2019/09/21

Crise económica é a maior do período pós-guerra

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deslocou-se ao Japão, durante a semana que agora termina, naquela que foi a sua primeira visita ao exterior, enquanto secretária de Estado. O Japão rumando depois à Indonésia, em uma nova etapa de sua primeira viagem oficial como chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

Japão mergulha na crise

A economia nipónica, tida como uma das mais fortes do planeta, encontra-se num estado extremamente frágil, culpa da crise que não perdoa nem aos mais ricos

Os sinais que vinham revelando a debilidade da economia do país do sol nascente têm vindo a acentuar-se, contudo, nos últimos tempos esses tornaram-se bem mais visíveis e chegou a altura dos responsáveis admitirem o que já não pode ser escamoteado, a economia japonesa encontra-se numa fase de recessão. O facto de atravessar este período negro aumenta o descontentamento dos seus cidadãos, habituados a não serem atormentados com questões do género, e que agora vêem a sua nação a sofrer aquela que já é considerada, pelas próprias autoridades, como a pior recessão desde o final da II Guerra Mundial, altura em que se iniciou o milagre nipónico, que fez com que um dos países mais atingidos pelo conflito e que viu parte do seu território reduzido a nada, ascendesse a pulso e se tornasse numa das maiores potências económicas ao nível global.
A economia daquele país sofreu, só no último trimestre do ano transacto, a maior contracção das últimas décadas, tendo o seu PIB sido reduzido em cerca de 13% face ao período homólogo de 2007. Esta quebra funcionou como uma espécie de dano colateral face às recessões que afectaram os principais parceiros comerciais do país, como os Estados Unidos e a União Europeia, aliados económicos, que em crise profunda deixaram de comprar os produtos japoneses, facto que afundou as exportações nipónicas.
Tendo em conta os dados do trimestre anterior, o PIB contraiu-se 3,3%, segundo anunciou a entidade responsável pela estatística nipónica. Este parâmetro caiu pelo terceiro trimestre consecutivo, o que fez o país declarar oficialmente o estado de recessão. A contracção apurada nos últimos três meses do ano passado ficou acima do estimado por vários especialistas em economia, cujos estudos apontavam para uma quebra estimada em 11,6%. A contracção intertrimestral de 3,3% é superior ao registado noutras economias do mesmo género, como é o caso da americana, que se contraiu em 1% e da Zona Euro que caiu 1,5%.
No quarto trimestre, as exportações do Japão reduziram-se a um nível nunca antes visto, de 13,9%, face ao terceiro trimestre, muito por culpa da quebra da indústria automóvel e do ramo da electrónica, duas das maiores áreas de exportação do país. Grandes industriais como a Toyota, a Hitachi e Sony já reportaram prejuízos e estão a despedir milhares de empregados.
A economia nipónica encontra-se a atravessar “a pior crise desde 1945”, segundo afirmou o ministro da Economia, Kaoru Yosano, agora demissionário, depois de uma insólita aparição numa conferência de imprensa, após um encontro do G7, em que o responsável governamental nipónico aparentava um elevado estado de embriaguez, desmentido pelo próprio, que culpou o jet lag e os medicamentos para a gripe, como responsáveis da sua incapacidade em se expressar e mover. “Esta é a pior crise desde o fim da guerra. Não há nenhuma dúvida quanto a esse assunto”, disse Yosano, em declarações à comunicação social.
“A economia japonesa, cujo crescimento depende bastante das exportações de automóveis, de maquinaria e de produtos electrónicos, foi literalmente devastada” pela crise, avançou o mesmo.
“O Japão será incapaz de recuperar sozinho. Não há fronteiras na economia. A nossa economia vai recuperar ao mesmo tempo que as dos outros países”, continuou o governante, acrescentando ainda que “reconstruir a economia nacional é uma questão de responsabilidade frente aos outros países”.

Administração Obama quer colaborar com os japoneses

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deslocou-se ao Japão, durante a semana que agora termina, naquela que foi a sua primeira visita ao exterior, enquanto secretária de Estado. O Japão rumando depois à Indonésia, em uma nova etapa de sua primeira viagem oficial como chefe da diplomacia dos Estados Unidos.
Durante sua estada em Tóquio, Hillary encontrou-se com o primeiro-ministro Taro Aso, com quem discutiu sinergias a serem concertadas entre o Japão e os EUA e falou sobre a Coreia do Norte. A secretária também conversou a respeito da visita do chefe do governo japonês à Casa Branca, prevista para a próxima semana.
Conforme havia já anunciado à chegada ao Japão, Aso será o primeiro líder estrangeiro a ser recebido na Casa Branca pelo Presidente Barack Obama.
Numa conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros Hirofumi Nakasone, Hillary advertiu a Coreia do Norte contra o possível lançamento de um míssil intercontinental e destacou a importância de uma desnuclearização “completa e verificável”.
A imprensa nipónica destacou a visita da senhora Clinton como um sinal da mudança que o Governo de Obama propõe e de uma nova atitude norte-americana, segundo os japoneses, “mais dispostos a escutar”.
Depois do país do sol nascente, a responsável pela política externa de Washington rumou a Jacarta, para se reunir com os governantes indonésios, um dos aliados dos norte-americanos na zona.

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