desde a “superterça” de 5 de Fevereiro, quando 21 estados realizaram as suas votações primárias.
A pensar na proximidade à comunidade latina, os dois candidatos devem ainda ter um novo debate antes da próxima terça-feira. Os latinos são uma comunidade especialmente densa no Texas e estão até agora mais próximos de Clinton, já que Obama representa a comunidade negra, tradicional rival dos hispânicos no mercado de trabalho norte-americano.

Obama já debate com McCain

Mas não só contra Hillary Clinton é que Obama tem debatido ideias. Actual líder nas pesquisas para próximo inquilino na Casa Branca, o senador pelo Illinois abordou o conflito no Iraque, levando o mais que possível candidato republicano John McCain a retomar o debate sobre aquele cenário de guerra.
O impopular conflito é um dos principais temas da campanha. Os democratas defendem uma rápida retirada das tropas, o que, segundo McCain, seria uma forma de rendição e representaria uma vitória para os extremistas islâmicos.
“Tenho algumas notícias”, disse McCain. “A Al Qaeda está no Iraque. Chama-se Al Qaeda no Iraque. Meus amigos, se sairmos, eles não vão estabelecer uma base, vão tomar um país, e não vou permitir que isso aconteça.”
Mas a posição de McCain foi de certa forma afectada por um depoimento na quarta-feira do director dos Serviços Secretos dos EUA, Michael McConnell, ao Senado. McConnell disse que a Al Qaeda sofreu duros reveses no ano passado no Iraque e teve centenas de membros mortos ou capturados, embora ainda seja “capaz de realizar ataques letais”.|

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