2020/10/22

Sócrates vai demitir-se antes do Congresso do PS?

E se Sócrates se demitisse antes do Congresso do PS, tornado a reunião magna do final do mês numa grande arena de exaltação socialista e tributo ao seu herói, rumo às legislativas? Para já, José Sócrates vai ser eleito secretário-geral do PS nas directas deste sábado.

Em condições excepcionais tudo é ainda possível no PSD

E se Sócrates se demitisse antes do Congresso do PS, tornado a reunião magna do final do mês numa grande arena de exaltação socialista e tributo ao seu herói, rumo às legislativas? Para já, José Sócrates vai ser eleito secretário-geral do PS nas directas deste sábado. É o ponto de não retorno para um homem debaixo de fogo nas útimas semanas. Entretanto, em vários sectores do PSD há a convicção de que uma demissão de Sócrates também poderia levar os social-democrata a apelar a todas as suas energias, galvanizando o partido em torno de um novo líder, uma figura credível
mas com notoriedade e boa imagem mediática, capaz de tirar, realmente, a vitória a Sócrates ao apanhar o líder socialista num momento de grande fragilidade. Quem? Só há um social-democrata nessas condições: Marcelo Rebelo de Sousa.

E se Sócrates se demitisse antes do Congresso do PS, tornando a reunião magna do final do mês numa grande arena de exaltação socialista e tributo ao seu herói, rumo às legislativas? Sócrates parece ter muita coisa a ganhar se puser tudo em pratos limpos. A legitimação nas urnas, contra suspeitas e ameaças, poderia ser a solução. Não ficando à espera de Godot, que pode não chegar. Por um lado, o processo Freeport pode não ser finalizado tão depressa , face às numerosas diligências que ainda têm de ser feitas. Por outro, mesmo se o processo for finalizado, o barulho pode continuar. Ou porque não foram feitas todas as diligências ou pelo próprio clima de suspeitas que se gerou à volta do Ministério Público. Deste modo, a opção pela via das urnas, coloca o assunto no campo político, afastando-o das fragilidades judiciais. Sócrates tem como motivação para ir por este caminho as várias sondagens que deram o PS com as mesmas margens confortáveis em relação ao PSD. A demissão de PM e as eleições antecipadas teriam, também, a grande vantagem para Sócrates de, com grande probabilidade, obrigar o PSD a ir às urnas com Ferreira Leite na liderança, perante o aperto de tempo para os social-democratas mudarem de líder, fazerem directas e ainda realizarem um novo Congresso. Nas sondagens, Ferreira Leite tem aparecido com valores muito fracos, que ameaçam o PSD com o seu pior resultado de sempre. Mesmo nas projecções depois do ressurgimento do caso Freeport, a líder laranja manteve os fracos indicadores, o que até motivou uma reacção do PSD, denunciado a credibilidade das sondagens.
Mas será mesmo assim? Em vários sectores do PSD há a convicção de que a necessidade faz o hábito e a oportunidade. Ironicamente, perante a demissão de Sócrates, o PSD também poderia ter um apelo de sobrevivência, com os laranja s a exortarem à demissão de Ferreira Leite, em face do interesse superior do partido e do país. Curiosamente, os sucessivos timings que os críticos da líder lhe têm dado, onde se enquadram quer os críticos previsíveis, como Luís Filipe Menezes, quer os mais imprevisíveis, que têm vindo de sectores cavaquistas e mendistas, ficariam resolvidos por si só com a demissão de Sócrates. Ou seja, Ferreira Leite tinha mesmo perdido a oportunidade porque já não havia mais tempo para mostrar resultados. Em vários sectores social-democratas há a convicção, no cenário de legislativas antecipadas, de que é possível vencer Sócrates , sobretudo face ao momento de grande fragilidade que o primeiro-ministro enfrenta face ao caso Freeport. Esta oportunidade pode, aliás, não se repetir. O perigo de Sócrates ganhar as legislativas, derrotando Ferreia Leite, e encerrar por via política o caso Freeport, é considerado como muito perigoso no PSD. Até porque Sócrates , com mais quatro anos de mandato garantidos, ficava com muitas cartas para jogar. Se ganhasse com maioria absoluta, ficava mesmo com o baralho todo. Nos mesmos sectores laranjas, há também a percepção de que os maus resultados das sondagens, mesmo com o Freeport, não são o efeito de uma legitimação de Sócrates em relação ao caso do outlet de Alcochete mas que são, sim, reflexo da inexistência de uma alternativa política real ao líder socialista. Neste quadro, se aparecesse um líder laranja credível mas com envergadura, notoriedade e boa imagem mediática teria grandes hipóteses de tirar a vitória a Sócrates. Quem? Só há um social-democrata nessas condições: Marcelo Rebelo de Sousa.
Pedro Passos Coelho, apesar do esforço que tem feito para se manter à tona política nos últimos meses, com grande prejuízo, aliás, para Ferreira Leite, não tem, naturalmente, a envergadura intelectual, a carreira profissional, a notoriedade e projecção mediática de Marcelo Rebelo de Sousa.

E Marcelo ainda pode avançar?

O comentador televisivo já por várias vezes , nos últimos meses, criticou Ferreira Leite. Teve sempre de emendar a mão a seguir, o que pode ter sido deliberado, de modo a ganhar espaço, demarcando-se de Ferreira Leite ao mesmo tempo que se mantém, naturalmente, solidário com ela, como membro da mesma família política cavaquista. Mesmo as juras recentes de Marcelo de que só seria candidato em condições muito excepcionais poderiam estar reunidas perante a demissão de Sócrates e a quase inevitabilidade de Ferreira Leite ser derrotada nas urnas.

Marcelo Rebelo de Sousa poderá ser, também, o único candidato a líder para o qual Ferreira Leite poderia admitir renunciar, face á envergadura e historial do professor, sem perder minimamente a face, cumprindo o interesse do partido e, sobretudo, o interesse do país. Por sua vez, com o avanço de Marcelo, as muitas famíliias do PSD não tinham outra alternativa que não dar-lhe apoio, mesmo a contragosto. Passos Coelho não tinha margem para não o apoiar. Santana Lopes, envolvido na luta pela capital, também não poderia afrontar Marcelo. Ou seja, o professor tinha excelentes condições para unificar o partido à sua volta. Todos os anteriores líderes do partido poderiam apoiá-lo, Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, mesmo Luís Filipe Menezes, sem espaço para ter outra posição. Marcelo Rebelo de Sousa seria também a personalidade melhor colocada para captar algumas figuras de projecção, independentes, para apoiarem o PSD e integrarem um futuro governo sombra Marcelo seria ainda, o melhor líder para combater Sócrates com o argumento de que poderia ser ele o melhor garante para aplicar politicas correctas contra a crise económica, apresentando um programa minucioso e coerente.
Figura pública notória, que os portugueses todos conhecem, Marcelo não deveria ter dificuldades em impor-se rapidamente. A pressão do calendário poderia, aliás, jogar a favor do professor. Não haveria tempo para operações de desgaste, que têm sido muito habituais no PSD em relação aos últimos líderes.

Reunião magna dos socialistas marcada para o final do mês
O que espera do congresso do PS?

Simões Ilharco

A reunião magna dos socialistas, que é antecedida das directas, a realizar hoje e amanhã, está marcada para o final do corrente mês. À pergunta do SEMANÁRIO, “O que espera do congresso do PS?”, respondem cinco socialistas, que contemplam algumas das sensibilidades do partido.

Manuel Alegre
“Nada de novo”

“Infelizmente, não espero nada de novo.”

Marcos Perestrelo
“Projecto sólido”

“Espero que o congresso do PS seja uma oportunidade de reafirmação do PS, como o único partido com um projecto sólido para Portugal, capaz de modernizar e desenvolver o País.”

Vítor Ramalho
“Reforço do ideário”

“Como sempre disse, espero que proporcie um debate sobre ideias, suportadas nas causas do socialismo democrático. É fundamental que o PS reforce o seu ideário, porque é com ele, só com ele, que se ganhará o futuro.”

Miguel Coelho
“Reafirmar liderança”

“Espero do congresso do PS a reafirmação desta liderança no País e no partido e, muito naturalmente, espero, também, a confirmação das propostas políticas que são apresentadas nesta moção de estratégia.”

Paulo Pedroso
“Plataforma política”

“Espero que dele surja a plataforma política para o Governo, na próxima legislatura, e a formulação de uma nova política local com que o PS se apresentará às autárquicas.”

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