2022/11/27

4.º Festival Internacional de Cinema Independente arranca na 4ª feira

Lisboa está de olhos postos no 4.º Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa – Indie Lisboa 2007 – que arranca dia 19 de Abril, prolongando-se até dia 29 deste mês. Mais uma vez a qualidade e a diversidade dos filmes apresentados são uma constante de um festival, que já se tornou numa referência de um público exigente e ecléctico. O SEMANÁRIO esteve à conversa com Miguel Valverde, um dos seus directores, que nos revela o que Indie traz este ano.

O crescimento exponencial que se verificou este ano espelha o sucesso que o Indie Lisboa tem vindo a alcançar. Quais são os objectivos que se propõem a atingir este ano?
Tínhamos decidido no final da anterior edição que este seria o ano da consolidação, para que pudéssemos estabilizar o modelo que já tínhamos criado. Por um lado, tentaríamos apostar em mais filmes, por forma a dar mais condições aos espectadores para que o Festival continuasse aberto e orientado para o público e para que toda a parte organizativa pudesse ter finalmente o seu espaço de preocupação para parecer-se com outros festivais a nível internacional. Esse objectivo inicial não aconteceu. O festival volta a crescer com um maior número de salas e outras iniciativas, o que nos levou a pensar numa bilheteira centralizada para tornar mais prática a aquisição dos bilhetes. Resolvemos criar também o Indie Bus, destinado exclusivamente a espectadores do Indie, para poderem circular entre a Avenida de Roma e a Avenida da Liberdade, onde estão a ser exibidos os filmes.

A componente de formação faz parte das apostas do Indie Lisboa, nomeadamente com Lisbon Talks. Qual é o principal intuito desta opção?
Achámos que um festival que pretende ser um espaço de reflexão tinha de ter uma iniciativa deste género. Pretendemos criar uma maior proximidade entre o nosso público e os agentes do meio profissional do cinema. As conversas com os realizadores também já existiam, mas apenas no final da sessão. Nesse sentido achámos que aquelas pessoas que falavam sobre o seu trabalho precisavam de encontrar-se, criando assim um contexto profissional onde se discute o trabalho de cada um.

O critério de escolha entre 2500 filmes inscritos pode ser bastante complicado. Mudou alguma coisa em relação à metodologia de anos anteriores?
Fundamentalmente, precisámos de mais pessoas para verem os filmes, devido ao crescimento rápido que se verificou desde a primeira edição. Foi por isso que reforçámos a equipa com quatro pessoas que trabalham nas longas-metragens e duas pessoas com as curtas, e uma terceira que ajuda a desempatar quando não estão de acordo. Com esta medida conseguimos, a meu ver, a melhor programação de sempre do Indie Lisboa.

Há várias referências a filmes de anteriores edições do Indie. É o caso de Sam Peckinpah ou Lisandro Alonso. Há uma preocupação com a continuidade e a ligação com as anteriores edições?
De facto há muitos festivais que escolhem acompanhar autores e não propriamente filmes, o que pode levar à exibição de maus filmes. Nós não temos essa pretensão. O que gostamos é de autores que fazem bons filmes. Como tal, temos repetido autores que conseguem isso memo. Com isso começou a fazer mais sentido a secção do Observatório do Festival, porque há autores que as pessoas já procuram quando optam por aquela lista de filmes. Curiosamente, este ano, há mais autores que fazem curtas e longas-metragens, tornando este festival uma mistura entre os dois géneros.

Ao olhar para a lista de filmes seleccionados, houve um em particular que captou a minha atenção: “Olhar o Cinema Português”, 1896-2006, de Manuel Mozos. O défice de conhecimento da nossa história cinematográfica por parte da maioria do nosso público pesou na escolha deste filme?
Foi a primeira vez que coincidiu a apresentação de um filme deste realizador, de quem gostamos muito e que, tendo esta oportunidade, não podíamos passar ao lado de um filme sobre uma temática tão interessante que, de alguma forma, atesta a vitalidade do nosso cinema, mas ao mesmo tempo a selectividade dos filmes que foi feita por Mozos.
Decidiram este ano introduzir o programa especial: New Crowned Hope e uma homenagem ao festival L’Alternativa de Barcelona. O que está por detrás destas opções?
O primeiro está relacionado com o 150.º aniversário do Mozart, onde vamos exibir sete filmes, seis longas e uma curta-metragem, de autores que conhecemos há algum tempo, de quem gostamos muito, e que achámos que faria sentido exibir. O segundo resultou de um encontro de vontades, que veio no seguimento de nos terem convidado na edição transacta do festival deles, que teve lugar em Novembro de 2006, para mostrar uma série de filmes. Ficou então nessa altura prometido um evento semelhante em Lisboa, devido a um respeito mútuo e pela contaminação de gosto entre ambas as partes.

O herói independente deste ano foi dedicado a Shinji Aoyama e ao cinema alemão contemporâneo. O que está na origem destas escolhas?
Acaba por estar relacionado com a história deste festival. Desde o início que nos identificamos com um determinado tipo de cinema alemão, embora seja difícil para nós catalogarmos esse género. Nesse sentido, não se trata de uma retrospectiva do cinema alemão contemporâneo. Nesta secção propomos um olhar sobre uma determinada corrente de cinema alemão mais realista, ligada a classes trabalhadoras, ao contexto familiar dentro de portas, que vem na tradição de outros filmes exibidos em edições anteriores. A homenagem ao Aoyama vem no seguimento da atenção especial que dedicamos a cineastas asiáticos. Neste caso em particular trata-se de um realizador bastante ecléctico, que envereda por vários géneros, excepto pelo terror, devido a uma espécie de pacto que fez com o seu antigo professor que é especialista nesta área.

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