2020/02/19

Liberdade como hábitopor Francisco Moraes Sarmento

Uma das virtualidades da economia digital é fazer da liberdade um hábito, essa segunda natureza do homem. A teoria radica a liberdade no Espírito e, em termos operativos, no pensamento.

Desta perspectiva, a todo o tempo existe liberdade radicada no indivíduo que dela terá maior ou menor consciência conforme o seu grau de maturidade na arte de pensar. Não obstante, sob este ponto de vista, a liberdade não depender dos condicionalismos políticos, culturais e económicos, a inocência da criança, a idealidade do jovem e a imaginação do adulto são influenciados pelas instituições e, principalmente, pelas finalidades dadas ao ensino.

O repúdio pela arte de pensar cria escravidão e a infelicidade dos povos.

A liberdade carece de realização. Mesmo que o direito faça dela seu princípio e finalidade, bem sabemos que a “liberdade de expressão” é um mito das sociedades modernas. As opiniões, as necessidades e os desejos de cada um não são comunicáveis socialmente, a não ser às pessoas das nossas relações familiares, profissionais ou de amizade.

A atitude do consumidor é passiva perante os “fazedores de opinião”, ou os licenciados para publicar opinião, e a intervenção do Estado.

Massificar ideias, promover o espírito gregário, condicionar a procura e limitar o uso do dinheiro como instrumento de liberdade caracterizam a nossa sociedade em trânsito para um novo ciclo.

A Internet permite que as opiniões, as necessidades e os desejos individuais tenham influência social. A mais pura subjectividade goza de liberdade de expressão, ou seja, exprime-se socialmente sem censura das entidades intermediárias que procuram condicionar o ambiente oficial e institucional. O novo elemento altera relações de poder e cria hábitos e comportamentos. A liberdade é o novo requisito dos consumidores e caracteriza o contexto.

A censura é, cada vez mais, um acto bárbaro. Os tradicionais métodos já não bastam e há quem se apresse a conceber novos processos de controlo. O acto censório garante-se na justificação moral para obter a aprovação social. Este “consenso” coloca-nos facilmente a um passo da ditadura.

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