2020/10/20

Aquisição da Fenosa pela Galp faz sentido

Segundo os analistas do BPI e da Espírito Santo Research, a possibilidade de a Galp Energia comprar a posição do Santander na União Fenosa faz sentido do ponto de vista ibérico. No entanto, a empresa espanhola Union Fenosa afirma-se preocupada com a concentração que poderá pressupor esta OPA, caso não haja intervenção por parte das autoridades, o que levará a uma posição dominante do sector energético do grupo.

A possibilidade de a Galp Energia comprar a posição do Santander na Unión Fenosa faz sentido do ponto de vista ibérico, segundo os analistas do BPI, que destacam o interesse de saber qual a posição da EDP neste cenário. A Espírito Santo Research tem a mesma opinião, mas alerta para os potenciais problemas de concorrência desta operação. O “Jornal de Negócios” noticiou esta semana que o ministro da Economia, Manuel Pinho, defende a compra da participação de 22% do Santander na Unión Fenosa pela Galp Energia. Adianta que já existiam contactos com o banco espanhol para o negócio, mas a sua realização poderá ser acelerada pela OPA da Gas Natural sobre a Endesa. No “Iberian daily”, os analistas do BPI consideram que este movimento “pode fazer sentido numa base ibérica, tendo em conta o recente anúncio da OPA da Gás Natural sobre a Endesa”. A “questão-chave será saber se os accionistas minoritários na Unión Fenosa podem tirar partido do hipotético preço a pagar ao Santander”, dizem. Segundo o “Jornal de Negócios”, o Santander pede 2 mil milhões de euros por esta posição de 22% no capital da Fenosa, que no mercado está avaliada em 1,5 mil milhões de euros. O banco espanhol quer um prémio na venda desta posição, por esta ser de controlo. A Unión Fenosa, terceira maior eléctrica espanhola, tem sido apontada, há vários anos, como um potencial alvo da EDP em Espanha, um cenário que perdeu alguma força quando a eléctrica de João Talone reforçou a posição na Hidrocantábrico para quase 100%.

Negócio dificilmente será aprovado
pela Comissão Europeia

A ENI tem um importante papel neste negócio, pois é accionista de referência da Galp Energia e controla 50% do capital da empresa de gás da Fenosa. “Apesar de consideramos que este negócio faz sentido do ponto de vista estratégico para a Galp, Fenosa e ENI, lembramos que será preciso uma autorização das autoridades da concorrência da União Europeia”, diz o analista Fernando Garcia, da Espírito Santo Research. A mesma fonte afirma que “dadas as perspectivas de um aumento nos níveis de concentração no mercado energético ibérico dado do negócio entre a Gás Natural e a Endesa, acreditamos que o negócio Galp/ENI/Fenosa dificilmente será aprovado pela União Europeia”. A Comissão Europeia chumbou a aquisição da Gás de Portugal pela EDP, mas não será chamada a pronunciar-se na fusão Gás Natural/Endesa, pois ambas as empresas tem mais de dois terços da sua actividade no mesmo país (Espanha).
O negócio EDP/EGDP necessitou do aval de Bruxelas devido ao envolvimento da ENI, que controla 33,33% da Galp.
“Também interessante será analisar a posição da EDP neste cenário e até que ponto poderá acontecer uma aproximação Galp/EDP, com vista a criar o terceiro maior operador ibérico no sector da energia”, referem os analistas Enrique Manrique e Laura Alonso, do BPI. Na terça-feira, o BPI afirmava que com a fusão da Gás Natural com a Endesa no horizonte, a EDP poderia voltar a tentar comprar a GDP à Galp Energia, um negócio que foi vetado por Bruxelas e que é semelhante ao agora previsto em Espanha. O banco de investimento alerta ainda para a importância da Iberdrola, que, segundo a imprensa, quer aumentar a sua posição na Galp Energia. A Iberdrola está interessada em tomar uma posição estratégia na Galp Energia e entrar no concurso para a atribuição de potência eólica em consórcio com a Energias de Portugal (EDP). Já no que diz respeito à aquisição da EDP dos activos da Endesa no sector do gás em Portugal, o BPI comenta que esta é uma com um impacto “neutral a positivo”, mas negligenciável do ponto de vista económico. A Endesa vai deixar de estar presente no mercado de gás natural em Portugal, onde detém participações nas distribuidoras Portgás (12,4%) e Setgás (9,7%). No dia em que a Gas Natural lançou uma OPA hostil sobre a Endesa, a EDP chegava a acordo com a Endesa Gas para a compra da sua participação nas distribuidoras de gás natural em Portugal.

Fenosa preocupada com concentração
no mercado enrgético

A empresa espanhola Union Fenosa anunciou que vai analisar os novos cenários que se abrem no sector energético resultantes da OPA hostil da Gás Natural sobre a Endesa, ao mesmo tempo que reafirma a importância das autoridades de defesa da concorrência e organismos reguladores para evitar posições de domínio de mercado, divulgou a empresa em comunicado. A empresa afirma-se preocupada com a concentração que poderá pressupor esta OPA, caso não haja intervenção por parte das autoridades, e que levará a uma posição dominante do sector energético do grupo resultante que, ao agrupar duas empresas com actividades eléctricas e de gás, “consolidaria a posição de domínio e limitaria a concorrência entre o gás e a electricidade, o qual resultaria em prejuízo dos consumidores”.
“Em linha com as preocupações expressadas pelo Governo de Espanha, que o levaram à revisão da regulação eléctrica”, a Unión Fenosa entende que “a transparência nas operações, a igualdade de oportunidades entre agentes e a salvaguarda dos direitos dos consumidores devem guiar a regulação dos mercados energéticos”. Num momento em que se define uma nova regulação com o objectivo de equilibrar estruturalmente o sector no âmbito da concorrência e da liberalização, “uma mudança empresarial tão relevante poderia condicionar as novas normas, que devem garantir a igualdade de oportunidades entre os agentes de mercado, empresas e consumidores”. A empresa espanhola espera que a nova regulação fixe com clareza, transparência e sustentabilidade as regras do jogo e afirma-se “confiante na actuação dos organismos reguladores e nas autoridades da concorrência, tanto espanholas como comunitárias, de tal forma que se condicione qualquer processo de concentração, com o objectivo de evitar distorções no comportamento dos mercados”.

Endesa quer Bruxelas a decidir sobre OPA
hostil da Gás Natural

A Endesa quer que sejam as autoridades da concorrência da Comissão Europeia a decidir sobre a oferta pública de aquisição hostil lançada pela Gás Natural sobre a maior eléctrica espanhola. Segundo o “El Pais”, o presidente do conselho de administração da Endesa, que se opõe à OPA da Gás Natural, está a preparar uma estratégia de defesa da investida da Gás Natural, que passa por pedir que seja Bruxelas a analisar os problemas de concorrência decorrentes da operação. Rafael Miranda teve já um contacto com o comissário europeu da Energia, Andris Piebalgs, e deverá aproveitar este contacto para forçar que seja Bruxelas a analisar o caso. Para se defender da ofensiva da Gás Natural, a Endesa contratou já quatro bancos de investimento para definir a estratégia a prosseguir. Segundo as regras actuais, a operação não terá de ser analisada por Bruxelas, pois as duas empresas em causa tem mais de dois terços do volume de negócios no mesmo país: Espanha. Bruxelas bloqueou a intenção da Energias de Portugal de comprar a Gás de Portugal, por considerar que a operação era prejudicial para os consumidores.

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