2020/07/07

Semanário – Desporto 143por Manuel Lopo de Carvalho

1 – Terminado que está o defeso importa agora fazer uma breve análise da forma como o mesmo decorreu para as tradicionais equipas candidatas ao título de campeão, bem como avançar com algumas previsões para o campeonato que agora vai começar.

A primeira constatação que me permito referir é que o F.C.Porto continua fortíssimo, o Sporting reforçou-se bem, voltando a ter uma equipa competitiva, o Benfica ficou na mesma e o Boavista caiu a pique em termos de qualidade e competividade.
Analisando um pouco melhor o sucedido nestes três meses de não futebol, verificou-se que fruto do encaixe financeiro proveniente das vendas de Hélder Postiga e de Ricardo Quaresma e mais recentemente de Cristiano Ronaldo, o F.C.Porto e o Sporting conseguiram reforçar as suas equipas com jogadores de indiscutível qualidade. Jogadores como McCarthy, Pedro Mendes, Ricardo, Polga e Rochemback são indiscutíveis mais valias que dão garantias de bom rendimento. Acresce que o F.C.Porto conseguiu não vender Deco o que, em meu entendimento, foi a sua melhor contratação de todo este período.
Do lado oposto, ou seja, dos “pobrezinhos” verifica-se que o Boavista vendeu os seus melhores valores, sendo a queda em termos de rendimento desportivo evidente. O Boavista não tem este ano uma equipa para aspirar a mais que o meio da tabela. Os primeiros resultados são disso prova evidente.
Quanto ao Benfica a situação é ligeiramente melhor no plano desportivo pois não vendeu, até ver, nenhum dos seus jogadores mais importantes, mas também não reforçou a equipa em lugares claramente carenciados, apesar dos apelos angustiados do seu treinador.
No âmbito das expectativas que foram criadas em redor do Benfica, quer pela comunicação social, quer pelos dirigentes encarnados, é que a situação não é nada favorável. De um ambiente de grande expectativa quanto a reforços, em que quase todos os dias era anunciado um “truta” como praticamente contratado, em que o presidente da SAD prometia aos sócios a vinda de Rui Costa, em que o treinador referia que o Benfica devia comprar jogadores como o já referido Rui Costa ou, pasme-se, Ronaldinho Gaúcho, eis que para a nova época a equipa aparece com dois únicos “reforços”: Alex e Ronald Garcia! O primeiro parece que é bom rapaz mas não é claramente daquele filme. Quanto ao segundo, o treinador deu-lhe de imediato guia de marcha para o Alverca, apesar de ter custado trezentos mil contos!
Resultado: o desânimo nas hostes benfiquistas é generalizado.
Existe porém uma situação que pode alterar um pouco este estado de espírito que é o facto de se aproximarem as eleições no clube pelo que é muito provável que o candidato do regime, ou como se dizia no tempo da ditadura, o candidato da situação, tire da manga algum coelho, perdão jogador, e o acene aos sócios como um troféu de caça. Vamos ver, pois a probabilidade que isto aconteça é grande. Até lá, porém, a descrença está instalada entre os benfiquistas.
Em conclusão, no campeonato do defeso o campeão foi o Sporting seguido de perto pelo F.C.Porto. Em terceiro lugar mas bem distanciado e a perder fulgor competitivo vem o Benfica. Em quarto lugar nesta competição aparece o Boavista claramente em queda e com prespectivas futuras algo sombrias.
2 – No que respeita às previsões para o campeonato, estas apontam para uma luta entre o F.C.Porto e o Sporting para o primeiro lugar.
Começando pelo F.C.Porto, pode dizer-se que ao manter o Mourinho, Deco e com os reforços que conseguiu não vai ver diminuída a sua capacidade. Apresenta-se pois como o principal favorito.
O Sporting conseguiu ver-se livre de um treinador que só foi bom enquanto dispôs do abono de família chamado Jardel e contratou um técnico português com provas dadas, embora, a meu ver, com excessivas preocupações defensivas. Por outro lado reforçou a defesa e o meio campo que apresentavam claros sinais de perca de competitividade. No ataque é que a situação não está brilhante. As saídas de Quaresma, Ronaldo e a dispensa de Jardel não foram compensadas devidamente. A contratação de Silva é claramente insuficiente. Está, porém, anunciado pela direcção leonina a contratação de um “matador” para a frente de ataque. Se tal se verificar o Sporting pode aspirar seriamente a lutar com o F.C.Porto pelo primeiro lugar. Caso contrário deverá ter assegurado o segundo lugar.
Quanto ao Benfica, depois do defeso desastroso que protagonizou, direi que não é expectável que possa ir além do terceiro lugar.
Com efeito, o Benfica deixou-se claramente ultrapassar quer pelo F.C.Porto e pelo Sporting em termos de reforço da equipa principal. Dispõe de um treinador que está clara e publicamente descontente com o incumprimento das promessas que a SAD lhe terá feito quanto a reforços. Está manietado com uma situação de quase exclusivo com o empresário José Veiga, a qual vai seguramente provocar fortes tensões internas com o treinador e o seu empresário. Não tem estádio próprio para jogar até meados de Outubro e não dispõe de centro de estágio e treinos tendo que andar a treinar onde calha. Tem uma Direcção que se demitiu das suas funções e uma SAD que muito promete e pouco faz. Tem eleições em Outubro, o que sempre desestabiliza o poder instalado. Não tem dinheiro, nem grandes perspectivas de o arranjar.
Face a este panorama não se vê como seja possível considerar o Benfica candidato ao título. Só se for com a ajuda de Nossa Senhora de Fátima.
Quanto aos “outsiders”, e dado o desaparecimento do mapa por parte do Boavista, apenas o Vitória de Guimarães se apresenta com alguns argumentos para incomodar os grandes. Parecem-me contudo insuficientes para que o clube possa aspirar a algo mais que o quarto lugar.
Em conclusão, e com o risco que todas as previsões têm associadas, aqui fica a minha aposta para o campeonato que agora se inicia: F.C.Porto – 1º lugar; Sporting – 2º lugar; Benfica – 3º lugar; Vitória de Guimarães – 4º lugar.
Em Maio de 2004 veremos se tinha razão antecipadamente, ou se me enganei redondamente!
Como benfiquista faço votos para que o engano prevaleça, que possa dar a mão à palmatória e comemorar efusivamente a vitória do meu clube de sempre. Já não seria sem tempo.

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